Cabelo: cortar ou não cortar?
É impressão minha ou anda toda a gente louca com as idas ao cabeleireiro? Eu explico: no último mês cinco amigas minhas resolveram injectar-se com umas doses valentes de coragem e lançaram-se numa mudança de imagem. As que tinham o cabelo comprido passaram a tê-lo curto e que já o tinham curto cortaram-no ainda mais ou mudaram-lhe a cor. Depois, houve as menos aventureiras que “acertaram as pontas “ ou “cortaram a franja”, mas todas quiseram mudar de imagem, nem que fosse só um bocadinho. Estão todas maravilhosas, é um facto, e eu também quero. Mas tenho medo, muito medo.
Já sei que o cabelo cresce e que se ficar mal pode-se sempre arranjar de outra forma e blá blá blá. Certo. Mas e a determinação, vou buscá-la onde? Três anos sem me sentar mais de 10 minutos num salão de cabeleireiro fizeram-me desabituar destas rotinas. Três anos a acumular (carinhosamente) cabelo fizeram-me crer que não é preciso mexer-lhe mais para além das habituais lavagem e secagem caseiras (e um sérum de brilho, vá). Três anos em que não perdi tempo com o cabelo fizeram-me abandoná-lo aos efeitos do tempo. E três anos é muito tempo para agora ir largar metade da cabeleira à mercê de uma vassoura. É pessoal e é uma parvoíce, eu sei. Custa-me, o que é que querem?
Mas depois de ver estas mudanças de imagem todas tão bem conseguidas, eis senão quando me poisa no ombro o diabinho do cabeleireiro a minar-me a cabeça: “vá, anda lá, vai lá dar um jeito nisso”. “corta! corta! corta!”. Esperei pelo anjinho que me viesse convencer do contrário, mas nada... não apareceu... Então está bem, prometo que vou pensar no assunto, mas antes tenho só (coisa pouca) de descobrir o que fazer comigo.”Corta curto, fica giro. Muda, arrisca!”, dizem uns. “Não, por favor, não cortes o cabelo. Já está tão grande, agora era uma pena”, defendem outros. Afinal em que é que ficamos? É que eu, sozinha, não dou conta deste recado.