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31 MAIO 2011 - 22.14h

Passos a 360º

Categoria - Política

A campanha segue alegre, país fora, com direito a tudo o que arraiais populares e tunas académicas podem proporcionar. Domingo é já ali e há que capitalizar todos os descontentes para as contas do PSD. Nem que para isso se pisque o olho e, para evitar confusões, se faça o chamamento da ordem - eleitorado Socialista descontente faz favor de votar PPD/PSD. Como se o eleitorado fosse pouco mais que um rebanho de carneiros e encarrilasse todo num mesmo carreiro donde parece vir a solução. Parece difícil para PPC perceber que há quem tenha convicções e que com base nelas se construíram ideais de sociedade. PPC já entendeu que à direita não terá a bênção de votos desgovernados e que poderá mesmo perder para Portas algum do eleitorado que desconfia do seu estilo de encantador de rebanhos, portanto restou-lhe o apelo ao eleitorado Socialista. Porém, destes não terá nem o apoio nem o voto que tanto ambiciona. Resta ao líder mais liberal que o PPD já conheceu refazer a união que o liga ao PP para construir artificialmente aquilo que o eleitorado entendeu que não lhe deveria proporcionar – uma MAIORIA ABSOLUTA. Porque sim, é disso que se trata, construir um ambiente parlamentar que possibilite a estes dois líderes escrever a história de Portugal e da governação Socialista. Repetir o discurso da TANGA e assustar o país com cenas teatrais para, depois, lhe servir a ementa neo-liberal. Isto a avaliar pelas sondagens que, também elas seguem com profundas arritmias. Mas a verdadeira sondagem é a de domingo e até lá Passos terá ainda tempo para explicar tudo o que, país fora, tem vindo a deixar no estado gasoso. Como a eventualidade de aplicação de medidas mais austeras que as do programa assinado com a Troika ou mesmo, imagine-se, a hipótese de Santana voltar. Para quê e para onde? Se não há respeito, haja vergonha.



Rui Estevão Alexandre

30 MAIO 2011 - 20.58h

Pelo meu Umbigo...

Categoria - Política

Que Modelo De Privatização Da Educação Preferem? Por Cima Ou Por Baixo?

 

A notícia recente do Público que retoma antigas pistas sobre a forma como a Parque Escolar se vai tornar um verdadeiro ME privado para a gestão das infraestruturas da rede de ensino público veio demonstrar como PS e PSD estão de acordo na deslocação da gestão de quase tudo o que envolve dinheiro na Educação do domínio público directo para entidades externas ao Estado ou, no mínimo, híbridas.

 
Em ambos os partidos, por razões algo diversas mas confluentes nas consequências, existe a crença na necessidade de retirar do domínio público, em especial daquele que tem consequências orçamentais, a gestão de largas fatias da Educação.

 



Paulo Guinote

28 MAIO 2011 - 15.02h

Troika Indígena: uma síntese possível

Categoria - Política

Passos Coelho é um neoliberal, sincero no seu aventureirismo, e um populista de circunstância. Paulo Portas é um populista, forjado pelo ultra-conservadorismo, que aprendeu a fazer da circunstância uma ideologia para eleitor ver. Liberal nos valores, Sócrates é todo circunstâncias, ainda que debilmente domesticado pela má consciência de pertencer a um partido designado socialista



Bruno Sena Martins

"(...) torna-se manifestamente inaceitável que a generalidade dos órgãos de comunicação social continue a reproduzir, displicentemente, a ideia de que o empréstimo da "troika" FMI-BCE-UE constitui uma "ajuda externa", optando assim, implicitamente, pela aceitação acrítica desta noção. Ora, em primeiro lugar, um empréstimo com uma taxa de juro tão elevada dificilmente pode ser considerado uma ajuda. E, em segundo lugar, este empréstimo, encontra-se associado a um acordo, que obriga o Estado Português a cumprir - a troco do empréstimo - um conjunto de contrapartidas que se materializam em medidas de austeridade fiscais, sociais e económicas.

Por último, assumir acriticamente que se trata de uma ajuda significa ignorar a profunda controvérsia, contestação e discussão quanto à pertinência e adequação destas medidas, cujos impactos sociais e económicos nefastos são amplamente reconhecidos."

Assine a petição aqui




Bruno Sena Martins

Conhecido o programa do PPD são muitos os social-democratas portugueses que fogem do projecto passista e se refugiam no aparente compromisso social do CDS-PP. Esses social-democratas conhecem profundamente Portugal e os Portugueses e sabem que o programa eleitoral do PPD é uma forte ruptura com as mais enraizadas convicções nacionais. Entendo bem que não votem no PPD de Passos Coelho. Mas a tentação de votar no CDS-PP é que me custa a compreender. O CDS-PP, e Paulo Portas, já foram nacionalistas, populistas, liberais e critãos-sociais (o que quer que isso seja - um socialista não é necessariamente cristão?). Este Paulo e este CDS já foram um PP e um Portas com um programa igual ao do actual PPD. Portas é um táctico (para os mais impressionáveis, um estratega). Diz-nos que este é o momento. Claro. Liga as convicções aos momentos, os programas à táctica. Um partido em torno de um homem só, como ele próprio reconheceu sentado na relva ao lado da Judite. Os verdadeiros social-democratas podem não conseguir votar PS por várias razões - apesar de o PS ser o único partido com um programa verdadeiramente social-democrata - mas não devem votar CDS. Seria um voto de negação e um retrocesso - um prémio para alguém que muito facilmente substituiria o rendimento social de inserção pelo Banco Alimentar ou pela Sopa do Sidónio. E isso diz tudo da sua ideia de sociedade.



João Ribeiro

27 MAIO 2011 - 12.20h

Passos Coelho e a sua campanha sinuosa

Categoria - Política

A terminar a primeira semana de campanha é já claro aos olhos de qualquer analista político que Passos Coelho tem vindo a desenvolver uma estratégia de ausência absoluta de orientação – ou seja, uma não estratégia. Tem agarrado todos os temas que à primeira vista julga que lhe possam vir a capitalizar alguns votos, ainda que isso o obrigue a desvios ideológicos sinuosos e a danças vertebrais sem qualquer verticalidade. Falando para um público eminentemente imigrante, no concelho da Amadora, disse-se o mais africanista dos candidatos. À Rádio Renascença assumiu a pertinência de um novo referendo à Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (ideia já hoje classificada como um verdadeiro disparate pela deputada do CDS, Teresa Caeiro). Referindo-se a um concurso público para contratação de serviços insinuando que se tratava de favorecimento, cujo mail que o questionava foi colocado na Web há bem mais de um par de meses, foi desmentido categoricamente pelo secretário de estado da tutela. Entretanto, foi levantada a questão Pacheco Pereira, que desta vez não consta nas listas por alegadamente ter uma “posição adversa à do partido”. Ora, é crime ter posições divergentes da liderança? É grave, muito grave, para Portugal ter um candidato a PM que adequa o discurso em função do auditório, que adequa as acções em função das expectativas ainda que corra o risco de, com essas suas posições plásticas, estar a vincular o país a decisões que no dia seguinte não defenderia nem que a isso fosse obrigado.



Rui Estevão Alexandre

26 MAIO 2011 - 20.48h

Um Bloco do Povo?

