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31 MARÇO 2011 - 22.15h

Cavaco e as imparcialidades militantes

Categoria - Política

O discurso de Cavaco, onde assume que tomou hoje a decisão de aceitar a demissão do Primeiro-Ministro e, portanto, de todo o Governo, foi um discurso carregado de mensagens. Disse aceitar a demissão por nãos estarem reunidas as condições de diálogo entre o Governo e os restantes partidos para que houvesse uma solução política imediata que não passasse por convocar eleições.
Afirmou também que não estavam reunidas as condições parlamentares para que se desse posse a um outro Governo com outro PM, mesmo sem ir a votos. Nunca disse, em todo o discurso, foi as razões que o levaram a protagonizar silêncios agoniantes para um país que precisa de figuras de referência a puxar pelos valores. Cavaco assumiu implicitamente não ser uma dessas figuras, ao não conseguir a distância suficiente entre as suas funções de Chefe de Estado e de farol da direita conservadora.
Concluiu de forma peremptória que o Governo ficará, a partir deste momento, confinado à gestão dos negócios públicos, porém e dando uma vez mais um empurrão à campanha de Passos Coelho, continuou dizendo que "o Governo não está impedido de praticar os actos necessários à condução dos destinos do País, tanto no plano interno, como no plano externo, dever tanto mais acrescido quanto o momento que atravessamos é de grande exigência e responsabilidade."
Ora, será que um Governo relativamente ao qual a oposição tem manifestado as maiores dúvidas deverá assumir a responsabilidade de negociar um programa de "bancarrota" com o FMI, que vinculará o próximo Governo, mesmo num momento em que o próprio Parlamento, dissolvido, não terá a capacidade de fiscalizar e até sufragar as decisões deste Governo de gestão? Qualquer programa destes deverá ser negociado por um executivo em plenitude de funções e aceite por um parlamento verdadeiramente soberano. Enfim, as mensagens sub-reptícias de Cavaco são por demais evidentes mas nem por isso coerentes!



Rui Estevão Alexandre

30 MARÇO 2011 - 15.22h

Passos Coelho: a voz dos oprimidos

Categoria - Política

"A nosso ver, o último pacote de austeridade não iria potenciar o crescimento mas impor sacrifícios inaceitáveis aos membros mais vulneráveis da sociedade. Eram demasiados impostos e uma redução de despesa insuficiente" Pedro Passos Coelho, The Wall Street Journal

Alerta: estou de acordo com Passos Coelho. Melhor dizendo: estaria de acordo com Passos coelho se não soubesse que as medidas dele vão fracassar em "potenciar o crescimento" e que vão "impor sacrifícios inaceitáveis aos membros mais vulneráveis da sociedade". Estaria também de acordo se não soubesse que Pssos Coelho até vê com bons olhos a vinda do FMI. Ora, como todos sabemos, o FMI tem uma longa tradição histórica em proteger os mais vulneráveis e em potenciar o crescimento das economias que socorre. Caro Passos Coelho, até de um futuro administrador delegado se esperaria menos vacuidade política e um pouco mais de espessura ideológica.



Bruno Sena Martins

30 MARÇO 2011 - 12.34h

Cavaco tem de dar um murro na mesa?

Categoria - Política

Santana incita Cavaco a dar um murro na mesa. Estão a ver o estilo? Em que mesa e com que níveis de adrenalina seria Cavaco capaz de dar um murro numa mesa quando, especialmente, está em causa uma oportunidade de um liberal de cartilha ir para São Bento?

Há dois riscos elevados: um é o de, dando o murro na mesa, o PSD não chegar ao poder tão cedo. O outro é fazer alguma ruptura de ligamentos no pulso, porque a mesa, duvido que se ressentisse.



Rui Estevão Alexandre

PSD quer liberdade de escolha na saúde e educação


Portanto, o José Silva, conhecido por Zé Marmelo, filho de operário desempregado e de doméstica, residente em casa recentemente legalizada na Cova da Moura poderá inscrever-se livremente no Colégio Alemão. Nesse caso, sou a favor.
 



João Ribeiro

29 MARÇO 2011 - 22.50h

Dia Mundial do Teatro 2011

Categoria - Política

No passado Domingo, dia 27 de Março, celebrou-se o Dia Mundial do Teatro. Sim, é verdade, o Teatro também tem um dia só seu. E porque, a meu ver, todos merecemos descansar um bocadinho do caos que nos rodeia, decidi hoje focar-me neste assunto. Uma lufada de ar fresco, digamos assim.
Em Portugal, um pouco por todo o lado, se assinalou esta data. Todos os anos a História se repete: os teatros abrem as suas portas gratuitamente e oferecem espectáculos. O acesso é fácil, e o produto pode ser aliciante. De todo o modo, é uma boa oportunidade para os “habitués” e para os que não são grandes fãs, por desagrado ou por desconhecimento.
Todos os anos alguém escreve A Mensagem do Dia Mundial do Teatro, um texto geralmente carregado de significado. Este ano essa missão coube a Jessica Kaahwa, escritora e actriz de Uganda, Universidade Makerere, Departamento de Musica, Dança e Teatro. O Teatro ao Serviço da Humanidade, uma ferramenta para defender a paz – a ideia base. Um apelo para olharmos e vivermos o Teatro como “alternativa para a mediação e transformação de conflitos, (…) ferramenta universal de Diálogo, para a transformação social e para a reforma das comunidades”. Referindo a urgência da incorporação do Teatro na vida quotidiana, a actriz acredita na capacidade interventiva directa que a “nossa” forma de arte pode ter política e socialmente. O Teatro é uma grande força universal, se soubermos levá-lo à comunidade e trabalhar com ele ao serviço da “paz e reconciliação”. Pode ter resultados imediatos pelo contacto próximo que tem com a Natureza Humana, para além de se tornar mais económico do que outras ferramentas nas quais as nações investem fortunas com o mesmo objectivo. Faz todo o sentido.
O Teatro faz sentir, rir e chorar, pensar e repensar, reorganizar, reavaliar. O Teatro comunica, toca, mexe, choca, agita, modifica. O Teatro tem pessoas, é para e com pessoas.
 Assim é sempre, não apenas no “seu” dia. Experimentá-lo está ao alcance de todos. Deixarmo-nos invadir por esse acontecimento é sempre especial, mesmo que, muitas vezes, não seja avassalador no melhor dos sentidos. Mas vale a pena arriscar.
Por cá, precisamos de paz, calma e muita ponderação para ultrapassar todos os problemas e crises que vivemos actualmente. Eu sei que o Teatro, por si só, não trará a solução nem criará um milagre, mas poderá ajudar a estimular/provocar a agitação e mudança profundas e urgentes que a mentalidade e estilo de vida portugueses precisam. Eu acredito.



Catarina Caetano

29 MARÇO 2011 - 22.39h

A Confiança dos Portugueses?

Categoria - Política

O país está de pernas para o ar. Todos botam discurso, todos têm algo a dizer, a acrescentar.
As culpas e responsabilidades são atiradas de um lado para o outro, e ninguém se entende.
Portugal atinge um estado assustadoramente crítico e parece que se avizinham tempos mais difíceis ainda.
Será que encontramos no nosso leque de candidatos, o "salvador"? Precisamos desesperadamente de uma solução eficaz e, vão perdoar-me a ousadia, mas nenhum dos que se apresentam me parecem boa escolha! Temos assistido a todo o tipo de peripécias com os nossos líderes, podem falar-nos de muita coisa mas, confiança? Parem para pensar, meus senhores, confiam em vocês mesmos? 



