Top 5: Os equipamentos mais feios de sempre
1. Hull City – 1992
Sempre que oiço a palavra tigresse, lembro-me de Lili Caneças. Os jogadores que representavam o Hull City, em 1992, têm a sorte de não saber quem é a socialite portuguesa, mas tiveram o azar de vestir um equipamento que mais parecia um traje de mau gosto de uma qualquer festa em que não se aprecia o bom do croquete para dar lugar à cascata de fruta. Nessa altura, o Hull City não andava na primeira divisão inglesa, nem se notabilizava pelo seu futebol. Valeu o “equipamento tigre” para poder andar nas bocas do mundo. O que será que Lili Caneças tem a dizer sobre esta camisola? Ter uma tigresse é o contrário de não ter uma tigresse? Estou a morrer de curiosidade.

2. Jorge Campos (guarda-redes do México, entre 1994 e 1998)
Não são muitos os guarda-redes a poder dizer que desenharam o seu próprio equipamento. Menos ainda aqueles que desenharam quase todos os seus equipamentos. O mexicano Jorge Campos é dos poucos que pertence a este estrito lote de guardiões/estilistas. Até nem era mau entre os postes, mas será sempre mais lembrado pelo arco-íris das suas camisolas do que pelas grandes defesas. As cores eram tantas – e tão berrantes – que chegavam a encadear os avançados adversários (pior era quando tinham o mesmo efeito sobre os colegas de equipa). Pelo estilo tropical-endiabrado, Jorge Campos será sempre uma das personagens mais marcantes da história dos mundiais de futebol.

3. Camarões (2002)
O mais incrível é que os tipos quiseram mesmo participar num mundial com este equipamento. Já se sabe que os jogadores africanos têm uma robustez física muito acima da média. São fortes, rápidos e, em alguns casos, apesar da grande musculatura, conseguem mover-se com muita agilidade. A selecção dos Camarões, ciente do poderio atlético dos seus jogadores, tentou destapá-lo para o mundo, talvez para impor ainda mais receio aos adversários. Mas alguém lhes devia ter dito que manga cava é para treinar ou para participar nos episódios dos Morangos com Açúcar. Quando a FIFA viu o equipamento versão Angélico, não teve dúvidas: proibição. Lá se foi o sonho dos Camarões em disputar o mundial de 2002 com os bracinhos ao léu. Sem o estímulo fashion, os africanos não conseguiram passar a fase de grupos e despediram-se da Ásia sem brilho.

4. Atlético Bilbao (2004)
O padrão desta camisola do clube basco seria feio até para uma toalha de mesa ou para um pano de limpar a loiça. Ficou imortalizado como o “equipamento ketchup”. Na época 2003/04, o Bilbao acabou o campeonato em posições europeias e o então presidente, Fernando Lamikiz, pediu ao artista Darío Urzay para desenhar uns equipamentos especiais destinados às partidas da UEFA. Logo na apresentação da nova farda, os adeptos do clube – bascos muito agarrados às tradições – ficaram em estado de choque. O equipamento gerou controvérsia em Espanha e muita troça no resto da Europa (incluindo no próprio site da UEFA). Seria abandonado apenas passado um mês. O artista ficou incrédulo com a decisão e não voltou a ser contactado pelo clube. Mas se o futebol rejeitou a ideia, os meios artísticos abraçaram-na com grande entusiasmo e resolveram imortalizá-la: quem quiser ver um exemplar ao vivo poderá dirigir-se ao ARTIUM – Museu Vasco de Arte Contemporânea de Vitória. Ketchup fora do lugar para uns; obra de arte para outros.

5. Shimizu (Japão)
Na Europa e na América do Sul poucos são aqueles que acompanham o futebol japonês ou conhecem alguma coisa deste campeonato. Mas também não era necessário pôr um globo terrestre para apontar a direcção dos relvados nipónicos. Ainda por cima sobre um fundo amarelo e laranja. Mesmo depois de um equipamento tão berrante, continuaremos a saber o mesmo sobre este campeonato e este clube. Muito pouco. Simplesmente agora poderemos dizer: “Campeonato japonês? Só conheço o Shimizu. Aqueles tipos das camisolas foleiras.” Também é provável que alguém tenha dito isto sobre Portugal nos tempos em que o Boavista era vivo.