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30 ABRIL 2009 - 18.27h

Jorge Mateus: "Filosofias Orientais"

Categoria - Política

30 ABRIL 2009 - 17.32h

O PS no seu melhor (2)

Categoria - Política

A culpa da asneira no cartaz foi da gráfica. A culpa da pouca vergonha dos tempos de antena do PS é de uma tal "empresa". A culpa da crise que nos mói há anos é do estrangeiro. A culpa de termos um Primeiro-ministro que só tem tempo para acções de propaganda deve ser da "campanha negra". Em breve, a culpa é bem capaz de passar para Cavaco. Ou para a gripe suína. Deles é que nunca será.  



Luis Rainha

30 ABRIL 2009 - 17.06h

Mas qual é a dúvida? Onde está a notícia?

Categoria - Política

Obama declarou que o waterboarding, a simulação de afogamento, é mesmo tortura. Mas o que seria, em alternativa? Ocupação de tempos livres? Se o próprio John McCain, autoridade no assunto, já tinha tido a coragem de o assumir, que interessa que haja quem ache que não se deve falar destas coisas? É que estas coisas eram, ao fim e ao cabo, muito do que nos separava do inimigo... 



Luis Rainha

30 ABRIL 2009 - 14.28h

Ainda a toponímia

Categoria - Política

Para Alberto Gonçalves, a toponímia é a memória de um país, lá cabendo de forma confortável todos os "facínoras". Para este douto sociólogo, é igual uma “Avenida Marquês de Pombal” a uma imaginária “Alameda da PIDE”. O tempo, ao fim de um mês ou dois, tudo liquefaria numa lama indistinta onde se diluem os resquícios da memória. Que ainda ande por aí gente que foi torturada às ordens de Salazar, eis um pormenor de somenos.
Engraçado. Há uns anitos, surgiu um livro intitulado "Portugal, Hoje: o Medo de Existir". Nele, José Gil, autor que o AG até é capaz de apreciar, postula que a depressão colectiva em que nos via mergulhado radicava, em grande parte, no facto de nunca termos lidado de modo definitivo com o fantasma do salazarismo: não houve julgamentos, nem castigo, nem um enterro eficaz daquele passado vergonhoso. Seríamos o que Gil chamaria a pátria da «não-inscrição»,
Nem vou contrapor o caso de Espanha, país exilado de uma ditadura ainda mais feroz, com a bagagem de uma guerra civil carregada de atrocidades, mas onde os herdeiros do franquismo foram absorvidos e normalizados... sem julgamentos, vinganças ou convulsões de maior.
Não. Importa aqui explicar ao sociólogo AG que ainda é cedo para estrear com espavento obras dedicadas a um ditador recente que espezinhou as nossas liberdades durante décadas, logo no dia da revolução que o depôs. Ainda é cedo para fazermos aquele curioso resumo diacrónico que nos diz que o Marquês de Pombal foi um grande homem, apesar de tudo; que D. Carlos até é capaz de ter sido mais do que um peralvilho erudito desligado do seu reino. Ainda é cedo, sobretudo, para equiparar, como AG faz, Álvaro Cunhal, homem que sacrificou décadas da sua liberdade a um ideal, a Salazar – o responsável pela sua prisão e tortura.
 



Luis Rainha

30 ABRIL 2009 - 12.46h

O frasco de picles

Categoria - Política

Alberto Gonçalves é um dos comentadores direitistas que parece operar não em função das suas ideias mas sim da amargura que lhe causam as ideias do odiado adversário: a esquerdalha.
Nesta crónica vídeo (boa ideia de formato, aliás), ele vem desesperar-se por mais uma malvadeza nossa (pois somos um bando homogéneo e solidário): queixámo-nos da recente cerimónia de Santa Comba Dão.
É que AG vive num mundo em que se verifica uma «desproporcionada influência de uma esquerda criminosa derrotada há 34 anos, mas que ainda se acha no estranho direito de apontar o dedo ao que julga intolerável».
Antes do mais, não percebo como é que alguém pode ser privado do direito de apontar o dedo ao que não lhe parece bem; tal não é proibir, nem censurar, mas apenas exercer um banal (julgava eu) direito à opinião.
Depois, e mais relevante, ele finge não perceber porque é que a famigerada Praça Oliveira Salazar levantou esta celeuma. AG resume o caso a uma mera questão de toponímia, mesmo sabendo que em causa esteve apenas a parola provocação de encenar a festarola logo no 25 de Abril. Um mero gesto palonço, acompanhado por porco no espeto e tudo, que deveria ter sido ignorado e pronto.
AG é um verdadeiro cruzado, sem tempo para graças ou leviandades, sempre a caminho de mais uma refrega com a tal «esquerda criminosa». Daí o ácido travo de empenho fanático que ressuma das suas prosas. Lighten up, man!



Luis Rainha

30 ABRIL 2009 - 12.08h

Poesia, bicicletas e regressos iminentes

Categoria - Política



Na simpática livraria Pó dos Livros, teve lugar o primeiro lançamento literário deste blogue. O nosso tão estimado quanto esquivo José Mário Silva presidiu ao nascimento da sua segunda recolha de poemas: Luz Indecisa. À direita, podemos ver o Filipe Moura, por certo a alma (e o corpo) que mais pedalou ontem atrás da Poesia em Lisboa.
Agora que se findaram as dores de parto e o Zé Mário acabou de lamber a cria, aguardamos em jubilosa esperança o  seu retorno à bloga política...