Categoria - Política

Parece estranho, mas o facto do Bloco ter feitos umas arruadas é notícia na comunicação social, afirmando-se que este contacto com o "povo" transmitiu energia à campanha.
É estranho, pois seria de pensar que este fosse o ambiente natural de uma organização política tão explicita e ostensivamente defensora dos direitos das massas populares.



Paulo Guinote

26 MAIO 2011 - 20.44h

Louçã Íntimo

Categoria - Política

Na TVI, Louçã desvenda-se na TVI a Judite de Sousa nas "Confissões de Campanha". Registo quase intimista, mas ligeiramente pretensioso nos detalhes de exibicionismo.
A reportagem passa para o Barreiro e para o almoço, onde aparecem petingas assadas, num espaço que não reconheci.
Tenho de descobrir, gosto muito de peixe grelhado.



Paulo Guinote

24 MAIO 2011 - 20.37h

A Missão

Categoria - Política

Foi-me atribuída pela amável colega coordenadora do BdE a missão espinhosa de fazer a cobertura da campanha eleitoral do Bloco de Esquerda.
Já avisei que será uma cobertura feita a partir, não do sofá, mas de uma cadeira não excessivamente cómoda para não adormecer.
É uma missão espinhosa porque o Bloco está a ser a desilusão destas eleições, sem uma linha estratégica perceptível e um líder em evidente quebra de forma.
Para além disso devo fazer uma declaração de interesses: sou eleitor no distrito de Setúbal e na lista de deputados está alguém que não conheço pessoalmente mas que acho ter feito um excelente trabalho na Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa (António Chora), e um outro alguém que é um antigo amigo e colega de profissão (Joaquim Raminhos) a quem muito estimo.
Pelo que me vai custar zurzir no Bloco, mais vai ter de ser, até porque me parece que as cúpulas do Bloco ainda não se aperceberam por completo que o tempo em que eram giros para a comunicação social e úteis para dividir a Esquerda à esquerda do PS já passou.
E é essa a verdade e uma realidade a que o Bloco ainda não se ajustou.
Ainda não se habituou à progressiva situação de ser uma espécie de PCP 2.
É que enquanto o Bloco ajudou a retirar eleitorado ao PCP e foi crescendo até aos 5-6% tudo esteve bem, Louçã era convidado para tudo e mais alguma coisa e o espaço mediático dedicado ao Bloco era claramente desproporcionado em relação ao seu peso na sociedade.
O problema foi quando chegaram aos 8-10% e começaram a morder significativamente o eleitorado do PS.
Nesse momento é que tudo mudou e o Bloco passou a perder a graça para muita gente.
O Bloco deixou de ser útil.
E, tal como com o PCP, começou a ser dado espaço aos excluídos e críticos ou a quem deixou de fazer parte do círculo restrito que comanda o Bloco. Vejam-se os destaques dados a Daniel Oliveira ou Joana Amaral Dias que, no presente, pouco ou nada representam (n)o Bloco mas a quem é dado um espaço que não é dado aos bloquistas residentes.
Por tudo isto e pelos erros que cometeu - num ziguezague de aproximação e distância em relação ao PS (esquizofrenia que remonta aos tempos da esperança de aliança com o PS de Ferro Rodrigues e culminou na campanha de Alegre) - o Bloco passou a ser menorizado na imprensa, as suas propostas começaram a ter dificuldade em passar e a atitude geral é de condescendência.
Paradoxalmente, o PCP e Jerónimo de Sousa passaram a ser encarados com muito mais bonomia.
O que significa que, pela primeira vez na sua história, o Bloco faz uma campanha eleitoral (para as legislativas) em evidente rota descendente e em perigo de importantes perdas.
Fiquei, portanto, encarregue de fazer a quase certa de crónica de uma derrota anunciada.
Ou da primeira não vitória.





Paulo Guinote

O que importa é falar alto e a bom som, com convicção e fazendo passar a ideia de que todas as soluções passam por aquela medida concreta. De uma ideia avulsa ocorrida em qualquer mesa de pastelaria da capital o líder do PSD faz uma medida indispensável para o seu programa eleitoral. Durante o fim-de-semana, a pretexto de opiniões da Srª Merkel sobre as férias dos portugueses Passos coelho veio, enfim, clarificar qual é o verdadeiro problema da Nação – os feriados. Pois, sem que se saiba bem do que se fala concretamente, Passos Coelho veio a terreiro gritar contra os Feriados Nacionais, esses verdadeiros imobilizadores da economia. “Do que Portugal precisa é de reduzir o número de feriados.” Porém, e piscando o olho à sua esquerda, assegurou que esta medida não irá beliscar nem o 25 de Abril nem o 1º de Maio. Então, não eliminando os feriados não religiosos do 25 de Abril e do 1º de Maio e presumindo-se também a salvo o do 1º de Janeiro, o dia de Portugal, da implantação da República e da Restauração da Independência (correspondentes a seis dias de feriado), surge a pergunta lógica – pretenderá o líder do PSD eliminar feriados religiosos? Relacionar o número de feriados com a produtividade dos portugueses é uma falácia grave, mas facilmente desmontável. Dos Estados Europeus com os quais Portugal mais se relaciona (a que junto os EUA e Japão), a distribuição do número de feriados é a seguinte: Alemanha - 9; Reino Unido - 10; EUA, Espanha, Dinamarca e França – 11; Itália e Portugal – 12; Bélgica e Japão – 15. Portanto, Portugal tem apenas mais três feriados Nacionais do que a Alemanha, mas menos quatro que a Bélgica e o Japão. Tão preocupado com os dias que estagnam o país e a economia, talvez fosse importante que Passos Coelho pensasse que nos seis meses de Janeiro a Junho de 2011 o país vai parar 30 dias para campanha eleitoral, ou seja, em seis meses há um que é dedicado a destruir os Estado Social, a Escola Pública e o Serviço Nacional de Saúde para bem de um Estado Liberal apadrinhado por Cavaco Silva. Resta perceber em que feriados Passos irá fazer valer esta sua “grande ideia” a bem da Nação, se nos Nacionais ou se, encontrando uma solução de compromisso, se restringirá a alguns feriados municipais, para que se não diga que nada fez não fazendo absolutamente nada.



Rui Estevão Alexandre

23 MAIO 2011 - 07.44h

Portas, o Novo

Categoria - Política

 
Diz Paulo Portas que é o "factor novo"...
Vejamos:
1. Não é o líder mais jovem (dos Partidos com assento parlamentar) a disputar estas eleições: factor velho.
2. É o líder com mais anos de presidência partidária a disputar as eleições. Um verdadeiro homem dos aparelhos partidários. Nem no PCP. Aparentemente, vive da política desde 1995 (com umas férias pelo meio): factor velho.
3. Foi Ministro da Defesa e não se lhe conhece obra para além de submarinos: factor velho.
4. Fala há 16 anos de Agricultura e da Pesca: factor velho.
5. Fala há 16 anos de pensões baixas e dos idosos pobres (não fala de pensões altas e de idosos ricos): factor velho.
6. Pelos vistos está a enganar os portugueses dizendo que é o factor novo. Esta diferença entre discurso e acção também me parece um factor velho em política...



