28 SETEMBRO 2011 - 15.55h
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Política

Um ano após ter defendido o reconhecimento do Estado Palestiniano pelas Nações Unidas, Obama dirigiu-se à Assembleia-Geral para dizer exactamente o contrário. Mais, numa conferência de imprensa em que no fundo a bandeira americana tocava comoventemente a de Israel, Obama jurou fidelidade a Netanyahu - como que oferecendo o veto americano pelo voto do judeu americano. Assim, tragicamente, a importância dos votos e do dinheiro judaico na política americana voltou a falar mais alto.*
Traduzo um exerto da crónica de Robert Fisk sobre o discurso de Obama:
"Um marciano que ouvisse este discurso diria, como sugeriu a Sra. Ashrawi, que os palestinianos ocupam Israel e não o contrário. Nenhuma menção à ocupação israelita, nenhuma menção aos refugiados, ao direito de retorno ou ao roubo da terra palestiniana pelo governo israelita contra a lei internacional. Mas ouviram-se imensos lamentos ao povo sitiado de Israel, aos rockets lançados às suas casas, às bombas suicidas - pecados palestinianos, certamente, mas nenhuma referência à chacina de Gaza, à massiva mortandade de palestinianos - e mesmo à perseguição histórica dos judeus e ao Holocausto. Essa perseguição é um facto da história. Tal como o horror do Holocausto.
Mas OS PALESTINIANOS NÃO COMETERAM ESSES ACTOS. Foram, os europeus - cuja ajuda Obama procura na recusa da criação do Estado palestiniano - que cometeram esse crime dos crimes." (expressão em caixa alta no original)
* Antes que venham com a ladainha do costume, reafirmo: igualmente servil para com o inimputável Estado de Isreal, em tudo o mais Obama continua a ser infinitamente melhor do que os republicanos que se lhe opõem.
Bruno Sena Martins
26 SETEMBRO 2011 - 12.07h
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Política
Sinto-me hoje como se escrevesse a partir de Miami e acompanhasse com interesse uma espécie de plebiscito popular a ocorrer em Cuba nas próximas semanas. Mas de repente tudo se me confunde quando percebo que afinal o “cubano” sou eu (porque faço parte desses seres socializados do Continente?) na acessão do líder supremo daquela que afinal será a Florida de Portugal! Enfim, tudo muito confuso e até um tanto esquizofrénico.
Mas, honestamente, já estive mais longe de acreditar que se trata, de facto, de um problema com graves contornos patológicos. Aliás, nos últimos dias esta ideia tem-se-me vindo a formar com cada vez maior consistência. As eleições regionais na Madeira são um processo de destilação de loucura, banco de ensaio ou laboratório experimental para adaptação a práticas europeias de outras provenientes do pior da América do Sul conjugadas com casos cada vez menos comuns da África mais popular!
Eis as razões desta minha convicção:
• Bem sei que é raro o eleitor decidir o seu sentido de voto com base num programa eleitoral. Mas ir a votos sem uma ideia ou um projecto político (já nem se pede que seja credível) num momento crítico como o presente é avançar à descarada para o desbaratar do pouco que resta. Pedir ao madeirense que confie num candidato apenas com base num “manifesto” onde se descrimina tudo o que nasceu na ilha (desde que à base do betão) é apostar num projecto potenciador de tragédias tão ou mais graves como a que ocorreu há cerca de um ano.
• Assustar o eleitor com o papão dos Socialistas e com a sua pesada herança na região é da maior das desonestidades e falta de respeito pela solidariedade do anterior Governo para com a Região. É acima de tudo um desrespeito inqualificável pelas inúmeras pessoas (muitas delas socialistas militantes) que como eu se mobilizaram para reunir fundos para apoiar a rápida reconstrução da ilha.
• Tratar como intrusos a imprensa continental que está a cobrir a campanha eleitoral é sinal do maior dos receios e implica um cuidado acrescido com a preparação das acções de campanha.
