Crónica: Uma viagem musical a Paris
Acordo cedo, para além de não ser uma viagem de descanso, aqui é uma hora mais tarde, e acordar às 8 é como acordar às 7. Há que comprar baguettes para o pequeno-almoço, croiassant e pain au chocolat, na viagem não se ouve vivalma, e mesmo dentro da pastelaria, é tudo muito calmo e silencioso. Ao fundo uma música agradável, “ é o pimba francês “ diz uma voz familiar. Mas eu gosto, compreendo que seja o equivalente a ouvir a gravação de um rancho popular quando vamos comprar carcaças à padaria da esquina, mas ali aquele acordeão é encantador.
Passear na cidade luz tem a dose de poesia que lhe quisermos dar. Os carrosséis fazem parte do meu imaginário, e são de facto uma imagem de marca parisiense, os cavalinhos e as figuras encantadas que rodopiam ao som de acordes animados. É bonito e devolve-nos a infância.
É ainda o meu encanto pelo cinema que me faz escolher Yann Tiersen como banda sonora para as caminhadas, quero um bocadinho do Fabuloso Destino de Amelie Poulain ali. E combina claro está.
Ao lanche uma tábua de queijos perto do jardim, somos claramente portugueses e latinos, somos uma mesa de poucas pessoas, mas uma mesa de pessoas que falam alto e cruzam conversas, ao contrario dos que lancham silenciosamente. É Jamiroquai que passa na rádio e todos conhecemos o clássico. Sorrimos pela feliz coincidência. O que nos levou aquele lugar foi o 15º aniversário da Colette, uma loja francesa, que decidiu festejar em modo “carnaval”, numa tenda em que as principais marcas por si representadas se juntam numa grande festa e apresentam perfomances e produtos especialmente dedicados a esta celebração. Foi a WeSC que nos levou lá, para conhecermos os novos CHAMBERS uns headphones, cuja tecnologia e design resultaram de uma colaboração entre a marca e RZA – artista da “cena” hip-hop. O frenesim resultante do evento e da vontade de interacção com o músico fazem com que não seja ali que nos cruzemos. Já cansada do dia longo e da viagem penso que não vou sair, há uma festa num Club, fomos todos convidados, mas decido que depois do jantar vou voltar para o hotel.
Durante a refeição tive que ponderar as minhas certezas - o desencontro com RZA fez-me, aliada à curiosidade pela noite francesa, caminhar até à porta do S3NS, pertinho dos Campos Elísios onde uma fila de pessoas esperava ansiosamente pela sua vez de entrar reclamando um lugar na guestlist. Tinha pouca vontade de me entregar a uma noite de hip-hop puro e duro, mas quando finalmente entrei percebi que existia uma energia incrível. Para trás ficou o romantismo do dia, os pianos e o acordeão. Ali a palavra e o beat comandavam e ditavam o ritmo e era impossível ficar quieta. A pequena multidão que se juntava no Club estava completamente entregue ao som e à interacção com os performers. Simpático o RZA, muito cool o ambiente. Paris é também, e bastante hip-hop!