Catarina Caetano

29 MARÇO 2011 - 22.30h

Sugestão de Leitura

Categoria - Política

No Blogue Jugular: "É sempre bom" de João Galamba, numa crítica ajustada ao PSD e a Miguel Relvas!

http://jugular.blogs.sapo.pt/2562028.html



Rui Estevão Alexandre

28 MARÇO 2011 - 20.47h

Lula da Silva em Portugal

Categoria - Política

Lula da Silva está em Portugal para receber, nos próximos dias, o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra. A sabedoria do Homem e do Estadista levaram-no a tecer as seguintes considerações há minutos em Lisboa:
1 - "Os portugueses saberão como resolver o problema desta crise política."

2 - "O FMI não será solução para Portugal, como não foi no Brasil, nem na Grécia nem em nenhum outro país onde implementou as suas receitas."

Na mesma ocasião, José Sócrates, afirma que "Portugal precisa é da confiança dos mercados."

Talvez tenha chegado a hora de deixarmos os elitismos bacocos de uma Europa depauperada e ouvirmos as palavras de um dos políticos mais influentes das últimas décadas na América do Sul e que fez do Brasil um dos Estados com maior crescimento económico da actualidade. E mais, um dos que em breve se sentarão ao lado de outros grandes no conselho de segurança da ONU, por sinal onde a Alemanha não tem tido acesso.



Rui Estevão Alexandre

27 MARÇO 2011 - 22.54h

Um pote de Coelho à Caçador

Categoria - Política

Não foi preciso muito tempo após o anúncio de demissão de José Sócrates e logo começaram a surgir incongruências no discurso de Passos Coelho. Caiu por terra a pose séria dos dirigentes sociais-democratas, preocupados com a carteira e o futuro dos portugueses, principalmente dos menos abastados, face à austeridade das medidas do PEC IV. Bastou-lhe ser confrontado com uma pequena amostra do que poderá ser o debate com a esquerda, e logo com Sócrates (no já aqui referido jantar com bloggers), para tropeçar nas primeiras falhas da sua cartilha neoliberal. “Não posso prometer que não haja aumento de impostos”, declarou interpelado pela Coordenadora deste Blogue. E em que impostos se propõe carregar? Precisamente naqueles que directamente afectam os portugueses. Todos e sem excepção! Aqueles a quem foram imputados cortes aos seus “altos” vencimentos, mas também àqueles que vivem de pensões de reforma. Todos sairão lesados, directamente, pelo aumento de um imposto cego como o IVA. Apesar de os seus ideólogos, garantes da pretensa credibilidade técnica que Passos veste, andarem por aí a sustentar a boa preparação de uma equipa e de um programa para ser Governo, a verdade é que por descuido ou não, só após a demissão de Sócrates é que o preparado líder das direitas assumiu o aumento do IVA, a concordância com a necessidade de medidas difíceis e até mesmo a possibilidade de entrada do FEEF e do FMI. Para estes dois últimos deixou mesmo a sugestão ao actual Governo, ainda em plenitude de funções, que se considerar útil e necessário lhes abra a porta. Ora, tal gesto apenas lhe daria trunfos de campanha e facilitaria a governação futura. Passos não apresentou sequer uma proposta para redução da despesa pública e por isso depende de facilitismos e passadeiras vermelhas para chegar a São Bento sem mácula e sem se “irritar”. Não é, por isso, de estranhar que António Barreto tenha afirmado que não é só Passos que não está preparado para ser Primeiro-Ministro, mas que é o próprio PSD que não estará preparado para ser poder. Sócrates fez-lhes uma finta, disse Barreto, e o PSD caiu. Hoje, de acordo com a sondagem da Intercampus (para a TVI), o PSD ganharia (42,2%) mas sem a maioria que desde logo Passos se apressou a pedir aos portugueses. O PS surge em segundo lugar com 32,8%. Esta sondagem, realizada logo após o anúncio de Sócrates, é feita a quente. É feita sem que seja dado o devido tempo para que a informação seja processada. É feita mesmo antes de as contradições de Passos Coelho serem conhecidas pelos inquiridos. O PSD não está preparado para governar com um programa seu apenas porque o não tem. Semi-privatizar a Caixa Geral de Depósitos e privatizar outras empresas públicas que desenvolvem actividade em sectores estratégicos para o país é cortar a direito impondo políticas ao melhor estilo de Thatcher. Passos Coelho não está a implementar um programa político do seu partido. Está sim a fazer um grande favor ao directório de direita que reina na UE e aos mercados e, por conseguinte, às empresas de rating. Passos e o PSD poderão até ganhar as próximas legislativas (apesar de eu acreditar num outro desfecho para este episódio da nossa história). Mas Portugal não ganhará certamente.



Rui Estevão Alexandre

26 MARÇO 2011 - 00.31h

Ich bin ein Berliner

Categoria - Política

 Quero votar nas próximas legislativas alemãs. Vou recensear-me na embaixada da Alemanha em Lisboa.



João Ribeiro

25 MARÇO 2011 - 21.11h

Coelho à Sic (2)

Categoria - Política

Coelho convenceu-me a fazer campanha durante o período de campanha eleitoral. Não tanto por achar que ele está contra Portugal mas porque a sua coerência política representa, pela primeira vez desde o 25 de Abril, a maior ameaça a princípios básicos de solidariedade e de coesão nacional, em representação de interesses minoritários de base egoísta e com ambição puramente fundada no dinheiro.



João Ribeiro

25 MARÇO 2011 - 20.40h

Coelho à Sic (1)

Categoria - Política

Convém lembrar que o dinheiro da despesa pública vai para empresas portuguesas (fornecedores de bens e serviços que têm empregados portugueses) e para portugueses (polícias, professores, magistrados, militares, médicos, etc..) e que talvez seja essa a razão para termos sobrevivido bem ao choque da globalização e à crise financeira dos inventores de ficções jurídico-financeiras...
Tal não é antagónico com a ideia de se gastar melhor. Mas dizer que a despesa pública é má em si é um disparate economês de quem não tem uma visão holística da sociedade....



João Ribeiro

25 MARÇO 2011 - 18.46h

A pressa de Coelho

Categoria - Política

Ao contrário de muitos esperançados de esquerda não tenho muitas dúvidas que Pedro passos Coelho vá ser o próximo Primeiro-Ministro de Portugal. A resistência de Sócrates, a força contestária da esquerda em relação à política europeia dos PEC e o fenómeno da geração à rasca não deverão ser suficientes para evitar a alternância PS/PSD para daqui a uns meses.

Depois de percebermos que Passos Coelho pretende, no essencial, cumprir as políticas de Berlim de que Sócrates vinha sendo férreo  emissário, apenas uma dúvida permanece. Para que raio quer Passos Coelho ser Primeiro-Ministro neste momento? Posso adiantar que a resposta não inclui a palavra Portugal.



Bruno Sena Martins

24 MARÇO 2011 - 22.21h

Farsa montada

Categoria - Política

(versão revista e aumentada do meu último post)

Depois das reacções clubistas aos eventos de ontem, o dia de hoje merece outra reflexão. Nada do que se passou surpreendeu. Este guião estava escrito há bastante tempo, por dramaturgos sem musa ou génio, liderados por autistas narcísicos, que com isto brincam com o futuro do país, como se tudo fizesse parte de uma farsa quinhentista escrita de pena vazia.