• Ousar brincar com a questão da independência parece-me ser de uma amnésia e de um mau gosto sem qualificação, a menos que a Madeira pretenda apresentar-se como o “novo Estado” amigo da Europa (mas forçosamente membro da União Africana, por força das questões geográficas)
Muitas outras razões me levam a acreditar que a situação da Madeira é demasiado grave para ser avaliada por parâmetros meramente político-democráticos. A criminalização de gestores públicos com condutas semelhantes à que agora se desvendou na Madeira deveria ser prática nos países democráticos de direito. Um político não pode ser responsabilizado apenas pelo voto se a sua conduta for além dos deveres que lhe são concedidos por força da sua eleição, ao contrário da opinião do Ministro dos Negócios Estrangeiros que se diz contrário à judicialização da política. A separação de poderes em nada se deve confundir com a responsabilização criminal pelo abuso de poder no exercício de funções públicas.
Bom, depois destes desabafos vou ver se apanho uma barcaça que me leve daqui da ilha a caminho, quem sabe, de Miami.
Rui Estevão Alexandre
22 SETEMBRO 2011 - 23.05h
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Estou rendido.
Nunca pensei que a solução dos problemas orçamentais de todos os portugueses, incluindo o de sucessivos responsáveis políticos, pudesse passar pela Madeira. Ou pelo menos que quando os problemas de cada um de nós passam pela Madeira se torna relativa a sua dimensão ao ponto de ser desconsiderada por Presidentes da República, Primeiros-Ministros entre toda uma imensidão de gente paga pelo Estado. Pagos pelo Estado e, supostamente ao serviço deste, cada um com a função de garantir a estabilidade de qualquer coisa da República, mas todos absolutamente amorfos e incapazes de agir correctivamente. Aliás convenientemente! É lamentável que após relatórios do Tribunal de Contas alertando para o risco das contas de Jardim se encaminharem para o abismo nenhum (responsável) político tenha tido a ousadia de dar o murro na mesa.
Ou então não será assim e nós é que andamos todos equivocados relativamente à estratégia para resolver os problemas financeiros de Portugal.
Talvez valesse a pena pegar nos senhores da Troika, nas pastas do ministério das finanças, no maçador ministro e na sua equipa, levá-los todos para o Funchal, discutir com fortuita preocupação os relativamente colossais buracos financeiros acumulados e apresentar soluções meramente indicativas e que afectem de forma indirecta e pouco ou nada perceptível aos portugueses e, por maioria de razão os madeirenses, que vivem numa terra de milagres. Para concluir este relativamente penoso programa é levar a comitiva a Porto Santo, assiná-lo, e não dizer a ninguém o que viram e assinaram, porque se alguém um dia descobrir o mais certo é dar com um colossal disparate sufragado por gente séria.
Rui Estevão Alexandre
21 SETEMBRO 2011 - 07.18h
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Ao que parece, a entrevista de Passos Coelho à RTP pariu a notícia de que o Primeiro não fará Campanha na Madeira ao lado de João Jardim. Nem sabemos se ficamos mais vergados pela extrema coragem de Passos Coelho, se pela extrema coragem do jornalista que lhe fez a pergunta. Glosando certo líder madeirende num congresso nacional do PSD, cabe perguntar: "Mas está tudo grosso?"
Bruno Sena Martins
19 SETEMBRO 2011 - 11.15h
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Há um tentativa comunicacional clara de relativizar o buraco da Madeira fazendo pulular várias notícias velhas e recauchutadas sobre outro tipo de dívidas (públicas, publicadas e não dolosas) que andam por aí. Simultaneamente esclarece-se que o Primeiro-Ministro ainda não confirmou a já muito anunciada ida ao encerramento da campanha do PSD na Madeira.
São tentativas meritórias mas de pura manipulação. De fuga para a frente. Mas a questão chave continua muito simples. Perante as repercussões internacionais da ocultação dolosa e confessa de dívida na Madeira, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, mantém, ou não, a confiança em Alberto João Jardim para ser o seu candidato, o candidato proposto pelo PSD, às eleições regionais da Madeira?
