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Hoje, nos supermercados Pingo Doce, cartazes estrategicamente colocados informavam os clientes de que aqueles estabelecimentos estarão abertos amanhã, 1º de Maio, Dia do Trabalhador e feriado nacional. Este anúncio é depois desenvolvido e argumentado com um extenso comunicado do qual o menos que se pode dizer é que é uma hábil mas sinistra mistura de ais e uis sobre a presente situação nacional com um patente vezo antisindical.

O comunicado, intitulado «Portugal precisa de trabalho e de sentido de responsabilidade» dava também conta da excelsa generosidade da empresa, ao informar que «os colaboradores» que se apresentarem ao serviço amanhã receberão uma remuneração de «mais 200% que acrescem à remuneração de um dia normal de trabalho» e beneficiarão da «concessão extraordinária de um dia de folga pelo dia trabalhado». Para quem porventura não o soubesse, fica assim claro como se compram consciências e se exerce uma poderosa coacção sobre o exercício dos seus direitos pelos trabalhadores. De caminho, talvez os leitores possam imaginar qual é a margem de lucro diário desta empresa para se permitir pagar mais 200% de remuneração num dia aos seus trabalhadores.

Não me faz grande falta mas, depois disto, quando pela enésima vez vir nas televisões o patrão da Jerónimo Martins a perorar sobre os males da Pátria e
a ensinar-nos o caminho da redenção nacional, vou-me sempre lembrar deste cartaz e deste comunicado e desabar, mas em português vernáculo, «Fuck you, mister Soares dos Santos !».

(aqui, o comunicado do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal)

[Publicado também aqui]



Vítor Dias

É uma questão que me parece fulcral perante uma geografia eleitoral que se arrisca a mudar pouco em relação à existente, ganhe o PSD ou o PS as próximas eleições, quase certamente sem qualquer maioria absoluta. O cenário mais credível aponta para uma maioria relativa PSD/CDS uma maioria absoluta muito curta, que Cavaco Silva dificilmente viabilizará, com receio de ter toda a gente, do PS ao MRPP, na rua a contestar a política do Governo.

O desejo expresso de Cavaco, de Soares, até de Eanes e Sampaio, como se viu no 25 de Abril, é o de criar um Pântano Central (com ou sem CDS) que mantenha a contestação circunscrita às franjas do eleitorado, mesmo que essas franjas representem 20% ou mais à esquerda do PS, Mas parece ser claro que o PS será considerado indispensável para uma solução governativa, sendo que em caso de vitória do PS, Sócrates não terá qualquer razão para sair da liderança do seu partido, e em caso de vitória curta do PSD, ele sabe que tem quase tudo na mão para inviabilizar um futuro governo, sendo mais fácil ao PSD livrar-se de Passos Coelho do que arredarem o engenheiro do seu poleiro particular.

Perante isto, à esquerda do PS, nota-se uma evidente indefinição estratégica, pois parece existir grande indecisão quanto ao principal adversário nas eleições: Sócrates ou a Direita? O PCP e o Bloco sabem que podem crescer com a insatisfação social. Pelo menos o PCP parece estar nessa situação, enquanto o Bloco vai padecendo de sucessivos erros tácticos, mas ainda tem espaço para recuperar.

Só que ainda não percebi uma coisa: terão o PCP e o Bloco tanto medo da Direita que pretendam a vitória de Sócrates nas próximas eleições? O mesmo Sócrates que sucessivamente os humilhou por actos e palavras, salvo umas minudências fracturantes e a promessas de obras públicas?

Será que o PCP e o Bloco (e umas franjas do PS) não entendem que Sócrates bloqueia qualquer solução governativa em que não seja ele a ditar as condições? Acreditarão que, por não terem aceite reunir-se com o FMI, depois das eleições, o PS com Sócrates a liderar estará disponível para uma União das Esquerdas à italiana?

Ainda não perceberam que não e que uma inversão das políticas actuais só poderá passar, necessariamente, pelo claro afastamento de Sócrates e do seu núcleo duro da liderança do PS
? Que não adianta esperar por pontes feitas por Ferro ou Alegre? E que isso só se consegue com uma clara derrota de Sócrates dia 5 de Junho, mesmo se isso significar uma vitória do PSD?

Porque nesse caso há dois cenários:
  • Ou há maioria absoluta do PSD/CDS e será impossível Sócrates alinhar, em situação de subalternidade, numa solução governativa, pelo que acabará por ter de se afastar ou ser defenestrado pelos pragmáticos,a  começar pelo "velho" Soares,
  • Ou há uma maioria absoluta de Esquerda, apesar de uma vitória clara do PSD sobre o PS, e então tudo fica bloqueado, a menos que Sócrates seja responsabilizado pela derrota e afastado, abrindo caminho a um potencial acordo à Esquerda, apesar de Belém o não querer.

Neste momento, qualquer destes cenários é possível. Mas uma coisa é certa: à Esquerda do PS é necessário definir-se com clareza até que ponto querem ou não Sócrates como peça central no pós-5 de Junho.

Se o não querem, é indispensável lutarem pelo reforço da votação à esquerda do PS, mas deixarem o PSD crescer para o centro, não demonizando excessivamente o papão da Direita, de modo a fazer o que em outras alturas se chamou a táctica da sanduíche.

Estranhamente, à Esquerda do PS talvez beneficie uma vitória do PSD e da Direita a 5 de Junho. Claro que apenas com maioria relativa.

Porque se o PS ganhar, será Sócrates III e, com a benção de Cavaco e Soares, o Pântano Central governará, sendo Passos Coelho lançado borda fora em dois tempos, sacrificado à real politik.

É isso que o Bloco e o PCP querem?

Até que ponto pretendem que seja Sócrates a liderar uma Esquerda ficcionada, em que ele é o único protagonista e herói?



Paulo Guinote

29 ABRIL 2011 - 14.19h

O esplendor do Relvas

Categoria - Política

 

Deixando claríssimo que o título deste post deve direitos de autor a Clara Ferreira Alves, venho chamar a atenção para que, na paginação da entrevista que hoje publica com Miguel Relvas, o “Público” decidiu dar enorme destaque à afirmação de que «A filha do homem mais rico de Portugal não pode pagar por uma consulta num hospital o mesmo que a filha de um desempregado».

Efeito fácil e pura demagogia !, gritarei eu aqui do meu canto embora sabendo que a generalidade dos leitores da frase não deixará de, ao menos num primeiro momento, dizer que sim com a cabeça, pois claro que não há direito de uma coisa assim, os ricos a terem direito aos mesmos serviços tendencialmente gratuitos que os pobres e mais desfavorevido.Ainda por cima, até se viu várias vezes na televisão alguns ricos a declararem eles próprios com notável isenção e desprendimento que não concordam com essa situação que os beneficia. É certo que neste ponto eu já lhes respondi que as leis não proibem nenhum deles de oferecer vultuosos donativos em dinheiro ou em equipamentos às unidades hospitalares nem estas de os aceitarem, mas tanto quanto sei acho que fizeram todos orelhas moucas à minha sugestão.

