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Compota bem embalada, sem açúcar e... portuguesa

Há uns anos, um produtor da região vitícola de Palmela - a Casa Ermelinda de Freitas – criou o rótulo para um vinho novo (o Quinta da Mimosa) que era, literalmente, um pequeno círculo lilás, com uma gargantilha em dois tons de lilás. Foi o bom e o bonito. Os tradicionalistas rasgaram as vestes; os moderados, não só acharam piada como caíram na armadilha. A imagem do novo vinho teve como objectivo chamar a atenção de quem passava pelas prateleiras das garrafeiras como quem passa pela paisagem casa/trabalho, trabalho/casa. E funcionou com tal perfeição que por pouco não se inventava um novo conceito para o marketing de prateleiras. A maioria dos clientes parava para mirar a garrafa, o ponto de partida para a compra do vinho.   
Vem esta história à baila porque fomos vítima, esta semana, da mesma estratégia de marketing. Passávamos por uma prateleira de compotas, com inúmeras marcas, quando toda a nossa atenção foi captada por este bonito e elegante frasco de vidro que, por acaso, contém compota de figo. Ou, para se ser mais exacto, de “fig”. De resto, esta maneira pouco portuguesa de escrever o nome do fruto levou-nos a procurar a proveniência da nova compota. Frasco rodado e - espanto - era portuguesa. E, ainda por cima, feita sem adição de açúcar. Era muita novidade num só frasco. Frasco com design, com compota de figo (fruto nobre) e sem açúcar.
 
Mas é verdade. Esta compota Prisca Gourmet é elaborada em Trancoso, pela Casa Prisca, e faz parte de uma linha de doces de fruta bastante vasta (abóbora, alperce, tomate, morango e outros frutos vermelhos). Do que provamos desta casa que começou por fazer enchidos, podemos dizer que se trata de um doce com notório sabor do figo, com uma textura que permite identificar rapidamente a matéria-prima e – cá está a grande virtude -, com doçura moderada. O que calha bem nos dias que correm. Agradecem os nutricionistas e agradece Maria de Lurdes Modesto, que não se cansa de pedir menos açúcar à mesa. Nos domínios das compotas isso ainda é possível. Na doçaria conventual é que é capaz de ser mais complicado. No El Corte Inglês o boião com 230 gramas custou-nos perto de €4,95.

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