Há nova colheita de Chryseia
Aos poucos, os vinhos do Douro deixam de ser pesados e procuram perfis mais elegantes. Este Chryseia 2008, feito por um português e um francês, comprova a ideia
Em Portugal quase não existem vinhos assinados por duplas de enólogos nacionais e estrangeiros. Aliás, assim de repente, só nos lembramos deste Chryseia 2008, mas pode ser que seja distracção nossa. É um vinho especial a diferentes níveis.
Desde logo, é feito pelos enólogos Charles Symington (do grupo Symignton, o maior produtor nacional de vinho do Porto) e Bruno Prats, responsável durante muitos anos pelos destinos do famoso Chateau Cos d´Estournel e hoje produtor no Chile e na África do Sul. Daqui resultou a empresa Prats & Symington.
Depois, é um vinho que, com matriz do Douro, tem características típicas de alguns tintos franceses, em concreto a elegância e a finura, sem que descure a estrutura de boca. Por questões de moda internacional, muitos tintos do Douro têm excesso de concentração, tornando-se pesados e doces na boca. Hoje tenta-se mudar este caminho. E o Chryseia (que significa Douro em grego) é um exemplo.
Na feitura do vinho entram as melhores uvas de quatro quintas emblemáticas do Douro (Vila Velha, Bonfim, Vesúvio e Perdiz), a que se juntará em futuras a Quinta de Roriz. Entram as melhores uvas, mas também as melhores tecnologias na adega, com destaque para cascos de madeira de 400 litros (por oposição aos de 250 litros), no que resulta um vinho menos marcado pelos aromas primários da madeira.
Ora, da selecção de uva das castas Touriga Nacional e Touriga Franca obtém-se um vinho com notas de frutos pretos, algumas flores e madeira discreta. Na boca sentem-se taninos sedosos e delicados, sem que tal comprometa o corpo do vinho. Muito bom equilíbrio entre estrutura, acidez e álcool, que é como deve ser. Cada garrafa custará cerca de 42,5 euros.