Crónica: É Carnaval, leva a mal?
Começou na sexta-feira e só terminará lá para quarta, porque por muito que se acabem com as tolerâncias de ponto, será gorda a terça-feira e haverá gente a festejar o Carnaval.
Alegria para muitos, irritação para muitos outros. E não me refiro ao fim da tolerância de ponto. No bairro onde estou a morar o carnaval está a ser levado muito a sério. Não estou propriamente em Torres Vedras, Loulé, Estarreja, ou Loures, que não fica assim tão longe. Estou bem no centro de Lisboa, e os meus dias têm começado com músicas muito formativas como “ Há Quem Diga Que Cachaça É Água, Cachaça Não É Água Não” , para alem disto há as dúvidas sobre o “Zézé” e a sua cabeleira, e não sou eu que as ponho a tocar, naturalmente, é a vizinhança ávida de festança!
É difícil fugir dos ritmos carnavalescos, do samba e da entrada não muito recente do kuduro para as playlists das festas de carnaval, a par da nossa música popular ou pimba que vai dando força ao “comboio” de mascarados. Mesmo que esteja fechado em casa e que compreenda que vai haver uma ou outra noticia no telejornal sobre o evento, é muito provável que depois passe para uma tarde inteira de emissão das várias festas de carnaval do país, pontuadas pelas actuações ao vivo dos artistas mais festivos da praça, mas aqui desligar a televisão pode ser uma opção. Desligar o rádio do vizinho é que já não!
De resto e tirando a passagem de ano, são os únicos momentos em que estas músicas fazem parte das festas. Minto, nos santos populares o repertório é o mesmo. E é engraçado que nunca consegui perceber as letras das músicas das escolas de samba do Rio de Janeiro e penso que não estou sozinha nesta dificuldade de percepção auditiva.
Atenção... Nada contra o Carnaval! Espero que quem o festeje se esteja a divertir com tudo aquilo a que tem direito, e quem não gosta que pense “ É Carnaval, e os nossos ouvidos (desta vez!) não levam a mal.”