João Ribeiro

22 MAIO 2011 - 12.31h

Balsemão/Cavaco E O Pântano Central

Categoria - Política

Não vou dizer que a interferência é directa, mas então é porque há sintonia no ar. Todas as semanas, o Expresso apresenta um tom dominante que se nota preocupado em enfraquecer a posição dos dois partidos dominantes, como se quisesse que não se verificasse uma vitória declarada de um deles sobre o outro.
Para que sejam obrigados a entender-se naquela que é a solução ideal para Belém e aquela que, de forma quase explícita, Cavaco Silva quis promover até ter desaparecido da vista de quase todos (consta que apareceu numa agência de viagens a comprar uma passagem de ida para o Brasil para um amigo).
O esforço que se nota em muitas páginas do Expresso - para quando novo destaque ao Compromisso Portugal a que ninguém ligou? - é um çprolongamento da estratégia do PR para a governação do país. Impedir uma vitória clara de um partido, tentar que o entendimento se faça, nem que seja à custa do afastamento de um dos líderes. Impedir uma aliança simples de direita ou de esquerda.
Afastar os radicalismos.
Este plano tem um problema: ganhando, mesmo que por pouco, Sócrates dominará e não fará compromissos que não sejam de acordo com as suas condições. Perdendo por poucos, e sendo PPC convidado para PM, Sócrates não largará m liderança e procurará tornar-se o grande líder das Esquerdas, algo que o Bloco aceitará e que o PCP encarará como instrumental na luta contra a Direita.
Ao que parece, muita gente que, mesmo na sombra, continua a ter uma estratégia errada por avaliar mal a personalidade de Sócrates. E, de uma maneira ou de outra, acabam por lhe dar a mão, ao tentarem equilibrar o combate eleitoral.
Esperemos que, de uma forma ou outra, os eleitores não se deixem ludibriar pelos arquitectos do que seria o Pântano Central-Nacional.
 



Paulo Guinote

20 MAIO 2011 - 13.34h

Paulo Portas: o pai dos pobres

Categoria - Política

Para quem não se deu ao trabalho de ler o programa de governo do CDS-PP (Deus sabe como eu tenho mais que fazer), o debate Portas-Louçã  foi instrutivo. Fiquei a saber que Portas defende um Rendimento Social de Inserção  pago sob a forma de vales de alimentação. Não se ter lembrado de Cheques Fnac, Vouchers A Vida é Bela ou de bilhetes para a próxima final da Liga Europa mostra que Portas sabe umas coisas sobre os probres: têm é que comer e não devem gastar o dinheiro todo em doces. Um governo com Portas no poleiro é a garantia de um Estado caridoso, sem dúvida uma boa notícia para os corações misericordiosos que pagam impostos lembrando o magistério da Madre Teresa. Enquanto Louçã fala em renegociar a dívida para desatascar uma economia condenada, Portas está preocupado em lembrar a dívida dos pobres: que são uns falhados que devem à sociedade a graça da do pão de cada dia, que são uns fardos cuja sobrevivência só não é renegociada porque enfim. 



Bruno Sena Martins

Paulo Futre explica todo o processo da ida de Figo para o Real (incluindo o pedido para a contratação de Sá Pinto para ajudar à ambientação):

  

A história (contada por Redknapp) de como Futre se recusou a jogar com o número 16:



Bruno Sena Martins

18 MAIO 2011 - 12.26h

E a Pasta da Cultura vai para...

Categoria - Política

Durante uma Campanha política, tudo é possível. Os candidatos estão dispostos a tudo e não medem palavras nem consequências. O importante é ser eleito, depois logo se vê. Desta vez coube a Pedro Passos Coelho, candidato a Primeiro-ministro pelo PSD, presentear os jornalistas com a seguinte afirmação, durante uma campanha em Cascais: “A cultura é uma área transversal, que deverá ficar na dependência directa do próximo primeiro-ministro e, neste caso, ficará directamente dependente de mim”.
Num momento em que se questionam as suas capacidades e maturidade para desempenhar funções como PM, Passos Coelho decide mostrar que a sua competência é tal que tomará conta de tudo. O presidente do PSD pretende formar um governo com menos ministros e secretários de estado, assumindo assim o controlo de algumas pastas actualmente delegadas noutrem. Está provado e certo que a Ministra Canavilhas não tem dado conta do recado, são várias as contradições e decisões incompreensíveis. No entanto, não me parece que a melhor solução para a nossa Cultura (que já se encontra numa situação delicada e, de certa forma, negligenciada e corrompida) seja a apresentada por Pedro Passos Coelho. Afinal de contas, mesmo que possa ser considerada uma “área transversal”, a política Cultural precisa de reformulações, duma visão inovadora e atenta, uma lufada de ar fresco. Partirá de PPC a disponibilidade e competência necessárias para tal? No lo creo…
Fica no ar a questão – e não esquecendo que ainda não ganhou as eleições – não será imprudente assumir tal responsabilidade, tendo em conta o volume de trabalho que terá como PM? Tem uma crise (política, económica, financeira, social) para amenizar, uma ajuda externa para gerir, uma dívida monumental para amortizar, um país descontente e desmotivado para “arrebitar”, não lhe chega?
Com este cenário, no dia 5 de Junho, a dificuldade estará na escolha. Se dum lado chove, do outro troveja, e, enquanto deveriam tentar mostrar aos eleitores que a sua descrença é desnecessária, os candidatos fazem precisamente o oposto. Dedicam-se a insultos e acusações, palavras vazias e enganadoras, propostas sem lógica, sem força. Não podemos censurar a falta de confiança do eleitorado, ela é continuamente encorajada e fundamentada.



Catarina Caetano

16 MAIO 2011 - 16.55h

As Dimensões da Informação

Categoria - Política

Parte-se para o terreno com o objectivo de conquistar votos. Essa é a missão de todo e qualquer político em tempo de campanha.
Hoje já não vivemos no tempo de ouro do Speaker Corner, bem ali no centro de Hyde Park. Hoje que por lá passa tira a foto. Quem lá pára, para falar ou escutar, fá-lo ou por distracção, por gosto pela sátira ou por ausência de melhor programa.
Mas teve, é certo os seus momentos áureos, tendo por lá passado Karl Marx, Vladimir Lenin, George Orwell, C. L. R. James, Ben Tillett, Marcus Garvey, Kwame Nkrumah and William Morris, entre outros.
Nos seus bons tempos, no Speaker Corner, propagaram-se bandeiras ideológicas, lançaram-se críticas ao sistema, discutiram-se assuntos sérios da GB e do mundo.
Nos nossos tempos, ir para o terreno, transportar consigo a ideologia, as medidas de política e os programas de Governo trata-se de pedir demasiado. O desprezo pela intervenção ideológica, pela apresentação dos seus programas é de tal modo acentuado junto da generalidade dos líderes políticos que alguns se lançam à campanha sem sequer ter um programa apresentado. Exploram-se as imagens, o populismo de ideias avulsas, tiram-se fotos junto de velhinhos enrugados a quem se presta uma homenagem de circunstância, pedem-se votos.
E nos jornais exploram-se os insólitos de campanha, espelham-se os valores exorbitantes pagos por uma vitória, falam-se das banalidades da vida privada dos candidatos. Por vezes apresentam-se as medidas, quando existem, dos candidatos, mas a entropia é tal que o essencial não passa.
Os políticos, e os seus assessores, esforçam-se por fazer passar a imagem de homens comuns, de bem e preocupados com os problemas sociais e económicos do eleitorado (que neste momento é o que interessa; os cidadãos são hoje um conceito demasiado lato para que se possam agradar a todos). Escrevem nas redes sociais, publicam-se e republicam-se. Aparecem mas não comunicam. Recebem mensagens críticas a que não respondem. Mas elas estão lá, não as apagam (a censura já não mora ali). Mas não lhes respondem ou dão, sequer, sinal de as terem lido. Nem sempre é assim, é certo. Mas é frequentemente comum que assim seja.
Informa-se pouco. A comunicação não melhorou apesar do avanço das redes sociais.
A dificuldade em comunicar com o político estará sempre limitada pela circunstância da reeleição. O poder é o elemento central da política, é consensual. Mas o poder dever ter uma função lógica, assim se espera. As circunstâncias e o calculismo político, recentemente utilizados na cena Nacional, têm custos muito altos para a Democracia. Utilizar os timings em função de oportunidades eleitorais são jogadas altas num tabuleiro demasiado complexo que é o Estado.