Com a autoridade de quem tenha uma antiquissima ligação com estes argumentos e propostas falaciosas (ler aqui por favor,), venho apenas insistir, e assim continuarei a fazer mesmo depois de a voz me doer, que esta questão é em sede fiscal que resolve e não estampando na testa dos cidadãos ou no seu cartão de cidadão um código do seu nível de rendimentos para efeitos de frequência gratuita da escola pública, acesso aos cuidados de saúde ou compra do passe social de transportes.

Não, meus filhos, não me importa nada que a filha do homem mais rico de Portugal pague tanto nas unidades hospitalares como o modesto reformado que eu sou. O que me importa, me indigna e enraivece é que os homerns ricos de Portugal fujam tanto ao fisco e que os bancos paguem uma taxa de IRC que é metade da que eu pago de IRS. Vai passear, ó Relvas, Badajoz à vista !



Vítor Dias

29 ABRIL 2011 - 00.22h

Cuidado com os telemóveis !

Categoria - Política


Agradecendo à Marta Rebelo o convite, lamento estrear-me com um post não original mas é só para dar tempo algum aquecimento.Depois dele, como diria a Fátima Rolo Duarte, vou ali regar umas sardinheiras e volto, ai volto, volto.

Sob o inesquecível título «PSD e CDS fogem à fotografia com Sócrates para acordo externo», o Público de hoje, lembrando que «a aproximação das eleições leva os dois partidos da direita a cuidados redobrados na forma de dar o seu aval às medidas de austeridade», explica-nos que entre as hipóteses que estão em cima da mesa, figuram «desde a assinatura propriamente dita (preferida pelo executivo) no documento que explicitará as medidas a tomar, à assinatura só do executivo e da troika, acompanhada por uma espécie de carta "de conforto" de Passos e Portas. Ou até à versão mais distanciada, por parte dos partidos de direita, que seria fazerem uma declaração pública a garantir o seu comprometimento com as medidas»
.
E pronto, uma vez registada esta notável preocupação de coragem política e de transparência à beira de eleições por parte do PSD e do CDS, só me resta recomendar a estes dois partidos que tenham cuidado com as fotos furtivas ou não de telemóvel (à moda de Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga).



Vítor Dias

28 ABRIL 2011 - 23.36h

Mau ilusionismo

Categoria - Política



O programa do PS agora apresentado é um mau truque de ilusionismo. O editorial do Público de hoje chama-lhe «um programa igual a um carro usado» e nota como as medidas avulsas, genéricas e requentadas ali apresentadas são «um sintoma de esgotamento típico de um fim de ciclo». Parece-me uma caracterização acertada.

Aspecto importante: desaparecem parte importante das medidas contidas no PEC IV, que Sócrates tão arrebatadoramente defendeu e cujo chumbo considerou uma manobra lesa-pátria das oposições unidas. Sobretudo medidas que o eleitorado tradicional de esquerda poderia ver com maus olhos, como o congelamento de salários na função pública, os cortes nas pensões e o aumento do IVA. Não é a primeira vez que em momentos eleitorais vemos o PS tentar passar a imagem de que é diferente do que tem sido no poder. Mas desta vez a coisa corre o risco de parecer ainda mais anacrónica.

É que um dos aspectos mais curiosos do programa é a inexistência de referências ao FMI, que verdadeiramente irão fazer o programa do futuro governo. José Sócrates e Pedro Passos Coelho, com a bênção de Cavaco e da banca portuguesa, governarão com o programa de austeridade desenhado pela troika. E governarão muito provavelmente coligados, caso as sondagens estejam certas e a preferência do parceiro de aliança se mantenha inalterada.

Estamos, pois, diante de uma jogada de ilusionismo de baixo calibre. Quando a 16 de Maio for apresentado o pacote FMI e os líderes do PS e PSD forem obrigados a entender-se com base nessa plataforma, a audiência terá diante dos olhos aquilo que já é evidente para todos: o truque desvendado. Sócrates de mão dada com Passos Coelho ao mesmo tempo que procura sacar com a outra mão a rosa escondida na manga do casaco. Convencerá alguém?

 



Miguel Cardina

28 ABRIL 2011 - 23.02h

Há Pavões em São Bento

Categoria - Política

O mais realista e equilibrado protesta ao fim de 45 segundos deste pedaço da entrevista de 3ª feira.



Paulo Guinote

28 ABRIL 2011 - 19.55h

Activos Tóxicos

Categoria - Política

A designação que Ricardo Costa encontrou para Fernando Nobre aplica-se que nem uma luva a uns quantos pensadores que por aí andam, quase todos eles da área económico-financeira (que sabemos ser de um enorme sucesso entre nós).

Ontem à noite, salvo erro na SICN, António Carrapatoso e João Duque ainda tentavam defender com uma dose conceptual de bradar aos céus aquela ideia de reduzir a aposentação para quem estiver mais tempo desempregado.

A lógica é vizinha da usada por Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues/Valter Lemos para atacar os privilégios dos professores: há uns malandros prevaricadores, logo vamos lixar toda a gente.

Carrapatoso e Duque usaram a lógica do todos-sabemos-que-há-quem-abuse-do-subsídio-de-desemprego, logo… vamos torná-lo pior para todos.

Ou seja, em vez de tentarem identificar os abusos e perversões, preferem apostar numa solução que penaliza todos, os que não arranjam emprego mais depressa porque se vão acomodando (que os há, quantos deles muito cheios de princípios!) e os que não arranjam porque não conseguem.

São dois dos vultos do grupo Mais Sociedade, um activo muito vistoso, mas mais tóxico para as pretensões eleitorais de Passos Coelho do que muitos dos créditos do Lehmann Brothers.

Só falta colocarem o Rui Ramos a falar na inteligência financeira do Salazar e como foi graças a ele que guardámos tanto ouro e vivemos décadas sem défice… Dêem-lhe uns minutos de antena e um par de páginas de jornal e, com as perguntas certas, embala e só pára estampado no muro.



Paulo Guinote

A partir de hoje e até à próxima sexta-feira, dia de 6 de Maio, o Blogue de Esquerda acolhe a primeira «Semana do Blogger Convidado».
Estarão a blogar connosco Ana Gomes (Causa Nossa), Miguel Cardina (Arrastão), Mariana Mórtagua (Adeus Lenine), Tiago Mota Saraiva (5 Dias), Tomás Vasques (Hoje há Conquilhas), Palmira F. Silva (Jugular), Paulo Guinote (Educação do meu Umbigo), Nuno Ramos de Almeida (5 Dias) Miguel Vale de Almeida (Jugular), Vítor Dias (O Tempo das Cerejas) e Miguel Marujo (Cibertúlia).
A todos os nossos convidados as boas-vindas devidas. Muitos e sobretudo bons posts, é o que nos espera esta semana.



Marta Rebelo

28 ABRIL 2011 - 11.44h

Slogans

Categoria - Política

Alguém me explica a recente deriva nacionalista do PS? "Defender Portugal"??? Isso é slogan de um Partido Socialista no século XXI? A pensar que em 1976 concorremos às eleições com o motto "Com o PS, Portugal na Europa". Muito galgámos nestes últimos anos, definitivamente. 



