“Dress Code”: fato escuro
Recentemente assisti a um evento, nocturno, cujo “dress code” indicado no respectivo convite era “Fato Escuro”. Como, além de dedicada a estes temas do protocolo e da etiqueta, tenho por hábito observar o que me rodeia, foi interessante concluir o seguinte: ou muitos dos participantes simplesmente não sabem interpretar esta indicação de traje ou, se sabem, preferem, por mil e uma razões que não me cabe adjectivar, “dar nas vistas” - e nem sempre pelas melhores razões!
A indicação “fato escuro” é, certamente, um dos códigos de vestuário masculino com maior frequência aconselhado, quer no dia-a-dia profissional quer em eventos, tanto diurnos como nocturnos. Consiste no uso de um fato que, tal como o nome indica, deve ser escuro (em tons de azul, cinza ou mesmo preto), fato este liso ou com padrão muitíssimo discreto, acompanhado de camisa clara, de preferência também lisa (se em contexto ou evento formal, aconselha-se a intemporal camisa branca) e com gravata de boa qualidade. Monótono, dirão alguns. Discordo, porque a utilização de acessórios de bom gosto e qualidade (relógio, botões de punho, cinto, sapatos clássicos, preferencialmente de atacadores) poderão fazer toda a diferença face ao traje do dia-a-dia.
Pois bem, voltemos ao dito evento. Se muitos dos cavalheiros presentes cumpriram com dignidade o “dress code” indicado, outros apresentaram-se de “smoking” e outros tantos de fato e camisa sem gravata… Por sorte, que eu tenha reparado, de calças de ganga, nenhum…
Acresce que, em protocolo, habitualmente só se dá indicação do traje masculino, pelo que cabe às senhoras interpretar a respectiva equivalência. Ditam, também, as regras, que com um cavalheiro de fato escuro a senhora se apresenta de “vestido curto” (apesar de, em certas situações de eventos nocturnos de maior formalidade, se assistir ao uso de vestido longo). Pela designação “vestido curto” entenda-se um vestido de alguma “toilette” ou um fato de saia e casaco, sendo permitidos tecidos mais nobres e vistosos do que no dia-a-dia e, principalmente, acessórios mais sofisticados. Como penso que é unânime, as senhoras têm maior liberdade nas opções de escolha, factor que sendo positivo, também pode levar a que facilmente se caia no campo da falta de gosto e de sentido de oportunidade.
Claro que, desnecessário será dizer, um grande número de senhoras se apresentou de vestido longo e com modelos ultra-sofisticados, a meu ver totalmente desadequados à situação.
Note-se que o traje “fato escuro” não está reservado apenas a eventos, sendo o adequado a situações com menor ou maior grau de formalidade no quotidiano de muitos profissionais.
Cristina Marques Fernandes
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