Mourinho, um título especial
Sempre pensei que a primeira vez que o futebol entraria em campo nesta crónica seria no momento em que fosse para falar do hino do Benfica. Pensei mal.
A revista Rolling Stone espanhola elegeu o José Mourinho como a Rock Star do Ano. E era impossível deixar este acontecimento em branco. Não só pelo feito em si, pela novidade, pelo espanto, como também por imaginar os amargos de boca de muitos virtuosos da música.
Que se esqueçam os cabelos desgrenhados, as roupas rasgadas, as olheiras profundas, cigarros ao canto da boca e a garrafa de gin ou whisky na mão. Ser rocker está nas atitudes, na capacidade de provocar, de ser agitador. Aqui a carapuça serve perfeitamente ao português. Nunca o ouvi cantar, e acreditem que fiz uma extensa pesquisa nos YouTubes desta vida. Nada.
Ainda me foram dados a conhecer alguns momentos em que Mourinho parece ser um verdadeiro animal de palco. Ele salta, esbraceja, festeja em campo de forma efusiva, mas a única ponte possível com o mundo da música será no papel de Maestro. Não há dúvida nenhuma de que o seu percurso no mundo do futebol é de louvar. Mas sempre que atinge o topo, o número 1 no top, o special one parte para outra. Numa postura de “dever cumprido, que venha o próximo”. Ao celebrizar a frase “Nem Jesus Cristo agrada a toda a gente” lançou um refrão bestial para nos sentirmos bem connosco próprios.
Mourinho não canta, mas é um artista na arte de provocar. Há lá treinador melhor que este a dar música aos media? Teorias à parte, a revista justifica o título atribuído ao treinador com o facto de este ser um mestre na arte de irritar toda a gente.
Até hoje não me tinha irritado. Tinha-me dado vontade de rir com a sua postura. Mas agora sim, conseguiu. Tive de deixar o meu Benfica para segundo plano, e o hino do glorioso terá de ficar para outra oportunidade. Por agora Mourinho continua a ganhar títulos. Uns mais especiais que outros.