José Reis Santos

28 ABRIL 2011 - 11.42h

Renovar Abril

Categoria - Política

(ainda vai a tempo, não vai? O meu último artigo do Diário Económico) 

Vivemos, 37 depois do 25 de Abril, tempos de grande inquietação e incerteza. De grandes dúvidas. Para os mais pessimistas, Portugal assiste mesmo ao fim de um ciclo, ao ‘fim da história’; enquanto outros recordarão o general que dizia a Roma que o povo Lusitano “não governa nem se deixa governar”.

Alguns argumentos terão estes críticos, afinal o nosso país assistiu recentemente à entrada em cena do FMI, que virá controlar e organizar as nossas finanças e condicionar a acção política autóctone, transformando Portugal num "país à rasca". Mas falharam, de facto, os nossos governantes, ou estaremos perante uma característica endémica do nosso povo? Ou, como bem recordava o padre Manuel Antunes, a ser governados "mais pelos nossos defeitos do que pelas nossas qualidades, mais pelos defeitos das nossas qualidades que pelas qualidades dos nossos defeitos"?

Independentemente das leituras mais negativas ou pessimistas, das teorias da conspiração internacional e dos jogos da culpabilização interna, a verdade é que hoje urge reflectir e perspectivar o estado da Nação, à luz dos recentes desenvolvimentos. É verdade que a situação da fazenda pública é gravíssima, que vivemos durante demasiado tempo acima das nossas possibilidades e que, por mais avisos que fossemos tendo, pouco ou nada soubemos fazer para alterar o rumo adivinhado.

Há culpas? Claro que sim. E estas deverão ser distribuídas por toda a sociedade, dos políticos à população em geral. Afinal, todos beneficiaram da entrada na Europa, do acesso ao crédito fácil. Portugal queria mudar de vida. Ocidentalizar-se. Desenvolver-se. Consumir. E as ambições de um país foram colectivamente partilhadas. Nas auto-estradas e nos hospitais, nas casas, nos automóveis e nos cursos universitários. Nas novas escolas e aeroportos, nas segundas casas (na praia), nos telemóveis e nos plasmas. E a todos entusiasmaram os resultados instantâneos. A todos.

E assim fomos vivendo. Durante décadas. E, como a fábula da formiga e da cigarra, não conseguimos preparar o inverno inevitável. Não conseguimos entender que o Estado, e as nossas vidas pessoais, estavam mal organizadas. Cheias de desperdícios, de ambições desmesuradas e, pior, respondiam a um estilo de vida novo-rico sem conteúdo e apenas forma. Hoje entendemos, quando já não temos dinheiro para pagar contas, que talvez o plasma seja desnecessário, ou que 5000 Freguesias sejam demasiadas, apenas para citar dois exemplos evidentes. Há que mudar de vida, novamente.

Assim, nestes dias de Abril, recordo o que já antes conseguimos imaginar. Da pujança e vontade que partilhámos. Do sonho infinito que desenhámos. Há 37 anos fizemo-lo real. Depois adormecemos, novamente. Hoje, saibamos renovar Abril, exigir mais e saber cumprir. Com rigor e competência. Nas nossas vidas privadas e colectivas.



José Reis Santos

28 ABRIL 2011 - 01.13h

O 25 de Abril de Cavaco Silva

Categoria - Política

 Cavaco Silva é o Presidente que, na noite da sua vitória eleitoral, estiolou com  o capital de influência  que era suposto o cargo dar-lhe. Como? Fez-se de vítima, perseguido por ataques à sua honorabilidade, alvo dos golpes mais sabujos alguma vez vistos em política. Vai daí brandiu a vitória na cara a quem pôs em causa e só não sei se os mandou para aquele sítio porque entretanto fui fazer uma tosta mista com oregãos para a cozinha. Fiquei a saber que no dia 25 de Abril este mesmo Presidente  fez apelo a comportamentos que permitam a concórdia pós-eleitoral. Como disse?
Não bastava estar a fazer a folha ao Passos Coelho e ainda se dá ao desfrute de gozar com as pessoas de bem. 

 



Bruno Sena Martins

27 ABRIL 2011 - 00.22h

Revolução... mas pouco

Categoria - Política

O 25 de Abril passou e pouco se agitou. Quando se deviam ouvir vozes de vontades, de mudanças, de luta, a malta pegou na toalha, nas Havaianas e foi passear que estava quente e o Sol apetecia… Eu sei, pode ser “aborrecido” fazermo-nos ouvir ou trabalhar pelos nossos interesses, ainda mais num feriado! Precisamos de descansar depois de um fim-de-semana prolongado, recheado de amêndoas e ovos de chocolate! As preocupações podem esperar, afinal de contas, já lá vão 37 anos, ninguém se lembra… E assim reage o português num momento de aperto…



Catarina Caetano

26 ABRIL 2011 - 23.46h

De volta à Realidade

Categoria - Política

Todos os anos, em algumas localidades do interior do País, na altura da Páscoa, é retomada a Antiga Tradição da Queima e Rebentamento do Judas. Multidões reúnem-se em torno de um boneco a quem atribuem total responsabilidade pelos males sucedidos no ano que decorre. Esse boneco é espancado e/ou queimado, como forma de purificação, expurgação de todo o mal, para se poder recomeçar do zero.
Em Tondela, a ACERT – Associação Cultural e Recreativa de Tondela – executa e renova anualmente esta Tradição. Um espectáculo de rua muito abrangente, com uma forte vertente de crítica e provocação, que conta com a participação de toda a comunidade e aproxima o público da cena, num espaço inconvencional. Numa semana, trabalham-se cenários, figurinos, coreografias, cenas de interpretação, pirotecnia, artes circenses e visuais, que convergem num acontecimento teatral singular e inesquecível.
Desde 2009 que participo neste momento especial da ACERT e este ano fiz questão de voltar e integrar o grupo. Num momento delicado como o que o país atravessa, a crítica virou-se para os problemas económicos e financeiros que encaramos, a chegada do FMI e do Banco Central Europeu e todas as consequências que daí podem advir. Num discurso irónico e ousado, simples e claro, apontam-se culpados, satiriza-se a situação, rimos para não chorar. Por fim, queimámos o grande responsável, o nosso Judas, de forma a nos podermos livrar do peso desnecessário e desta crise e começar de novo. E não seria maravilhosos podermos, de facto, queimar a/s fonte/s de todos os problemas que o povo português tem de superar? Muitas fogueiras se acenderiam por este país fora…
De regresso à realidade e brincadeiras à parte, com estes eventos se desperta a reflexão e a consciência, faz-se a informação chegar a todos. Mais uma vez, o teatro faz o seu papel. Cabe-nos a nós fazer o nosso, para além das tolerâncias de ponte e dos pretextos para não trabalhar, não pensar, não assumir que também temos responsabilidade e que, se não partir também de nós, Portugal não vai conseguir combater a situação e voltar a terreno seguro.



