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Um Springbank com vinho Madeira

Já dissertamos sobre o assunto mais do que uma vez, mas, à semelhança do que acontece no mundo do vinho do Porto (a gente explica vezes sem conta a diferença entre um Vintage e um Colheita e nunca resolve as dúvidas dos amigos), nunca é demais repetir.

Cá vai: se dividirmos, percentualmente, as componentes que determinam o perfil de um whisky, 50 por cento vai direitinho para a madeira onde o whisky viveu quase toda a sua vida. Os aromas, os sabores e a estrutura de boca de um whisky são resultado da tipologia de cascos onde estagiou. Isto não é um capricho e muito menos um truque de marketing – é um facto.    
Grosso modo, e no que diz respeito aos grandes volumes, as destilarias usam cascos de Sherry (espanhóis) ou de Bourbon (americanos). Uns fornecem ao whisky aromas de baunilha ou caramelo, outros, notas de especiarias ou chocolate. São apenas alguns exemplos.
 
Sucede que, nos últimos anos, as destilarias procuram cascos de outras proveniências. Cascos que, tendo recebido durante anos vinhos generosos (Porto, Moscatel ou Madeira) ou bebidas destiladas (rum), possam, no fim das suas vidas, acrescentar complexidade ao whisky. É o caso da destilaria Springbank, que resolveu fazer um wisky com cascos que suportaram vinho Madeira durante anos. E não é pelo vinho Madeira ser nosso, mas com toda a justiça teremos de dizer que estamos perante um whisky de excepção (outstanding, como dizem os ingleses).

Ou seja, este Springank Madeira Wood de 11 anos é tão excepcional que de cada vez que o copo vai à boca ou ao nariz sentimos sensações novas. Começa aromaticamente com notas químicas, passa depois para especiarias e, de seguida, para a fruta. Na boca, um whisky poderoso, envolvente, macio e muito longo. No Single Malt Club custará 55 euros. É daquelas garrafas que se tem em casa para surpreender os amigos.                          

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