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29 JUNHO 2010 - 14.58h

Pablo Latino

Categoria - Sociedade

As memórias são coisas lindas, eternas. Transportam-nos para um cantinho infindável do nosso ser. Escondido por elas, encontro-me numa qualquer dimensão somente compreensível através da transcendência quântica. A este propósito verte sobre a minha pessoa a linda recordação da bela Vilnius. Nesta espantosa e desenvolta cidade existem diversos pontos marcantes dos quais destaco um lugar de diversão nocturna deveras entusiasmante, de seu nome Pablo Latino.

Presumo que o Ricardo Vicente conheça bem o local. Admito até que frequente o referido sítio de quando em vez. Aí o Ricardo admite que é latino. Talvez até admita que é português. Dadas as circunstâncias associadas ao referido estabelecimento, ser português dá um certo jeito. Não que os autóctones necessitem da ajuda do Ricardo para perceber isso. Afinal de contas, eles têm dentes, sabem tocar instrumentos e escrever poesia. E "caralhadas" nem escutá-las. Eles estudaram a língua de Camões e não deixariam passar em branco semelhante indelicadeza.

Sem doutoramentos no alforje e com uma saúde oral periclitante por aqui continuo. Acompanhado por aqueles que não se podem equivaler a eslovacos ou austríacos em doutas discussões existenciais e metafísicas. Com eles partilharei uma vulgar imperial e um boçal pires de tremoços enquanto torço pela selecção comandada por um rapaz madeirense de cultura duvidosa e gostos ainda mais discutíveis, que por acaso é dos melhores do mundo naquilo que faz. Talvez até sugira ao juiz da partida que se dirija ao falo mais próximo ou até decida que a vida nocturna da mãe do senhor seja moralmente questionável. Sou até capaz de afirmar que a referida senhora já foi vista no Pablo Latino junto de portugueses desdentados e iletrados. Já ganhámos!



Daniel Martins

29 JUNHO 2010 - 13.22h

Virgem talvez seja, ofendida é que não

Categoria - Política

Acalmem-se os espíritos mais revoltos, nomeadamente o Carlos! Não estou de modo algum ofendido com o estimado vizinho aqui do lado direito. Seria de mau tom. E a minha mãezinha não permite. Posso até aproveitar este cantinho para lhe transmitir a minha admiração pela tenacidade e coerência que emprega na defesa das suas ideias e da sua concepção genérica da sociedade. Não obstante as limitações de conhecimento que naturalmente existem, sempre vislumbrei nas palavras do Carlos uma saudável independência de espírito e um acintado e salutar sentido crítico. Concordamos na discordância e alegremente prosseguimos tentando retirar da experimentação argumentativa e analítica o sumo da essência. O que quer que isso seja.

Agora que voltámos a ser compinchas informo o Carlos que, para além de não gostar de qualquer espécie de maniqueísmo - incluindo a divisão da sociedade entre pobres e ricos - acredito sinceramente que muito boa gente de direita se preocupe com a diminuição das desigualdades sociais. Simplesmente, não concordo com a metodologia preconizada para atingir o nosso comum desiderato. Ah! Quase me esquecia. Também sou fã do Dexter. Esse grande homem de esquerda...



Daniel Martins

29 JUNHO 2010 - 10.40h

Calçado divino

Categoria - Sociedade

Na nova loja da Prada em Lisboa têm uns sapatos iguaizinhos aos de um certo papa.



Daniel Martins

Quem espera sempre alcança. Proverbiza o "povo" que um dia existiu até o Carlos Carapinha decidir que a sua existência era um mito e ter acabado de ver com o dadaísmo inerente à coisa. Apesar da sua inexistência, o conceito agora anacrónico acertou no ponto. É como quem diz na mouche. Esperei que o Carlos respondesse ao meu ímpeto marxista e alcancei iluminada resposta. Há dias assim. Pode ser que um pouco desta luminosidade banhe os nossos rapazes em terras de Zuma. Diz que é ubíqua.
 



Daniel Martins

"We are going to die, and that makes us the lucky ones. Most people are never going to die because they are never going to be born. The potential people who could have been here in my place but who will in fact never see the light of day outnumber the sand grains of Arabia. Certainly those unborn ghosts include greater poets than Keats, scientists greater than Newton. We know this because the set of possible people allowed by our DNA so massively exceeds the set of actual people. In the teeth of these stupefying odds it is you and I, in our ordinariness, that are here."