Nesta peça mal ensaiada ficamos com o papel de bobos e jograis, dançando e pulando ao som arranhado das frites da Grand Place, sem percebermos que os que os outros que nas mesas largas tem lugar marcado não largam o osso e o vinho, deixando restos e migalhas aos famintos que os entretêm. E o pior é que esses, os tais outros bem instalados, gordos e confortavelmente vestidos, nem entendem que o resto, o tal ‘Povo’, não só já está bem lixado (com ‘F’ grande), como mais lixado (com ‘F’ grande) vai ficar. É que para eles, não interessa nada a cadência da peça, a história ou a trama final. Interessa sim, e apenas, saberem que terão o papelzinho suficiente para segurarem o seu lugar à mesa de repasto.

O Rei vai nu. Já todos viram. O que motiva grandes movimentações ao redor da mesa real. Continua a clamar ter roupa nova a estrear, mas poucos são os que ainda lhe passam crédito ou cartão. Insiste e repete que tudo está como tem de estar, no seu reino minoritário O príncipe herdeiro lê e relê Maquiavel e Sun Tzu,  e todos os manuais baratos que lhe passam os seus jovens acólitos directamente saídos dos mosteiros da oposição. Está sedento de poder. Os restantes Duques, espalhados à esquerda e à direita, refastelam-se pausadamente enquanto deitam miradas uns aos outros, olhando de soslaio, e discretamente, para os jograis que procuram lhes chamar a atenção. Estes Duques nada querem que mude, ou quando querem é para que tudo fique na mesma. Cospem e riem quer para o Rei quer para o Príncipe herdeiro, esperando que estes os vejam como iguais e potenciais parceiros de trama.

O resto que se lixe. O resto, o ‘Povo’, para eles, lá saberá continuar a pular e dançar, à volta dessas mesas largas de lugar marcado e sem cadeiras vazias, tudo fazendo para sacar mais um ou outro desperdício que com todo o cuidado guardará para mais tarde comer. E para os que estão sentados no lado certo da mesa tudo está certo e correcto, pois é esta a ordem natural do universo.  Esquecem-se é que um destes dias os jograis deixarão de tocar a sua música, os bardos lhes irão arrancar as roupas do pelo, enquanto todos os expulsam, a pontapés e socos, das cadeiras forradas onde há anos sentam os seus cus. E esses dias já estiveram bem mais longe... 



José Reis Santos

24 MARÇO 2011 - 22.13h

Brinde de Aniversário

Categoria - Política

Ontem fui, por ocasião do meu 26º aniversário, presenteada com mais um Episódio da saga da Crise Política 2011.
Tudo se desenrola sem grandes surpresas. E, rindo para não chorar, me questiono como vai acabar.
Sócrates apresenta demissão, Passos Coelho, deitando as garras de fora, toma como garantido um pódio que poderá não ser seu e, no meio destas trocas e baldrocas, "a malta" aqui anda a assistir na primeira fila. Posso estar muito enganada mas parece-me que, no final de contas, as soluções apresentadas revelar-se-ão ainda mais assustadoras que o terrorífico PEC IV.
Cá estaremos para ver o que muda de verdade. O povo tem muito medo da mudança e do desconhecido, prefere o que conhece, mesmo que seja insatisfatório. E Passos Coelho deveria pensar melhor nisso antes de disparar em todas as frentes... Opinião de uma simples cidadã que, apesar de não entender tudo, está neste filme como espectadora atenta e, infelizmente, cada vez mais descrente, seja em que cor for.
Obrigada pelo presente, muito atencioso da vossa parte!



Catarina Caetano

Num inglês com o seu quê de macarrónico, oiço Pedro Passos Coelho a falar aos media «estrangeiros», directamente de Bruxelas, onde foi recebido pela Sra. Merkl numa salinha ao lado do Conselho Europeu. E para meu espanto - acreditem que não foi erro de legendagem nem má tradução minha - o Presidente do PSD afirma aos jornalistas desta Europa que espera que Portugal não tenha de recorrer à ajuda externa, ao «bail-out».

Distinta lata! Jantei eu com o senhor na passada sexta-feira, e Passos não podia ter sido mais peremptório na garantia de que o seu governo (pressuposto 1: está convicto que vence as eleições antecipadas) vai pedir auxílio externo (pressuposto 2: temos «muitos esqueletos no armário«).

As couves de Bruxelas devem provocar desvios linguísticos. Deve ser isso.



Marta Rebelo

24 MARÇO 2011 - 15.55h

Guião envenenado

Categoria - Política

 Depois das reacções clubistas aos eventos de ontem, o dia de hoje merece outra reflexão. Nada do que se passou surpreendeu. Este guião estava escrito há bastante tempo, por dramaturgos sem musa ou génio, liderados por autistas narcísicos, que com isto brincam com o futuro do país, como se tudo fizesse parte de uma farsa quinhentista escrita de pena vazia.

Nesta peça mal ensaiada ficamos com o papel de bobos e jograis, dançando e pulando ao som arranhado das frites da Grand Place, sem percebermos que os que os outros que nas mesas largas tem lugar marcado não largam o osso e o vinho, deixando restos e migalhas aos famintos que os entretêm. E o pior é que esses, os tais outros bem instalados, gordos e confortavelmente vestidos, nem entendem que o resto, o tal ‘Povo’, não só já está bem lixado (com ‘F’ grande), como mais lixado (com ‘F’ grande) vai ficar. É que para eles, não interessa nada a cadência da peça, a história ou a trama final. Interessa sim, e apenas, saberem que terão o papelzinho suficiente para segurarem o seu lugar à mesa de repasto. O resto que se lixe. O resto, o ‘Povo’, para eles, lá saberá continuar a pular e dançar, à volta dessas mesas largas de lugar marcado e sem cadeiras vazias, tudo fazendo para sacar mais um ou outro desperdício que com todo o cuidado guardará para mais tarde comer. E para os que estão sentados no lado certo da mesa tudo está certo e correcto, pois é esta a ordem natural do universo.  Esquecem-se é que um destes dias (e esses dias já estiveram bem mais longe) os jograis deixarão de tocar a sua música. 



José Reis Santos

À cabeceira da mesa rectangular e pesada do restaurante de Justa Nobre, onde nos sentámos 13 (os bloggers convidados, o assessor e o prelector), uma moderna ilustração decora a parede. Do lado direito do anfitrião Pedro Passos Coelho, destaca-se com ironia a frase: «O Sabor da Tentação – acelera os sentidos». Superstições numéricas à parte, aquela não era a última ceia de Passos Coelho. A refeição foi desenhada para ser um momento de pregação do «novo evangelho» com que o presidente do PSD quer reger o país.

A audiência não podia ser mais favorável, pois a blogosfera representada era simpática à direita. E, apesar da esquerdista presença de Paulo Guinote (A Educação do meu Umbigo) e de Ana Matos Pires (Jugular), era claro a quem calhava o papel de Judas: a mim, dirigente nacional socialista, coordenadora do Blogue de Esquerda da Sábado e que, inconvertível àquela causa e não sendo pombo-correio de quaisquer recados senão dos meus à lavandaria e mercearia, estava ali para quê? Sim, estive na manifestação da «Geração à Rasca», não me tenho manifestado pela cartilha da direcção do meu partido, e os tempos fazem-me bradar por um PS mais à esquerda do que aquela que encontro no actual, tal qual vão as coisas. Mas voltemos ao repasto.