Rui Estevão Alexandre

15 MAIO 2011 - 21.50h

O Verdadeiro Voto Inútil...

Categoria - Política

... para toda e qualquer pessoa que queira um país vagamente governável e livre de todos os vícios dos últimos anos é o voto em Sócrates.
Todos os outros são úteis.
Porquê?
Para além das razões óbvias - não há paciência, nem condições humanas e/ou de sanidade mental - é indispensável perceber que o PS não tem quaisquer condições para governar pois:
  • Não tem qualquer hipótese de ganhar com maioria absoluta, nem que algumas sondagens assim o decretassem.
  • Não tendo essa maioria, não conseguirá gerar uma solução governativa séria, visto nenhum partido estar disponível par uma coligação (à Esquerda há a recusa frontal do acordo com a troika e à Direita a explicitação clara da impossibilidade de uma aliança com Passos Coelho ou Portas).

Pelo que votar em Sócrates é votar numka não solução.

Quanto a votar nos restantes partidos, em particular os que têm assento parlamentar, é uma questão de geografia política e afectiva: à Direita vota-se no CDS ou PSD, no Centro no PSD, à Esquerda no Bloco ou no PCP.

Assim acontecendo, Sócrates não chega ao poder e terminará - enfim! - este estado de delírio (quase) colectivo em que temos andado e que afecta ainda com alguma força um terço do eleitorado que declara intenção de voto.

E os dois terços restantes terão conseguido fazer prevalecer a sua vontade.

Depois, é ver qual a cartografia parlamentar. Ou maioria de centro-direita, ou permanência da maioria de centro-esquerda. Mas, derrotado Sócrates, será sempre mais fácil gerar uma solução governativa, nem que seja defenestrando-o e à sua clique fiel das rédeas do PS. E para isso o Bloco e o PCP precisam de disntinguir com clareza - até como conseguem em certas soluções autárquicas - quem é o seu actual principal adversário.

Portanto e para efeitos de resumo claro da tese aqui exposta, o verdadeiro voto inútil é o voto em Sócrates.



Paulo Guinote

13 MAIO 2011 - 11.17h

A dita crise

Categoria - Política

 A dita crise é, no essencial, o seguinte: uns génios financeiros, superiormente educados por "credíveis" faculdades de economia e gestão, na sua poltrona com vista para o mar, acompanhados do seu Macintosh, apanharam um susto quando o seu dinheirinho ficou em causa no buraco dos empréstimos abusivos aos pobres americanos. Com a rapidez da luz, e dois ou três cliques de rato, sacaram o dinheiro do buraco e deram-lhe férias em famosas estâncias turísticas com fantásticas P.O. Boxes digitais. Depois de suspirarem, e beberem o seu Macallan single Malt de 18 anos, com umas gotas de água, começaram a pensar sobre novo destino do seu brinquedo: dinheiro. Lembraram-se de uma coisa gira chamada CDS - cá também é uma coisa gira. Bora lá jogar! À medida que vão jogando percebem que o verdadeiro high-roler, para além das suites especiais nos casinos, tem que arriscar e apostar mais alto. Nada como a zona euro. Dream Gamble! Nunca antes tentado. Mas o CDS só dá dinheiro se houver incumprimento! Nunca tentado nos países desenvolvidos. Já tinham jogado com sucesso na Indonésia mas sem grande impacto porque não passam de um bando de muçulmanos pobres do outro lado do mundo. Nenhum europeu se indignou. Atacar a Alemanha também não porque o primo é Director; e andou na Faculdade com 3 CEO de grandes empresas alemãs - seria injusto. Ao quarto copo de Macallan, uma epifania: PIGS! So funny! Let's do it.
Perante isto, não há homens na minha terra?

Declaração de interesses: eu também bebo Macallan.



João Ribeiro

12 MAIO 2011 - 22.57h

Já vi este filme e não gostei

Categoria - Política

Tal como recusei que se centrasse a decisão dos portugueses em torno da "picareta falante" ou de uma suposta gaffe sobre o valor do PIB, em 95, não farei eco, nem aqui nem em privado, de retóricas exploratórias de pêlos ou analogias históricas infelizes. O país tem que discutir o contrato social que vai assinar a 5 de Junho.



João Ribeiro

11 MAIO 2011 - 22.02h

Campanha: um balanço

Categoria - Política

Gosto de Pedro Passos Coelho, isto é, agrada-me a cortesia com que se move, a verosímil franqueza que põe no que diz (excessos de honestidade incluídos) e a pessoa que transparece ser. Isto dito, como toda a gente, tenho por claro que esta campanha será inevitavelmente marcada pelo descalabro daquele que já foi o mais que certo fututuro-Primeiro-Ministro.

Ora, acontece que o ex-futuro-Primeiro-Ministro, além de uma agenda ultra-liberal formada na elevação a ideologia dos fretes aos amigos ricos, o ex-futuro-Primeiro-Ministro, dizia, ao longo desta campanha tem dado provas de uma manifesta incapacidade para exercer algo parecido como uma liderança, para organizar uma estrutura coerente e para ser um tecnocrata minimamente competente. Passos Coelho nem domina o partido nem é capaz de se demarcar dos amigos que escolheu para chegar ao poder: Passos Coelho presta vassalagem à mediocridade que o rodeia e da qual pouco se distingue. Sócrates é um líder nato: sendo igualmente medíocre, conseguiu pôr ao seu serviço um partido de distintos vassalos.



Bruno Sena Martins

11 MAIO 2011 - 10.46h

O país está vivo!