Luis Rainha

30 ABRIL 2009 - 07.52h

Baptismo de Universidade Católica

Categoria - Política

Desloquei-me ontem pela primeira vez à Universidade Católica, para assistir a um duelo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo que opôs o Bem ao Mal, isto é, a Dra Isabel Moreira (lindo vestido e ajuizada escolha de óculos) ao Dr. Alexandre Sousa Machado (boa gravata, num cor-de-rosa cuja escolha não terá sido acidental). A moderação esteve a cargo da Professora Maria da Graça Trigo. No final os alunos fizeram muitas perguntas, quase todas pertinentes e bem formuladas, ainda que previsíveis. A destoar só se ouviu um jovem que usou os termos "mariquinagem" e  "gayzice" enquanto desenvolvia a tese de que, segundo os "últimos estudos", a homossexualidade é uma doença. A plateia ficou imediatamente predisposta para a gargalhada, que explodiu segundos depois, quando este jovem revelou ser estudante de Agronomia. Parece que a Agronomia continua a ser o último reduto do macho lusitano, figura dada ao marialvismo e à tauromaquia, mas também com um notável espectro de interesses, que vai da pedologia aos últimos estudos sobre a homossexualidade, distinguindo-se por essa veia académica do macho lusitano de tasca e até do que cursa nos institutos técnico-profissionais. Já depois de concluída a sessão, quando falava para um pequeníssimo grupo de que eu fazia parte, a moderadora comentou a intervenção do futuro agrónomo dizendo que a gente de ciências é pouco sofisticada. Soou a aviso: ainda eu mal acabara de gozar a confirmação de um estereótipo e já a professora da Católica me fazia vítima de outro (sou de ciências). No fundo, houve aqui dedo do Criador. O Senhor pretendeu dizer-me que também eu devo ser capaz de rever alguns dos meus estereótipos e posições. Ora, é precisamente quando estou em xeque que me socorro da ciência. Por exemplo, sentara-me na sala convencido de que não iria mudar de opinião, mas à medida que o debate se desenvolvia vi-me forçado a rever uma convicção profunda, mas não outras. Em ciência chamamos a isto uma experiência controlada, pois prova-se que não mudar de posição em relação a uma posição específica não se deve a uma incapacidade intrínseca de rever uma qualquer posição. Por isso saí do debate ainda mais convencido de que os homossexuais devem poder casar-se. Digo-o com a garantia de quem aprendeu que, ao contrário do que sempre pensara, os jovens alunos da católica não têm ar de seminarista, nem vestem blazer ou fato.



Vasco M. Barreto

Pacheco Pereira, no seu afã de encontrar conspirações activas e passivas contra a sua brilhante líder, chegou a um cul-de-sac tragicómico.
Mal não esteve Manuela Ferreira Leite ao embrulhar-se e admitir um novo Bloco Central. Não; mal está quem chama a atenção para as confusas palavras da senhora. Se as declarações de MFL saem da ortodoxia do partido, claro que todos deveriam saber que só poderiam ser espúrias, confusões a aguardar explicações por quem de direito. Os jornalistas deveriam saber que se «justificava uma pergunta de esclarecimento suplementar», como se estivessem a lidar com uma criança inconstante, de bom fundo mas carente de capacidades verbais.
O pináculo do ridículo: «com ela há sempre uma fábrica de "casos", não há jornalismo» – diria eu que MFL, por falta de hábito com estas coisas da política a sério, é a própria "fábrica de casos". Não precisa de ajuda de ninguém.



Luis Rainha

29 ABRIL 2009 - 17.06h

E não será desta que nos livramos dele

Categoria - Política



A candidatura de Santana assumiu o uso das novas tecnologias, em desfavor do glamour de um possível lançamento na Kapital. Ainda não consegui ver a coisa, por insanável incompatibilidade com o meu computador. Mas aqui the medium is not the message. O que interessa mesmo em Santana é a substância da personagem política, não os adereços, o canal de distribuição ou a maquilhagem. E aquela é por certo a que acima ilustro: a criatura compelida pelos seus fantasmas obcecados a procurar holofotes, peanhas, pequenas porções de poder.
Porquê, nem ele sabe; não tem currículo, habilitações, obra, ou intelecto que o recomendem. Apenas uma insaciável fome de fama, de poleiro. Por mais pontapés que a vida e os votantes lhe derem, nada o fará desistir do seu precious
 



Luis Rainha

29 ABRIL 2009 - 16.20h

Bad cop, good cop

Categoria - Política

29 ABRIL 2009 - 15.56h

O PS no seu melhor

Categoria - Política

Ignorantes. Incompetentes. Ansiosos por largar as culpas em cima do primeiro que apareça. Assim é o bando que nos governa.
O PS afixou um cartaz que incluía uma data errada. OK; ninguém reviu, ninguém sabia, ninguém olhou para aquilo. Solução? Culpar a gráfica; como se salpicos de tinta tivessem alterado a data de entrada de Portugal na CE, não a ignorância de quem escreveu e aprovou a coisa.
A liderança de Sócrates é como uma gripe suína da alma: contagia e diminui todos os que passam tempo de mais com ela. Sintomas: desconhecimento, arrogância, desresponsabilização. 



Luis Rainha

29 ABRIL 2009 - 12.43h

Cultura sem Educação? Sim, sim...

