A estratégia de Mourinho para vencer o Barça (vídeo)
Chega, fala, lança alguns ataques, semeia polémica e adora colher as tempestades. Normalmente é assim. Mas agora tem uma nova faceta. Na conferência de imprensa de antevisão do último Real Madrid – Barcelona, José Mourinho sentou-se em frente dos microfones, mas não abriu a boca. O Special One passou a ser o Silent One. Ficou ali, calado, e deu a palavra ao adjunto Aitor Karanka. Poucos são os homens que se podem gabar de provocar tanto reboliço por ficarem mudos. E com aquele silêncio, Mourinho disse mesmo tudo. Porque há os que falam, falam, falam… E há os que não precisam das palavras para alcançarem o impacto desejado. Foi uma estratégia. Mais um dos seus mind games. A ideia escolhida para agitar as águas antes do primeiro de muitos clássicos.
Resultou num empate. Nem bom, nem mau. O campeonato já se foi e o jogo serviu, pelo menos, para o Real evitar nova derrota frente à armada catalã. Mas houve quem não gostasse da postura defensiva dos merengues. Um deles foi Don Alfredo Di Stéfano. Lenda do Real Madrid. Disse que o Barça deu baile. Mourinho respondeu como lhe competia e não comprou uma guerra com o maior símbolo do clube onde trabalha: «É uma das pessoas mais importantes da história do Real e eu não sou ninguém. Há que respeitá-lo e não comentar.» Mais do que isto seria heresia até para o próprio Mou.
A força das suas próximas palavras, ou dos seus futuros votos de silêncio, vai ficar condicionada por aquilo que a equipa consiga fazer nos próximos embates com o Barcelona. À hora que escrevo estas linhas, ainda não se realizou a final da Taça do Rei. Ainda não sei se Guardiola e Messi voltam a sorrir ou se Mourinho e Guardiola conquistam o primeiro título em Espanha. Sei apenas que Piqué, central do Barcelona, vê a final como algo mais do que um confronto futebolístico. Para ele é uma batalha cultural e política. Fez questão de deixar isso bem claro na sua última visita ao Bernabéu: «A oito pontos, a oito pontos! Espanhóis, já ganhámos a vossa Liga. Agora vamos ganhar a Taça do vosso Rei.»
Pena que a arte do silêncio não seja uma dádiva que toque a todos. Um rapaz que conseguiu convencer Shakira a namorar com ele, devia ser capaz de abrir a boca para dizer alguma coisa melhor. Estavas tão bem caladinho…