Às 21h de dia 18 de Março, lá chegou a delatora. Combalida e atrasada, já Pedro Passos Coelho, muito mais magro e em pose de Estado, gravata azul cerúleo de nó fininho (para os cromaticamente desatentos, aquele azul que pontua nas gravatas de José Sócrates, forte, eléctrico) desenvolvia a sua estratégia financeira para o país. Reservaram-me o extremo esquerdo da mesa, ao lado de Paulo Guinote (mas perto do João Gonçalves, do Portugal dos Pequeninos). Apropriado. Sentei-me e não contive a interrupção passados escassos cinco minutos: mas afinal o que é que o PSD queria fazer de tão diferente do PEC VI? A resposta foi redonda, mas redundou nesta declaração soberba: «Não posso prometer que não haja aumento de impostos. Mas tem de se mexer no tecido produtivo». Neste momento, a minha missão estava cumprida. Mas a sopa de santola ainda não tinha sido servida, e antes que o PSD de Passos taxe a iguaria a 25% de IVA, mais valia aproveitar.

Não sendo particular fã de mariscos, esperei então pelas outras iguarias, que foram, de facto, servidas. Pedro Passos tentou um formato presencial «simplex», desformatado, e lá ia dizendo que «a malta quer», que «a malta vai fazer». Mas foi igual a si mesmo, cerimonioso e rigoroso, lição estudada, cada blogger tratado pelo nome. Menos eu. Então o que é que «a malta quer fazer»? Aquela malta já se achava, pelas 21h23 de dia 18, governo. O anfitrião falou sempre de si e dos seus companheiros nessa condição. E, assim sendo, do pedido de ajuda externa que ele, governo, vai fazer. Mas vai fazer a quem? É que a sigla «FMI» ouviu-se em sussurro. E como? Tirando «todos os esqueletos do armário», como «o BPN, o BPP, as empresas públicas», e tendo como base «a verdade da situação financeira do país». Além de não prometer que não sobe os impostos («Dear Prudence», já cantavam os Beatles), promete que privatiza o que puder «não por compromisso ideológico, mas por incapacidade de sustentar esta situação» e porque muitas empresas públicas não prestam «verdadeiros serviços públicos» - «para que é que a CP tem uma CP Telecom?», questiona. Para o SNS, tão caro aos presentes, «a liberdade como meio de eficiência»; chama à colação a solução sueca, as carteiras de riscos das seguradoras e do Estado Holandês. Na Justiça «não se trata de construir um edifício novo, senão isto paralisa». É esta a imagem que me fica: mudanças serenas.

Pois é, Pedro Passos Coelho não acredita em revoluções. Repetiu muitas vezes que «a malta» quer moralizar mas sobretudo sem revolucionar: «nós não podemos fazer uma revolução num ano, nestas áreas», falando das sensíveis saúde e educação. E repete a certeza quatro, cinco, seis vezes. Pedro Correia (jornalista do DN mas ali na condição de blogger do Delito de Opinião) diz-lhe que as pessoas gostam de ver o líder social-democrata «irritado». A calmaria da atitude, que parece cultivar para fazer o contraste com o «animal feroz» socrático, oferece alguma vontade de sacudir Passos Coelho, de quando em vez. Mas «as reformas são processos, e isso é que sossega as pessoas». Será que esta gente ainda não se deu conta que ninguém neste país está sossegado? Nem sossega com as candidaturas que se avançam para as tais eleições antecipadas? Desde que se «moralize», não!

Quando já vamos avançados no prato principal, e no meio do seu discurso estruturado, Pedro Passos Coelho coloca a frase: «eu não estou aqui a anunciar o programa eleitoral, estou a abrir portas de discussão». E mal se cala, numa mesa da sala mesmo ali ao lado, cantam-se os «Parabéns» a uma pequena criança – será profecia, nasce um líder?
A verdade é que antes da sopa de santola, quando eu cheguei, todos ouviam com avidez e silêncio de pompa o putativo-futuro-primeiro-ministro. Antes de chegar a sobremesa as conversas já eram bilaterais e o jantar transformou-se num convívio de bloggers. Passos ainda tinha algumas na manga: a certeza do chumbo do PEC IV; a aglutinação da Justiça e da Administração Interna num só Ministério e um super-Ministério da Economia, num governo «historicamente pequeno (e conte aí com os Secretários de Estado, que são sempre demais)»; sem espanto «o governo tem de ir para além do PSD»; enfatiza mais uma vez a ausência de revoluções e por isso «em muitas áreas, como a economia, precisa de métricas de dois mandatos, com metas intercalares ao fim de um». Por fim, Pedro Passos Coelho não se arrependeu de ter viabilizado o OE/2011, mas não confia no acordado pelo Governo: «é preciso andar sempre em cima», e disse esperar que finalmente apresentassem uma moção de confiança. O que José Sócrates apresentou, já naquele dia Passos sabia bem, foi a demissão estudada.

Do restaurante de Justa Nobre, o Spazio Buondi, eu trouxe reforçada a imagem do homem hermético e homogeneizado, que só cedeu ao pecado da sopa de santola mas equilibrou logo a seguir com o bife grelhado, o ananás, os cinco copos de água e um copo de vinho tinto intocado à sua frente. Afinal, «O Sabor da Tentação – acelera os sentidos», mas as tentações são outras e o sentido não é o paladar. Pedro Passos Coelho tacteia o poder. É esse que lhe acelera a pulsação. Mas não muito, porque as revoluções desassossegam.



Marta Rebelo

23 MARÇO 2011 - 21.51h

Frase da noite

Categoria - Política

"Não queiram sair da frigideira para entrar no lume". Jerónimo de Sousa



Bruno Sena Martins

22 MARÇO 2011 - 20.29h

Assalto final!

Categoria - Política

Miguel Macedo, líder da bancada do PSD acaba de anunciar em conferência de imprensa que o seu partido se prepara para chumbar o PEC IV, "por ser mau em matérias tão importantes como o emprego, insensibilidade social e em medidas que possam propiciar um crescimento económico que é crucial para o país".

Invoca dois aspectos: Interesse Nacional e a sobrevivência política do Governo. O interesse Nacional, diz, determina que apresentem este projecto de resolução para chumbar o PEC e para contribuir para uma "clarificação política" que, continua, "é a única forma de o país poder vir a contar com um Governo de maioria alargada e de repor o respeito de um PM em Bruxelas..."

Considera os apelos feitos por Soares, Sampaio e muitos outros ilustres ex-responsáveis políticos de declarações de despero com a eventual perda do poder.

Trata-se, sem margem para dúvidas, de um verdadeiro assalto ao poder. As escadas estão lançadas aos muros de São Bento. As hostes lá da Lapa vêm em correria desenfreada para ocupar salas e cadeiras.

Acusam o PM de estar agarrado ao poder e parecem até ignorar que este já assumiu que sairá pelo seu pé se a loucura dos assaltantes entender que acima de qualquer interesse Nacional está um claríssimo interesse eleitoral.

Pedem uma clarificação política e especificam - querem "um Governo de maioria alargada". Não ousam falar de um Governo de união Nacional, de coligações alargadas para bem da Nação. Não, isso implica compromissos e partilhas que os assaltantes não estão dispostos a abdicar.