Categoria - Política

Dei com um texto de há umas semanas de Pedro Abrunhosa, publicado na Notícias Magazine. O tema é a magreza esquálida do orçamento destinado pelo Governo à Cultura. E o autor do conhecido hit “Talvez Foder” deve ter entretanto tirado um curso acelerado de tecno-Português, pois trata de nos informar do o seguinte: «se há uma área de absoluta prioridade estratégica que é, pela essência, forte, determinante e geradora de riqueza para um crescimento homogéneo e auto-sustentável do país, essa área é a Cultura.» Impressionante.
Mas há solução à vista: «Portugal tem que saber exportar a sua maior e única exclusiva riqueza: a Alma», que hoje já não se resume ao Fado, claro. Abrunhosa aponta como tremendas exportações a descobrir «a modernidade com que definimos a excelência da nossa escola arquitectónica, do teatro, da pintura, da literatura, esse meio excelso com que temos cativado o mundo, do imenso, único e disperso espólio arqueológico, patrimonial e paisagístico, da indústria musical que, em contra-corrente, se manifesta como das mais activas e produtivas do velho continente (…)».
Isto faz-me lembrar tempos de antanho, em que o nosso sombrio isolamento nos fazia cair em delírios colectivos de grandeza; tudo o que era português era o melhor do mundo – dos queijos aos pilotos de avião. Naturalmente, tal alucinação não nos levou a parte alguma.
Não temos nem fabulosas «escolas» de arquitectura, nem pintores na moda, nem dramaturgos encenados lá fora, nem músicos geniais, nem o mirífico «espólio» irresistível para hordas de turistas sedentos da magia da Cultura Lusa. Tivemos a sorte de dar ao mundo um dos maiores poetas do século passado e exportamos, hoje em dia, dois excelentes prosadores. Temos, ao fim e ao cabo, o que seria de esperar de um país com a população de Londres, mas povoado por malta incrivelmente ignorante e grunha.

Enquanto os nossos filhos continuarem a achar que quem anda com livros debaixo do braço é nerd e que quem não gosta dos Linkin Park só pode ser surdo; enquanto a educação artística no secundário inexistir, de nada valerá atirarmos milhões suplementares às nossas frustes indústrias culturais; além de apaziguarmos os bonzos do costume, só por acaso conseguiremos produzir e exportar mais um Fernando Pessoa ou um Domingos Bontempo.



Luis Rainha

Às 19 horas, na cave da Pó dos Livros, o companheiro Zé Mário Silva lança  o seu último livro de Poesia, intitulado Luz Indecisa. Jorge Silva Melo conversará com o autor e Miguel-Manso lerá alguns poemas.

Rua Marquês de Tomar, 89
1050-154 Lisboa

Até à hora da escrita deste post foi possível apurar se haverá acepipes.




Vasco M. Barreto

28 ABRIL 2009 - 21.54h

Devia estar bom, o vinho da eucaristia

Categoria - Política

O bispo das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, resolveu condimentar a homilia de uma missa pascal com algumas baboseiras sobre o nosso sistema de Justiça. Transportar vulgares desabafos de café para uma igreja parece coisa de quem nunca leu uma certa passagem de um livro famoso, onde se fala de dar a César o que é de César e não sei mais o quê.



Luis Rainha

28 ABRIL 2009 - 15.42h

O reclamo imbecil do ano

Categoria - Sociedade



Esta espécie de Cinema Paradiso em versão erotico-ecológica tem tudo para ser um dos sucessos do ano: bicharada, uma gaja boa armada em improvável menina do campo e paisagens à maneira. Mas o melhor é mesmo quando chega o barquinho a remos, carregando o projector de cinema. Aquilo estará ligado onde? Se a EDP produz electricidade, não deveria dar alguma atenção a estes pormenores? Parece que não. Importante mesmo é encontrar um lindo trocadilho (a EDP projecta os seus valores = sessão de projecção campestre), expô-lo da forma mais literal e atirar-lhe uns largos milhares de euros, a ver se resulta em obra decente. Não resultou.



Luis Rainha

28 ABRIL 2009 - 15.15h

A tirania do "empresarialmente correcto"?

Categoria - Economia

Antes que alguém comece mesmo a acreditar que a culpa desta choldra é dos gananciosos dos trabalhadores e que talvez seja boa ideia congelar ou reduzir salários, convém ler o que o João Rodrigues escreve sobre tais temas e ainda sobre a evolução recente das desigualdades socias.
 



Luis Rainha

28 ABRIL 2009 - 12.59h

Cada ideologia tem a musa que merece

Categoria - Política




João Vacas acha que ouvir José Mário Branco é uma «tortura». Mesmo sem perguntar quem é que o obriga a tal sofrimento, fica aqui uma sugestão musical mais ideologicamente alinhada com o PP.



Vasco M. Barreto

Manuela Ferreira Leite atrapalhou-se na TV e admitiu, com a falta de clareza que lhe é própria, a hipótese de um novo Bloco Central. Minutos depois, alguém no PSD detectou o disparate e tentou remendar a coisa, com uma emenda ainda pior que o desatinado soneto.
Está visto que, afinal, isso da “Política de Verdade” é estratégia inconveniente e suicida.
O que vale é que ninguém deve ter visto a tal entrevista; se até “Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes e Nuno Morais Sarmento” já nos tentaram convencer de que não deram por nada, imagino a atenção que o povo votante terá dispensado a tão fascinante momento televisivo. O dano causado é capaz de não ter sido de monta.