Catarina Caetano

25 ABRIL 2011 - 23.22h

Faltou compreender Abril

Categoria - Política

E, apesar de todas as vicissitudes, Abril cumpriu-se uma vez mais. De maneira diferente, num outro palco, com regras à medida do dono da casa. Questionáveis mas legítimas. Ficaram a faltar os discursos dos partidos que em meu entender teriam, perante tal solenidade, um peso e um comprometimento consideráveis. As regras de hoje relegaram os partidos para um papel secundário. Cavaco não toleraria que no seu lebensraum se pisasse o risco ou se permitisse algum descontrolo da situação. Legítimo mas questionável.
Pelo país cantou-se Abril, mas pouco. As comemorações estiveram essencialmente centradas nas instituições e seus representantes. Os outros estavam a banhos. Contingências da época festiva. Mas o importante e o que nos deverá preocupar não é a ausência do canto de Abril, mas sim das razões que precipitaram a Revolução. Não nos servirá de muito cantar Abril se nos faltar a convicção de que seremos capazes de honrar a Democracia. Não nos servirá de nada contar os anos que vão passando se, com eles, não formos tirando os ensinamentos que a experiência nos proporciona. O que hoje se comemorou foi a tradição da comemoração. Faltou relembrar o significado do dia, do peso da memória, da vontade de construir um país mais igual e melhor.



Rui Estevão Alexandre

23 ABRIL 2011 - 01.29h

Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio

Categoria - Política

Aqui fica, na íntegra, o manifesto dos 74 nascidos depois do 25 de Abril. Afirmam não se resignar com a erosão do património material e simbólico decorrente dessa ruptura democrática e consideram que nos dias de hoje se configura uma séria ofensiva que exige uma mobilização cidadã equivalente.
Entre os 74 signatários, aqui do Blogue de Esquerda somos três: eu, o Bruno Sena Martins e o José Reis Santos. Abaixo os 71 + estes 3.
 

O inevitável é inviável: Manifesto dos 74 nascidos depois de 74

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.

O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.

O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.

O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.

Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!

Os 74 de 74 Signatários:
Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador
Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo
Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação
Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural
André Avelãs – artista
André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento
António Cambreiro – estudante
Artur Moniz Carreiro – desempregado
Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo
Bruno Sena Martins – antropólogo
Carla Silva – médica, sindicalista
Catarina F. Rocha – estudante
Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária
Catarina Guerreiro – estudante
Catarina Lobo – estudante
Celina da Piedade – música
Chullage - sociólogo, músico
Cláudia Diogo – livreira
Cláudia Fernandes – desempregada
Cristina Andrade – psicóloga
Daniel Sousa – guitarrista, professor
Duarte Nuno - analista de sistemas
Ester Cortegano – tradutora
Fernando Ramalho – músico
Francisca Bagulho – produtora cultural
Francisco Costa – linguista
Gui Castro Felga – arquitecta
Helena Romão – música, musicóloga
Joana Albuquerque – estudante
Joana Ferreira – lojista
João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado
Joana Manuel – actriz
João Pacheco – jornalista
João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos
João Rodrigues – economista
José Luís Peixoto – escritor
José Neves – historiador, professor universitário
José Reis Santos – historiador
Lídia Fernandes – desempregada
Lúcia Marques – curadora, crítica de arte
Luís Bernardo – estudante de doutoramento
Maria Veloso – técnica administrativa
Mariana Avelãs – tradutora
Mariana Canotilho – assistente universitária
Mariana Vieira – estudante de doutoramento
Marta Lança – jornalista, editora
Marta Rebelo – jurista, assistente universitária
Miguel Cardina – historiador
Miguel Simplício David – engenheiro civil
Nuno Duarte (Jel) – artista
Nuno Leal – estudante
Nuno Teles – economista
Paula Carvalho – aprendiz de costureira
Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária 
Pedro Miguel Santos – jornalista
Ricardo Araújo Pereira – humorista
Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil
Ricardo Noronha – historiador
Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação
Rita Correia – artesã
Rita Silva – animadora
Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa
Sara Figueiredo Costa – jornalista
Sara Vidal – música
Sérgio Castro – engenheiro informático
Sérgio Pereira – militar
Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista
Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico
Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém
Tiago Ivo Cruz – programador cultural
Tiago Mota Saraiva – arquitecto
Tiago Ribeiro – sociólogo
Úrsula Martins – estudante



Marta Rebelo

Uma imagem vale mil palavras. É o que oiço desde sempre.
Então quando à imagem se junta som? Bem, o valor triplica, quadruplica, eu sei lá (com o FMI e demais parceiros da Troika em território nacional, é preciso ter algum cuidado com estas operações matemáticas de multiplicação, mas enfim...).
E Pedro Passos Coelho, o Presidente do PSD e quiçá Primeiro-Ministro lá para Junho, tem fornecido ao eleitor imagens ímpares. Primeiro foi Pedro, o cantante lírico, em plena cantoria pascal; depois foi Passos Coelho, junto de Laura Passos Coelho, sua esposa, qual coelhinho da Páscoa a enviar uma mensagem de poupança de amêndoas aos seus companheiros e, já que foi via facebook, a todos os eleitores.
Não sei escolher qual a melhor. Hesito. Escolha o leitor, por favor.



Marta Rebelo

20 ABRIL 2011 - 22.44h

"Ill fares the Land" Tony Judt

Categoria - Política

Organizado pela Fundação Respublica, decorreu ontem (terça-feira) em Lisboa uma reflexão crítica, protagonizada por Daniel Oliveira e João Pinto e Castro, acerca da última obra de Tony Judt, cujo título no original (trduzido literalmente) nos diz que O mal (no sentido de doença) fere a Terra.
A crise dos valores ideológicos da Social Democracia dos últimos 30 anos, a falência do Welfare State, as lições não apreendidas da história pós crise financeira de 1929 e o descontentamento dos povos ocidentais constituem os pontos centrais de análise da obra de Tony Judt.

Obra absolutamente recomendável para reflexão e reorientação ideológica.




Rui Estevão Alexandre

Em épocas de crise de confiança, as pessoas geram empatia com os críticos. Sobretudo quando estes são poucos. Ou quase nenhuns, como sucede no âmago mais interior do PS. Mas isso não significa um alinhamento, proximidade ou sequer mera coincidência na semelhança entre os críticos.

Na sequência do meu texto «Novas gravatas para este PS», publicado na Sábado online a semana passada, a onda de concordância avassalou-me qual tsunami inesperado – estou muito mais habituada à crítica negativa, é característica inscrita no ADN nacional a dificuldade em escapar-lhe como prioridade ou ser apanhado nas «malhas» do bem-dizer. Todavia, uma comparação preocupou-me de imediato: entre a transparência da minha opinião honesta e intensa com as críticas de Manuel Maria Carrilho. No site de um jornal diário, um leitor chegou a comentar: «Manuel Maria Carrilho no feminino!». Isso nunca. É comparação que não apenas recuso mas que desprezo.

A crítica que fiz ao presente e futuro do PS, tendo o meu sofá como posto de observação do Congresso de Matosinhos e antecipando as dificuldades e guerras e guerrilhas tribais que chegarão em breve, é fruto do meu agastamento; de não, não estar «com o Zé» apesar de já ter estado de modo muito presente; da necessidade epidérmica de abandonar a neutralidade que nos caracteriza como gente, e o medinho tacanho de apontar o dedo crítico aos poderosos, pois podem sempre «voltar-se contra nós». Mas sem qualquer agenda. Não tenho planos nenhuns no que respeita à minha militância no PS (senão, como escrevi, opor-me veementemente a uma candidatura de António José Seguro, quando essa chegar). E Manuel Maria Carrilho é, por excelência, o homem da «agenda» e das palavras pensadas. Não poderíamos estar em antípodas mais distantes.