A resposta é decisiva. Decisiva porque pode convocar a necessidade de relegitimação para tudo o que o PSD disse a propósito de PEC’s e durante a campanha eleitoral – talvez através de um pedido de desculpas. Decisiva porque qualquer falta de clareza comprovará que alguns dos sacrifícios que estão a ser pedidos, mas não acordados com a Troika, não são uma absoluta necessidade mas mera opção político-ideológica. Decisiva porque está em causa a coesão nacional e o prestígio internacional de Portugal.
Depois de ter sido considerado um exemplo de bom governo do PSD por Manuela Ferreira Leite, depois de Alberto João Jardim ter sido pela primeira vez vice-presidente do PSD e presidente da mesa do Congresso pela mão de Marcelo Rebelo de Sousa, é chegada a hora do PSD escolher entre o interesse nacional e a táctica partidária-governamental.
João Ribeiro
13 SETEMBRO 2011 - 19.22h
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Como diz o Daniel Oliveira, ao mílimetro José Seguro profere aquilo esperaríamos ouvir de um líder do PS que, sem riscos de maior, quissesse colocar o seu nome na rotativa PS-PSD (também conhecida como democracia portuguesa). Os aparentes desvios à esquerda sulcam a cartilha capaz de optimizar o descontemento em tempos de oposição; a convição indignada imita a coreografia previamente encenada no Rato. Só nas ideias para o futuro -- pungentemente ausentes -- é que José Seguro verdadeiramente se parece com esquerda não fingida.
Bruno Sena Martins
7 SETEMBRO 2011 - 00.06h
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Política
Nos últimos dias, um pouco por toda a imprensa, tem sido veiculada a intenção do Governo em fazer aprovar legislação que venha, por fim, trazer alguma decência a uma actividade quase olímpica em Portugal: a criação de empresas municipais.
Ora, volta e meia, de acordo com os ciclos eleitorais e com a consequente necessidade de cativar alguns distintos eleitores ou, noutros casos, por motivações absolutamente dolosas, certos presidentes de câmara cultivavam, como verdadeiros campos de cogumelos empresas e agências municipais ou, em casos mais complexos, múltiplas fundações. Sempre com o dinheiro do contribuinte.
Por princípio sou contra a criação deste tipo de instituições. Não creio que compita ao Estado, no caso local (mas bem que podemos extrapolar para a dimensão nacional), desempenhar o papel de empresário. Pois se genericamente o gestor público é um ser gastador, com base em que fundamentação se acredita que possa vir a dar um bom gestor de dinheiros públicos sob a égide do direito privado? Se um serviço público prestado por uma Câmara Municipal é deficitário porque motivo há-de deixar de sê-lo apenas porque é gerido com base noutra configuração legal, mas pelas mesmas pessoas? Bom, poderíamos afirmar que as empresas municipais viriam resolver alguns entorpecimentos causados pela burocracia da administração pública. Mas não. Grande parte delas são tão ou mais ineficientes do que a Câmara que lhe deu vida. Erro grave! Se o Estado não é bom a desempenhar determinado serviço então que o entregue a quem o faz bem e barato. Este tipo de criações espontâneas apenas servem para favorecer interesses e clientelas.
Por isso a medida do Governo, apoiada pelo PS, é meritória e pecou por tardia. Todavia, não me parece que devamos cantar vitória. A medida é boa mas insuficiente. É, primeiro, preciso conhecer o verdadeiro objecto de cada uma destas empresas. Avaliar a sua pertinência! Perceber que serviços públicos foram esvaziados de funções para que essas máquinas de emprego fossem justificadas. Depois há que repetir a tarefa para a cena nacional. Perceber-se-á, certamente, que muitas delas não cumprem qualquer serviço razoável que justifique os custos que comportam a sua actividade. A jornada é dura e pouco saudável a quem pretenda manter boas amizades. Mas é fundamental para cumprir um desígnio internacional (o da Troika) a bem da Nação: reduzir a despesa pública.