Luis Rainha

Não sei o que há neste atoleiro fétido que cresceu em torno do Freeport. Certo é que os vapores que dali emanam andam a disseminar uma espécie de gripe suína do juízo. Depois de Sócrates e do MP, as vítimas de colapsos totais do bom-senso e do bom gosto sucedem-se na imprensa: Fernanda Câncio com os seus j'accuses desorientados e sonsos; Manuela Moura Guedes embrenhada numa histriónica caça ao homem que num destes dias ainda consegue mesmo transformar o quase-engenheiro numa vítima; Miguel Sousa Tavares ao seu nível habitual. Depois, atraídos pelo cheiro da carniça, chegam os predadores menores: desde o ilegível Eduardo Cintra Torres, canhestro e de pontaria desfocada como sempre, a Mário Crespo.
Se calhar, muito do vitríolo com que alguns jornais são hoje impressos tem raiz em questões pessoais ou rivalidades antigas. Só um estado emocional perturbado explica algumas coisas que hoje em dia se lêem; ataques desvairados que tendem a cobrir os visados de razão. Este, de Crespo, é por certo um deles: escrever que a saída de Fernanda Câncio de um programa da TVI «equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública» é simplesmente alucinado, contraproducente e tonto.






Luis Rainha

27 ABRIL 2009 - 16.49h

Os cravos e os palermas

Categoria - Política

Um dos nossos gémeos maus, o João Vacas, vem propor-nos uma história alternativa para o 25 de Abril. Falando-nos de uma revolução multicolorida e abrangente qb para albergar até malta como o dilecto Amaro da Costa e, quem sabe, o Ribeiro e Castro (era novinho mas precoce). O transporte poético leva-o a declamar algo como «nostalgias de um país imaginado em rubro monocromatismo apenas ensaiado num período tão curto quanto trágico de delírio colectivo.» A parte do delírio parece-me justa, o resto nem percebi.
Diz-nos ainda o João que o «programa do MFA era relativamente consensual e não contemplava o que de mais grave e criminoso veio a resultar não do golpe militar mas da traição do seu ideário e da apropriação momentânea do movimento pela sua ala mais radical.»
Isto, para começar, esquece que foi Spínola quem expurgou o manifesto original do MFA das suas passagens mais ideológicas., E que o mesmo continuou a ostentar ditames como «a) Uma nova política económica, posta ao serviço do Povo Português, em particular das camadas da população até agora mais desfavorecidas, tendo como preocupação imediata a luta contra a inflação e a alta excessiva do custo de vida, o que necessariamente implicará uma estratégia antimonopolista;
b ) Uma nova política social que, em todos os domínios, terá essencialmente como objectivo a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e o aumento progressivo, mas acelerado, da qualidade da vida de todos os Portugueses.»
A fechar, o JV explica que «no dia 25 de Abril de 1974 deram-se cravos de várias cores em Lisboa». O que me parece estranho: estive lá e só me recordo dos vermelhos. Os azuis e a amarelos ficaram reservados para reminiscências febris e imaginações tardias.
 



Luis Rainha

27 ABRIL 2009 - 15.25h

Canonizemos a Padeira de Aljubarrota

Categoria - Política

padeira

Já circula pela net uma Petição que tem em vista a beatificação e posterior canonização da Padeira de Aljubarrota; essa grande Mulher que nem precisou de armas para fazer a vontade do Senhor, chacinando os nossos inimigos. Ao que parece, os milagres estão a multiplicar-se. Que floresçam também as adesões a esta meritória e nobre missão.
Fiquem aqui com alguns excertos da bendita Petição: «os Promotores declaram-se inspirados pelas amplas provas de valentia, amor ao trabalho e caridade desta admirável figura da nossa História. Uma mulher humilde, pouco agraciada pela beleza e logo distinguida à nascença pelos seis dedos que ostentava em cada mão; outros tantos dons do Senhor para mortificar o pecaminoso invasor castelhano e melhor amassar o pão com que alimentava os vizinhos, quer fossem nobres ou desvalidos sem eira nem beira. Porque não elevar este rutilante paradigma da Mulher Portuguesa à santidade oficial? Ao fim e ao cabo, ela foi responsável por muito menos mortes do que o agora Santo Condestável; mesmo a sua arma preferida, a pá, é coisa mais humana e produtiva do que a bruta espada (relembremos o episódio em que Cristo ordena a Pedro que embainhe a sua). Por outro lado, ela teve origens humildes, mas que sempre nos parecem mais adequadas do que ser filho de um prior e neto de um arcebispo, como o mais recente santo luso.
(...)
Os mais corroídos pelo vírus do cepticismo por certo apresentarão o estafado argumento da provável inexistência, no sentido biologicamente convencional, da Gloriosa Padeira. Não conseguimos ver onde jaz o óbice: Juan Diego, o santo índio mexicano, também é bem capaz de nunca ter vivido, o que não o impediu de ser canonizado por João Paulo II. A santidade é mesmo um estado de espírito, não um rasteiro assunto de carne e ossos.
(...)

Os Promotores estão na posse de alguns dados que sugerem que eventos espantosos, desafiando as leis do mundo natural, já ocorreram, mediante a intervenção da Nossa Padeira: uma verruga desaparecida da noite para o dia a uma aldeã de Cervilhares; uma vaca leiteira que inopinadamente começou a produzir iogurte com pedaços de uma fruta ainda não identificada; o aparecimento na traseira de um autocarro da Carris de uma mancha de ferrugem reproduzindo de forma incontroversa a efígie daquela que na alma do bom Povo já é Santa.»

Apesar de não parecer, este texto é da autoria do Luis Rainha, não do...



José Mário Silva

«José Sócrates não quis responder a rumores que o ligam ao presente surto de gripe suína


Luis Rainha



José Mário Silva

26 ABRIL 2009 - 17.06h

O povo unido está quase vencido?