De facto, Carrilho faz profissão da crítica à mão onde antes comeu. É seu mister trair quem lhe deu o braço ou o baço em situação de urgência. Comenta todas as semanas, apenas porque não deverá chegar-lhe o tempo para o desagrado diário, destilando fel contra, agora, José Sócrates, seu governo e «seu» partido. Manuel Maria Carrilho foi sempre assim. O que diriam Rui Vieira Nery, colega de faculdade que o apresentou a António Guterres em 1995, e o próprio Comissário da ONU, que o promoveu nos Estados Gerais, no seu Governo e catolicamente na vida partidária? Que a dentada na mão doeu, de certeza. Os dentes de Carrilho são afiados. Mas não há espontaneidade no avanço. Há agenda.

No «Jornal da Praceta» (um jornal electrónico de um bairro lisboeta), a sua juventude e entrada nos trintas é assim descrita: «Carrilho nasceu em 1951 na cidade de Coimbra. Filho de um antigo Governador Civil de Viseu, no tempo da ditadura, viveu nesta cidade até aos 18 anos de idade, onde concluiu os seus estudos liceais. Depois estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, onde se formou em filosofia em 1975. Carrilho é conhecido na altura nos meios lisboetas por dois motivos: as suas produções filosóficas na área da epistemologia e o seu terrível génio com a sua primeira mulher, funcionária da Secretaria de Estado da Cultura. Há quem o imagine então uma espécie de filósofo tipo Louis Althusser (1918-1990), que de agressão em agressão acaba por estrangular a mulher. Em 1985 doutorou-se em Filosofia Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa. O seu terrível feitio manifesta-se em alguns episódios que ficarão célebres no meio académico. No final dos anos 80 adere ao Partido Socialista».

Quem é que Carrilho «tramou» durante o seu magistério cultural guterrista? Augusto Santos Silva e António Barreto, no célebre conflito com a Sociedade Porto 2001; logo a seguir o amigo Rui Vieira Nery, que o havia acompanhado para o Palácio da Ajuda assumindo a Secretaria de Estado da Cultura, e que Carrilho afastou face às críticas duras (e posteriormente visadas como certeiras) de Nery; o próprio Guterres, cujo Governo abandonou por considerar que António não dispunha do perfil de um verdadeiro primeiro-ministro.

Porque é que Carrilho se tornou célebre no curso do Guterrismo, para além das valentes marcas da dentadura que deixou nas mãos esquerdas de Viera Nery e Guterres? Por se qualificado como «Um Homem sem Qualidades», por António Barreto, num artigo esclarecedor no «Público»; pela renovação do quarto de banho do seu Gabinete na Ajuda, que, pela descrição, recorda-me as torneiras de ouro dos palacetes iraquianos – ainda que o tal WC tenha sido invenção; pela acusação de gestão danosa do Ministério que Nery lhe deixou como derradeiro contributo. Seguiu-se a dura crítica como profissão de fé, em artigos de jornal e declarações televisivas, livros e todo o tipo de palco – onde Carrilho é como peixe-cherne em água salgada – a António Guterres. Quando este saiu de São Bento e do Palácio do Rato, Manuel Maria apressou-se a apoiar Ferro Rodrigues, mas mais uma vez mais o instinto levou a melhor e a dentada ficou marcada. A agenda não se compadeceria com a de Ferro, e abandonou-o.

Quando, ano e poucos meses depois o Presidente Sampaio dá o mote aos primeiros momentos do «socratismo», o Professor de filosofia alinha-se perfilado com o novel líder. Recordo-me de um jantar-comício em Viseu, distrito pelo qual Carrilho concorreu em primeiro nas listas de deputados do PS, em plena campanha eleitoral de 2005. Na mesa de honra o candidato a PM e o cabeça-de-lista. Quando José Sócrates entra na sala avança para a mesa e recebe um abraço pleno de socialista fraternidade de Carrilho. E quando no meu horizonte visual surge o primeiro-plano daquele enleio pensei para os meus botões: «ponha a mão no bolso, que a mordedura não tardará».

Mas tardou, porque Manuel Maria Carrilho queria ser edil lisboeta. Candidatura que marcou o Verão de 2005 e foi o desastre eleitoral que se conhece. A partir de então, nada prendia o ainda Deputado senão o desejo profundo de ser Embaixador de Portugal junto da UNESCO e partir para Paris, cidade da luminosidade apta ao intelecto de um pensador. Só que Guterres é um católico praticante, crente na ideia de que a maledicência é pecado; Sócrates não crê em Deus que lhe limite opiniões. Quando a comissão de serviço correu mal e Carrilho foi demitido de funções parisienses, o PM não se coibiu em dizer o que pensa do «camarada» nem em responder às críticas demolidoras e viperinas, até então guardadas na gaveta, mas há tanto à espreita. É que o mau feitio de Manuel Maria é de «menino», ao lado do de Sócrates.

E agora? Bem, vejamos quem é o senhor que se segue no PS, com quem Manuel Maria Carrilho alinha para, invariavelmente, abandonar com marcas. Até lá, tem palco extenso na TV, rádio, imprensa e net. Por todo o lado faz a sua luta contra… bem, depende do momento. Mas luta sempre, com unhas e dentes.

Por tudo isto e quiçá ainda mais, não me comparem, por favor, com Manuel Maria Carrilho. Não tenho caninos afiados, não tenho agenda política, não faço da crítica arte. Não sou artista nem filósofo sobre outra coisa que não a bola – que ocupa o povo e não as elites pensadoras a que pertence o Professor. Deixe-me sozinha nas críticas que fiz às gravatas socialistas, ou pelo menos noutras companhias. É um enorme favor que peço a quem me leia.
 



Marta Rebelo

20 ABRIL 2011 - 14.00h

SOS: FMI

Categoria - Política

 Aqui ao lado, no Blogue de Direita, o PM Ramires acusava-me de andar a propalar visões catastrofistas sobre os efeitos do FMI na economia. A verdade é que muitas experiências de FMI pelo mundo - veja-se a Argentina, por deus - recomendam que façamos alguns simulacros de catástrofe. É como os bombeiros, não estamos certos que o Verão traga fogos, mas o melhor é ir calejando as coxas para descer pelo poste ao mínimo alrme. 



Bruno Sena Martins

18 ABRIL 2011 - 12.39h

Consensos no PSD

Categoria - Política

No PSD critica-se o PS de falta de inspiração na escolha dos cabeças de Lista. De facto o PS marcou as suas escolhas (e refira-se que do PS ainda só se conhecem os cabeças-de-lista) pela segurança e pela experiência de parlamentares/governantes. Por sua vez, no PSD optou-se por sujeitar o país a um conjunto de estagiários da política a encabeçar listas compostas por alguma gente com muita (e boa) experiência. São vários os candidatos contestados, como o caso do cabeça de lista por Bragança (Francisco José Viegas) e do próprio Fernando Nobre. Porém, sabe-se lá como, as listas foram aprovadas por unanimidade. Paula Teixeira da Cruz dizia hoje de manhã na Antena 1 que os resultados do conselho nacional não invalidam que existam algumas posições contrárias ao voto expresso. Ora, Ora! Querem ver que houve disciplina de voto no Conselho Nacional do PSD?



