Aqui mandou a vontade do enólogo
A um enólogo pede-se que faça vinhos rentáveis, capazes de penetrar num mercado crescentemente saturado. Isto quer dizer que o técnico contratado pelo produtor tem de fazer vinhos adequados aos desejos do consumidor, ao gosto que vai fazendo tendências. Concorde ou não com as modas vigentes.
Acontece que há um enólogo português que costuma baralhar um bocadinho as coisas. Chama-se Vergílio Loureiro, é professor universitário nas áreas da enologia e tem a mania de procurar aquele que deve ser o perfil de cada vinho em função da região que lhe dá origem. No seu entender, o vinho testemunha um terroir definido e não os gostos padronizados a nível mundial.
Expliquemo-nos com este tinto D. Graça, lote 2007 – Selecção Vergílio Loureiro. A empresa Vinilourenço, do Douro, trabalha cerca de 40 hectares, produz vinhos para diferentes mercados e ganha prémios de nomeada. Vende e, presumimos, factura com lucro. O cenário perfeito. Mas uma vez resolvido este problema de gestão, o académico costuma seleccionar alguns lotes da adega onde trabalha para criar o tal vinho especial. É o caso deste D. Graça, que é a maneira do enólogo dizer o que deve ser um vinho do Douro. E daí ter a sua assinatura no rótulo.
Não estamos apenas perante uma estratégia de marketing, estamos perante uma política de gestão criativa, capaz de chamar a atenção dos consumidores para a diferenciação dos vinhos de um determinado produtor. E, já agora, que tem este vinho de especial ? Nos aromas e nos sabores, revela a matéria-prima que lhe deu origem (em particular a casta Touriga Nacional), significando isto que o trabalho de leveduras intensas e de madeiras aromatizadas não riscam nada neste vinho. É, por assim dizer, mais puro. Custa cerca de 20 euros.