Categoria - Política


quadrado

De ano para ano, vai minguando a alegria, a energia, a festa. Logo à cabeça do desfile, lá seguia um sintoma flagrante de acédia: o tradicionalmente majestoso Quadrado, a Navigator Class da coisa, antes mais cobiçado que um camarote à borla no S. Carlos, tinha o ar que se vê. Aquilo ostentava o viço de um Centro de Dia ambulante, com o cordão de pano a parecer mais uma baia para que os velhotes não se perdessem do que uma barreira para penetras em busca de distinção revolucionária.
Pior do que isto só mesmo as Organizações com literalmente meia dúzia de gatos pingados a segurar no seu panito feioso. Bem, pode ser que para o ano corra melhor; comigo em casa, por exemplo.

Luis Rainha



José Mário Silva

26 ABRIL 2009 - 00.25h

A política escavacada

Categoria - Política

Há quem detecte no nosso Presidente uma ideologia conservadora. Creio que é bem pior do que isso. A ignorância humanística de Cavaco Silva é tão radical e auto-suficiente que tende a transformá-lo num ente apolítico. Ele vê a política como um subproduto infeliz, uma poluição fadada a obscurecer e macular o verdadeiro centro da existência humana: o Trabalho. Assim, não consegue compreender que assuntos como o «emprego, a segurança, a justiça, a saúde, a educação, a protecção social e o combate à corrupção» sejam vistos de formas diversas por cidadãos e organizações com pontos de vista políticos antagónicos.
E lá desata ele a incitar «consensos» que não existem porque não podem nem devem existir. O PR não percebe que um sistema democrático funciona bem quando apresenta diferentes soluções para cada problema de um país, cabendo ao voto popular escolher uma.
Este não é um inocente e consensual apelo à concórdia: é sim um convite à ultrapassagem e à obsolescência da própria democracia. Aquilo a que Cavaco chama «querelas político-partidárias» é o ruído do normal funcionamento da vida política moderna; se calhar é um barulho que incomoda o sono ao inquilino do palácio de Belém. Mas não é por isso que o vamos desligar.


Luis Rainha



José Mário Silva

26 ABRIL 2009 - 00.22h

Por fim, Sócrates traz-nos algo de bom

Categoria - Política

«Não queremos pertencer a um país governado por um corrupto que deveria estar preso». Estas são as palavras com que a FLAMA acompanhou o hastear de enormes bandeiras suas no Funchal.
Vão. Levem o ogre convosco. Juntem-se a Marrocos, à Coreia do Norte ou a coisa nenhuma. Vão chatear o Neptuno e, já agora, comecem a pedir-lhe dinheiro a ele.


Luis Rainha



José Mário Silva

...mas em vez disso ficou bastante feliz por entrar na AR ao lado de Sócrates, como o dono da cerimónia a iniciar um jovem e promissor pupilo nas glórias da revolução. Quem disse que ser um saco cheio de vento é fácil?

Luis Rainha



José Mário Silva



Segundo o Correio da Manhã, o homem que venceu nos mercados afinal vendia produtos financeiros completamente inexistentes; ou, nas palavras do presidente da CMVM, criou «transacções fictícias para alimentar veículos fictícios». João Rendeiro ameaçou processar quem o comparasse à Dona Branca. Claro que o Bernard Madoff sempre dá um termo de comparação muito mais fino.


Luis Rainha



José Mário Silva

25 ABRIL 2009 - 11.41h

Alergias de Primavera

Categoria - Política



Estes dois senhores estão com um ar um pouco maçado. Serão alérgicos àquelas flores que lhes puseram à frente?


Luis Rainha



José Mário Silva

25 ABRIL 2009 - 00.34h

Recapitulação/antevisão do meu 25 de Abril

Categoria - Política



Mais uma vez, comecei o dia jurando que não ia à manifestação. E mais uma vez acabei o dia garantindo a mim mesmo que para o ano não ponho lá os pés.
Então, foi assim: antecedendo a cabeça da manif, como se impõe, galopavam os "seguranças". A mim, tocou-me dar de caras com um troglodita de bigode estilo piaçaba e cartão ao peito, que berrava “vamos: tudo para o passeio, já!”, enquanto ia desenhando urgentes movimentos de braço com que empurrava os mais lentos.
Atrás dos debilóides gesticulantes da organização, vinha o inefável e crucial “Quadrado”. Para quem nunca viu um dos programas do David Attenborough sobre movimentações de massas organizadas pelo PCP, eu explico: é um polígono móvel, delimitado por um pano, onde apenas entram as Personalidades Importantes. Dentro de cada organização que participa em marchas assim, há lutas intestinas de morte para decidir na véspera quem são os eleitos que terão lugar nesta espécie de “Sala VIP” da manif.
À frente do majestoso Quadrado seguia a Comissão Política do PC em peso, temperada por alguns militares, figuras do PS e celebridades sortidas, sorrindo para o mundo como estrelas de Hollywood em digressão pela parvónia.
Avenida abaixo, lá se estendeu a procissão do costume. Macambúzios jotinhas, sindicatos mal dispostos, altifalantes barulhentos às resmas, coloridas organizações gay, divertidos okupas do ATTAC e tribos similares, festivos imigrantes. Enfim: tudo normal. Só que tudo em menor escala e mais triste que no ano passado.
Por fim, desaguou o desfile no Rossio. Era chegada a parte política da função. Começou o falatório com uma senhora que berrou em nome da “Comissão Organizadora do 25 de Abril”, talvez os responsáveis por o calendário não ter passado directamente do dia 24 para o 26. Estava dado o tiro de partida para a maratona de discursos. A abrir, uma criatura que gastou à vontade meia hora a debitar lugares-comuns sobre os males do mundo: a globalização, o governo, o desrespeito pelos “direitos dos trabalhadores”, etc. Enfim: um deprimente bestiário das piores figuras de estilo do agit prop em versão grunha.
Nesta altura, já só os fiéis prestavam atenção aos urradores. O povo deambulava em busca de ginjinhas, Big Macs e lugarzitos sentados. Eu, por sorte e denodo revolucionário, acabei por alcançar estas três magnas conquistas de Abril. Mas, mesmo assim, para o ano não me apanham noutra. Garanto-vos. A sério.