Rui Estevão Alexandre

“Aí vai um homem morto a correr!” Morto politicamente, claro está. Ouvi a expressão agora mesmo na TV (nem a propósito) e achei que está tão bem para a situação como uma lata de salsichas Nobre está para um ovo mexido! Este post não é mais, e não pretende ser, do que a entrevista de Fernando Nobre ouvida e analisada por um comum português! Tão comum que até, em pequenino, chegou a correr atrás de galinhas (e à frente também) no Alentejo. Em Portugal, como nas missões de Fernando Nobre, é normal correr atrás de galinhas. Porém eu fi-lo sem uma missão da AMI por perto. Serei eu assim tão comum? Sentei-me no sofá, caderno na mão, disposto a ouvir e a escrever o que Nobre iria dizer. Não que as palavras mereçam ficar para a eternidade, mas sim porque a qualquer momento poderá ser útil confrontá-las com outras do mesmo indivíduo, para um eventual despiste de sintomas de Alzheimer. Não de Nobre, mas meu. Nobre começou por dizer “Não pedi, não negociei e não exigi nada. Eu sou livre e independente.” Não duvido que não tenha exigido. Considero Passos calculista o suficiente para começar a conversa oferecendo. Nobre foi livre de aceitar ou não. Aceitou e a independência caiu-lhe aos pés. “Condeno o ataque concertado à página do Facebook.” Considerar que escassos minutos após o anúncio de que do Sri Lanka vinham mais más notícias, estas para Portugal, é confiar demasiado na capacidade de organização da sociedade civil. Ou será que esta já estaria preparada para a notícia bombástica? “Dois terços da estrutura directiva da minha campanha está comigo.” Sinceramente duvido. Mas muito bem, partamos do princípio que é verdade. Duvido que consigo estarão muitos mais do que esses escassos dois terços. E não esqueçamos que grande parte deles são família, tal como na própria AMI. Mas sendo verdade, parece-me que o candidato a Deputado Nobre, que se diz de esquerda do pondo de vista humanitário, esteve na sua campanha rodeado de gente, das duas uma, ou de direita (e da mais liberal); ou politicamente naif, tal como o próprio candidato parece ser. “Não aceito o insulto organizado.” Vi, é um facto, muitos insultos a Nobre. Mas vi muito mais indignação, crítica e repúdio ao apoio que lhe fora dado. Isso não é insulto é seriedade. “Eu sou apenas dono do meu voto.” Podia tê-lo dito na campanha para as presidenciais. Teria sido mais honesto e revelador de que o tinha a soldo. “Eu já geri muitas equipas. Estou em condições de gerir deputados.” Os deputados não representam equipas. Representam eleitores que confiam em determinados programas, partidos e candidatos. Acreditar que gerir 230 deputados é igual a gerir uma qualquer empresa têxtil, ou uma qualquer missão humanitária, é aterrador! “Sou um homem de esquerda.” Eu sou um homem de esquerda e sei que ser um Homem não é o que Nobre acha que é. “Falei por três vezes com Pedro Passos Coelho … confio no homem.” Das duas uma. Ou foi hipnotizado ou é de fácil sedução, uma vez que nem sequer foi necessário abanar com programas partidários humanistas e solidários. Será que Nobre acredita que o ultra-liberal PSD de Passos lhe dará campo para devaneios humanitários? “Já tinha decidido votar no PSD antes do convite? (pergunta de Fátima Campos Ferreira) “Não.” Esta nem merece qualquer comentário. O meu agradecimento à jornalista que, apesar de tudo, conseguiu garantir alguma normalidade à entrevista. O resto parece Dalí! Surreal.



Rui Estevão Alexandre

Fernando Nobre acaba de assumir na RTP 1 que aceitaria integrar as listas de qualquer partido, desde que:

1) Lhe oferecessem este «papel de destaque» na Assembleia da República;
2) Confiasse no líder desse partido - e em Pedro Passos Coelho encontrou uma enorme «preocupação com o outro», alguém «em quem confia», com quem criou «empatia».

Um verdadeiro patriotra: «servir Portugal». Ainda não tinha decidido votar no PSD antes do convite, só depois de «conhecer Pedro Passos Coelho». Ora, o erro do PS terá sido enviar Vieira da Silva, e não o próprio José Sócrates para a negociata.

Que tragédia, ouvir este senhor.



Marta Rebelo

15 ABRIL 2011 - 15.09h

O efeito "Benfica TV"

Categoria - Política

 As pessoas menos atentas não percebem de onde veio a violência que emergiu recentemente no futebol português. Também não percebem a hostilidade de que o Benfica passou a ser alvo pelo país afora. Para o caso de terem dúvidas, eu esclareço: 

1- No comunicado do Benfica,no início de época a seguir ao jogo com o Guimaraões a atitude assumida foi "o Benfica contra o resto". O Benfica ganharia porque, segundo os dirigentes daquele clube, o futebol português não poderia sobreviver sem a grandeza do Benfica. Acto contínuo vai de dizer aos adeptos para não irem aos estádios dos adversários, de mandar avisos ao governo, de chamar a atanção às televisões. Conclusão, se o mundo não estava contra o benfica passou a estar (excepção feita à comissão disciplinar da Liga de Clubes).

2- O factor Rui Gomes da Silva. Ter um hooligan de facto e gravata a debitar ódio e fanatismo num dos canais mais vistos da TVcabo não deveverá deixar de produzir os seus efeitos. Pior quando o referido hooligan é vice-presidente de um clube de futebol.

3- Não misturando no mesmo saco tudo o que se passa na Benfica TV - já lá vi a nossa cordata colega de blogue, Marta Rebelo, em registo francamente aprazível -, o facto é que aquilo é uma choldra de fanáticos como dificilmente encontraremos nas tabernas vizinhas aos campos da Liga dos Últimos (com o detalhe que não têm piada ou pitoresco que os redima). A Benfica TV incita ao ódio, e se a ERC não quer intervir, devia ser o Benfica a cuidar dos seus. Preventivamente, pois. 



Bruno Sena Martins

A Marta gostava, seguramente, que lhe respondesse ou comentasse o artigo de ontem. Não o vou fazer.
Prefiro antes comentar o cinismo que dominou o pós -congresso. Também dela. Também meu.
Rezam as crónicas e os panfletos que se tratou de um Comício e não de um Congresso. É verdade. E poderia ter sido de outra forma? Não. E foi legítimo? Foi. A maioria dos mais estratosféricos dirigentes falou no Comício/Congresso, legitimando, portanto, o seu conteúdo e a sua forma. Isto não é uma crítica, bem pelo contrário.
Alguém de bom senso poderia pensar que a dois meses de umas eleições legislativas, tão importantes para o país, o PS abdicaria do direito de transmitir ao país a sua estratégia alinhada e ainda por cima com a força legitimadora de um Congresso? Eu compreendo que isso incomode os nossos adversários. Mas "não podia ser de outra maneira".
E, só sendo um comício, é que não merece outros reparos bem fundados nos princípios da igualdade, da equidade, da proporcionalidade...
São tempos da Forma e não do conteúdo. Estes tempos estão para lá do PS, dos Partidos, da Política, da Sociedade, de Portugal e da Europa. São resultados objectivos da sociedade pós-industrial. Penso ser muito saudável andar por aí tanta ansiedade por conteúdos e por ordem programática - eu vivo constantemente nessa ansiedade. Mas as coisas têm o seu tempo, sem com isso dizer que os homens e as mulheres não definam esse tempo. O tempo chegará. E não será o tempo desejado se for apenas resultado de encomenda dos insatisfeitos e dos adversários.