Categoria - Política

O país está de pernas para o ar, todos sabemos e o sentimos, de uma forma ou de outra.
O dinheiro continua mal distribuído e cada vez mais escasso; enquanto uns se “estrafegam” para o esticar, outros dão-se a todos os luxos que conseguem.
Gastamos os milhares que, supostamente, não temos, numa campanha eleitoral megalómana que poucos convencerá.
Continuam a realizar-se manifestações, protestos variados, greves e outras formas de demonstração de descontentamento. Apesar de ainda algo inerte, o povo português quer fazer-se ouvir e lutar pelo seu bem-estar e pelos seus direitos (ou pelo menos para não afundar completamente). Na verdade, dada a situação, parece que pouco mais podemos fazer para além de manifestar a nossa opinião e fazê-la valer nestes momentos decisivos, mesmo que seja incómodo ou cansativo.
Tivemos de recorrer à ajuda externa com tudo o que isso implica para a nossa economia interna e para os dias vindouros. Não conseguimos evitar…
Os nossos governantes atacam-se em brincadeiras de gato e rato, e os interesses do “pessoal” ficam para depois. Mas, por agora, prometem o mundo.
Nem o meu Benfica ajuda, perdendo tudo o que havia para perder esta época, numa performance muito aquém das altas expectativas a que se propuseram.
O país está deprimido, quem não estaria no meu deste quadro? Mas, no meio de vencidos, frustrados e deprimidos, temos (felizmente) pessoas que continuam com vontade de trabalhar, que sabem dar as voltas necessárias ao texto e seguem em frente.
Foi com surpresa e orgulho que constatei que, apesar dos cortes nos orçamentos e das pouco sábias palavras de (des)encorajamento da nossa querida Ministra da Cultura, continuam a promover-se festivais de Teatro e outras artes por todo o país, e com uma oferta de grande qualidade.
É o caso do FITEI, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica que, com jogo de cintura, oferece um cartaz variado. De 27 de Maio a 5 de Junho, no Porto, com espectáculos entre as 10h e as 23h. Uma prova viva de que as dificuldades financeiras podem não impedir um bom trabalho.
Refiro também, com grande destaque, o maravilhoso trabalho que Mário Primo continua a fazer em Santo André, no Alentejo, onde nos volta a presentear com a 12ª Mostra Internacional de Teatro. De 16 de Maio a 17 de Junho, serão cerca de 30 espectáculos de companhias de renome nacionais e internacionais, e outras actividades que caracterizam a dinâmica tão especial que Mário Primo dá a esta Mostra. Todas as edições anteriores foram sucesso absoluto, o público é bastante interessado e presente, e o mesmo acontecerá, certamente, este ano. Parabéns Mário!
Em Montemor-o-Novo, onde estou a viver de momento, apesar de muitos eventos passarem despercebidos, vai começar fase de grande actividade. Estranhamente, várias instituições culturais vão arrancar com festivais em simultâneo. A dificuldade estará na escolha, mas é importante que se aproveite este momento de intensa dinâmica. Sugestão para os próximos anos: melhor comunicação e organização para que o público tenha oportunidade de usufruir de tudo; afinal de contas, o ano tem 12 meses.
De 1 a 5 de Junho, O Espaço do Tempo apresenta a Plataforma Portuguesa de Artes Performativas 2011, numa promoção nacional e internacional do trabalho de artistas portugueses no teatro, dança, performance e cruzamentos disciplinares.
Começa também a 4ª Edição do Encontro de Marionetas, organizado pela Companhia Alma d’Arame, com espectáculos, Workshops, conversas e outras actividades. Arranca já no início de Junho.
De 11 de Junho a 3 de Julho, por parte das Oficinas do Convento, temos a Cidade Preocupada, com uma série de espectáculos, exposições e outras actividades que terão lugar um pouco por toda a cidade.
A Câmara Municipal, Juntas de Freguesia e Organizações Concelhias oferecem o Ciclo da Primavera, que decorre de Março a Junho, por todo o Concelho, com espectáculos variados.
Seguindo para Lisboa, a cidade que nunca está parada, onde mil coisas acontecem. Concentram-se nesta cidade tantos projectos, companhias, ideias, que demoraria uma eternidade a identificar toda a dinâmica cultural. Quero apenas dar destaque a um acontecimento: o FATAL, o 12º Festival de Teatro Académico de Lisboa, que decorre de 11 a 29 de Maio. Promove-se e celebra-se o teatro Universitário, que também tem lugar e qualidade, merece destaque.
Como se pode ver, há força para continuar, para trabalhar e exceder expectativas. Para além de crises e tristezas, apesar das corridas de obstáculos, o país está vivo!
É essencial seguir estes exemplos, acompanhar as dinâmicas e deixarmo-nos influenciar. Abaixo as depressões, a vida é movimento, vamos vivê-la!



Catarina Caetano

11 MAIO 2011 - 09.55h

A luta é alegria...

Categoria - Política

... mas o nosso Jel e o nosso Falâncio não se conseguiram apurar para a final,
Que tristeza! Numa Eurovisão que é todinha cantada em inglês e em timbre do mais comercial (e horrendo) possível, os camaradas pá deram o melhor, na lusitana língua mãe, mas ficaram pelo caminho.
Ao aeroporto recebé-los!



Marta Rebelo

Terminou a Semana do Blogger Convidado do Blogue de Esquerda. Esta iniciativa foi um sucesso, graças aos nossos convidados. A todos, o nosso agradecimento sincero. Bom trabalho!



Marta Rebelo

10 MAIO 2011 - 01.01h

Uma quase despedida

Categoria - Política

[A iniciativa da Marta Rebelo terminaria no dia 6, mas aproveito uma aberta para deixar aqui umas últimas ideias, originalmente publicadas no meu blogue pessoal. Pretendem ser um contributo contra a inevitabilidade destes dias. E um agradecimento à Marta por acreditar que as esquerdas podem ser discutidas em polifonia - para formar uma voz diferente.]

Teixeira dos Santos veio saudar o facto de PS, PSD e CDS serem "parte da solução". O ministro mentiroso (mentiu no PEC I, PEC II, PEC III e no PEC IV) que abriu portas a uma morte lenta do Estado Social, que tornou cada exercício de contas numa mera retórica ilusória, de um governo dito socialista, veio saudar a solução do PSD e CDS, que aplaudem com indisfarçável vigor a liberalização excessiva de sectores da economia e da sociedade que os portugueses não votaram em 2009. E Teixeira dos Santos ataca o BE e o PCP por serem "parte do problema", mantendo o País "num PREC permanente", quando o natural seria um ministro dito socialista tentasse governar à esquerda, com quem está à esquerda.

O problema é que mais uma vez Teixeira dos Santos mente. Com os dentes todos, a parte do problema é ele - e as suas políticas mentirosas. Os sacrifícios que ele pede (mais uma vez) aos portugueses são aos mesmos de sempre, a quem é fácil obrigar a pagar a factura. O ministro que é o problema devia ter vergonha na cara e pedir desculpa.

Bater com a porta é desnecessário, apesar de agora ter montado uma campanha do ministro bom face ao primeiro-ministro mau e de andar a deixar escapar que está em colisão com Sócrates. Não: Teixeira dos Santos é um ministro péssimo que está em rota de colisão com o País.


Ao contrário de Teixeira dos Santos, falso ministro de um governo dito socialista, o eleitor do PS gosta de acreditar que há soluções governativas de esquerda. No actual quadro, em que as sondagens dão um bloqueio a qualquer solução de direita e um empate técnico que obrigará qualquer vencedor (PS ou PSD) a entender-se com outros, talvez valesse a pena à esquerda ensaiar pontes que até aqui têm sido impossíveis. Um PS sem Sócrates não é solução para um entendimento com PSD e CDS, como sonhou no Verão passado Paulo Portas; deve antes ser um PS que procure o BE e o PCP para soluções de um arco de governação à esquerda. Como Lisboa já teve, com tão bons resultados.



Miguel Marujo

9 MAIO 2011 - 14.50h

A Entrega Do Centro-Esquerda A Sócrates

Categoria - Política

A divulgação do programa eleitoral do PSD pode ter sido um momento fulcral na desistência de Passos Coelho ocupar uma fatia significativa do eleitorado do centro ou mesmo centro-esquerda como ele pretendia.

Pode elogiar-se a coerência de manter as ideias nucleares que já tinha anunciado por ocasião do projecto de revisão constitucional, mas não é possível ocultar que o desejo de apanhar a boleia das propostas da troika para fazer uma alteração bastante profunda nas funções sociais do Estado terá levado o PSD a não perceber o eleitorado a que afirmou querer dirigir-se.

