Bafarela 17, o campeão do álcool
No Douro, todos os anos há uma vinha que consegue produzir vinhos com 17 por cento de álcool. Com tal regularidade, é uma espécie de recorde nacional.
Por causa dos americanos – e em concreto por causa do guru Robert Parker – os produtores portugueses entraram, nos últimos anos, numa corrida aceleradíssima para a produção de vinhos alcoólicos. Quanto mais álcool, melhor seria o vinho.
Sucede que nem sempre é assim. Na maioria dos casos, tanto álcool torna o vinho doce, enjoativo, pesado e um sarilho no caso da PSP nos mandar parar. Os poucos casos que fazem a excepção da regra surgem quando o vinho em si tem estrutura suficiente para aguentar o álcool pujante. É o caso do Bafarela 17 Grande Reserva, da empresa Brites Aguiar, do Douro. 17 justamente porque o tinto tem 17 por cento de álcool. É claro que entre este vinho e um Porto vai a diferença entre José Sócrates e João Vale e Azevedo em matéria de compromisso com a verdade, mas o vinho agrada na boca. Pedirá, já se sabe, uma carne espevitada para equilibrar as coisas.
Quem quiser conhecer este vinho vai ter de ligar para o produtor ou então meter uma cunha numa garrafeira de referência. É que a produção não chega às 9000 garrafas e, todos anos, há um almoço dos amigos do Bafarela 17 que quase esgotam o vinho. No último encontro – onde marcaram presença três padres - ouviu-se dizer que determinado fanático havia comprado 12 mil euros de Bafarela 17, para ele e para os amigos. Seja como for, uma destas garrafas nunca custará menos do que 20 euros. Preço sem especulação de mercado.