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Crónica: A mudança de emprego


Felizmente que muitos profissionais, ao mudarem de emprego, o fazem por cessação do contrato de trabalho por acordo e porque surgem outras oportunidades. E melhores! Mas no caso de não se sair por vontade própria é preciso, ao retirar-se tentar, dentro do possível, fazê-lo evitando qualquer situação de conflito e procurando manter um relacionamento cordial com os envolvidos: colegas, chefias e organização. Embora seja um lugar-comum mencionar o mundo é – mesmo – pequeno. É importante salientar que sair bem contribui para manter o caminho aberto, numa situação futura. E ainda que não seja o mais frequente há quem regresse à mesma empresa: porque não gostou da experiência, porque não se identificou com a cultura...

Todo o cuidado é pouco na manutenção da boa imagem e da postura profissional. Tente manter um relacionamento cordial com a chefia até à saída e seja moderado ao agendar entrevistas, marcando-as fora do horário de trabalho, sem começar de repente a ter consultas médicas três vezes por semana, ou adoecer, ou pior ter que ir a velórios de parentes afastados… entre outras desculpas. Nas entrevistas é relevante acentuar que é essencial ser astucioso ao falar do emprego atual e da própria empresa a um entrevistador, quer seja o recrutador ou o cliente final – é usual pedirem-se referências a duas ou três chefias anteriores. Nas entrevistas de seleção ou em qualquer contexto simplesmente não se devem tecer considerações negativas, revelar fatos ou informação privilegiada sobre a organização ou sobre os gestores, nem antes nem após a saída. Demonstre ter capacidade de manter a honestidade, a educação e, em situações complexas, serenidade.

No momento de pedir formalmente a demissão é preciso ter em conta alguns temas sensíveis: falar em primeiro lugar com a hierarquia, respeitar a antecedência legal e formalizar a intenção por escrito, através de uma carta. Se não tem muito jeito, nem tem grande à-vontade para estas reuniões, programe antecipadamente o que quer dizer e ensaie em privado, como forma de se preparar. Na reunião com a chefia explique as razões que o levam a querer sair, aproveitando o encontro para fazer um balanço dos projetos e das oportunidades que teve enquanto colaborador.

É possível que lhe peçam opinião sobre um possível substituto. Se tal acontecer, seja franco na resposta, aconselhe com perspicácia e abstenha-se fazer de comentários negativos sobre terceiros.

Sempre que possível e que se aplique peça uma carta de recomendação sobre o seu trabalho e disponibilize-a em situações futuras com o seu Curriculum Vitae.

A informação sobre a saída junto de colegas deve ser feita com cautela e só após ter acordado a data do último dia de trabalho com a hierarquia. Dependendo do clima que se vive na organização e da relação com o colega, seja prudente ao falar das oportunidades e das condições que lhe foram agora oferecidas.

Uns dias antes da saída acordada, envie um e-mail de agradecimento a todas as pessoas com quem trabalhou e deixe os seus contactos pessoais.

Acontece amiúde, quando já se está “fora” da empresa descuidar a imagem, aligeirar o vestuário, relaxar nos horários de início e fim de jornada, o que não é um comportamento ajustado.

Prepare-se para o novo desafio, confie nas suas capacidades e tenha presente que se o escolheram é porque era o candidato mais qualificado. Cumpra, por isso, a promessa!

Susana de Salazar Casanova


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