Richard Dawkins



Daniel Martins

28 JUNHO 2010 - 15.57h

É mais ou menos isso

Categoria - Política

A bem da sã convivência "blogueira" impõe-se principiar estes breves lampejos de divagação por uma rara concordância com o Ricardo: as medidas anunciadas pelo executivo traduzem-se num agravamento da situação dos mais pobres. O mesmo executivo ser epitetado de socialista já é motivo de discordância. Todavia são contas de outro rosário e nunca para ser ajustadas neste momento.

Confesso não ser tão conhecedor dos mais modernos meios de investimento de quem foge ao fisco, como o Ricardo aparenta ser. Não caio na ingenuidade de julgar que os referidos fulanos limitam a sua actividade investidora aos meios ditos convencionais. Mas que também não fugirão deles, não tenho dúvidas.

Em jeito de finalmente, cabe informar o Ricardo que os mais pobres não têm poupanças. De acordo com Isabel Jonet, já nem têm meios para providenciar bens essenciais para os seus. Não se vislumbrando melhorias neste aspecto, pode o Ricardo dormir mais descansado, porque não é por aqui que os mais pobres se afligem.



Daniel Martins

28 JUNHO 2010 - 13.56h

Big Brother is watching you....

Categoria - Política

Fujam da "pressão intrusiva da administração pública" ! Naturalmente, é mais importante proteger quem foge aos seus deveres fiscais, perdão, quem vê a sua liberdade individual violada por esse bicho papão hediondo que é o Estado do que propriamente combater a fraude e a fuga ao fisco que a todos lesa. Presumo que entre uma e outra hipótese os cada vez mais pobres portugueses, que até já retiraram o termo "poupança" dos seus dicionários, não tenham grandes dúvidas. Ao contrário do Ricardo.



Daniel Martins

28 JUNHO 2010 - 09.02h

E se...

Categoria - Política

E se em vez de se optar pelo pagamento de portagens nas SCUT se acabasse com o modelo de concessões de exploração em vigor nas auto-estradas?



Daniel Martins

28 JUNHO 2010 - 08.40h

Pobreza e o fim da aclamada serenidade popular

Categoria - Política

Por cá e por muitos outros cantos deste planeta a austeridade é a nova palavra de ordem. A factura foi entregue aos mesmos de sempre: quase um terço dos portugueses vive neste momento abaixo do limiar de pobreza. À redução das despesas sociais junta-se agora o pagamento de portagens em vias construídas primordialmente para diminuir assimetrias regionais, o aumento indiscriminado de impostos e a diminuição e por muitos profetizada extinção do investimento público. O povo é sereno. Até ao dia.



Daniel Martins

27 JUNHO 2010 - 18.40h

um mundo: várias diferenças

Categoria - Sociedade

Em Portugal anda tudo "loco loco" pelo Mundial. No pasa más nada
 
Ele é o McDonalds do Simão na hora do golinho, ele são as tatus e a melena bizarra do Raul Meireles, ele são as boas exibições de Tiago e Coentrão e a baliza sagrada de Eduardo. E agora vem aí a Armada Espanhola e até a Padeira de Aljubarrota se vai levantar para ajudar na força colectiva. Wacka Wacka.
 
Mas há realidades muito mais interessantes que nos escapam ao lado e, essas sim, são verdadeiras vitórias. Da vontade, do talento, e do espirito positivo. Não obstante, não falam deles. 
 
Ruben Figueiredo tem 13 anos, é filho de um pastor e de uma operária fabril, de Farminhão, aldeia de Viseu paredes meias com o clube de golf Montebelo. Até aos 8 anos, depois das aulas, ajudava a tomar conta das ovelhas, até experimentar jogar golf, quando através do Desporto Escolar, conjuntamente com a Camara de Viseu, 2.000 crianças tocaram os greens pela primeira vez. Ruben, tímido, focado, e pouco em mediatismos, começou uma aventura que não mais parou.
 
A participação em mais de 100 torneios, encheram a casa modesta com 40 taças, competidas com jogadores mais velhos, mais experientes, mais equipados. Já foi campeão nacional de desporto escolar e está a competir no campeonato Montebelo, Ruben treina diariamente e a solidão dos greens não o dissuade.

Neste preciso momento, estará já na Carolina do Sul, na academia do ex treinador de Tiger Woods, para um estágio de 2 semanas.  Um grupo de pessoas ligadas à Visabeira têm-no patrocinado e esta oportunidade foi possível graças à bolsa concedida pela Legacy Fund, fundação sediada em Portugal, que aposta em novos talentos.
 
Estou a torcer mais pelo Ruben. E pelas pessoas que, em torno dele, viram capacidade e gosto por um desporto, e não fama.  