PS: Escrevi mais ou menos isto no dia 25/4/05. Palpita-me que não vou ter de alterar grande coisa mais logo.

Luis Rainha



José Mário Silva

24 ABRIL 2009 - 16.59h

Pobre PS

Categoria - Política


Não basta ao maior partido português ter sido tomado de assalto pela tropa que se sabe, capitaneada pelo quase-engenheiro. Não; mesmo as suas figuras “alternativas” fazem o possível por dar tristes espectáculos a um ritmo quotidiano.
Manuel Alegre, esse tremendo monumento a si mesmo, sempre em busca de uma peanha à altura da sua grandeza imaginada, gostava de fundar mesmo um partido só para «dar uma lição» aos demais. E ainda espera um pedido de desculpas «em público» de José Sócrates e restante direcção por José Lello ter declarado o óbvio: é precisa muita lata para se manter nas listas do partido depois de admitir que só não arranja uma lista concorrente porque a lei não permite.
A tonitruante Ana Gomes «rechaça» e «rejeita» as acusações de ser candidata a um lugar no PE quando uma vitória autárquica a traria em breve de volta. Indigna-se a senhora mas não apresenta qualquer argumento que faça esquecer a realidade: ela é mesmo candidata a dois cargos e só poderá ocupar um. Em vez de argumentos, embrulha-se numa feia caça às acumulações de cargos de Guilherme Silva e do grupo parlamentar do PSD: «encontrei quase 1/3 dos seus deputados a acumular funções parlamentares com autárquicas, fora as actividades privadas na advocacia, consultadorias, gestão de empresas, docëncia etc.» Não se percebe nem a relevância nem a excepcionalidade destes dados: o PS não apresenta por certo panorama bem diferente.
Se a alternativa socalista a Sócrates se resume a figuritas destas, estamos mesmo bem tramados.


Luis Rainha



José Mário Silva

24 ABRIL 2009 - 16.01h

Penso, logo gostava mesmo de existir

Categoria - Política



A tradição da intervenção cívica não morreu em Portugal. Ainda é possível a cidadãos anónimos erguerem-se em improvisados púlpitos, chamando a atenção para os erros, para as infâmias, para os desvarios da classe política reinante. Pelo menos na teoria. Na prática, o resultado é uma entidade chamada Clube dos Pensadores.
O seu principal cometimento é uma série de debates em que figuras políticas variadas trocam ideias com o fundador da organização e "convidado permanente" dos debates: o já quase famoso JJ. Um programa de rádio conexo também apresentou debates mas logo evoluiu para solilóquios, por certo fascinantes, da mesma personagem. A outra actividade perceptível daquela malta é a auto-promoção: cada sílaba escrita sobre eles é logo recortada e emoldurada.
Mas não nos detenhamos em pormenores. Corram a visitar o site, que eles merecem. Pelas inventivas entorses a que sujeitam o Português; pela absoluta inanidade dos conteúdos; pela infindável arrogância de quem se acha encarregue de uma missão cívica quase divina.
Fiquem com alguns morceaux choisis da prosa do pensador-chefe: «Portugal , o país do livra-te em quando puderes (sic) e em que tudo é possível e impossível»; «Foi pena ter saído , fiquei com a ideia , metaforicamente falando que , " é uma carro muito bom mas parou por falta de gasolina"»; «Pedro Santana Lopes é um político que me lembra um electrocardiograma , tem altos ( sístole)e baixos ( diástole) mas está aí para as curvas . Ao contrário de outros politicos , em que o seu electrocardiograma mais parece de um morto , apresentando uma linha contínua e horizontal »; «O trabalho que tentou fazer LFM com esforço , eficácia e abnegação foi destruído pelo espírito delituoso. O PSD vive com o anátema que anda sempre aos tombos.»
Note-se que este LFM é mesmo Luís Filipe Menezes; aliás, no seu afã de procurar políticos capazes de renovar a Política, JJ fez algumas descobertas fascinantes: Santana Lopes e Narciso Miranda são apenas duas delas.
Quem ali apareça com outra ideia que não cantar loas ao chefe é logo recebido à pedrada, por acólitos um pouco mais letrados (nós, os alienados por JJ): «Não sei porquê a perseguição e o medo do trabalho que JJ desenvolve com abnegação e sentido cívico. Faz-me lembrar a peça de teatro “Quem tem medo de Virginia Woolf”, que também foi rodado como filme. No início do século XX, essa escritora fantástica deslumbrou o mundo e varreu com o cânone vitoriano estabelecido.» A alusão literária é de bonito efeito. Mas parece olvidar o facto de que esta peça nada tem a ver nem com Virginia Woolf nem com perseguições seja lá a quem for...
Agora, corram e admirem o "trabalho" de JJ. Verifiquem como a iliteracia e a mitomania podem afinal ser sinónimos de "sentido cívico".


