O país está de pernas para o ar, todos sabemos e o sentimos, de uma forma ou de outra.
O dinheiro continua mal distribuído e cada vez mais escasso; enquanto uns se “estrafegam” para o esticar, outros dão-se a todos os luxos que conseguem.
Gastamos os milhares que, supostamente, não temos, numa campanha eleitoral megalómana que poucos convencerá.
Continuam a realizar-se manifestações, protestos variados, greves e outras formas de demonstração de descontentamento. Apesar de ainda algo inerte, o povo português quer fazer-se ouvir e lutar pelo seu bem-estar e pelos seus direitos (ou pelo menos para não afundar completamente). Na verdade, dada a situação, parece que pouco mais podemos fazer para além de manifestar a nossa opinião e fazê-la valer nestes momentos decisivos, mesmo que seja incómodo ou cansativo.
Tivemos de recorrer à ajuda externa com tudo o que isso implica para a nossa economia interna e para os dias vindouros. Não conseguimos evitar…
Os nossos governantes atacam-se em brincadeiras de gato e rato, e os interesses do “pessoal” ficam para depois. Mas, por agora, prometem o mundo.
Nem o meu Benfica ajuda, perdendo tudo o que havia para perder esta época, numa performance muito aquém das altas expectativas a que se propuseram.
O país está deprimido, quem não estaria no meu deste quadro? Mas, no meio de vencidos, frustrados e deprimidos, temos (felizmente) pessoas que continuam com vontade de trabalhar, que sabem dar as voltas necessárias ao texto e seguem em frente.
Foi com surpresa e orgulho que constatei que, apesar dos cortes nos orçamentos e das pouco sábias palavras de (des)encorajamento da nossa querida Ministra da Cultura, continuam a promover-se festivais de Teatro e outras artes por todo o país, e com uma oferta de grande qualidade.
É o caso do FITEI, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica que, com jogo de cintura, oferece um cartaz variado. De 27 de Maio a 5 de Junho, no Porto, com espectáculos entre as 10h e as 23h. Uma prova viva de que as dificuldades financeiras podem não impedir um bom trabalho.
Refiro também, com grande destaque, o maravilhoso trabalho que Mário Primo continua a fazer em Santo André, no Alentejo, onde nos volta a presentear com a 12ª Mostra Internacional de Teatro. De 16 de Maio a 17 de Junho, serão cerca de 30 espectáculos de companhias de renome nacionais e internacionais, e outras actividades que caracterizam a dinâmica tão especial que Mário Primo dá a esta Mostra. Todas as edições anteriores foram sucesso absoluto, o público é bastante interessado e presente, e o mesmo acontecerá, certamente, este ano. Parabéns Mário!
Em Montemor-o-Novo, onde estou a viver de momento, apesar de muitos eventos passarem despercebidos, vai começar fase de grande actividade. Estranhamente, várias instituições culturais vão arrancar com festivais em simultâneo. A dificuldade estará na escolha, mas é importante que se aproveite este momento de intensa dinâmica. Sugestão para os próximos anos: melhor comunicação e organização para que o público tenha oportunidade de usufruir de tudo; afinal de contas, o ano tem 12 meses.
De 1 a 5 de Junho, O Espaço do Tempo apresenta a Plataforma Portuguesa de Artes Performativas 2011, numa promoção nacional e internacional do trabalho de artistas portugueses no teatro, dança, performance e cruzamentos disciplinares.
Começa também a 4ª Edição do Encontro de Marionetas, organizado pela Companhia Alma d’Arame, com espectáculos, Workshops, conversas e outras actividades. Arranca já no início de Junho.
De 11 de Junho a 3 de Julho, por parte das Oficinas do Convento, temos a Cidade Preocupada, com uma série de espectáculos, exposições e outras actividades que terão lugar um pouco por toda a cidade.
A Câmara Municipal, Juntas de Freguesia e Organizações Concelhias oferecem o Ciclo da Primavera, que decorre de Março a Junho, por todo o Concelho, com espectáculos variados.
Seguindo para Lisboa, a cidade que nunca está parada, onde mil coisas acontecem. Concentram-se nesta cidade tantos projectos, companhias, ideias, que demoraria uma eternidade a identificar toda a dinâmica cultural. Quero apenas dar destaque a um acontecimento: o FATAL, o 12º Festival de Teatro Académico de Lisboa, que decorre de 11 a 29 de Maio. Promove-se e celebra-se o teatro Universitário, que também tem lugar e qualidade, merece destaque.
Como se pode ver, há força para continuar, para trabalhar e exceder expectativas. Para além de crises e tristezas, apesar das corridas de obstáculos, o país está vivo!
É essencial seguir estes exemplos, acompanhar as dinâmicas e deixarmo-nos influenciar. Abaixo as depressões, a vida é movimento, vamos vivê-la!