João Ribeiro

14 ABRIL 2011 - 13.32h

«Novas gravatas para este PS»

Categoria - Política

Este texto revela com toda a honestidade e frontalidade o que penso sobre o estado e o futuro do meu partido e seus protagonistas.
É duro, agressivo, detonador.
Já não aguento a neutralidade por encomenda ou por receio.
 
Para ler no síte da Sábado:
http://www.sabado.pt//Multimedia/FOTOS/-spam---b--Politica---b----spam-/Fotogaleria-(4).aspx?time=2011414112851705



Marta Rebelo

13 ABRIL 2011 - 14.14h

Systema naturae

Categoria - Política

Os seres vertebrados situam-se politicamente em cima do Fernando Nobre.



Bruno Sena Martins

13 ABRIL 2011 - 01.41h

Chegou o tão temido

Categoria - Política

Depois de muitas voltas e peripécias para conseguir postar hoje, acho que se reúnem (finalmente) as condições para o fazer, embora me sinta um tanto desanimada ao olhar para as notícias e ver mais do mesmo… FMI, Sócrates, partidos em disputa, oposição ao ataque, dificuldades financeiras, défice e recessão. É nisto que se resume o nosso país actualmente e, mesmo que tentemos falar noutros assuntos, parece não haver lugar para tal, tudo parece insignificante. Não quero tirar importância a todas estas questões, mas acredito que todos precisamos de “arejar as ideias” de quando em vez, e não é muito fácil.
Chegaram a Portugal os primeiros membros do FMI! Afirmam que a recessão continuará em força para o ano que vem. Os portugueses vão apertar mais o cinto, e será feito o que for preciso para cumprir os objectivos. Quando lemos o que se diz sobre a sua intervenção em Portugal, parece que tudo vai desmoronar definitivamente, que não há solução que não passe pela privação e pelo corte, é assustador.
Especialistas afirmam que a ajuda externa acabará por ser positiva, apesar de não se vislumbrar que “venha a ser nem de perto nem de longe benevolente com os contribuintes, do ponto de vista do económico e financeiro”, como refere Luís Leitão no seu artigo do Económico cujo título é um bom conselho para todos nós – Prepare a sua carteira para a chegada do FMI.
 Sinto um nó no estômago, como quando guardo segredos ou angústias. Não sei o que nos espera, tenho a sensação de que estamos sentados na entrada do Comboio dos Terrores com o bilhete na mão, sem grande escolha.
Amanhã falemos da Primavera, pensemos em fruta fresca e pôr-do-sol no Miradouro. Sonhemos com histórias de encantar, brincadeiras de criança. Tudo vale, o importante é experimentar, nem que seja só um segundo.
          



Catarina Caetano

12 ABRIL 2011 - 16.35h

Que belo par romântico

Categoria - Política

João Tiago Silveira, o porta-voz do PS (ou é Fernando Medina? ou é em alternância?) foi o enviado socialista para, num jantar a dois, convencer Fernando Nobre a escolher as listas do PS às do PSD...



Catarina Caetano

11 ABRIL 2011 - 00.34h

Teatrinho em Matosinhos

Categoria - Política

O Congresso do Partido Socialista foi, neste fim-de-semana, palco dum espectáculo teatral de qualidade questionável. Reuniram os elementos do partido, uns quantos autocarros de idosos (e não só) a quem se ofereceu “lanchinho” e umas horas de puro entretenimento, distribuíram bandeiras nacionais, abriram as cortinas, ligaram as luzes e as personagens ocuparam os seus lugares - Let the show begin!    
Num cenário de adoração ao protagonista do enredo, todos tiveram oportunidade de aplaudir e botar discurso de encorajamento e apoio àquele que foi tido, em tempos bem recentes, como responsável da situação deprimente em que se encontra o país. Como têm memória fraca estas pessoas! As suas opiniões mudam de acordo com as marés que lhes convêm, não têm grande valor, credibilidade ou segurança… E, com lealdade teatral, todos os actores desempenharam deploravelmente o seu papel de lealdade bajuladora – “Zé, eu estou contigo!”
Quanto ao herói da triste comédia, nem o teleponto partido e os movimentos condicionados afectaram a sua grandiosidade. Escolhido o seu melhor ângulo, o Engenheiro Sócrates defendeu a união e a força dentro do Partido, apontou todos os dedos à Oposição, descartou-se de responsabilidades como só ele sabe e, de repente, foi como se a sua demissão nunca tivesse acontecido. No púlpito, o Primeiro-ministro dirigiu-se a toda a sua audiência com mais palavras floreadas numa interpretação fraca que acabou convencer muitos.
No final, todos saíram a correr com fome, atrasados para os autocarros e almoços. A comédia acabou com a consagração do herói, que saiu em alta. Eu não sou perita neste assunto, mas questiono-me muito sobre as consequências destes eventos e sobre as oscilações nas atitudes dos dirigentes políticos e no panorama político nacional… E tudo corre o risco de se tornar numa imensa tragédia!



Catarina Caetano

10 ABRIL 2011 - 21.52h

Fernando Nobre entre a Cidadania e o Partido

Categoria - Política

E quando pensamos que já vimos tudo, enganamo-nos. E quando acreditamos na cidadania corremos o risco de nos enganarmos. Eu não apoiei Fernando Nobre. Como não apoiei Manuel Alegre há cinco anos quando se apresentou como candidato da cidadania.

Porquê? Porque acredito que a melhor forma da cidadania influenciar o poder político e as decisões que são tomadas é envolvendo-se na vida política e partidária. Muitos acreditarão nas soluções das candidaturas da cidadania por estas não estarem “inquinadas” pelo vício e pelo jogo do poder partidário. Mas a verdade é que a inexistência de um corpo constante e agregador nestas candidaturas pode levar a que, num ápice tudo mude e uma candidatura que tinha um propósito passe, de repente, a prosseguir outros desígnios diferentes.

Fernando Nobre enfrentou as candidaturas do sistema ao qual, disse-o na altura, não queria pertencer. Mas logo após as eleições tratou de se encontrar com os líderes partidários para fazer contas. E que contas! Há uma semana começou a falar-se de um eventual apoio de Nobre à candidatura de Passos Coelho. Não seria ilegítimo que, apesar ter representado essa entidade vastíssima que é a Cidadania, apoiasse uma candidatura partidária. Poderia ser questionável mas não ilegítimo.

Todavia, logo após o encerramento do Congresso do PS, Passos Coelho lançou a bomba a partir da Madeira. “Recebi a confirmação de que o Dr. Fernando Nobre” aceitou transferir para as minhas contas eleitorais os seus 14% de votos. Esta seria a frase que Passos Coelho teria proferido se fosse honesto.

O Nobre candidato da cândida cidadania decidiu tornar-se o Burguês candidato da experimentada política partidária da Direita. Nada mais desonesto. Nada mais inqualificável.