 



Mónica Andrezo Pinheiro

27 JUNHO 2010 - 17.21h

O dia em que Sócrates me perdeu

Categoria - Política

Não é fácil ao dia de hoje dizer que se votou Sócrates. Parece que temos a peste ou que somos burros. 

Votei Sócrates duas vezes. Não vou fazer uma longa dissertação das razões, as quais claramente pertencem ao meu raciocínio e o modo de estar. Não é um exercício de escalpebilização que interesse a alguém. Votei c'est tout. Votei consciente e, de certa forma, crente. 

Veio a história da licenciatura na Independente, o teste de Inglês técnico, o Freeport, a amizade com o Vara (a incapacidade de selecção de gente decente como amigos por parte de Sócrates é assustadora), o Rui Pedro Soares (ora lá está outra vez... este ainda me irrita mais que o Vara!), o Taguspark, os jornalistas em guerra, a TVI e ódio da Manuela, a namorada metediça, os impostos que sobem e descem, o Alegre, a PT, os "corninhos" do Pinho, a amizade com Chávez (eu não digo? Só pode ser um desequilíbrio hormonal!). 

Perante estes factos, tenho as minhas opiniões, e mesmo quando vi o PM a ir contra a parede em grande estilo, nada mas nada me fez mais confusão do que se passa com o infame, o mal educado, o protótipo do mau exemplo de deputado a que a Nação aspira... este lodo chamado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar socialista que roubou dois gravadores a jornalistas da "Sábado".

Para além do apoio do PS (vergonhoso) e de não ter sido suspenso das suas funções por ter cometido um delito, documentado, na própria Assembleia da Republica, até a situação se deslindar, este "cavalheiro" foi um dois escolhidos pela Assembleia da República para integrar o Conselho Superior de Segurança Interna (órgão interministerial de auscultação e consulta do primeiro-ministro em matéria de segurança interna).

Só pode ser piada, mas infelizmente não é.  É o maior contra-senso e triste ironia deste país. Mais do que primeiro ministro, mas como Secretario do PS, Sócrates devia ter posto cobro a isto dando ordens para o Sr. Rodrigues se afastar até ser condenado ou safar-se do processo. 

Mantê-lo por perto por ser um "amigo", um lambe-botas faz-tudo é muito triste, é sintoma deste caciquismo do qual não nos livramos. É uma mensagem de desavergonhice barata. Tudo é tolerado, mesmo deputados sem maneiras, que se acham o supra-sumo da barbatana e que pensam que têm o poder. É o primeiro passo para uma auto-estrada de corrupção. 

Sem grandes expectativas face a este sistema politico e a este pais, ao rodear-se de mediania, Sócrates perdeu alguém que ainda o defendia. Espero que estejam todos contentes por haver mais uma pessoa que quer, definitivamente, emigrar.
 

 



Mónica Andrezo Pinheiro

25 JUNHO 2010 - 15.50h

Queiroz: o incompreendido

Categoria - Desporto

Intervalo do jogo que confirma até agora o que já há muito se sabe: ninguém percebe Queiroz! Duda a extremo-direito, Ricardo Costa a lateral e Pepe sem ritmo de jogo. Esperemos que o intervalo sirva para refrescar as ideias do seleccionador. Pode até mandar os jogadores portugueses tirarem as fraldas e quiçá jogarem futebol. Veremos. As esperanças não abundam.



Daniel Martins

Glenn Beck acaba de dar ainda mais uma razão para ninguém perder pitada do que se passa no maior evento desportivo a nível mundial. Se a idiotice estivesse sujeita ao escopo fiscal, este jagunço salvaria a economia mundial de qualquer espécie de recessão.



Daniel Martins

Do outro lado do Atlântico rendem-se ao soccer e Obama terá o nome para sempre associado às duas maiores reformas empreendidas em terras do Tio Sam desde FDR: a reforma do sistema de saúde e agora a reforma do sistema financeiro.

Neste nosso Portugal continuamos a optar pelas soluções de "compromisso" que invariavelmente nos conduzem a notícias destas. Os líderes sufragados desta nação necessitam de entender de uma vez por todas que o compromisso que os une ao povo português é maior do que qualquer outro compromisso que fantasiem existir.



Daniel Martins

24 JUNHO 2010 - 08.07h

Telefónica torneia Menezes Cordeiro

Categoria - Economia

Cientes da dificuldade em ultrapassar o obstáculo que o presidente da Assembleia Geral da PT representa, os espanhóis venderam de forma pouco transparente 8% das acções que detinham na empresa portuguesa. Avisando desde logo que tencionam voltar a adquirir a referida parcela em breve. Esperemos que Menezes Cordeiro detecte a ausência de boa fé nas movimentações da Telefónica. Diz que percebe disso.



