O vinho é branco, mas as uvas eram tintas
Em tese, uvas tintas dão vinho tinto. Mas é só em tese. No caso do champanhe, por exemplo, parte dos lotes vem da casta Pinot Noir. Ainda assim, um vinho branco feito com uvas tintas é, em Portugal, uma novidade. O vinho chama-se Invisível, é do Alentejo e foi criado na Ervideira pelo enólogo Nelson Rolo a partir da casta Aragonez. Chama-se Invisível porque, justamente, não se dá pelas uvas tintas e nunca tinha sido feito antes em Portugal.
O vinho é branco porque no processo de fermentação não entraram as películas das uvas, as únicas responsáveis pela cor do vinho. Só participou a polpa que, branca (na grande maioria das uvas tintas a polpa é branca), deu um vinho branco. A produção decorreu no dia 12 de Agosto, bem antes do nascer do sol, tendo a prensagem das uvas decorrido na vinha. O mosto foi depois transportado em camião frigorífico para a adega, onde fermentou a 15 graus.
Neste momento há perguntas que fazem sentido. A saber: Por que razão o produtor Duarte Leal da Costa decidiu fazer o vinho? Estamos perante um vinho radicalmente diferente ? O que se deve fazer com o vinho? Por ordem, diremos que criação do vinho é um misto de brincadeira e coisa séria. Brincadeira, porque falamos de quantidades pequenas de produção, coisa séria porque o vinho revela domínio técnico, criatividade e capacidade da equipa da Ervideira em chamar a atenção do mercado para a marca.
Quanto ao vinho em si, em nada se diferencia de um vinho branco tradicional, revelando, neste caso, notas inicialmente perfumadas que se moderarão para a família das frutas de polpa branca (pêra verde). A boca realça estrutura, acidez e notas doces. E é esta doçura que se usará para responder à terceira pergunta. Trata-se de um vinho polivalente, mas muito indicado para comidas asiáticas. Cada garrafa custa entre €7,5 e €8.