Não é fácil ao dia de hoje dizer que se votou Sócrates. Parece que temos a peste ou que somos burros.
Votei Sócrates duas vezes. Não vou fazer uma longa dissertação das razões, as quais claramente pertencem ao meu raciocínio e o modo de estar. Não é um exercício de escalpebilização que interesse a alguém. Votei c'est tout. Votei consciente e, de certa forma, crente.
Veio a história da licenciatura na Independente, o teste de Inglês técnico, o Freeport, a amizade com o Vara (a incapacidade de selecção de gente decente como amigos por parte de Sócrates é assustadora), o Rui Pedro Soares (ora lá está outra vez... este ainda me irrita mais que o Vara!), o Taguspark, os jornalistas em guerra, a TVI e ódio da Manuela, a namorada metediça, os impostos que sobem e descem, o Alegre, a PT, os "corninhos" do Pinho, a amizade com Chávez (eu não digo? Só pode ser um desequilíbrio hormonal!).
Perante estes factos, tenho as minhas opiniões, e mesmo quando vi o PM a ir contra a parede em grande estilo, nada mas nada me fez mais confusão do que se passa com o infame, o mal educado, o protótipo do mau exemplo de deputado a que a Nação aspira... este lodo chamado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar socialista que roubou dois gravadores a jornalistas da "Sábado".
Para além do apoio do PS (vergonhoso) e de não ter sido suspenso das suas funções por ter cometido um delito, documentado, na própria Assembleia da Republica, até a situação se deslindar, este "cavalheiro" foi um dois escolhidos pela Assembleia da República para integrar o Conselho Superior de Segurança Interna (órgão interministerial de auscultação e consulta do primeiro-ministro em matéria de segurança interna).
Só pode ser piada, mas infelizmente não é. É o maior contra-senso e triste ironia deste país. Mais do que primeiro ministro, mas como Secretario do PS, Sócrates devia ter posto cobro a isto dando ordens para o Sr. Rodrigues se afastar até ser condenado ou safar-se do processo.
Mantê-lo por perto por ser um "amigo", um lambe-botas faz-tudo é muito triste, é sintoma deste caciquismo do qual não nos livramos. É uma mensagem de desavergonhice barata. Tudo é tolerado, mesmo deputados sem maneiras, que se acham o supra-sumo da barbatana e que pensam que têm o poder. É o primeiro passo para uma auto-estrada de corrupção.
Sem grandes expectativas face a este sistema politico e a este pais, ao rodear-se de mediania, Sócrates perdeu alguém que ainda o defendia. Espero que estejam todos contentes por haver mais uma pessoa que quer, definitivamente, emigrar.