Porém, e quando pensamos que a história terminou, os senhores saltam para a “populaça” com a informação de que Nobre será presidente da Assembleia da República. Ora essa! Mas e as eleições? Agora já nem se vota? Estou muito expectante por ouvir Fernando Nobre em campanha. Que dirá o arauto da cidadania em favor de uma campanha partidária? Que bandeiras agitará na rua (as suas ou as do PSD)? Que dirá se se encontrar na rua com cidadãos com quem falou há 4 meses acerca das insuficiências do sistema político e dos seus actores? Terá coragem de admitir a cambalhota seguida de pino invertido?



Rui Estevão Alexandre

10 ABRIL 2011 - 17.39h

Fernando Nobre: o tempo extra da fama

Categoria - Política

 O encerramento do Congresso do PS coincidiu com o anúncio de Fernando Nobre como candidato do PSD às próximas legislativas. Consigo mitigar a estranheza de ver alguém que se proclamava da sociedade civil, alegadamente supra-partidário, colar-se de tal forma a Passos Coelho, o político mais neoliberal com hipóteses de assumir responsabilidades de Estado em Portugal. Relativizo porque, caso o PSD ganhe as eleições, Nobre ficará como Presidente da Assembleia da República, um cargo que escapa aos jogos das matilhas partidárias.

Ainda assim cabe questionar o que move Fernando Nobre para um cargo em que dará legitimidade ao PSD e ficará de mãos atadas para intervir politicamente. Tenho uma suspeita: os 15 minutos de fama das últimas presidenciais souberam-lhe a pouco.  



Bruno Sena Martins

10 ABRIL 2011 - 17.17h

Um discurso, um líder, um partido

Categoria - Política

Sócrates encerrou ao inicio da tarde o XVII Congresso do Partido Socialista, num longo discurso em que repetiu muito do que tinha já afirmado na sexta-feira. Repetiu os feitos da governação socialista, desde a educação à saúde, dos programas de estágio para jovens aos cuidados continuados para a terceira idade. Em 23 páginas de discurso, o líder socialista lançou com clareza aquelas que serão a linhas mestras de um programa de Governo do PS. E lançou essas “ideias conhecidas e claras” ao contrário do que diz ser a estratégia da oposição, cujo programa é uma “caixinha de surpresas”. Aproveitou a ocasião para comunicar ao país, manifestando alguma confusão entre os dois papéis que representa (o de líder dos socialistas e o de PM), que o Governo irá liderar o processo de negociação do pacote de ajuda externa. Sim, ao contrário do que fora afirmado na semana passada, hoje Sócrates assumiu esse papel de coordenação que lhe poderia competir a ele mas que, em bom rigor deveria competir a alguém que depois de 5 de Junho se possa vir a comprometer plenamente com o plano negociado. Ora, esse comprometimento poderá resultar da convicção que o PM tem que após dia 5 de Junho tudo poderá mudar, excepto a intenção de voto dos portugueses, que se manterá fiel ao Governo de “centro-esquerda” que, afirmou Sócrates é a matriz do PS. Por outro lado, intensificou-se ao longo de todo o Congresso a crítica à oposição centrada, por maioria de razão, no PSD por ter conduzido o país para uma crise política que, segundo os congressistas, era perfeitamente evitável. Neste sentido acusou a oposição de leviandade política e calculismo partidário, fazendo uma alusão clara aos sociais-democratas. Também numa referência a Passos Coelho, afirmou que este não é o tempo de experiências políticas, mas sim de uma acção assertiva e vigorosa. Terminou o seu discurso fazendo levantar, em êxtase, toda a sala, quando afirmou que “uma oposição irresponsável pode ter feito cair o Governo. Mas fez levantar o PS. E vai fazer levantar o país.” Matosinhos protagonizou, mais do que um momento de consagração do líder, o momento em que se ergueram as bandeiras da República, na defesa de um Portugal alvo das maiores pilhagens internacionais com a complacência dos que por cá lhes dão cobro.



Rui Estevão Alexandre

10 ABRIL 2011 - 13.39h

Sócrates II

Categoria - Política

Neste Congresso os portugueses puderam ver a unidade do PS. Aqui os portugueses puderam ver um partido mobilizado para lutar pela vitória no próximo dia 5 de Junho.



Rui Estevão Alexandre

10 ABRIL 2011 - 13.31h

Sócrates I

Categoria - Política

"Todos sabem que o PS é respeitador da concertação social. E assim vai continuar..."



Rui Estevão Alexandre

10 ABRIL 2011 - 13.13h

A imagem e as palavras

Categoria - Política

Porque uma imagem vale por mil palavras, o Congresso do PS, hoje a terminar, tem sido uma verdadeira proclamação mediática do líder. Desde os diversos momentos de emoção de José Sócrates (na sequência de diversos videos apresentados), aos abraços a militantes, aos longos sorrisos para quem lhe recebia o voto, tudo mas mesmo tudo é preparado para veicular uma imagem de vitória, de união. Até o gesto do Congresso para com os representantes do PSD, que se levantou num forte aplauso depois de alguns militantes anónimos os terem assobiado, são sinal de um partido que pretende dar-se ao respeito (respeitando também o adversário).



Rui Estevão Alexandre

Autor:

  • Marta Rebelo

    Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

  • Tomás Vasques

    Advogado de profissão, mas dedica-se com frequência a outras artes. Gosta do conceito "esquerda liberal"

  • José Reis Santos

    Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

  • Nuno Ramos de Almeida

    Recorda com saudade a última frase de um dissidente soviético que se suicidou: "Não disparem camaradas!"

  • João Ribeiro

    Doutorando em Sociologia, jurista, socialista (moderno e não só) acredita que os consensos só servem os que dominam.Quer discutir os meios antes dos fins

  • Rui Estevão Alexandre

    Socialista, Republicano e Laico. Partilha de uma visão humanista do mundo. Através da Política contribui para o processo de construção da Polis

  • Catarina Caetano

    Gosto de trabalhar, das tábuas, do palco, de questionar, de reflectir. Sou actriz, e quero sempre mais

  • Bruno Sena Martins

    Antropólogo dado a radicalismos de esquerda procura sociedade séria para compromisso aberto

  • Miguel Cardina

    Historiador nos tempos úteis, musico nas horas vagas e esquerdista o tempo todo

  • Tiago Mota Saraiva

    Comunista e benfiquista. Arquitecto por vontade própria, professor desempregado e empresário por obrigação

  • Vítor Dias

    Comunista com muita honra, uma amargura combatente, a idade pesando e o cabelo embranquecendo

  • Ana Gomes

    Socialista, eurodeputada, blogger preocupada

  • Paulo Guinote

    Professor porque sim, aprendiz de historiador nos tempos livres, individualista e liberal demais para acreditarem que sou de esquerda

  • Mariana Mórtagua

    Economista (cada vez mais aterrorizada). De esquerda por absoluta convicção e estruturalmente feminista

  • Miguel Marujo

    Pai babado. Jornalista. De esquerda. Benfiquista. Católico. Leitor compulsivo. Blogger. Viajante. Cagaréu. A ordem não pode se esta

  • Miguel Vale de Almeida

    50 anos, antropólogo, professor universitário, activista LGBT e ex-deputado independente pelo PS à AR

    

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