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Solidariedade em tempos de crise


"Eu não diria que o Sporting está a atravessar um período de crise, diria que está no ponto mais agudo, mais alto da crise.»

Dias Ferreira resumiu, assim, a actualidade do seu clube no dia seguinte à eliminação da Taça de Portugal. As suas declarações são de grande pertinência. Nunca o Sporting esteve tão mal como agora. Desportiva e financeiramente.

A situação é tão grave que já começa a preocupar os adeptos rivais de Benfica e FC Porto. Após a derrota com o Moreirense, era incrível ler os comentários nas edições online dos principais jornais. Quem se lembra de ver benfiquistas e portistas dizerem que até estavam a torcer pelo Sporting e que querem que o clube saia desta crise rapidamente? É único. E faz todo o sentido.

Para os rivais, uma coisa é o Sporting perder de vez em quando e lutar pelas várias competições nacionais sem conseguir conquistá-las. Outra, muito diferente, é afundar-se na tabela e chegar a Outubro praticamente afastado de todos os títulos. Este cenário não interessa a ninguém.

É fundamental que se recupere um Sporting forte, intrometido na luta pelos principais troféus e autoritário fora de portas. As vitórias, porém, têm o condão de esconder os problemas sem resolvê-los. Tal como aconteceu na época passada. Domingos foi demitido prematuramente, mas Sá Pinto entrou e fez boa figura na Europa. Tudo parecia bem encaminhado até à derrota na final da Taça frente à Académica. A partir daí, a crise leonina voltou. E com toda a força.

Derrotas, pré-falência, trocas de acusações entre Godinho Lopes e Eduardo Barroso, Sá Pinto demitido, um treinador que nunca mais chega e outro que vai aguentando, com coragem, a indefinição à volta do posto que ocupa.

No meio de todo este caos, Godinho tomou a decisão de afastar Luís Duque e Carlos Freitas. Os dois responsáveis pela definição da estratégia para o futebol. Uma estratégia que falhou por completo.

Tinham de “rolar cabeças” e o presidente do Sporting decidiu, finalmente, agir. Não será por acaso que esta medida é tomada em vésperas de um Conselho Leonino que promete ser o mais quente e mais importante da história do clube. Se aguentasse Duque e Freitas, o presidente cairia com eles numa altura em que o fantasma das eleições antecipadas já paira sobre Alvalade.

O tempo dirá se esta foi a sentença mais acertada. Para já, é uma decisão de um presidente que parecia não ter capacidade para mexer no seu elenco directivo. Alguém que passava a imagem de estar completamente preso a estes dois homens. Agiu por instinto de sobrevivência, sim, mas agiu.

Falta o resto. E o resto ainda é muito. Novos dirigentes, novo treinador, investidores, resultados desportivos. Que tudo chegue rápido e para ficar. Temos de voltar ao tempo em que águias e dragões vibrem com as derrotas dos leões. É essa a ordem natural do futebol português.


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