Crónica: Quando os treinadores se "passam"
A relação entre treinadores e jornalistas é feita de amor e ódio, elogios e ofensas, sorrisos e provocações. O futebol português está recheado de casos do género. Toni foi o último a entrar para a galeria de vídeos virais de treinadores que se irritam em conferências de imprensa. O técnico do Traktor, do Irão, quis defender um dos seus jogadores da acusação de um jornalista. O tom azedou e recorreu a vários palavrões. «Foi um momento menos bom, mas não foi ofensivo. Aquele vernáculo é português do 'norte'», lembrou o próprio em declarações à TSF.
Toni não está sozinho em situações deste género. Apesar da longa carreira, é um novato nestas andanças comparado com outros treinadores. Veja-se o caso de Jorge Jesus. Para ele, flash interviews e conferências de imprensa são um desatino. Não gosta do contacto com os jornalistas, irrita-se por estar ali e raramente consegue esconder o seu estado de espírito. Ganhe ou perca.
Na época 2010/2011, após a vitória do Benfica no campo do Beira-Mar (3-1), começou a franzir a testa assim que o repórter da TVI lhe perguntou se ainda sentia o apoio da estrutura encarnada, apesar dos oito pontos de distância em relação ao FC Porto: «Oiça, você quer falar do jogo ou quer falar do quê?» «Aqui quem decide as perguntas sou eu», terá reagido o jornalista. JJ saiu de cena com um «então tchau!».
Mourinho aparece no lado oposto. Adora o contacto com a imprensa e usa todos esses momentos como parte da sua estratégia. As suas declarações são sempre um show, mesmo quando se chateia.
Sobre a ausência de Pedro Léon dos convocados do Real Madrid: «Vocês falam em Pedro León como se ele fosse Maradona ou Zidane. (…) Perderam a oportunidade para perguntar quem vai jogar.» Sobre o passado de tradutor lembrado por um jornalista: «É, subi muito. E tu? Continuas jornalista?» Sobre uma resposta adulterada por um verdadeiro tradutor: «Não foi isso que eu disse.»
As conferências de imprensa made in Scolari também se tornaram momentos hilariantes. Em Portugal, ninguém mais esquecerá o seu desabafo quando a Selecção conseguiu o apuramento para o Euro´2008. «E o burro sou eu? E o ruim sou eu? O errado sou eu? O péssimo treinador sou eu?» Desabafo quase inofensivo em relação a muitas das intervenções que teve no Brasil enquanto treinador do Palmeiras. Numa delas, chegou a chamar os jornalistas de «palhaços».
Toni é o último reforço desta lista. Mas quase de certeza que outros virão a caminho. Quem será o próximo? O educado André Villas-Boas? O explosivo Sá Pinto? Ou o tranquilo Paulo Bento?