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Chefes portugueses no Canadá sem apoios oficiais

Entre 18 e 28 de Fevereiro, quem for aos melhores restaurantes portugueses só vai encontrar os sub-chefes. Os chefes - 21 - vão estar a cozinhar no Canadá, no Festival Montreal em Lumiére. Sorte a dos canadianos, azar o nosso. Aliás, azar é exagero porque os sub-chefes dão bem conta do recado. E bem mais importante é internacionalização da gastronomia portuguesa.
 
O Festival de Montreal em Lumiére é o maior evento na área da música e da gastronomia que se organiza no Canadá, com impacto considerável a nível internacional (o mítico Festival de Jazz de Montreal faz parte da mesma organização). Portugal é o país convidado desta edição onde participarão 18 produtores de vinhos. Isto, por si só, deveria ser motivo de orgulho por parte das instituições públicas portuguesas encarregadas de promover a imagem de Portugal no exterior. Mas, pelos vistos, não é. O Turismo de Portugal recusou apoiar a iniciativa com 75 mil euros por, entre outras razões, entender que o Canadá não é um destino turístico estratégico para o País. Resultado, quem vai arcar com as despesas da organização é o empresário Carlos Ferreira (dono do restaurante Ferreira Café e impulsionador da iniciativa) e os 18 produtores de vinho.
 
A atitude do Turismo de Portugal revela a insistente miopia com que as entidades oficiais olham para as potencialidades da gastronomia nacional como factor de atracção turística. E miopia da grossa porque Espanha fica aqui a dois passos da pátria. O país vizinho é hoje um potência gastronómica mundial porque o Estado e os governos regionais estão há vários anos a investir no sector, seja por via da organização de festivais em Espanha e no estrangeiro, seja pela criação de academias de turismo e gastronomia, seja ainda por via das campanhas publicitárias em mercados estratégicos. Em consequência, todos os anos, seis milhões de turistas visitam Espanha exclusivamente por causa das gastronomias espanholas. Estes seis milhões não escolhem o destino por causa do património, das praias, do futebol ou do golfe. Não, é por causa da fama criativa dos chefes espanhóis. Em Espanha as coisas são assim, em Portugal recusa-se 75 mil euros (não são 750 mil euros) para financiar a deslocação dos melhores chefes portugueses, que só vão mostrar à elite canadiana e americana a excelência da nossa comida, dos nossos vinhos, dos azeites e demais produtos alimentares.

Para um governo que fala do turismo como sector estratégico e apregoa a necessidade de internacionalizar a nossa economia, não está nada mal.
 
Carlos Ferreira, comentando para a Sábado o sucedido, disse-nos, encolhendo os ombros, que não sabia se haveria de sentir “vergonha” ou “medo” de quem dirige o País. “Vergonha, se calhar não porque já nada me admira, mas medo, sim, porque quando vemos que quem governa não percebe a importância de um evento desta natureza, é caso para nos assustarmos”.     
Os chefes portugueses que estarão em Montreal são Fausto Airoldi, Isabel Alexandre, Luís Américo, Sergi Arola, José Avillez, Luís Baena, Rita Chagas, Vitor Claro, Nuno Diniz, Marco Gomes, Joachim Koerper, Albano Lourenço, António Nobre, Pedro Nunes, Rui Paula, Leonel Pereira, Henrique Sá Pessoa, Paulo Pinto, Vitor Sobral, Ljubomir Stanisic e José Júlio Vintém. Cada um destes será chefe residente em diferentes restaurantes, com ementas criadas para de propósito para o festival. Os preços, por pessoa, podem variar entre os 95 e os 300 dólares canadianos. 
 
Os produtores de vinho são a Aliança, CARM, DFJ, Dona Maria, Esporão, J. Portugal Ramos, José Maria da Fonseca, Luís Pato, Malhadinha Nova, Nieport, Paço do Conde, Quinta de Chocapalha, Quinta do Crasto, Quinta do Portal, Quinta do Vale Dona Maria, Quinta do Vallado e Quinta do Mouro. A representação musical portuguesa estará a cargo de Mísia.

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