Lá pelo meio diz que o PSD foi o único partido que viabilizou alguns documentos importantes para o país. Alguns, sim, é certo! Alguns até que fosse tempo de perpetrar o assalto final. Parece ser agora a hora.

Pois que o país irá de novo a votos com todas a duras consequências que daí advirão. Enfim, não fosse tão sério e até pareceria um episódio do Astérix!



Rui Estevão Alexandre

22 MARÇO 2011 - 14.27h

Lá vamos nós...

Categoria - Política

Parece que o PEC IV está mesmo às portas da votação. Amanhã, pelas 15h, terá início o debate e votação sobre o mesmo. Não sei o que acontecerá na Assembleia ou a que conclusões chegarão os nossos líderes, mas confesso que estou receosa.
Não sou perita em análise política, sou apenas uma cidadã atenta e com um sentido crítico algo desperto. Estou a viver, no dia-a-dia, a decadência progressiva do país, a dita crise – económica, política e mental. Quaisquer que sejam as decisões finais, todos vamos ser afectados. Assusta-me não poder confiar nos que nos governam, preocupa-me que o cenário se possa tornar ainda mais negro.
Será este o caminho para a Resolução dos problemas económicos gravíssimos que Portugal tem? Será que a oposição terá melhores soluções? Neste jogo de “troca de galhardetes”, os interesses dos Portugueses acabam por ficar para segundo plano. Fernando Medina explicou, dia 15-03, em Conferência de Imprensa, os compromissos e dos prazos na Zona Euro, que obrigam Portugal a apresentar em Abril de cada ano a actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento. E que também obrigam Portugal a baixar o défice este ano para 4,6 por cento e em 2012 para 3% do PIB.” Afirma ainda que o PEC IV é “exigência da vida”. Volto a dizer, não sou nenhuma especialista, mas quem nos garante que será este PEC a resultar? As famílias portuguesas têm de se sujeitar a apertar cada vez mais o cinto e, a meu ver, estas medidas só vão agravar as coisas a médio e longo prazo. E aí, que PEC´s nos vão apresentar? Será, certamente, problema de outro Governo certo? E assim se joga
à “Batata Quente”… Cá estaremos para ver.



Catarina Caetano

21 MARÇO 2011 - 22.46h

PSD - Uma alternativa ou alternância de poder?

Categoria - Política

Não precisa de ser grande para que, numa entrevista, se diga muito. José Gil, no Público de hoje, lamenta a falta de informação para que os portugueses possam decidir ou agir. Falta a informação que se perde na rede impenetrável do negócio político. Falta a informação que, em Democracia, nos permitirá perceber quem fala verdade acerca do défice público, do aumento da receita fiscal ou da diminuição da despesa pública. Falta informação clara e credível, porque da fragmentada e dissonante há que sobre. Falta, portanto, a informação que, em Democracia, nos permitiria ir para a rua pedir um novo Governo ou, pelo contrário, segurar este pelos seus bons préstimos, face às duras circunstâncias. Todavia, todos nós sabemos que por mais informação que nos chegue, a decisão de avançar para eleições está intrinsecamente ligada a uma vontade insaciável do PSD em ser Governo já, porque o amanhã é tarde. A decisão de ir a votos é não mais do que a percepção por parte dos líderes do PSD de que esta é uma janela de oportunidade. Ora, acusar este Governo de falta de sentido de Estado e de os seus membros não serem verdadeiros Estadistas é pura demagogia pré-eleitoral do PSD. Falta de sentido de Estado é não perceber que a situação do país não está para jogos de roleta. Ser Estadista, neste momento é construir a solução com base no que existe e não derrubando o decrépito sistema para logo fazer erigir um outro ainda mais gordo do que o que temos. Portugal precisa de reformas, de governantes altruístas, de Estadistas. Sim, claro que sim. Mas eles não estão certamente na alternativa de poder que o PSD pretende apresentar.



Rui Estevão Alexandre

21 MARÇO 2011 - 18.14h

Luís Amado: o centrão vai nu

Categoria - Política

 Luis Amado voltou a defender uma posição de consenso em que PS e PSD se entendessem numa plataforma de estabilidade política que pudesse conter a ameaça de crise política. Sou insuspeito de simpatias com bloco central, ou com Luís Amado (desculpem a repetição),  mas sejamos sinceros, aquilo que neste momento separa o PSD do PS é apenas a trincheira em que cada um dos partidos se instalou a contar as armas para a próxima eleição. A ideia falaciosa de que os partidos do arco da governalidade defendem o interesse nacional acima das suas ideologias obscurece uma outra: PS e PSD defendem os seus interesses partidários acima de qualquer coisa. É esta a ideologia que os une na necessidade de fingirem diferenças inconciliáveis por causa do PEC IV. 



Bruno Sena Martins

21 MARÇO 2011 - 00.09h

A Semana dia-a-dia

Categoria - Política

Escrever à segunda-feira tem como factor positivo o facto de se estruturar um apanhado do que foi o fim-de-semana e, por outro lado, de se poder perspectivar, na medida do possível, a semana que se inicia. E digo na medida do possível porque a cadência dos acontecimentos políticos, nestes últimos dias, tem sido de tal forma que o que está certo pela manhã estará já obsoleto ao final da tarde.

No final da semana passada, a Resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas veio confirmar a predisposição dos Estados ocidentais em criar uma Zona de Exclusão Aérea na Líbia e, caso as forças do coronel Khadafi não cessassem fogo imediatamente, dar-se-ia início a uma intervenção militar por parte dos Estados Ocidentais. Depressa o coronel se socorreu dos meios disponíveis para anunciar um cessar-fogo que, na verdade, nunca chegou a existir. O acto de cobardia do coronel teria como objectivo iludir as forças militares ocidentais? Estaria o coronel convicto que os Governos ocidentais iriam confiar na sua palavra? Claro que não e por isso não só não retirou como intensificou o ataque. Resultado – a ofensiva ocidental iniciou-se por meio da entrada de um caça francês que disparou contra posições leais ao regime. Está dado o primeiro passo para um conflito que, por vontade dos americanos, será colocado nas mãos dos parceiros europeus. Uma prova de confiança ou uma deliberada desresponsabilização são as questões que se nos colocam neste momento. A verdade é que a entrada e a coordenação de um novo conflito militar resultariam para Obama numa quebra vertiginosa da sua popularidade quando, para mais, nem sequer se trata de uma posição geoestratégica fulcral para os EUA. Por outro lado, passar a responsabilidade da coordenação deste conflito para os Estados europeus é um teste à maturidade da Europa para defender as suas fronteiras.

Por cá, alheios à barbárie líbia, desceu-se uma vez mais a Avenida da Liberdade, desta vez numa manifestação convocada pela CGTP. Os milhares que desceram a Avenida gritaram pelos pequenos direitos, pelas perdas que têm vindo a sofrer nas suas carreiras. Gritaram porque as têm. E este é um dos pontos que distingue esta manifestação da que ocorreu no passado Sábado. Estes manifestantes queixam-se de perdas do que aqueles nunca hão-de sonhar alcançar. Mas esta foi também uma manifestação politizada pelos dois partidos da Esquerda radical e irresponsável. A Esquerda que prefere aceitar o neo-liberalismo no poder do que conviver com um Governo da Esquerda democrática.

