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D. Alejandro foi fumar para outro lado

A morte do produtor cubano de charutos Alejandro Robaina no passado mês de Abril teve pouco eco em Portugal, mas, nos EUA, a coisa foi diferente, ao ponto do The New York Times lhe ter dedicado um obituário. Em tese, nos EUA não se vendem puros, mas qualquer aficionado americano sabe o criador da marca Vegas Robainas é uma lenda carregada de história. E muito longa. Alejandro fumou o primeiro charuto quando tinha 10 anos e o último quando fez 81. Morreu aos 91 anos.

A fama do produtor, designado cerimoniosamente por D. Alejandro, era tal que “ir à sua finca era o mesmo que ir visitar o papa ao Vaticano.”, salienta Pedro Cunha Martins, um dos mais maiores especialistas portugueses de charutos. Apreciadores, famosos de todas as artes e turistas desconhecidos pelavam-se por ver e ouvir D. Alejandro, trazendo sempre para casa uma caixa de puros autografada. De resto, dividia os dias entre receber gente de fora e controlar os processos de produção. Preocupava-se em controlar o ph dos solos – o factor crítico na produção de tabaco de qualidade.

Entre as visitas costumavam aparecer produtores de outras regiões do mundo, que traziam folhas de tabaco para D.Alejandro comentar. Ao fim de muitos anos o cubano arranjou um truque. Machucava com a mão esquerda a folha recebida e, com a direita, fazia o mesmo com uma folha das suas plantações. Depois, esticava as mãos em direcção ao nariz do convidado e dizia. “aromas, só os encontro na mão direita”.      

Com uma família ligada ao negócio do tabaco desde 1845, a revolução cubana bem tentou transformar as suas terras de Vuelta Abajo (região que está para os puros como Bordéus está para vinhos tintos) numa cooperativa. O produtor resistiu sempre e, reza a história, Fidel de Castro só aceitou tal “teimosia” - depois de horas e horas de conversa - por reconhecer uma qualidade suprema nos tabacos de Alejandro. E, também, por este ter sido sempre um adversário de Baptista. Tudo se lhe perdoava. 

Curioso é que a marca Vegas Robaina só apareceu no mercado em 1997. O sucesso foi imediato, com os puristas a colocarem os novos charutos ao nível dos Cohibas ou dos Hoy de Monterrey. Pedro Cunha Martins refere que um Robaina “é sempre um charuto de fortaleza média / média-forte, com capas muito regulares e sedosas”.    
 

Da finca cubana estão à venda em Portugal, nas lojas CigarWorld (El Corte Inglês), vitolas como Clássicos (caixa de 25 charutos por €210), D. Alejando (25 charutos por (€310) e, mais procurados, os Famosos (€ 200) e os Únicos (€260).         

Para terminar, outra história. Certo dia, um produtor de tabacos das Canárias (há quem diga que era italiano, mas para o caso tanto faz) abeirou-se de D Alejandro e perguntou em tom sarcástico: porque razão os tabacos cubanos são os mais atacados por bichos (uma complicada praga do tabaco). Resposta rápida: “es que los bichos no comen mierda”.

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