Daniel Martins

23 JUNHO 2010 - 08.35h

Era uma vez uma eleição presidencial diferente

Categoria - Política

A reeleição do Presidente da República em funções costumava ser um dado adquirido. Contra Ramalho Eanes ainda se esboçou uma certa tentativa de contrariar o fado, mas Soares Carneiro ficou a 10% do número de votos necessário para forçar a segunda volta. Basílio Horta nem cócegas fez a Soares e Ferreira do Amaral cumpriu a obrigação de impedir que a reeleição de Sampaio fosse um mero proforma. O homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas conseguiu derrubar o mito.
 
Alegre começa a aproveitar o espaço concedido pelas trapalhadas de Cavaco, Fernando Nobre é uma incógnita ameaçadora a todos os alinhados, Henrique Granadeiro dá a entender que anseia pelas vistas do Palácio de Belém e a direita católica vai acabar por apresentar o seu candidato. Que pode muito bem ser um certo personagem que anda por aí. Aquilo que parecia ser um dado adquirido - a reeleição de Cavaco - está longe de o ser. Para mal dos pecados de Sócrates e de Passos Coelho.



Daniel Martins

22 JUNHO 2010 - 21.43h

Moby Dick tem mais pinta do que a Blimunda!

Categoria - Política

Antes de qualquer outro tipo de consideração, gostaria de solicitar ao Ricardo Vicente que gentilmente me envie um cheque postal no valor de 100€ para pagar a reparação do meu computador. Depois de ler o que escreveu, as gargalhadas compulsivas levaram-me a verter inadvertidamente o maravilhoso leite com Cola Cao que avidamente bebia sobre o referido dispositivo informático. Aguardo a confirmação definitiva da transferência do Carlos Carapinha para o nosso plantel. Prometo que mal seja confirmada a sua aquisição junto da CMVM avançaremos para uma cerimónia de apresentação que excederá e muito as propaladas necessidades protocolares. Sou até capaz de aparecer por lá.

Ultrapassadas que estão as supracitadas questões de somenos importância, passemos então aquelas que realmente importam: o Carlos acha mais piada ao Moby Dick do que à Blimunda. Como amante da liberdade fico feliz. Quer-se divergência. Diz que fomenta o debate e instiga o espírito crítico. Receita perfeita no combate ao colesterol anémico que afecta grande parte da nossa população. Que não o nosso "povo" porque o Carlos não deixa.

Aparentemente também um dos expoentes máximos da nossa literatura não merece a dignidade de ter o suposto chefe de Estado no seu funeral. O Carlos até deixava, mas não gosta. A questão sofreu uma metamorfose não "kafkiana" e a controvérsia deixou de ser "protocolar" para passar a ser uma questão de preferências literárias. Como Borges não ganhou o Nobel então que se danem os suecos. Sem galardão, Saramago está "kaputt". O Carlos não gosta e não se fala mais disso. De quem o Carlos gosta mesmo é do Rui Ramos. Que me desculpe o Ricardo, mas a anunciada transferência fica desde já cancelada. A história foi mal contada.



Daniel Martins

22 JUNHO 2010 - 13.12h

Sendo assim está tudo bem

Categoria - Política

Antes de partir em mais uma insípida e pela certa inconsequente demanda argumentativa, saúdo o compatriota Carlos Carapinha pela maravilhosa vitória de ontem. Apesar de não ser do "povo", certamente ainda é português. Presunção minha, é claro.  "Lusitanidade" é conceito tão ou mais difuso do que "povo". Esqueçamos então os feitos dos ditos "Navegadores", até porque simpatizo mais com o Carlos do blogue aqui à nossa direita do que propriamente com o seu homónimo que virou bestial à custa de uns aturdidos norte-coreanos.

Em jeito de declaração de princípios, refiro que não partilho da obtusidade soviética com que Saramago via o mundo. Admiro o escritor e reconheço que apesar de frustantemente estagnado no tempo, o homem tinha um certo jeito para a coisa. Aparentemente, tinha até mais talento para a arte da escrita do que qualquer um dos seus compatriotas que com ele partilhavam o ofício. Pelo menos no entender de uns amigos suecos que atribuem determinada distinção, que  me dizem ser a mais relevante no campo literário. Duro de ouvido como sou é natural que tenha distorcido o que me disseram. As minhas desculpas. Esqueço definitivamente os louros escandinavos que persistem em continuar a obra do senhor que um dia se arrependeu amargamente de ter inventado o dinamite e sigo os doutos conselhos do Carlos que, ao fim de trinta e poucas páginas de um romance de charneira, decidiu categoricamente que um perigoso marxista como Saramago não tem definitivamente lugar na galeria dos grandes vultos literários. Isto sim, é perspicácia e intuição literária.

