O mundo fantástico de "Avatar" (crítica)
Florestas luxuriantes com criaturas exóticas, habitantes com três metros e pele azul, naves espaciais e seres biónicos, aventura, acção, romantismo e efeitos especiais nunca vistos. Junta-se tudo e mistura-se cuidadosamente à tecnologia 3D. Esta é a receita de James Cameron para o seu novo filme "Avatar", a obra mais aguardada do ano em Hollywood e que estreou esta semana.
O resultado final promete deslumbrar os espectadores, mesmo quando se percebe que algumas das ideias base são inspiradas noutros filmes. O enredo é em tudo semelhante a "Danças com Lobos": um guerreiro infiltra-se na tribo inimiga, apaixona-se e acaba por combater a sua própria civilização de origem.
As armaduras robotizadas já se viram em Alien. O romantismo é copiado de Titanic (precisamente, o última longa metragem de Cameron, feita já no século passado). E até tem pormenores de "Matrix" e "eXistenZ", de David Cronemberg, só para citar as referências mais óbvias.
Só que tudo isto resulta e encaixa na perfeição. Até as criaturas digitais atingem novos patamares de humanidade, nunca até agora alcançados por seres criados por computador. E Cameron consegue tirar o máximo proveito da tecnologia tridimencional, onde até as legendas em português são estrategicamente colocadas para não "atrapalhar" a magia da folhagem que parece real e ao alcance da mão dos espectadores.
O realizador até se deu ao luxo de contratar vários biólogos para tornar a fauna e flora imaginárias mais credíveís e uma consultora linguística que criou uma língua totalmente de raíz do povo Na'vi, a tal tribo imaginária extraterrestre. Fez até uma enciclopédia com 500 páginas com todos os pormenores do planeta Pandora.
Vai ser (já é!) uma revolução no cinema. A não perder.