Crónica: Manual de Sobrevivência Rock In Rio 2012
A melhor forma de chegar até ao recinto é sem sombra de dúvida, de transportes públicos. O metro da Bela Vista deixa-o quase à porta e há também a carris. Nas edições anteriores o metro funcionava até à hora de fecho do festival, este ano isso não acontece, mas existem autocarros que fazem exactamente o mesmo percurso. Pode sempre arriscar levar o carro – prepare-se para encontrar muitos acessos cortados – para estacionar em alternativa às Olaias e à Bela Vista, pode tentar a zona da Avenida Gago Coutinho, mas fique sabendo que o espera uma pequena maratona rua acima, que lhe pode valer uns belos músculos nas pernas, (sim, fizemos o teste!) ainda assim podemos garantir que é perfeitamente suportável.
Menos suportáveis serão os tempos de espera para entrar e aqui damos três conselhos : seja paciente, as demoras devem-se acima de tudo ao sistema de revista e segurança e estão a zelar pelo nosso bem. Caso não queira ficar em pé muito tempo na fila das duas uma: ou chegue bem cedo e fique sentado à espera que as portas abram ou em alternativa, e caso não tenho especial interesse nas primeiras actuações, chegue mais perto do final da tarde e será tudo relativamente fácil.
Ultrapassadas as primeiras barreiras é tempo de se organizar, nada como trazer o trabalho feito de casa, o que quer ver e onde irá acontecer. Existem no recinto diversos mapas que o encaminham para os principais pontos de interesse. E imensa gente cheia de vontade de ajudar. Se por acaso passar por uma fila considere a seguinte hipótese : há brindes. Todos os patrocinadores do festival se organizaram de forma a dinamizar os seus stands da melhor maneira, e há sorteios, cabeleiras, tatuagens, penteados, maquilhagem, karaoke, sofás insufláveis...enfim... uma lista interminável de coisas com as quais se pode entreter entre actuações ou caso esteja ali apenas “por desporto”. Sair do festival sem um adereço é quase uma missão impossível (mas por aqui podemos dizer : missão cumprida!).
Novidades grandes este ano são duas, e uma é de facto muito grande : a roda gigante que pode ser vista de vários pontos da cidade e que movimenta bastante gente até ao topo inverso do palco principal, a segunda nova aquisição pode ser mais agradável para quem é mais esquisito com a comida. Na Rock Street – uma zona do recinto inspirada em New Orleans – para além de stands dos patrocinadores pode ainda encontrar uma variedade considerável de sítios para fazer as suas refeições. A Portugália e o Frutalmeidas são só alguns exemplos de surpresas que por lá encontrámos. Com os preços já ninguém se surpreende, apesar da organização afirmar que controla a inflação e que permite um aumento de 13%, não podemos ignorar que vai sempre pesar no total da factura, e uma sandes custa em média quatro euros. Já que a entrada de alimentos não foi – aparentemente - condicionada, preparar um lanche para levar na mochila é não só uma excelente ideia como uma forma de comer o que lhe apetecer. Em relação às garrafas, o costume : nada de vidro, e todas as tampas das garrafas de plástico ficam retidas na segurança. Não pense que é uma espécie de colecta para entregar nas escolas, é sim uma forma de impedir que estas sejam atiradas e magoem alguém, já que uma garrafa sem tampa, perde o seu conteúdo quando atirada e não aleijará – em teoria - ninguém.
Conselhos práticos no que diz respeito à indumentária : calçado confortável (o recinto é bastante grande e caso queira andar por lá convém estar preparado, no caso das senhoras esqueçam os saltos altos, o piso irregular não é amigo das alturas), os finais de dia no parque da Bela Vista podem ser bastante frios e ventosos, como foi o caso deste em particular. Assim um casaco deve estar nos seus planos, se for maleável e der para atar à cintura não tem com que se preocupar o resto do tempo, lembre-se que um lenço para proteger o pescoço, e eventualmente a poeira que milhares de pessoas levantam, é sempre uma boa opção.
De resto carregue a bateria do telemóvel, escolha o dia que mais lhe agrada e visite o Rock In Rio, o festival está bem segmentado no que diz respeito a dias e artistas por isso escolher não é difícil caso encontre no cartaz algo que se enquadre nas suas preferências.
Por aqui aguardo ansiosamente pelo concerto de Stevie Wonder e mais do que nunca me apetece dizer: “Nunca mais é Sábado”.