O Ardmore calha bem com o calor
Existem whiskies mais ou menos encorpados, mais ou menos madeirizados, mais ou menos perfumados e mais ou menos alcoólicos. Mas whisky de Verão, não. Ainda assim, há surpresas. Num destes dias provava-se um whisky considerado peso pesado no reino dos single maltes quando, lateralmente, surgiu outro teoricamente menos considerado por ser muito mais novo do que o primeiro.
Como se sabe, o tempo conta muito para a riqueza e o mistério dos whiskies. Mas aqui as coisas inverteram-se. E a surpresa dá pelo nome de Ardmore Traditional Cask. Porquê a surpresa? Lá está, pela notória frescura do single malte. Nesse dia de Julho quase apetecia inaugurar a categoria de whisky de Verão.
De início parecia-nos um Islay, mas não, é um Highland. E isto porque as primeiras notas aromáticas apontam para as notas de iodo ou turfa. Mas depois há como que uns indicadores cremosos de manteiga fina ou pastelaria, resultantes de um trabalho de madeiras americanas muito específico (o whisky passa por dois tipos de casco). Na boca sente-se volume, as tais notas turfadas, madeira e uma frescura impressionante. Não é um whisky fácil de encontrar, mas está disponível no Single Malt Club, aí por volta dos 40 euros.