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Roberto, o Feiticeiro Branco

“Por aqui não passarás!”, terá gritado Roberto antes do jogo frente ao Sporting, no primeiro dia em que usou um equipamento totalmente branco. Desde então, o guarda-redes do Benfica já leva dois jogos consecutivos no campeonato sem sofrer golos. Tal como Gandalf, de “O Senhor dos Anéis (que começou por ser o feiticeiro cinzento para se transformar no feiticeiro branco), Roberto parece ter encontrado a sua cor da sorte. Para trás ficaram os erros infantis que custaram pontos e críticas severas dos adeptos.
 
Não se espante, por isso, o caro leitor se o guarda-redes espanhol voltar a insistir no traje para os próximos desafios. O mundo do futebol está repleto de jogadores e treinadores que têm a mania de repetir os mesmos rituais até à exaustão.
 
No Mundial de França, em 1998, o defesa Laurent Blanc beijou sempre a careca do guarda-redes Fabien Barthez antes do início de cada partida e os gauleses sagraram-se campeões do mundo. Em 2006, na final entre França e Itália, Blanc já não estava na equipa e ninguém quis beijar a cabeça despida de Barthez. Para azar dos franceses, o médio italiano Gattuso apostou na falta de higiene como superstição: «Usei todos os dias a mesma camisola que vesti no primeiro dia, suei horrores e fiquei com um humor de cão porque não era capaz de tirá-la», revelou ao site da FIFA. Apesar do (mau) cheiro, Gattuso levou a taça para casa. Já o internacional alemão Mario Gomez não é muito dado ao cultivo da transpiração, mas diz que, antes de cada jogo, usa sempre o urinol mais à esquerda do balneário.  
 
Seja qual for o capricho, é tudo uma questão de fé. A mesma fé que está na origem da maldição de Tilcara, uma pequena cidade do interior da Argentina. Em vésperas da preparação para o México ´86, o então seleccionador Carlos Bilardo levou dez jogadores para treinar nesta cidade e os atletas prometeram a uma santa (Virgem de Copacabana) que voltariam àquele sítio se conseguissem ser campeões do mundo. Maradona e seus pares levantaram o troféu, mas no regresso à Argentina não cumpriram a promessa. Resultado: a selecção alviceleste não ganha um Mundial desde então e alguns adeptos acreditam que essa vontade só voltará a ser possível quando for quebrada a “maldição de Tilcara”.  
 
O Benfica vive situação semelhante com a maldição de Bela Guttmann. O treinador húngaro, bicampeão europeu pelos encarnados (1961 e 1962), deixou o recado antes de abandonar o clube: “Sem mim, o Benfica jamais ganhará uma Taça dos Campeões.” De lá para cá, os encarnados estiveram em cinco finais, mas perderam sempre.
 
Noutro tempo e noutra vida, Roberto não quer cair em azares eternos e tem conseguido mostrar uma nova face depois do pesadelo inicial. Resta saber quantos jogos irá durar o estado de graça do novo feiticeiro branco da Luz.

Maldição de Tilcara


Superstições dos jogadores da La Liga

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