Infante imberbe é outro dos traços corriqueiramente empregues para descrever a minha pessoa. Diz que ainda tenho um grande vácuo no campo do conhecimento. No que toca a ditames protocolares o caso é agudo, quase do foro patológico. Fiquei então feliz como um menino que finalmente encontrou o cromo do Ronaldo, quando o Carlos me esclareceu que o natural de Boliqueime que ocupa o cadeirão de Belém cumpriu com as suas obrigações protocolares. Perante o cabal esclarecimento que gentilmente me foi prestado fui acometido de juvenil excitação ao imaginar a estupefacção de um qualquer chefe de Estado estrangeiro quando, na próxima visita oficial do chefe de Estado português, vir descer do avião o chefe da Casa Civil do referido com um bilhetinho nas mãos a desejar as maiores felicidades e com um belíssimo exemplar em cerâmica Vista Alegre do galo de Barcelos, a título de protocolar oferta do Estado português. Protocolo cumprido e com distinção.



Daniel Martins

Kuttner acerta na mouche e coloca um ponto de interrogação na resistência republicana ao investimento federal na recuperação da economia americana. O GOP apoiou uma guerra desnecessária que conduziu os EUA do superávit herdado da administração Clinton aos défices estruturais legados por W. Com apenas metade do valor gasto com "Halliburtons" por terras iraquianas o que não se poderia fazer pela recuperação da maior economia do planeta?



Daniel Martins

Após o brilharete da selecção portuguesa contra a selecção de Bernardino Soares, uma sondagem levada a cabo pela insuspeita Eurosondagem revela que a grande maioria dos portugueses acredita que o responsável pela goleada dos nossos rapazes foi José Sócrates. Em segundo lugar na mesma sondagem, embora a alguma distância, surge a Nossa Senhora do Caravaggio.



Daniel Martins

21 JUNHO 2010 - 15.45h

Não batam no Aníbal!

Categoria - Política

Presidente da República

CAPíTULO I

Estatuto e eleição

Artigo 120.º

(Definição)

O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.

in Constituição da República Portuguesa

O Carlos assume na casinha direitóide a defesa indignada de Aníbal. Que não a de Cavaco Silva, porque esse é Presidente da República. Representa por assim dizer a República Portuguesa, que é como quem diz o povo português. E como os galardoados com o Nobel não abundam em terras lusitanas, diria que o povo merecia estar devidamente representado no adeus a José Saramago, pela pessoa do referido senhor. Se o Aníbal não gostava e não se entendia com o José, isso é lá com ele e com a Maria. Alegre agradece.



Daniel Martins

21 JUNHO 2010 - 15.19h

"L´Osservatore Romano": Revisionismo censurado

Categoria - Sociedade

Munida da mundividência a que nos habitou, a Santa Sé retirou do site do seu pasquim oficial o artigo polvilhado de cristianismo que epitetava Saramago como extremista anti-religioso. De uma assentada pratica duas das cristãs virtudes: o arrependimento e a submissão a valores maiores, na óptica do iluminado católico. Ou a intolerância e o oportunismo, de acordo com o obtuso e fanático ateu. Aguarda-se o habitual pedido de desculpas de Ratzinger.

 



Daniel Martins

21 JUNHO 2010 - 15.14h

Refastelado

Categoria - Desporto

Assim sim! Esperemos que não seja sol de pouca dura...



Daniel Martins

20 JUNHO 2010 - 11.47h

Dust to dust, ashes to ashes

Categoria - Sociedade

Saramago não era o meu escritor favorito. Tive dificuldade em "entrar" na sua forma de escrever, para depois a achar bela mesmo na sua dureza.

Não gosto de "endeusar mortos" e não comento o homem porque basicamente as suas opiniões, sendo dele, nunca me ofenderam.

O que acho triste, para não dizer vergonhoso, é o ataque ao morto porque era comunista (quando que se saiba, é um opção política legal), agnóstico e anticlerical (e temos isso em comum) e critico do pais. Há pessoas que simplesmente se enchem de veneno por causa destas 3 características.

