Portugal a rir
Imagine o santuário de Fátima transformado num gigantesco parque de diversões. Depois pense como explicar os ingredientes do arroz de miúdos ou de uma dobrada aos turistas estrangeiros. Pode ainda reflectir sobre a profundidade filosófica das conversas sobre a meteorologia, tão caras aos portugueses.
Por fim, imagine todos estes temas abordados em textos escritos por Nuno Markl, Nilton e Luísa Costa Gomes, encenados por António Feio e interpretados pelo frenético José Pedro Gomes. O produto final chama-se "Vai-se Andando", uma peça que mergulha fundo nos defeitos, tiques e virtudes do povo português, onde as gargalhadas estão garantidas durante hora e meia.
O humor deste trabalho é um inteligente exercício de autocrítica, resumido numa das tiradas do texto: "Portugal é um país óptimo, o problema são os portugueses..."
Daí José Pedro Gomes salta para a psicanálise dos mais variados traumas nacionais, algums com séculos de existência, num monólogo delirante apenas interrompido por esporádicas intervenções (sob a forma de cacarejar) de um gigantesco Galo de Barcelos insuflável. A peça estreou esta semana no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa. A não perder.