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Crónica: Perguntar ofende?


As perguntas são a forma mais simples e directa de questionar alguém, evidentemente; acontece que nem sempre é assim tão fácil… Perguntar não ofende, diz o ditado... Contudo… toda a pergunta é uma intromissão, mesmo que, grande parte das vezes, inocente e inócua. Ser inquisitivo causa perturbação e receio, perscruta-se o outro que se poderá sentir invadido ou devassado, por vezes até mesmo menorizado. Pode até ser assustador se se der a sensação de que a essa pergunta se seguirão outras, cada vez mais e mais invasivas...

Situações poderão ocorrer, também, em que as perguntas não devem ser directamente apresentadas, sob pena de serem interpretadas como forma de questionar a autoridade do outro.

Frequentemente as perguntas são uma técnica de conversação utilizada para:

• Enfatizar a diferença de ideias entre interlocutores.
• Ridicularizar alguém.
• Criticar ou fazer troça.
• Encontrar culpados.
• Deixar transparecer uma ideia de superioridade, designadamente intelectual.
• Expressar um ponto de vista.
• Pressionar.
• Iniciar uma discussão.

Assim, e para evitar situações embaraçantes ou conflituosas, as perguntas devem ser uma prática de comunicação (genericamente) utilizada com o objectivo de:

• Averiguar.
• Nos assegurarmos da nossa própria percepção sobre algo.
• Ajudar à compreensão do interlocutor.
• Convidar o outro a corroborar, ou não, o nosso ponto de vista.
• Induzir à acção.

Existem vários tipos de perguntas:

• As fechadas (aquelas cuja resposta é “sim” ou “não”).
• As que induzem o outro a responder o que pretendemos que responda.
• As que direccionam o rumo do assunto.
• As abertas (aquelas cujas respostas não são nem afirmativas nem negativas).
• As de reflexão, que não exigem resposta mas funcionam como uma última afirmação.
• Aquelas que levam o destinatário a reflectir ou a agir.

As regras de civilidade restringem a inquirição sobre alguns “temas proibidos”, temas estes que não é, de todo, correcto abordar face a pessoas com quem não se tem significativa intimidade. Alguns destes temas são, como é sabido, as crenças religiosas e as convicções políticas, bem como todos os assuntos do foro íntimo. Não é também de boa educação inquirir o outro sobre os seus rendimentos económicos, aspectos confidenciais da sua vida profissional ou de negócios. Todas as questões relacionadas com falta de saúde também não devem ser apresentadas.

Claro que todas as circunstâncias são diferentes mas, em caso de dúvida se deve ou não fazer determinada pergunta, poderá sempre questionar-se a si próprio o que sentiria se lha fizessem a si…

Cristina Marques Fernandes


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