Apesar das nossas virtudes como povo, os defeitos são estruturais e contaminam a forma como nos relacionamos no contexto empresarial, judicial ou da saúde e ditam como deixamos a esfera política actuar impune.

Somos cobardes, alinhados pelas criticas dos outros mas sem exercer o nosso sentido autocrítico,  somos treinadores de bancada, deixando no entanto que uns corrompam sob o olhar passivo de quem volta a votar "porque tem feito tanto pela terra". Casa, trabalho, novela ou futebol. Assim, vivemos.

Andamos de cabeça vincada para baixo. Somos racistas e invejosos. Não aceitamos que nos apontem falhas, somos os maiores, menos quando dizemos mal dos outros tuguinhas muitas vezes sem razão, empolando pra' gritaria.

Não admirava nem odiava Saramago, mas a morte nunca é de celebrar. E tenho ouvido e lido muita alegria que não compreendo.

Há pessoas na minha vida q se morressem eu nem ao velório iria. E digo-lhes na cara se for preciso. Mas porque são vis. Agora, não sou a mais alta figura do Estado e nem essas pessoas deram um Prémio Nobel a Portugal (o que me parece um feito que nos enche mais de orgulho do que muitos pseudo discursos patriótico-patéticos que por ai abundam).

Pode-se ver coerência em Cavaco. Eu vejo falta de sentido de Estado. Eu vejo a confirmação de nunca mas nunca mas votarei naquele ser.


«O  egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma  de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou  só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos... interesses» 
José Saramago, "Diário de Notícias, 2009"




Mónica Andrezo Pinheiro

20 JUNHO 2010 - 11.39h

Ultima Hora

Categoria - Política

Bernadino Soares foi avistado na África do Sul, à frente de um grupo de caça norte-coreanos que desertam

Bernardino Soares conta descobrir os 4 foragidos e explicar-lhes as benesses da democracia da Coreia do Norte. 

Aproveitará para mandar 1 mensagem de apreço pelo país às famílias dos demais jogadores que estão todas reunidas no mesmo sitio enquanto durar a prova, a bem do espirito comunitário ... ou just in case.



Mónica Andrezo Pinheiro

18 JUNHO 2010 - 13.13h

José Saramago (1922-2010)

Categoria - Sociedade

Faleceu hoje o único vencedor do Prémio Nobel da Literatura português. Não obstante a minha discordância com algumas das suas mais obstinadas posições, fica aqui a devida vénia para quem soube reinventar a alegoria da caverna de forma ainda mais definitiva do que o próprio Platão. O mundo das letras fica mais pobre e o homem que em tenra idade começou por exercer a humilde arte de serralheiro permanecerá nos anais da história como o primeiro Nobel da literatura portuguesa. Ao homem e ao escritor o meu tributo.



Daniel Martins

18 JUNHO 2010 - 10.14h

Langston Hughes...estranhamente actual

Categoria - Política

Say, who are you that mumbles in the dark?
And who are you that draws your veil across the stars?

I am the poor white, fooled and pushed apart,
I am the Negro bearing slavery's scars.
I am the red man driven from the land,
I am the immigrant clutching the hope I seek--
And finding only the same old stupid plan
Of dog eat dog, of mighty crush the weak.

I am the young man, full of strength and hope,
Tangled in that ancient endless chain
Of profit, power, gain, of grab the land!
Of grab the gold! Of grab the ways of satisfying need!
Of work the men! Of take the pay!
Of owning everything for one's own greed!

I am the farmer, bondsman to the soil.
I am the worker sold to the machine.
I am the Negro, servant to you all.
I am the people, humble, hungry, mean--
Hungry yet today despite the dream.
Beaten yet today--O, Pioneers!
I am the man who never got ahead,
The poorest worker bartered through the years.

"Let America be America again"



Daniel Martins

"Hatred is the coward´s revenge for being intimidated."



Daniel Martins

18 JUNHO 2010 - 08.48h

Equilíbrio

Categoria - Desporto

Suspeito que iremos assistir a um jogo equilibrado na próxima segunda-feira. Os norte-coreanos ficaram sem quatro jogadores que preferiram fugir dos Kim a participar no Campeonato do Mundo mais enfadonho de sempre. Os "Navegadores" não têm lateral direito, ponta de lança, distribuidor de jogo e treinador.  



