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Pão e Circo

Luís Silvestre

Editor de Artes

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Deolinda na estrada

É fado mas não tem guitarras portuguesas, é popular sem ser popularucho, é português mas tem ares de world music. Os Deolinda estão de volta com o segundo álbum de originais, Dois Selos e um Carimbo, um trabalho maduro que ainda assim consegue a proeza de surpreender mais do que no trabalho de estreia, Canção ao Lado. A banda de Ana Bacalhau fez-se à estrada e começou no passado dia 7 de Maio, no Centro Cultural de Ílhavo a nova digressão, que irá percorrer todo o país.
No palco estão apenas duas faixas, com desenhos divertidos de peixes voadores e gaivotas calçadas com ténis que ajudam apenas a compor o ambiente para a energia à solta da vocalista. Mas se os adereços são contidos, banda não poupa na alegria e entusiasmo que transmitem ao público.
Estão aqui as raízes mais profundas do folclore português e não só: esta música é de cá e de lá. Adivinham-se sons e melodias que poderiam sair das rodas de samba brasileiras, das baladas de um trovador medieval ou até de uma fiesta espanhola. A banda teve a arte de conseguir reunir elementos musicais diferentes dando-lhes uma alma nova para criar algo inovador… outra vez.
Se o fado continua a ser a espinha dorsal, não é menos verdade que Deolinda arriscou e dispensou alguns dos mitos sagrados associados a este género de música. E depois existe Ana Bacalhau. A vocalista enche o espectáculo com a sua atitude positiva e provocante, vestida com as roupas garridas da personagem que dá nome à banda (aqui não há lugar para xailes pretos e ares sofridos, mas sim roupas garridas e alegria contagiante). Quem disse que não se pode dançar o fado? Com Deolinda pode!

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