Luis Rainha



José Mário Silva

24 ABRIL 2009 - 12.46h

A solução para o alargamento da escolaridade

Categoria - Política



Já se adivinhava. Um governante com a fibra moral e política do nosso quase-engenheiro não podia resistir. Com a aproximação das eleições, multiplicam-se os milagres. Ele é remédios à borla para os velhinhos, alargamento da escolaridade obrigatória, eu sei lá. Ainda por cima, este último feito vai ser alcançado sem necessidade de mais escolas ou professores. Diz a ministra. A Fenprof já aventou que a manobra vai envolver a odiada iniciativa privada.
Mas eu tenho ideia melhor: ressuscitar a Telescola. Sem gastar dinheiro, sem contratar mais malta revoltosa, eis a forma de  levar o ensino de qualidade a todos. Trata-se, aliás, de uma tendência actual: em vez de  justiça, já nos habituámos a ver procuradoras de maquilhagem berrante na TV; em vez de saídas para a crise, já aceitamos entrevistas de líderes acuados.


Luis Rainha
 



José Mário Silva



Não sei se os "jornalistas" desportivos também têm de ter carteira profissional como os outros. Mas sei que quem se amofina com os dislates da Manuela Moura Guedes ou da Fernanda Câncio deveria pôr a vista nisto. Os chefes do Benfica não "desmentem" nem "declaram"; não, eles estão "unidos" e aquele papel impresso intitulado A Bola trata de levar a auspiciosa nova às massas.
O DN poderia aprender muito com esta malta, apesar de tudo. Reproduzir escritos da primeira-dama-na-clandestinidade em que ela atribui a Cavaco palavras que ele nunca proferiu... isso é brincadeira de crianças. Impõem-se títulos como "Sócrates demonstra inocência em entrevista triunfante".
Agora a sério: não há por aí Entidade ou Autoridade que obrigue estes folhetos de clube disfarçados de jornais a fingir um mínimo de decência?

Luis Rainha



José Mário Silva

23 ABRIL 2009 - 18.58h

No Dia do Livro, Ballard

Categoria - Outras

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– Observe um bando de chimpanzés. Eles estão aborrecidos de tanto mastigar ramos e de catar pulgas dos sovacos uns dos outros. Eles querem carne, quanto mais sanguinolenta melhor; eles querem saborear o medo dos seus inimigos na carne que trituram. Então, eles começam a bater nos próprios peitos e a gritar ao céu. Excitam-se até ao frenesi e saem numa expedição de caça. Encontram uma tribo de macacos colobus e literalmente despedaçam-nos membro a membro. Muito desagradável, mas a loucura voluntária trouxe-lhes um saboroso jantar. Adormecem até lhes passar e voltam a mastigar ramos e a catar pulgas.
(...)
– Os alemães estavam desesperados para fugir da sua prisão. A derrota, a inflação, reparações de guerra grotescas, a ameaça dos bárbaros que avançavam do leste. Enlouquecer iria libertá-los e eles escolheram Hitler para dirigir a expedição de caça. Por isso permaneceram juntos até ao fim. Eles precisavam de um deus psicopata para adorar, logo recrutaram um zé-ninguém e colocaram-no no altar mais elevado. As grandes religiões andam nisto há milénios.
– Estados de loucura voluntária? A Cristandade? O Islão?
– Vastos sistemas de ilusões psicopatas que assassinaram milhões, lançaram cruzadas e fundaram impérios. Uma grande religião anuncia perigo. Hoje, as pessoas estão desesperadas para acreditar, mas apenas conseguem alcançar Deus através da psicopatologia. Veja as áreas mais religiosas do mundo de hoje – o Médio Oriente e os Estados Unidos. São sociedades doentes e vão ficar ainda mais doentes. As pessoas nunca são mais perigosas do que quando nada têm para acreditar excepto Deus.

E agora que morreu Ballard, onde iremos encontrar personagens que digam coisas destas?


Luis Rainha



José Mário Silva

23 ABRIL 2009 - 15.56h

A capinha do murcôn

Categoria - Política

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Alguma da direita pensante que por cá temos apresenta uma estranha tolerância aos dislates do Henrique Raposo. Vai daí, anda muito boa gente já a propagandear o lançamento do seu livro “A Caipirinha de Aron”. Este título tem uma cabotina explicação aqui: “Escrevo sentado numa mesa daquele barraco inqualificável onde, certo dia, Raymond Aron teve a coragem de beber uma caipirinha com Nelson Rodrigues.” A coisa promete.
Não se esqueçam: o Henrique Raposo da ignorância arrogante do passado, da boataria prontamente aceite e divulgada como facto, das imagens pindéricas, das ideias marteladas até ficarem com a consistência da plasticina, da ignorância elevada a ponto de vista, da falta de respeito por quem morre em combate por nós, da absoluta carência de sentido de humor, da “Ciência” patrocinada pelas petrolíferas, das “descobertas” que já meio mundo fez há décadas, da cegueira a todas as ideias que vivam fora da sua moleirinha... esta personagem, multifacetada na sua densidade extrema, estará em breve nos escaparates das nossas livrarias. Preparem-se para comprar a prenda perfeita para aquele tio que tanto abominam mas a quem têm mesmo de dar qualquer coisinha.


Luis Rainha



José Mário Silva

Carlos Tavares, da CMVM, parece ter topado no BPP maroscas «semelhantes ao caso Madoff».
A culpa é bem capaz de ser partilhada entre os auditores internos e a administração do BPP. Incrédulo com esta revelação, o bom supervisor do mercado garantiu que «se tudo funcionasse como devia, estes casos não teriam acontecido». Claro. Se não houvesse malta desonesta, se a cupidez não fosse endémica, se a Humanidade funcionasse “como devia”, tudo seria mais lindo neste mundo.


Luis Rainha



José Mário Silva

Depois de um líder espiritual que tratou de minimizar a importância do preservativo no combate à Sida, só faltava mesmo isto à África do Sul: um líder político que menoriza o risco de contrair a doença em relações sexuais desprotegidas. E que atribui a um duche virtudes profiláticas infalíveis.