Passos Coelho disse que o programa do PSD não foi feito na estratosfera.

Acredito que não.

Mas também não foi feito exactamente no terreno.

Parece ter sido feito com os olhos e ouvidos em actores intermédios, com agendas particulares de aproveitamento das oportunidades de negócio.

Propostas como a da privatização da gestão das águas, da progressiva entrega da gestão dos Centros de Saúde a privados e o aprofundamento das medidas do PS em matéria de gestão escolar, empurram o PSD para longe de muitas pessoas que, no presente momento, se sentem vulneráveis e que, com medo do futuro, dificilmente se mostrarão disponíveis para apostar em quem diz que o pouco que têm de vagamente seguro, não podem ter.

Pode chamar-se coragem a isto ou então apenas inconsciência da situação concreta de largos sectores da população.

Há dois momentos ideais para reformas profundas: quando a crise é tal que é o único remédio é uma ruptura total ou quando o tempo é tão próspero que tudo pode parecer possível.

O que este PSD não parece ter percebido é que no primeiro  caso (crise profunda) a ruptura total se chama revolução e não reforma e não pode ser feita – como Passos Coelho bem disse, mas não sei se conseguiria praticar – contra as pessoas.

E parece não ter percebido outra coisa: a estratégia-Alçada (ou estratégia-Ana Jorge, de colocar um sorriso em cima de soluções erradas) pode funcionar com quem gosta de ser maltratado com carinho (ou para quem gosta de negociações orgásmicas), mas não com quem não gosta de ser maltratado, ponto final.

Passos Coelho pode ser pessoalmente empático e não serem contestadas ou beliscadas as suas boas intenções e sinceridade, mas ele não sobrevive politicamente no vácuo. Há quem o rodeia e quem o rodeia, na esmagadora maioria dos casos, quando abre a boca entrega votos a Sócrates ou tenta ser algo que sabemos não ser.

E todos sabemos que há quem só esteja à espera que a porta fique entreaberta para, o mais depressa possível, a escancarar por completo.

É verdade que Portugal vive uma situação de bloqueio, com uma sociedade enclausurada por ilusões de modernidade e europeização criadas durante 20 anos e com um modelo (?) falhado de desenvolvimento à maneira do terceiro-mundo (obras públicas com emprego de baixa qualificação e baixos salários).

É verdade que Portugal precisa quebrar esse ciclo.

Mas também é verdade que esse ciclo não se quebra com reformas destinadas a tirar o pouco que resta a muitos para satisfazer o interesse de alguns. Até podem ser mais e com mais mérito do que os ruispedros, varas, coelhos e vitorinos que medraram nos últimos anos ou desde o descair do guterrismo, mas a verdade é que são alguns.

O que Portugal não precisa é de uma mera rotação de clientelas, enquanto a maioria continua desabrigada. Ou acredita que o vai ficar. E, olhando, não vê quem a defenda dos disparates que têm sido feitos.
 

 



Paulo Guinote

9 MAIO 2011 - 11.41h

Mais Engenheiros e Menos Doutores

Categoria - Política

Há dias, sentado a uma mesa de reunião, uma das intervenientes interrompe um raciocínio para pedir que a oradora “traduzisse” o seu discurso para linguagem de engenheiro. A senhora era engenheira, de facto. Todos os outros, com um ar comprometido sorriram, não tanto por simpatia ou anuimento ao pedido, mas mais por vergonha. O discurso foi adaptado mas nem por isso resultou numa reunião mais curta ou mais inteligível, para mim pelo menos. Decerto tornou-se mais pobre.

“Ávidas de bons desempenhos económicos, as nações e os respectivos sistemas educativos desprezam as competências indispensáveis à sobrevivência dos regimes políticos liberais” afirma Martha Nussbaum da University of Chicago.

Serve este intróito para remeter para o excelente trabalho feito por Alexandra Prado Coelho na Pública de ontem (8 de Maio), onde se argumenta que as elites já não querem estudar Letras ou Ciências Sociais. Os cursos destas áreas científicas são hoje considerados uma hipoteca sem qualquer espécie de retorno do investimento feito. Estudar Sociologia, Antropologia, História ou Filosofia é sinónimo de duas coisas: primeiro de desemprego; segundo que estes estudantes não são fruto da elite.

As elites forçam que as escolhas dos seus filhos recaiam sobre áreas Tecnológicas (Engenharias) ou Económicas e de Gestão. As elites forçam hoje em dia a criação de uma sociedade formatada e robótica, preparada para decidir “by the book” e sem pensar. A própria noção de que Direito era a saída para os homens de Estado, imprescindíveis num Estado de Leis e Regulamentos “à la carte”, hoje parece estar absolutamente diluída. Os homens do Direito hoje são Engenheiros e Economistas – aos advogados são depois pagos pareceres que clarifiquem as ideias destes outros que, por formação, não estão habilitados a decidir olhando a realidade social.

Perdeu-se a noção da imprescindibilidade do conhecimento histórico dos Estados e das Sociedades. Decidir o futuro de um Estado pode ser, hoje em dia, tarefa de uma equipa que, fechada num gabinete, se limita a apreciar números e tendências.

Argumenta-se neste trabalho do Público que uma formação de base em Ciências Sociais conjugada com uma formação adicional aplicada ao contexto de mercado é a solução de sucesso que urge. Oxford, diz-se no mesmo artigo, emprega todos os seus alunos de História e Filosofia na banca e nas empresas. Isto porque nos cursos de Ciências Sociais são dadas ferramentas de trabalho que não são senão conceitos básicos e operatórios de apoio à decisão. Ensina-se a pensar. Dão-se a conhecer as grandes decisões históricas do passado, mas também aquelas que resultaram em erros colossais.

As Letras e as Ciências Sociais estão hoje arredadas das cúpulas do poder e da decisão. Somos, enfim, chegados a um estado numérico que se torna necessariamente iletrado.



Rui Estevão Alexandre


Com tanta gente a falar outra vez do chamado "voto útil" no PS, assim demonstrando que há quem nunca queira aprender ou apreender o que não lhe convém, despeço-me desta minha breve mas gostosa passagem por aqui (obrigado Marta, Deus lhe pague, embora isto dito por mim possa querer dizer que nunca mais recebe) dando de novo à estampa o que considero três evidências sobre esta enfadonha mas persistente milonga que dei à estampa
nas eleições de 2009 e cuja actualidade substancial creio manter-se, excepção feirta a referências de carácter conjuntural.
Para voltarem a governar o país, PSD e CDS precisam de votos neles e devia meter-se pelos olhos adentro que votos nas forças à esquerda do PS (designadamente na CDU) não são votos no PSD e CDS e sempre serão votos que lhes faltarão para obterem a maioria absoluta de que carecem, do que só pode decorrer a evidência notória que votar CDU (ou BE) em nada favorece um regresso do PSD-CDS ao governo.