Daniel Martins

17 JUNHO 2010 - 14.36h

Lições escandinavas

Categoria - Política

De há décadas a esta parte, estamos habituados a sentir uma frescura nórdica ao consultar os rankings relativos ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os países escandinavos gozam de arreigada reputação por conseguirem combinar taxas de crescimento económico estáveis e crescentes com um estado social forte, justo e abrangente. Se à referida receita adicionarmos taxas de desemprego baixas e altos índices de participação laboral, especialmente no que à população feminina diz respeito, está encontrada a meta almejada.

 

Ao contrário do que é voz comum entre os fazedores de opinião do nosso burgo, as intempéries da crise não se ficam pelos territórios localizados a sul do anticiclone dos Açores e não raras vezes têm sido nuvem, que não vulcânica, perturbadora dos nossos louros amigos. Nos últimos anos, países como a Suécia ou a Dinamarca têm sido confrontados com taxas de desemprego que não encontram qualquer precedente histórico. Tal facto tem sido usado como pedra de arremesso por governos ditos sociais-democratas ou até socialistas(!). Associando as episódicas crises nórdicas ao elevado custo resultante das políticas sociais praticadas nestes países, aproveitam para cortar ainda mais nos já insuficientes “gastos” sociais nos seus próprios territórios.  

A dita morte anunciada dos sistemas sociais escandinavos assume todavia contornos de exagero e de manifesta ausência de capacidade de análise de causas e de consequências. Que não de má fé nem de opção por linhas socioeconómicas facilitistas em tempos de aperto adicional de cinto. Esperançosamente.

As elevadas prestações sociais pagas pelos estados do Norte da Europa estão longe de constituir a causa primeira da intempérie económica. Muito pelo contrário, permitem a constante mobilização da força laboral e dos agentes económicos. Com os apoios ao desemprego a terem a parte de leão direccionada para a requalificação profissional, verdadeiramente adaptada às necessidades de um mercado cada vez mais globalizado, estes países têm conseguido modernizar as suas estruturas sociais e as empresas. A capacidade de inovação de indivíduos e empresas, potenciada pela constante formação proporcionada pelo estado, permite que as economias destes países tenham uma capacidade de superação de períodos de crise acentuadamente mais rápida do que em qualquer outro ponto do globo.

Salvação económica encontrada precisamente no ponto que muitos pseudo-especialistas indicam ser o calcanhar de Aquiles das economias europeias, nomeadamente da economia portuguesa. Com um regularidade cada vez mais impressionante, o nosso executivo insiste em reduzir despesas precisamente onde deveria apostar. A que preço? Presumo que ainda não possamos determinar com exactidão. Mas será pela certa muito mais elevado do que aquele que seria pago se a via escolhida visasse a banca e os seus inúmeros privilégios, a actividade económica paralela, a (des)administração autónoma do estado e o crescente fosso entre aqueles que menos têm e os que frequentarão a novel loja da Prada na Avenida da Liberdade.



Daniel Martins

17 JUNHO 2010 - 13.05h

Prada e a falácia marxista

Categoria - Política

Porque não quero acabar com isto, mas sim com isto, nunca me poderei rever no postulado básico de Marx.



Daniel Martins

16 JUNHO 2010 - 09.01h

“Only Thing We Have to Fear Is Fear Itself”

Categoria - Política

Pululando entre o último e o seguinte ataque colectivo de pânico, o mundo em geral e as praças financeiras em particular são reféns da persistente ausência de liderança firme e decidida. Socorro-me de um dos melhores exemplares de verdadeira liderança em tempos "austeros" recordando um breve trecho do discurso inaugural de FDR em 1933:

"I am certain that my fellow Americans expect that on my induction into the Presidency I will address them with a candor and a decision which the present situation of our people impel. This is preeminently the time to speak the truth, the whole truth, frankly and boldly. Nor need we shrink from honestly facing conditions in our country today. This great Nation will endure as it has endured, will revive and will prosper. So, first of all, let me assert my firm belief that the only thing we have to fear is fear itself—nameless, unreasoning, unjustified terror which paralyzes needed efforts to convert retreat into advance. In every dark hour of our national life a leadership of frankness and vigor has met with that understanding and support of the people themselves which is essential to victory. I am convinced that you will again give that support to leadership in these critical days.

In such a spirit on my part and on yours we face our common difficulties. They concern, thank God, only material things. Values have shrunken to fantastic levels; taxes have risen; our ability to pay has fallen; government of all kinds is faced by serious curtailment of income; the means of exchange are frozen in the currents of trade; the withered leaves of industrial enterprise lie on every side; farmers find no markets for their produce; the savings of many years in thousands of families are gone.

More important, a host of unemployed citizens face the grim problem of existence, and an equally great number toil with little return. Only a foolish optimist can deny the dark realities of the moment."