Luis Rainha



José Mário Silva

23 ABRIL 2009 - 11.18h

A mente torturada de Nuno Gouveia

Categoria - Política

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Para o imperdível Nuno Gouveia, há algo de muito errado com a prática da tortura por uma democracia: falar-se disso. Num post intitulado «A irresponsabilidade da Administração Obama» ele queixa-se de um «problema causado por Obama»: «utilizar os serviços de inteligência para fins políticos.» É que, como todos sabemos, «a tortura não deve ser método de uma democracia tratar os seus criminosos, e os Estados Unidos não a devem utilizar como ferramenta usual. Mas os serviços secretos (e só estes) devem ter alguma liberdade de acção para enfrentar lunáticos como Abu Zubaydah ou Khalid Sheikh Mohammed.» Ficamos sem perceber porque é que a polícia não pode usar a tortura para salvar vidas de inocentes. Ou como é que os “criminosos” domésticos, mesmo os serial killers, estão a salvo de práticas que afectam gente presa sabe-se lá onde, como e porquê. Mas descobrimos logo que uma administração responsável deveria «manter essa informação secreta, e não divulgá-la, como se tratasse de um aspecto recorrente da vida pública.» Mais cómico ainda é viajarmos até Outubro do ano passado, quando o mesmo Nuno Gouveia, então entusiasmado com um candidato que denunciou inequivocamente o waterboarding como sendo tortura, recomendava a esse mesmo John McCain que falasse «mais vezes contra» a administração Bush, usando mormente a questão da… tortura. Então, a história da irresponsabilidade já não tinha assim tão grande interesse. E aquela mente perturbada vogava a milhas de reflexões piedosas como esta: «um dos problemas dos serviços secretos americanos é serem periodicamente utilizados como “joguetes” de arremesso político». 


Luis Rainha



José Mário Silva

22 ABRIL 2009 - 14.54h

A generala no seu labirinto

Categoria - Política

Quando Manuela Moura Guedes abre um noticiário clamando algo como «para quem se atreveu a duvidar da autenticidade do DVD...», já estamos a navegar numa realidade alternativa. Questionar a senhora é um atrevimento. Não fazer ao quase-engenheiro as perguntas que ela faria é prova de sabujismo. Mas se este ataque a colegas é lícito, já o mesmo não se aplica a Sócrates. Este não se pode queixar da evidente (mas que até se pode vir a provar justificada) perseguição sem levar com um processo em cima.
É engraçado como até o pequeno poder de se ver todas as sextas-feiras à frente de umas câmaras pode desequilibrar uma pessoa.


Luis Rainha



José Mário Silva

22 ABRIL 2009 - 13.06h

Isto sim é jornalismo

Categoria - Política


Nada a fazer. O caso Freeport descambou de vez numa ópera bufa em que jornalistas, políticos e homens de nogócios esconsos se entrecruzam em coreografias cada vez mais intrincadas. Agora, surge o DN a esclarecer tudo: os advogados da empresa acusada de corromper autoridades em Portugal vem garantir que nada se passou. Ah, pronto. Se os advogados do putativo corruptor dizem isso, já ficamos mais descansados. E vai aparecer cada vez mais malta a propalar a teoria do burlão sortudo: Smith terá sacado umas massas sem corromper ninguém, sendo apenas coincidência que o Freeport fosse aprovado como sabemos – por um governo de gestão, no meio de confusões mil e por gente que depois até veio a trabalhar para um dos envolvidos.


Luis Rainha



José Mário Silva

Autor:

  • Marta Rebelo

    Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

  • Tomás Vasques

    Advogado de profissão, mas dedica-se com frequência a outras artes. Gosta do conceito "esquerda liberal"

  • José Reis Santos

    Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

  • Nuno Ramos de Almeida

    Recorda com saudade a última frase de um dissidente soviético que se suicidou: "Não disparem camaradas!"

  • João Ribeiro

    Doutorando em Sociologia, jurista, socialista (moderno e não só) acredita que os consensos só servem os que dominam.Quer discutir os meios antes dos fins

  • Rui Estevão Alexandre

    Socialista, Republicano e Laico. Partilha de uma visão humanista do mundo. Através da Política contribui para o processo de construção da Polis

  • Catarina Caetano

    Gosto de trabalhar, das tábuas, do palco, de questionar, de reflectir. Sou actriz, e quero sempre mais

  • Bruno Sena Martins

    Antropólogo dado a radicalismos de esquerda procura sociedade séria para compromisso aberto

  • Miguel Cardina

    Historiador nos tempos úteis, musico nas horas vagas e esquerdista o tempo todo

  • Tiago Mota Saraiva

    Comunista e benfiquista. Arquitecto por vontade própria, professor desempregado e empresário por obrigação

  • Vítor Dias

    Comunista com muita honra, uma amargura combatente, a idade pesando e o cabelo embranquecendo

  • Ana Gomes

    Socialista, eurodeputada, blogger preocupada

  • Paulo Guinote

    Professor porque sim, aprendiz de historiador nos tempos livres, individualista e liberal demais para acreditarem que sou de esquerda

  • Mariana Mórtagua

    Economista (cada vez mais aterrorizada). De esquerda por absoluta convicção e estruturalmente feminista

  • Miguel Marujo

    Pai babado. Jornalista. De esquerda. Benfiquista. Católico. Leitor compulsivo. Blogger. Viajante. Cagaréu. A ordem não pode se esta

  • Miguel Vale de Almeida

    50 anos, antropólogo, professor universitário, activista LGBT e ex-deputado independente pelo PS à AR

    

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