30 ABRIL 2009 - 17.32h
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Política
A culpa da asneira no cartaz foi da gráfica. A culpa da pouca vergonha dos tempos de antena do PS é de uma tal "empresa". A culpa da crise que nos mói há anos é do estrangeiro. A culpa de termos um Primeiro-ministro que só tem tempo para acções de propaganda deve ser da "campanha negra". Em breve, a culpa é bem capaz de passar para Cavaco. Ou para a gripe suína. Deles é que nunca será.
Luis Rainha
30 ABRIL 2009 - 17.06h
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Política
Obama declarou que o waterboarding, a simulação de afogamento, é mesmo tortura. Mas o que seria, em alternativa? Ocupação de tempos livres? Se o próprio John McCain, autoridade no assunto, já tinha tido a coragem de o assumir, que interessa que haja quem ache que não se deve falar destas coisas? É que estas coisas eram, ao fim e ao cabo, muito do que nos separava do inimigo...
Luis Rainha
30 ABRIL 2009 - 14.28h
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Política
Para Alberto Gonçalves, a toponímia é a memória de um país, lá cabendo de forma confortável todos os "facínoras". Para este douto sociólogo, é igual uma “Avenida Marquês de Pombal” a uma imaginária “Alameda da PIDE”. O tempo, ao fim de um mês ou dois, tudo liquefaria numa lama indistinta onde se diluem os resquícios da memória. Que ainda ande por aí gente que foi torturada às ordens de Salazar, eis um pormenor de somenos.
Engraçado. Há uns anitos, surgiu um livro intitulado "Portugal, Hoje: o Medo de Existir". Nele, José Gil, autor que o AG até é capaz de apreciar, postula que a depressão colectiva em que nos via mergulhado radicava, em grande parte, no facto de nunca termos lidado de modo definitivo com o fantasma do salazarismo: não houve julgamentos, nem castigo, nem um enterro eficaz daquele passado vergonhoso. Seríamos o que Gil chamaria a pátria da «não-inscrição»,
Nem vou contrapor o caso de Espanha, país exilado de uma ditadura ainda mais feroz, com a bagagem de uma guerra civil carregada de atrocidades, mas onde os herdeiros do franquismo foram absorvidos e normalizados... sem julgamentos, vinganças ou convulsões de maior.
Não. Importa aqui explicar ao sociólogo AG que ainda é cedo para estrear com espavento obras dedicadas a um ditador recente que espezinhou as nossas liberdades durante décadas, logo no dia da revolução que o depôs. Ainda é cedo para fazermos aquele curioso resumo diacrónico que nos diz que o Marquês de Pombal foi um grande homem, apesar de tudo; que D. Carlos até é capaz de ter sido mais do que um peralvilho erudito desligado do seu reino. Ainda é cedo, sobretudo, para equiparar, como AG faz, Álvaro Cunhal, homem que sacrificou décadas da sua liberdade a um ideal, a Salazar – o responsável pela sua prisão e tortura.
Luis Rainha
30 ABRIL 2009 - 12.46h
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Política
Alberto Gonçalves é um dos comentadores direitistas que parece operar não em função das suas ideias mas sim da amargura que lhe causam as ideias do odiado adversário: a esquerdalha.
Nesta crónica vídeo (boa ideia de formato, aliás), ele vem desesperar-se por mais uma malvadeza nossa (pois somos um bando homogéneo e solidário): queixámo-nos da recente cerimónia de Santa Comba Dão.
É que AG vive num mundo em que se verifica uma «desproporcionada influência de uma esquerda criminosa derrotada há 34 anos, mas que ainda se acha no estranho direito de apontar o dedo ao que julga intolerável».
Antes do mais, não percebo como é que alguém pode ser privado do direito de apontar o dedo ao que não lhe parece bem; tal não é proibir, nem censurar, mas apenas exercer um banal (julgava eu) direito à opinião.
Depois, e mais relevante, ele finge não perceber porque é que a famigerada Praça Oliveira Salazar levantou esta celeuma. AG resume o caso a uma mera questão de toponímia, mesmo sabendo que em causa esteve apenas a parola provocação de encenar a festarola logo no 25 de Abril. Um mero gesto palonço, acompanhado por porco no espeto e tudo, que deveria ter sido ignorado e pronto.
AG é um verdadeiro cruzado, sem tempo para graças ou leviandades, sempre a caminho de mais uma refrega com a tal «esquerda criminosa». Daí o ácido travo de empenho fanático que ressuma das suas prosas. Lighten up, man!
Luis Rainha
30 ABRIL 2009 - 12.08h
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Política

Na simpática livraria Pó dos Livros, teve lugar o primeiro lançamento literário deste blogue. O nosso tão estimado quanto esquivo José Mário Silva presidiu ao nascimento da sua segunda recolha de poemas: Luz Indecisa. À direita, podemos ver o Filipe Moura, por certo a alma (e o corpo) que mais pedalou ontem atrás da Poesia em Lisboa.