Ao contrário do que tanta gente julga, é uma falsidade de todo o tamanho supor que o que determinará a formação do governo subsequente às eleições é saber qual é o partido mais votado. Imaginemos, por exemplo, que o PSD até fosse o mais votado mas, caso com o CDS não formasse uma maioria absoluta, bastava o PS assim querer ( e contando para tanto com os votos parlamentares do PCP , dos Verdes e do BE) e nunca um governo PSD-CDS veria a luz do dia. Inversamente, imaginemos que o PS era o partido mais votado mas que havia uma maioria absoluta PSD+CDS. Nesse caso, alguém duvida que quem formaria governo não seria o PS mas, mais provavelmente, uma coligação pós-eleitoral PSD- CDS ?.Vital Moreira acaba de afirmar que «para haver um governo de esquerda [??!!!], não basta uma "maioria de esquerda" (ou das esquerdas), sendo necessário que o PS ganhe as eleições» (pressuponho que esteja a querer dizer ser o mais votado).Pura falácia só possível porque ou Vital Moreira pensa que ser o mais votado dá automaticamente direito a formar governo (o que significaria que estaria a desaprender em termos de constitucionalismo) ou porque, tendo em conta o que diz do PCP e do BE, quer um PS mais votado para que, a seguir, se ir entender ou com o CDS (mais provável) ou com o PSD, duas coisas perante as quais se arrepelariam todos os eleitores de esquerda que, incautamente, tivessem ido atrás da flauta do «voto útil» no PS.

 
Acresce que se, ainda que um pouco artificialmente, se quiser concluir que, pelo menos em termos núméricos eleitorais, há dois «campos» em presença (o que engloba PSD+CDS e o que englobaria PS+CDU+BE), a mais pura das verdades matemáticas (do ponto de vista político é outra conversa !) é que nenhum tipo de deslocações de voto, seja em que sentido fôr dentro do segundo campo tem qualquer incidência sobre a questão da direita (PSD e CDS) terem ou não terem uma maioria absoluta de deputados (ou seja tenha o PS 30%, a CDU 10% e o BE 9% ou tenha o PS 35%, a CDU 8% e o BE 6% - isso em nada altera que a direita continuasse a somar 51% e tivesse todas as condições para formar governo.).
Mas, saindo dos esclarecimentos de base numéricos e pondo esta minha convicção fora do desafio acima lançado, como será evidente para os leitores, na minha opinião o que politicamente mais determinará o curso dos acontecimentos e soluções pós-eleitorais e que mais pode influenciar a conquista das políticas e soluções de que Portugal precisa é um significativo reforço da CDU, um voto que contribui sempre para a derrota da direita, que castiga justamente a política de direita do PS, premeia um incomparável combate e intervenção ao longo dos últimos quatro anos e meio contra agressões e retrocessos sem conta e que dá acrescida expressão e força institucional à luta por uma nova política constante das suas propostas, programas e compromissos.



Vítor Dias

7 MAIO 2011 - 13.37h

Os factos contra a conversa fiada

Categoria - Política

Agora que o Presidente da República, sem se desmanchar, conseguiu falar de justiça social e crescimento económico a propósito do programa das troikas e agora que começaram os debates eleitorais televisivos, quero, pela terceira vez neste blogue, lembrar o que aconteceu na AR há apenas cinco meses. E não preciso de dizer mais nada, pois não ?

(Ler o resto aqui)

(publicado também aqui)




Vítor Dias



Eu estou fartinho de saber que não está na moda ter memória ou, pelo menos, ter uma memória que ultrapasse os últimos oito dias. E ainda sei melhor que o desgaste e a crise da memória colectiva é o maior seguro de vida dos partidos do chamado «arco  desgovernativo». Por isso, pedindo humildemente desculpa se acaso estrago o festa, só quero aqui chamar a atenção para que agora até o PS tem uma frieza envergonhada em relação às chamadas parcerias público-privadas, que o PSD faz sobre elas uma grande gritaria e que até o bando troikado acha que a coisa tem de ser mais controlada.

O que ninguém quer lembrar é que o PCP as criticou e condenou severamente desde que tal ideia apareceu nas meninges dos governantes do PS por influência das «novidades» de Blair e A. Giddens.

E o que é preciso lembrar é que, e isto para não ir mais atrás, na Resolução Política do XVII Congresso do PCP, realizado em Novembro de 2004, está escrito isto:

«(...) O governo PSD/CDS-PP acentuou a linha privatizadora. Transformou 36 hospitais em 31 hospitais sociedades anónimas e prevê empresarializar mais 30 unidades de saúde até 2006. Celebrou novo e vantajoso contrato para o Grupo Mello no Hospital Amadora-Sintra. Avançou com as chamadas parcerias público-privadas, iniciadas pelo PS, para entrega a privados dos novos hospitais a construir, num negócio sem paralelo noutros países e que constitui na prática a entrega durante décadas destas unidades hospitalares a grupos económicos privados, em condições de lucro garantido e ausência de risco, assente num financiamento público de mais de 7 400 milhões de euros - que onerará o Orçamento do Estado até 2037, em montantes superiores ao que seria a despesa pública se estes hospitais fossem construídos e geridos pelo Estado - (...)»
 
E, visto isto, a pergunta incomodará muita gente mas tem de ser feita: afinal quem tinha razão ?



Vítor Dias



e eu, presumido estalinista, 
dou-vos Renée Fleming

Porque o encanto e  a beleza desta voz
também ajudam à luta

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(se esta coisa não funcionar ver aqui)



Vítor Dias

5 MAIO 2011 - 22.07h

Sócrates & Teixeira, Cruzeiros SARL

Categoria - Política



Original rabiscado por um amigo e que já publiquei aqui.



Paulo Guinote

5 MAIO 2011 - 21.40h

Sócrates & Teixeira, Safaris SARL

Categoria - Política

Não é fácil alimentar regularmente uma coluna de jornal. Acertar no tema, recolher informação, alinhavar palavras, esmerar-se no raciocínio. Há quem o consiga com particular mestria, há quem oscile entre momentos bons e momentos sofríveis e depois há a Helena Matos. A cronista já havia ficado célebre com um texto que se revelou um autêntico hino ao não-pensamento, no qual elencava moradas de edifícios de Lisboa que tinham uma qualquer relação com a Câmara Municipal. Hoje resolveu atacar o Movimento 12 de Março e todos aqueles que, na língua de pau da articulista, «querem segurança, certezas e um emprego para toda a vida». Nem vale a pena falar das razões de uma iniciativa como a da lei contra a precariedade porque existirá sempre uma Isabel Stilwell ou um Vicente Jorge Silva a explicar-nos que a realidade é outra coisa qualquer e que a insatisfação social é apenas a medida da nossa incapacidade em usufruir a liberdade que nos calhou na rifa. Helena Matos não vai tão longe. Na verdade, não vai a lado nenhum, já que se limita a comparar o movimento com o antigo PSN. Se um era o partido dos «reformados», o outro é o partido dos «jovens». Não é propriamente importante que não seja nem «partido» nem «de jovens», já que a escala da sua velhice está definida e mede-se nas tais ideias de «segurança, certezas e um emprego para a vida». Consequentemente, digo eu, os verdadeiros jovens serão aqueles que reivindicam insegurança, incertezas e desemprego para a vida. De uma coisa podemos estar certos e seguros: não é fácil alimentar regularmente uma coluna de jornal.



Miguel Cardina

5 MAIO 2011 - 12.24h

Uma cor muito bem escolhida

Categoria - Política



Talvez se possa dizer que esta é a solução gráfica
mais clássica ou de maior efeito visual mas
do que não há dúvida é que a cor de fundo
para esta manchete do Público de hoje
já responde à pergunta ímplicita e já diz tudo.
Negro, negro, negro.