Em Viseu, durante dois dias, ocorreu o plebiscito que haveria de reconduzir Portas para mais um mandato à frente dos destinos do CDS. Num acesso de pura demagogia e populismo, Portas diz que quer, se chegar ao Governo, governar sem mentira e sem omitir a real situação do País. Ora, foi este mesmo ex-Governante que deixou toda uma nebulosa dúvida sobre o caso dos submarinos e que antes de sair do Governo ordenou que fossem copiados inúmeros dossiers de documentos classificados. Entretanto, já se colocou por diversas vezes a jeito para ser arrastado por Passos Coelho para um Governo minoritário do PSD, mas garantindo, com toda uma postura de seriedade relativa, quando comparada com Passos, uma melhor posição do CDS. Crente de um sucesso estrondoso, Passos não quer, para já, firmar nenhum compromisso.

Por fim, ontem foi divulgada pelo Expresso correspondência classificada entre o Governo português a Comissão Europeia e o BCE. Ora, não querendo levantar suspeitas infundadas, quase que arrisco a dizer que estas ditas cartas fizeram ricochete numa qualquer secretária do gabinete do presidente da Comissão e voltaram, qual boomerang, a Lisboa. Acontece que em vez de voltarem à casa de origem foram bater à porta de uma redacção de um jornal. Coincidências? Enfim!

A verdade é que esse ricochete veio já acicatar a descabida posição do PSD, pois que se alguma razão tivesse o PSD e a restante oposição acerca da forma, o que se torna ridículo é nem sequer querer analisar o conteúdo. Pelo lado do Governo, Sócrates reuniu o conselho de ministro durante toda a tarde de Domingo para limar eventuais arestas que pudessem facilitar o comprometimento da oposição. Fê-lo certo de que sem a revisão do PEC será inevitável a entrada do FMI. Mas o PSD veio uma vez mais reiterar a indisponibilidade para ponderar o que quer que seja, desta vez pela voz de Miguel Macedo, e uma vez mais por meras questões de forma. Já todos percebemos que um eventual chumbo deste PEC revisto culminará numa demissão por parte do Governo e no descrédito de Portugal perante as Instituições Europeias. Também já todos compreendemos que essa é a intenção do PSD. O Governo entregará hoje no parlamento a quarta revisão do PEC e assume-se disponível para negociar, porém dos restantes partidos pouco ou nada de sério se pode esperar. O impasse em que o país está mergulhado é letal para a economia e para o estado de espírito dos portugueses. A desesperança reina. A semana que ontem começou e que hoje tomará força e vigor será decisiva politicamente para o Governo. Para a oposição poderá ser uma janela de oportunidade para, novamente, se instalar no conforto palaciano dos gabinetes.

E se assim for, para o país será, certamente, tempo perdido! Mas um desaire Nacional provocado pelo PSD trazer-nos-á muitos meses de tempo perdido e os portugueses saberão penalizar a ganância do poder.



Rui Estevão Alexandre

18 MARÇO 2011 - 20.52h

A Guerra da Líbia

Categoria - Política

Nem todas as lutas que merecem a pena, mas há lutas que merecem a pena. Julgar da necessidade de uma intervenção militar exige critério, exige uma noção prospectiva da geografia do ressentimento, exige uma noção do quanto a mínima guerra perdura nas gerações deixando dolorosíssimas marcas. Há que saber e julgar a caso o que se perde por nada fazer, há que saber julgar a caso que perigos se correm no voluntarismo intervencionista. É um pouco mais complicado do que querer espalhar a democracia à bomba a la Bush, é um pouco mais complicado do que denunciar imperialismo em cada decisão de intervenção.

Podemos perguntar porque é que o mundo assistiu calado aos massacres de Gaza, podemos questionar dos interesses que sempre movem as potências beligerantes, podemos julgar a hipocrisia dos amigos de outrora. Mas erramos se julgamos que há sempre respostas prévias, erramos se julgamos os actos apenas por quem os pratica, erramos se julgamos ter todas as respostas nalguma cartilha. Por exemplo, Churchill, um renomado defensor do tirano império britânico, imperialista à antiga, escolheu uma guerra certa na sua determinação contra o III Reich. Exercitar a dúvida e procurar critério para além dos nossos preconceitos é uma exigência da razoabilidade não egoísta. Sobre a Líbia sinceramente não sei o suficiente para ter certezas, por agora parece que a ameaça da força  surtiu um efeito dissuasor.

 Mas sei que Churchill tinha razão quando fez este discurso:

  "We shall fight on the beaches" (audio)



Bruno Sena Martins

Em 2009, nenhum Partido apresentou aos Portugueses um programa que confira suficiente legitimidade democrática para as duras e necessárias decisões a tomar para defender Portugal, designadamente a decisão de pedir ajuda externa. Em bom rigor, só PCP e BE, por razões de alguma consistência ideológica e por se filiarem em princípios que lhes permitem facilmente posicionar-se politicamente perante determinadas opções económicas e financeiras, têm mandato claro para se pronunciarem quanto a eventual pedido de ajuda externa.

Nesse sentido, tendo em conta a manifesta crise actual dos mecanismos de legitimidade da representatividade política, e na linha dos sinais que a sociedade portuguesa tem revelado (a manifestação, mas não só), um referendo é o único instrumento que permite assegurar suficiente legitimidade e indispensável base de apoio para um pedido de apoio externo. Já o tinha referido há uma semana.

O referendo obrigará todos os Partidos e comentadores a escolherem e a justificarem o seu lado, sem ambiguidades.



João Ribeiro

16 MARÇO 2011 - 16.14h

Coragem e determinação??

Categoria - Política

Depois do momento gracioso da nossa excelentíssima Ministra da Cultura, foi a vez do Professor Aníbal Cavaco Silva, Presidente da Républica Portuguesa, ter um rasgo de inspiração. Ontem, a propósito duma celebração relativa aos combatentes, apelou aos jovens portugueses para que sigam o exemplo dos combatentes da Guerra Colonial.
Confesso que não percebi o objectivo. Seguir o exemplo de combatentes marionetas do estado, que ainda hoje se debatem, todos os dias, com traumas que não conseguem ultrapassar? Uma Guerra símbolo do poder ditatorial e repressivo que se tenta ultrapassar e destruir ainda hoje?
A meu ver, o discurso de que "o tempo da outra senhora é que era bom" está démodé. Estamos no momento de olhar em frente e os jovens portugueses deveriam encontrar a sua força e determinação no seu futuro e nas suas convicções!



Catarina Caetano

16 MARÇO 2011 - 13.14h

Uma Ideia de Justiça

Categoria - Política


Ontem, como foi aqui anunciado, fui qual “enviado especial” do Blogue de Esquerda à sessão de lançamento do novo livro de Amartya Sem. Para os mais distraídos, Sem foi o primeiro indiano a ser galardoado com o Nobel da Economia, devido aos seus trabalhos acerca da economia do bem-estar e da teoria da escolha social. Veio apresentar-nos o seu novo livro, A Ideia de Justiça, publicado pela Almedina, que é, como afirmou, um misto de um tributo a Rawls e de uma proposta de uma nova visão acerca da Justiça de um corrente Iluminista que não a de Rawls. Apesar de não pretender fazer nenhum tipo de comentários à situação económica e social das famílias portuguesas, declarou que a cegueira que a Europa vive para controlar os défices públicos através dos “programas de austeridade têm um impacto negativo no crescimento económico e na confiança dos agentes económicos. Atalhou ainda, de forma muito rápida, que era favorável a um federalismo europeu e que, avançar para um sistema económico tão complexo como o europeu, sem antes aprofundar os pilares políticos terá sido um erro agora difícil de gerir. Na entrevista que deu ao Público de hoje, termina dizendo que “o envolvimento no debate público é um aspecto central na prossecução da justiça, quer se trate de uma situação fácil, quer de uma situação difícil como a que vivemos agora”, referindo-se à necessidade dos responsáveis públicos, dos académicos e da sociedade civil encontrarem soluções equilibradas para a crise financeira, económica e social em que a Europa está mergulhada.