Rui Estevão Alexandre
6 SETEMBRO 2011 - 13.56h
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O Diário Económico publica hoje um artigo de opinião de Wolfgang Munchau, do Finantial Times, intitulado «O pior da crise do euro ainda está para vir». Com um certo e refinado masoquismo, lá fui ler a crónica. O título é desanimador, mas a escrita é certeira. Advoga o autor uma união orçamental rápida e que chegará já tarde e a utilização da política monetária por parte do BCE. Mas sobretudo escreve - e devíamos gritar por esta Europa fora estas palavrinhas tão singelamente transformadas em parágrafo - isto:
E o que dizer da política orçamental? O mínimo que deveríamos esperar era que a zona euro abandonasse todos os programas de austeridade com efeitos imediatos e voltar a uma posição neutra do ponto de vista orçamental. Mas até agora uma mudança como esta nem consta da agenda. E como é típico na zona euro, cada país comporta-se como uma qualquer pequena economia aberta no outro extremo do mundo. Cada um acha que as suas acções não afectarão os demais.
Enquanto vivermos esta crise cheios de teimosia e a olhar para a fealdade do nossa umbigo, teremos desaceleramento da economia. No nosso caso, carregados de estímulos pessimistas diários e de impostos até à recta final de cada 24 horas, teremos uma recessão profunda. Ainda ninguém me conseguiu explicar que vida existirá, no entendimento deste governo, para lá desta cura depressiva e recessiva do défice. Voluntários para esta explicação?
Marta Rebelo
4 SETEMBRO 2011 - 17.42h
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Só com um desconhecimento olímpico da história recente de Portugal é que Paulo Bento julga que poderia insultar Ricardo Carvalho com o apodo de desertor.
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Há que historicizar a deserção, não erra quem deserta, erra - porventura - quem deserta a uma guerra justa (que las hay). Nem a selecção representa a abnegação pela nação (diárias, prémios de jogo, montra internacional, desejo egoísta de glória suprema, desejo de audiência e fama das fases finais), nem Paulo Bento é o Duarte de Almeida indígena.
Bruno Sena Martins
4 SETEMBRO 2011 - 14.24h
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Nem vale a pena falar da continuidade de muitas das políticas. É tudo óbvio, a fórmula é a da troika, pelo que a diferença será sempre mais na forma do que na substância.
E quanto à forma o que temos?
Com os governos de Sócrates tínhamos um conjunto de ministros meio apagados, um primeiro-ministro super-estrela, de peito feito a enfrentar tudo o que era antagonista com agressividade, e um par de ajudantes para as aflições (Teixeira dos Santos para as más notícias, Pedro Silva Pereira para as repetições e eco).
Com Passos Coelho temos uma relativa inversão das coisas: temos uns quantos governantes a fazer declarações mais ou menos tonitruantes (bem... Álvaro Santos Pereira é capaz de ser o único...), um primeiro-ministro a resguardar-se e a apresentar sempre uma postura simpática e dialogante, mantendo-se os dois ajudantes para as aflições (Vítor Gaspar para as más notícias em 33 rpm, Miguel Relvas para explicar tudo e mais alguma coisa, encontrar facturas esquecidas e malabarismos diversos).
A herança maior é que os anos de governação de Sócrates empurraram o limite da tolerância e resistência até aos limites do imaginável e agora já se dá por aceite e adquirido o que em outros tempos despertaria imediato protesto, mesmo que apenas vocal. Santana Lopes encena dúvidas quanto à aceitação do cargo de provedor da Misericórdia e ninguém se chateia. os caricatos serviços secretos que temos andam em fretes de alcova e, tirando os concorrentes da Ongoing, ninguém parece perceber que o que se passa é gravíssimo, a começar por um Presidente da República que passou apenas a existir no Facebook.
António José Seguro adormeceu ainda mais o PS, o próprio ainda a recuperar do atropelamento que sofreu durante todo este tempo e a oposição limita-se a fogachos de alguns deputados do PCP.
Digamos que, com um ambiente destes, o terceiro mandato de Sócrates está a decorrer com uma calmaria inesperada.
Paulo Guinote