T.P.C.: Jogos tradicionais
A professora estava abalada.
- Se ela não tivesse defendido o colega.., comentava para outra colega, ela parecia uma leoa a fazer frente aos outros quando eu cheguei...
- E eles?
- Bom, eles achavam que não fazia mal nenhum, disse a professora. Afinal, a brincadeira é antiga.
- Não viram mal, então...
- Não, suspirou a professora. Estive no intervalo e gastei a aula a seguir e também a de Formação Cívica a conversar com eles, a tentar que percebessem que não estava correcto. Chamei a atenção aos aspectos de saúde, porque é perigoso!, mas sobretudo, relembrei a aflição do miúdo.
- Qual, o que não queria a brincadeira e provocou o alvoroço?
- Não, foi ela que provocou o alvoroço a defender o colega, senão não se teria notado. Mas eles são muito amigos e ele estava quase a chorar, pelo que percebi, e ela defendeu-o firmemente.
- Essa brincadeira tem um nome, não é?
- É, é o poste. Basicamente, eles consideram que é um teste de virilidade.
Queriam pegar nele, abrir-lhe as pernas e fazê-lo chocar, assim exposto, contra um pilar. Aparentemente, quem nesta situação não gritar, é muito homem!
- É, acho que alguns até assumem que é a sua brincadeira favorita. Enfim,...
- Não viram mal nenhum, nem mesmo depois de eu ter chamado a atenção que o colega não queria a brincadeira. Eu nem acredito, conheço-os há tanto, não os imaginava assim...
A colega acreditava. Afinal, já era uma brincadeira de muitos anos. E se a antiguidade não empresta autoridade, o que emprestará? Se a antiguidade não é um posto, não validará um poste? Mesmo que um dia possa correr mal?