Daniel Martins

16 JUNHO 2010 - 08.50h

Berardo: a nova padeira de Aljubarrota

Categoria - Economia

Por entre a nebulosa da crise infindável surge no horizonte o verdadeiro sebastião pátrio.  



Daniel Martins

16 JUNHO 2010 - 00.24h

Explodimos!

Categoria - Sociedade

Hoje, sem Papa, o pais parou. A CP também.

Portugalp, regado a Sagres, subiu ao palco dos sonhos da diáspora tuga. E espalhou, não magia mas a realidade!!! Só o Mr. Queiroz não viu. Aliás, como bom tuguinha, vá de sacudir a água do capote. Quem, nós, perdemos? Não.... Ganhámos 1 ponto ao favorito, a Costa do Marfim essa potência futebolística cujo jogador estrela joga lesionado. É uma afronta a lata do Drogba em ... esforçar-se, irra!

O Toni Carreira da voz melosa deu lugar a 90m de vuvuzela. O síndrome pós traumático no pais do folclore é coisa pouca. Quem tem folclore, tem carapaça para tudo (menos para a polka).

O pais parou, mesmo os 30 aviões particulares fretados para levar até à África do Sul uns quantos fãs endinheirados, e sobretudo pessoas que vão com interesses próprios (comprar uma estação de TV?) e contentes por alguém pagar a conta. Nem que sejamos nós. Os que cá ficam!

Consta o Nani não alugou nenhum. A família do Toni, finíssima, reservou um pra' ver a Costa Marfim, a filha do senhor prepara-se parai gerir as cheerleaders marfinenses (e estou a ser simpática) e levar carrascão de Sacavém ao pai.

O país parou para nada. O costume.

Crise: Wikipédia cria uma entrada especial só pra Portugal, sff.



Mónica Andrezo Pinheiro

16 JUNHO 2010 - 00.05h

misterios

Categoria - Política

Libertando a Jessica Fletcher que há em mim:

- por onde andaram Pedro Passos Coelho e Paulo Portas para estarem ambos "doentinhos" (repararam nos tons constipados nos seus discursos?)

- o que se passa com o Quim? Expliquem-me porque está-me a fazer aflição

- falta mtº para terminar o Mundial?



Mónica Andrezo Pinheiro

15 JUNHO 2010 - 14.05h

Idiotice movida a energia solar

Categoria - Política

A fé move montanhas. A energia solar move idiotas.



Daniel Martins

Autor:

  • Marta Rebelo

    Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

  • Tomás Vasques

    Advogado de profissão, mas dedica-se com frequência a outras artes. Gosta do conceito "esquerda liberal"

  • José Reis Santos

    Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

  • Nuno Ramos de Almeida

    Recorda com saudade a última frase de um dissidente soviético que se suicidou: "Não disparem camaradas!"

  • João Ribeiro

    Doutorando em Sociologia, jurista, socialista (moderno e não só) acredita que os consensos só servem os que dominam.Quer discutir os meios antes dos fins

  • Rui Estevão Alexandre

    Socialista, Republicano e Laico. Partilha de uma visão humanista do mundo. Através da Política contribui para o processo de construção da Polis

  • Catarina Caetano

    Gosto de trabalhar, das tábuas, do palco, de questionar, de reflectir. Sou actriz, e quero sempre mais

  • Bruno Sena Martins

    Antropólogo dado a radicalismos de esquerda procura sociedade séria para compromisso aberto

  • Miguel Cardina

    Historiador nos tempos úteis, musico nas horas vagas e esquerdista o tempo todo

  • Tiago Mota Saraiva

    Comunista e benfiquista. Arquitecto por vontade própria, professor desempregado e empresário por obrigação

  • Vítor Dias

    Comunista com muita honra, uma amargura combatente, a idade pesando e o cabelo embranquecendo

  • Ana Gomes

    Socialista, eurodeputada, blogger preocupada

  • Paulo Guinote

    Professor porque sim, aprendiz de historiador nos tempos livres, individualista e liberal demais para acreditarem que sou de esquerda

  • Mariana Mórtagua

    Economista (cada vez mais aterrorizada). De esquerda por absoluta convicção e estruturalmente feminista

  • Miguel Marujo

    Pai babado. Jornalista. De esquerda. Benfiquista. Católico. Leitor compulsivo. Blogger. Viajante. Cagaréu. A ordem não pode se esta

  • Miguel Vale de Almeida

    50 anos, antropólogo, professor universitário, activista LGBT e ex-deputado independente pelo PS à AR

    

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