Rui Estevão Alexandre

16 MARÇO 2011 - 09.23h

Em defesa de muitos manifestantes, como eu.

Categoria - Política

 “Its the answer that led those who have been told for so long by so many to be cynical, and fearful, and doubtful of what we can achieve to put their hands on the arc of history and bend it once more toward the hope of a better day. (…) that while we breathe, we hope, and where we are met with cynicism, and doubt, and those who tell us that we cant, we will respond with that timeless creed that sums up the spirit of a people: Yes We Can.” Barrack Obama, Victory Speech, Grant Park, Chicago, 4 de Novembro de 2008.

Relativizar, desvalorizar, ignorar ou menosprezar a manifestação de sábado é um gigantesco e histórico erro político. Reduzir a manifestação a uma mera contestação a um Governo também é pouco. Ela esteve muito para além disso. Uns cantaram a Vila Morena e outros diziam que eram muitos comunistas juntos. Havia de tudo. Impressionante. Momento maior da história de Portugal. Grande derrota dos cínicos.

Confesso que me incomodam os insultos, as insinuações, as presunções, as reduções, os epítetos, o basismo e a agressividade que ao longo dos últimos dias muitos dedicaram à manifestação.

Revelará medo? De tão inorgânica e de tão espontânea terá gerado medo por não se saber a quem telefonar para salvaguardar o lugarzinho, a avençazinha ou a troca de convites para seminários e “congressos internacionais”?

Revelará ignorância? De tão contraditória, de tão alegre, de tão pacífica terá confundido o saber acumulado por gerações (e também por alguns livros de história) e que parece ignorar o sentido da história e os seus precedentes?

Revelará arrogância? De tão heterodoxa e de tão diversa terá desafiado a racionalidade arrumadinha e bem certificada pelas escolas dos dominantes ao ponto de se presumir ser ignorância, incapacidade mental, interesses desinteressantes ou passividade intelectual de 300 mil pessoas reduzindo-as a instrumentos de algo indefinido? Essa constatação, por si só, não comprova que não foram instrumentalizados?

Revelará um enorme complexo de culpa? De tão inesperada e com tanta liberdade de espírito, de tanta independência terá ameaçado ruir os pilares das vidas dos que cresceram com ADSE sem imaginarem que a esmagadora maioria nem sabia que isso existia, ou dos que se têm fiado no recentemente aveludado networking escondendo ligações familiares e cumplicidades dos tempos da faculdade (do tempo em que eram uma assustadora minoria dominante e dominadora) que sustenta uma rede de segurança para dezenas de milhares de privilegiados? Serão os mesmos que falam constantemente sobre a importância de partidos, boys e cartões partidários apenas para esconder relações, que sob a capa do aparente mérito, mais não são do que trocas de favores imorais de base pessoal e com total desrespeito pelos princípios mais básicos da igualdade?

Estes grandes comentadores estarão convencidos que a tomada da bastilha foi feita por pessoas com pensamento político estruturado? Estes afilhados do regime (e não reduzam isto a divisões partidárias porque seria de uma ingenuidade impossível de compreender) estão convencidos que o impulso dos militares de Abril foi um completo programa ideológico? Estes grandes self-made-men do novo liberalismo (presumo, portanto, para que assim se considerem, que os pais não eram licenciados, que não tinham livros em casa, que não sabiam quem era o Jorge de Sena nem conheciam os canalhas que o vilipendiaram, que não tiraram licenciaturas com passagens administrativas nos anos 70 e que nunca beneficiaram de favores que resultassem em financiamento directo ou indirecto de dinheiros públicos) estão convencidos que a revolta americana aconteceu porque o John Adams era um brilhante jurista (e só havia 5 ou 6 na altura…)?

Estão enganados. Estão enganados. Estão enganados.

É sempre, sempre, um profundo sentimento de injustiça, de injustiça relativa que consome as ganas das almas bem formadas (com ou sem escolaridade, ricos ou pobres). E quando esse sentimento cresce, os laços de legitimidade quebram-se e as instituições tremem. É urgente dar um sentido moral (e não moralista) à acção política, elevá-la do instrumentalismo pragmático para uma dimensão que absorva a crescente independência dos espíritos face às religiões. Caso contrário, ou regressamos a um religiosismo profundo consolidando as estruturas conservadoras da sociedade ou “cortaremos (colectivamente) as cabeças que tivermos que cortar”.



João Ribeiro

15 MARÇO 2011 - 22.56h

Jovens e determinados, diz ele

Categoria - Política

 

Por aquilo que tantos ex-combatentes foram obrigados a sofrer sob os caprichos da ditadura, pela absurda defesa da Guerra Colonial como uma missão patriótica tanto tempo depois do 25 de Abril, é absolutamente incompreensível que este "apelo" de Cavaco Silva tenha passado incólumes nos telejornais. Seria absolutamente incompreensível que nenhum actor político relevante visse nestas declarações razão suficiente para a demissão de Cavaco.  



Bruno Sena Martins

15 MARÇO 2011 - 22.27h

A entrevista de Sócrates - notas finais

Categoria - Política

 Dados mais significativos da entrevista:

1- Foi perturbador a facilidade com que a entrevistadora deixou  Sócrates diluir a manifestação da Geração à Rasca no descontentamento dos cidadãos europeus. Quatro dias depois da maior manifestação desde a revolução democrática o Primeiro Ministro de Portugal permitiu-se à farsa de reduzir as razões do descontentamento dos jovens portugueses à crise europeia. Não só estamos num lugar muito particular da Europa - uma periferia improdutiva, desigual e pejada de pobreza - como estamos em Portugal, um país soberano com governantes eleitos e com responsabilidades não exportáveis no mercado comum. 

2- Está visto que as novas medidas de austeridade fazem parte de um "pack" mais completo do que qualquer Pec  Um pack que inclui ardilosos movimentos no tabuleiro político indígena. Sócrates explicou que se estas medidas não forem aprovadas está aberta a justificação para novas eleições. A jogada é simples, o PSD sai sempre a perder: 1- Aceita medidas para cuja aprovação não foi tido nem achado;  2- Vota contra as medidas que teria aprovado se fosse governo e sofre três consequências: a) aparece mal perante o beneplácito europeu a essas mesmas medidas; b) fica com o ónus de ter sido a causa precipitante da crise política nacional; c) vai enfrentar eleições num momento que não lhe interessa (interessa-lhe antes que Sócrates apodreça para poder garantir uma maioria absoluta) 



Bruno Sena Martins

15 MARÇO 2011 - 21.49h

Entrevista ao PM: o alerta de Última Hora

Categoria - Política

Na bola diz-se que é preciso ter aquela estrelinha de campeão, senão a bola teima e não entra na baliza. E José Sócrates terminou a entrevista a Ana Lourenço sobre um inesperado céu estrelado: um minuto antes do fim da conversa, a jornalista anuncia que o Governo e as Associações do Sector chegaram a acordo, e terminou o protesto dos camionistas.