(ler o resto aqui)



Vítor Dias

5 MAIO 2011 - 01.44h

A Passos o PEC IV +

Categoria - Política

Passos Coelho esforçou-se, na entrevista a RTP desta noite, por desmentir a noção que o pacote do acordo tenha a ver com o PEC IV. Esforço inglório - pelo que se conhece já, tem e muito. Mas o que nao estava no PEC IV acaba por ser a parte mais dura e gravosa das contrapartidas do emprestimo: incluindo o programa de privatizações do sector empresarial do Estado ao preco da uva mijona... Ou seja, o que nao estava no PEC IV e esta no PEC IV + fica a dever-se ao PSD por ter recusado o PEC IV. Incluindo o "bonus" de destrocar a imagem internacional do pais, ao precipitar a crise política.



Ana Gomes

5 MAIO 2011 - 01.42h

Passos em falso

Categoria - Política

Passos Coelho explicou na RTP hoje porque omitira aos portugueses que se havia encontrado com o PM nas vésperas de o governo se apresentar ao ECOFIN para subscrever o PEC IV. Porque essa fora a combinação com o PM, disse. Mas tempos antes Passos Coelho sugerira aos portugueses que nao voltaria a entrar em combinações com o PM sem testemunhas. E afinal voltou. E por isso passa a ideia de que omitiu o encontro para nao deixar que se percebesse que, afinal, voltara atrás.



Ana Gomes

5 MAIO 2011 - 01.40h

Passos em on e em off

Categoria - Política

crates e Passos Coelho faziam bem em ouvir o Dr. Silva Lopes e o Prof Jacinto Nunes, agora a opinar na SIC Notícias. Sugestões avisadas, de quem tem experiência e sensibilidade social. E de quem sabe que quem quer governar nao pode estar confinados apenas a horizontes caseiros, tem que entender, querer e fazer por mudar o mundo. Para alem de uma mais justa distribuição dos sacrifícios interrnamente e outras medidas que fazem sentido, os dois economistas advogam a necessidade de se combater, na Europa e globalmente, os paraísos fiscais para controlar fugas de capitais e a criminalidade organizada que protegem. Em tempos, Sócrates proclamou querer por a Europa a dar passos para controlar os off shores. Que passos deu para isso afinal, convém saber. E o que pensa Passos Coelho sobre os paraísos fiscais, que passos propõe tomar? Convém perguntar, em on e em off.



Ana Gomes

5 MAIO 2011 - 01.38h

A morte de Ossama bin Laden

Categoria - Política

Nao foi realmente em Abottabad, paredes meias com a academia militar paquistanesa. Começou há meses, quando Mohamed Boizizi se imolou na Tunísia. E assim levantou milhões de jovens muculmanos em diversas Pracas Tahrir nas capitais árabes, clamando por liberdade, democracia, direitos humanos, dignidade - uma cartilha reinvidicativa totalmente oposta aa dos assassinos terroristas da Al Qaeda. Ossama já nao importaria muito operacionalmente, recluso como se achava. Importava para Obama, claro. E por Obama também ( e pelo mundo inteiro, que estaa muito melhor com Obama e sem Ossama), respirei de alivio ao saber morto o furioso terrorista ( e aqui fica o que anteontem disse no Conselho Superior da ANTENA UM). Claro que nao tem razão quem disser ( como Obama disse) que " justiça foi feita". Justiça só poderia haver com Ossama capturado vivo e julgado. Morrer assim, sem ser confrontado com os seus tenebrosos crimes, foi fácil demais, poupou-o. Mante -lo preso e leva- lo a julgamento seria muito complicado politicamente para os EUA, pois claro. Mas, aa medida que se conhecem detalhes de como foi morto e lançado ao mar Ossama, compreende-se como pode afinal ser muito alto o preço a pagar. Nao só pelos EUA e por OBama. Por toda a Humanidade, também - porque com o sinistro Bin Laden, voltou a ir ao fundo a Justiça.



Ana Gomes


Agora, no dia seguinte à comunicação ao país do primeiro-ministro José Sócrates, só quero dizer duas coisas num desabafo propositadamente bruto:

- a primeira é que a comunicação de Sócrates deveria ficar para a história como um dos actos políticos mais cínicos, mais manipuladores e mais hipócritas na vida da democracia portuguesa e que ela,só por si, desvenda toda uma política, toda uma maneira de fazer política e o tipo de carácter de um político e de um homem;
 
- a segunda é que, tudo visto, do que Portugal estava mesmo a precisar é que, nas urnas de voto de 5 de Junho, rebentasse um 50 de Abril.



Vítor Dias

4 MAIO 2011 - 14.37h

Como passar um cheque em branco ao FMI?

Categoria - Política

Ainda não se conhece na íntegra (ou reconhece) a bestialidade das medidas neoliberais que o FMI e a UE querem experimentar com os portugueses. A sua análise fica para mais tarde, por agora, fiquemos pelos anúncios.
Ontem, Sócrates (com Teixeira dos Santos amuado) e Catroga, deram um espectáculo indecoroso no intervalo do Barcelona-Real Madrid. Qual cheerleaders de campanha vieram agitar o seu pom-pom e mostrar a perna pelo acordo que cada um diz ter negociado, declarando tudo o que não ia acontecer - sendo que ficou a dúvida sobre se o PSD teria conhecimento do documento que afirmava apoiar.
José Sócrates construiu um discurso em torno da necessidade de sossegar os portugueses perante os títulos, que pensa serem exagerados, sobre as penas a que o FMI nos condenará. Na sequência desta declaração seria muito interessante que fosse revelado quantos destes títulos terão tido origem no gabinete do primeiro ministro e dos seus ministros. Por outro lado, Catroga, construiu o discurso em torno do fantástico contributo que o PSD deu para o aperto. Ficou claro que o PSD não se contenta com o papel de carrasco do FMI. Também quer ser o seu hooligan mais activo.
Se dúvida houvesse, está à vista de todos que as alternativas aos cortes, aos PEC's, à precariedade, aos baixos salários ou ao FMI não passa por PS nem PSD. Qualquer voto na troika PS/PSD/CDS é como um cheque em branco à ordem do FMI.

Publicado em estéreo.



Tiago Mota Saraiva

Autor:

  • Marta Rebelo

    Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

  • Tomás Vasques

    Advogado de profissão, mas dedica-se com frequência a outras artes. Gosta do conceito "esquerda liberal"

  • José Reis Santos

    Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

  • Nuno Ramos de Almeida

    Recorda com saudade a última frase de um dissidente soviético que se suicidou: "Não disparem camaradas!"

  • João Ribeiro

    Doutorando em Sociologia, jurista, socialista (moderno e não só) acredita que os consensos só servem os que dominam.Quer discutir os meios antes dos fins

  • Rui Estevão Alexandre

    Socialista, Republicano e Laico. Partilha de uma visão humanista do mundo. Através da Política contribui para o processo de construção da Polis

  • Catarina Caetano

    Gosto de trabalhar, das tábuas, do palco, de questionar, de reflectir. Sou actriz, e quero sempre mais

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    Antropólogo dado a radicalismos de esquerda procura sociedade séria para compromisso aberto

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    Comunista com muita honra, uma amargura combatente, a idade pesando e o cabelo embranquecendo

  • Ana Gomes

    Socialista, eurodeputada, blogger preocupada

  • Paulo Guinote

    Professor porque sim, aprendiz de historiador nos tempos livres, individualista e liberal demais para acreditarem que sou de esquerda

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  • Miguel Vale de Almeida

    50 anos, antropólogo, professor universitário, activista LGBT e ex-deputado independente pelo PS à AR

    

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