Marta Rebelo

15 MARÇO 2011 - 21.46h

Sobre o protesto da «geração à rasca»...

Categoria - Política

Foi meia-mão cheia de nada: «foi uma manifestação ordeira e pacífica»; «eu não quero enfrentar ninguém»; «essas pessoas estavam legitimamente a protestar, e eu compreendo essas pessoas porque a vida não está fácil para nenhum cidadão europeu».

E mudou-se logo o assunto.



Marta Rebelo

15 MARÇO 2011 - 21.43h

José Sócrates 1 - Pedro Passos Coelho 0

Categoria - Política

«Peça de teatro? (...) Lembra-se daquela quarta-feira em que nós tivemos de emitir dívida e toda a gente pensáva que estávamos mortos?»



Marta Rebelo

Recado à AR: no que toca ao PEC , a AR «não tem de votar a favor».




Marta Rebelo

15 MARÇO 2011 - 21.25h

A entrevista de Sócrates

Categoria - Política

 Saber que a Sócrates sucederá a dupla Passos Coelho/ Paulo Portas faz-nos ver esta entrevista com impossível condescendência. 



Bruno Sena Martins

15 MARÇO 2011 - 21.18h

Entrevista ao PM: o alerta disponível I

Categoria - Política

Facto: a intervenção externa seria a hecatombe. Se o FMI entra por aqui adentro os funcionários públicos não sonham o que os espera; crescimento económico é-lhe (ao Fundo) uma irrelevância; privatizações de tudo e algo mais, mesmo o que já esteja privatizado; não vi o FMI, nas últimas décadas, a fazer bem a país algum. E depois, os tais maquiavélicos mas mágicos mercados, continuariam a dar cabo de nós. Ah, e os M€ viriam à taxa de 5%, o que não é propriamente barato.

Acredito: o Primeiro-Ministro tem feito tudo e tudo o que sabe e o que aprendeu, nos últimos meses, para credibilizar Portugal e induzir confiança nas instituições europeias, internacionais e nos parceiros do euro e da UE. José Sócrates está realmente empenhado.

Problema 1: enquanto ganha a confiança dos agentes externos, perde a confiança cá dentro. E enquanto disser que «quem não quer ouvir, minha cara amiga», os ouvidos serão moucos.

Problema 2: a agressividade de tratamento ao PSD, soando os alarmes da chantagem, e reclamando aos sociais-democratas a responsabilidade que o povo, em eleições, não lhes deu, não vai resolver ou prevenir a tal «crise política». Mesmo que Passos não queira ir agora a eleições, calhando-lhe na rifa São Bento em hora de má fortuna, há tanta gente no PSD, que nem preciso de nomear, sedenta;  ou Passos lhes dá poder, ou eles lhe tiram, bem ou mal, directa ou indirectamente, o tapete.



Marta Rebelo

O Carlos do Carmo Carapinha resolveu imitar-me a pergunta (não é que a mesma seja de alguma originalidade) e responder por mim, a seu gosto e prazer. Como pelos vistos ele só leu um parágrafo - aquele que lhe deu jeito; e desconhece uma pequena coisa que eu tanto aprecio, a ironia; e só leu mesmo aquele post, não tem dado conta do que mais escrevo (eu pessoalmente não tenho paciência para ler toda a gente ou qualquer pessoa, portanto, nada a apontar...); eu respondo à pergunta que fiz e que ele - o Carlos do Carmo Carapinha - foi buscar: em quem confiam os portugueses? Neste Governo pelo menos 300 mil não (estes são seguros, estávamos na manifestação de sábado - sim, eu estava na manifestação, esta parte parece-me de interpretação linear); muitos outros, provavelmente. Mas citando o Bruno, só de pensar que a alternativa é Pedro Passos Coelho em dueto com Paulo Portas, o mundo é logo diferente.
Se calhar o Carlos do Carmo Carapinha acharia, nesse dia, que a coisa andaria muito bem. Mas eu não tenho nada o hábito de interpretar os outros a meu gosto, ou como me dá jeito.
 



Marta Rebelo

É de notar algum descontrolo na acção da classe política portuguesa. Há dias, na RTP1, Marco António Costa (PSD) dizia, alto e a bom som, que o Governo mantinha toda legitimidade para continuar a governar (o sentido era este).

Pelo fim-de-semana, a histeria de outros Sociais Democratas, motivada pela “desgraça” dos que desciam as Avenidas de Portugal, vociferava bem alto pedindo, uns, a demissão imediata, outros, que esta ocorra de acordo com a agenda própria do PSD.

Hoje, Mário Soares, leva às páginas do DN, preto no branco, aquela que poderia ser a orientação de uma oposição política responsável, mas não necessariamente aquela que se esperaria de um fundador do partido que, por acaso, é o que está no Governo. Soares fez um favor à oposição que, esgazeada, vem reclamando por tudo e por nada sem nunca acertar sequer num ponto concreto.

Coloca questões, expõe dúvidas mas não dá respostas! Pelo menos claras.

Isto anda muito confuso e o fumo que parecia branco saiu cinzento.



Rui Estevão Alexandre

Autor:

  • Marta Rebelo

    Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

  • Tomás Vasques

    Advogado de profissão, mas dedica-se com frequência a outras artes. Gosta do conceito "esquerda liberal"

  • José Reis Santos

    Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

  • Nuno Ramos de Almeida

    Recorda com saudade a última frase de um dissidente soviético que se suicidou: "Não disparem camaradas!"

  • João Ribeiro

    Doutorando em Sociologia, jurista, socialista (moderno e não só) acredita que os consensos só servem os que dominam.Quer discutir os meios antes dos fins

  • Rui Estevão Alexandre

    Socialista, Republicano e Laico. Partilha de uma visão humanista do mundo. Através da Política contribui para o processo de construção da Polis

  • Catarina Caetano

    Gosto de trabalhar, das tábuas, do palco, de questionar, de reflectir. Sou actriz, e quero sempre mais

  • Bruno Sena Martins

    Antropólogo dado a radicalismos de esquerda procura sociedade séria para compromisso aberto

  • Miguel Cardina

    Historiador nos tempos úteis, musico nas horas vagas e esquerdista o tempo todo

  • Tiago Mota Saraiva

    Comunista e benfiquista. Arquitecto por vontade própria, professor desempregado e empresário por obrigação

  • Vítor Dias

    Comunista com muita honra, uma amargura combatente, a idade pesando e o cabelo embranquecendo

  • Ana Gomes

    Socialista, eurodeputada, blogger preocupada

  • Paulo Guinote

    Professor porque sim, aprendiz de historiador nos tempos livres, individualista e liberal demais para acreditarem que sou de esquerda

  • Mariana Mórtagua

    Economista (cada vez mais aterrorizada). De esquerda por absoluta convicção e estruturalmente feminista

  • Miguel Marujo

    Pai babado. Jornalista. De esquerda. Benfiquista. Católico. Leitor compulsivo. Blogger. Viajante. Cagaréu. A ordem não pode se esta

  • Miguel Vale de Almeida

    50 anos, antropólogo, professor universitário, activista LGBT e ex-deputado independente pelo PS à AR

    

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