Agora que se findaram as dores de parto e o Zé Mário acabou de lamber a cria, aguardamos em jubilosa esperança o seu retorno à bloga política...
Luis Rainha
30 ABRIL 2009 - 07.52h
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Política
Desloquei-me ontem pela primeira vez à Universidade Católica, para assistir a um duelo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo que opôs o Bem ao Mal, isto é, a Dra Isabel Moreira (lindo vestido e ajuizada escolha de óculos) ao Dr. Alexandre Sousa Machado (boa gravata, num cor-de-rosa cuja escolha não terá sido acidental). A moderação esteve a cargo da Professora Maria da Graça Trigo. No final os alunos fizeram muitas perguntas, quase todas pertinentes e bem formuladas, ainda que previsíveis. A destoar só se ouviu um jovem que usou os termos "mariquinagem" e "gayzice" enquanto desenvolvia a tese de que, segundo os "últimos estudos", a homossexualidade é uma doença. A plateia ficou imediatamente predisposta para a gargalhada, que explodiu segundos depois, quando este jovem revelou ser estudante de Agronomia. Parece que a Agronomia continua a ser o último reduto do macho lusitano, figura dada ao marialvismo e à tauromaquia, mas também com um notável espectro de interesses, que vai da pedologia aos últimos estudos sobre a homossexualidade, distinguindo-se por essa veia académica do macho lusitano de tasca e até do que cursa nos institutos técnico-profissionais. Já depois de concluída a sessão, quando falava para um pequeníssimo grupo de que eu fazia parte, a moderadora comentou a intervenção do futuro agrónomo dizendo que a gente de ciências é pouco sofisticada. Soou a aviso: ainda eu mal acabara de gozar a confirmação de um estereótipo e já a professora da Católica me fazia vítima de outro (sou de ciências). No fundo, houve aqui dedo do Criador. O Senhor pretendeu dizer-me que também eu devo ser capaz de rever alguns dos meus estereótipos e posições. Ora, é precisamente quando estou em xeque que me socorro da ciência. Por exemplo, sentara-me na sala convencido de que não iria mudar de opinião, mas à medida que o debate se desenvolvia vi-me forçado a rever uma convicção profunda, mas não outras. Em ciência chamamos a isto uma experiência controlada, pois prova-se que não mudar de posição em relação a uma posição específica não se deve a uma incapacidade intrínseca de rever uma qualquer posição. Por isso saí do debate ainda mais convencido de que os homossexuais devem poder casar-se. Digo-o com a garantia de quem aprendeu que, ao contrário do que sempre pensara, os jovens alunos da católica não têm ar de seminarista, nem vestem blazer ou fato.
Vasco M. Barreto
29 ABRIL 2009 - 17.42h
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Política
Pacheco Pereira, no seu afã de encontrar conspirações activas e passivas contra a sua brilhante líder, chegou a um cul-de-sac tragicómico.
Mal não esteve Manuela Ferreira Leite ao embrulhar-se e admitir um novo Bloco Central. Não; mal está quem chama a atenção para as confusas palavras da senhora. Se as declarações de MFL saem da ortodoxia do partido, claro que todos deveriam saber que só poderiam ser espúrias, confusões a aguardar explicações por quem de direito. Os jornalistas deveriam saber que se «justificava uma pergunta de esclarecimento suplementar», como se estivessem a lidar com uma criança inconstante, de bom fundo mas carente de capacidades verbais.
O pináculo do ridículo: «com ela há sempre uma fábrica de "casos", não há jornalismo» – diria eu que MFL, por falta de hábito com estas coisas da política a sério, é a própria "fábrica de casos". Não precisa de ajuda de ninguém.
Luis Rainha
29 ABRIL 2009 - 17.06h
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Política

A candidatura de Santana assumiu o uso das novas tecnologias, em desfavor do glamour de um possível lançamento na Kapital. Ainda não consegui ver a coisa, por insanável incompatibilidade com o meu computador. Mas aqui the medium is not the message. O que interessa mesmo em Santana é a substância da personagem política, não os adereços, o canal de distribuição ou a maquilhagem. E aquela é por certo a que acima ilustro: a criatura compelida pelos seus fantasmas obcecados a procurar holofotes, peanhas, pequenas porções de poder.
Porquê, nem ele sabe; não tem currículo, habilitações, obra, ou intelecto que o recomendem. Apenas uma insaciável fome de fama, de poleiro. Por mais pontapés que a vida e os votantes lhe derem, nada o fará desistir do seu precious.
Luis Rainha
29 ABRIL 2009 - 15.56h
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Política
Ignorantes. Incompetentes. Ansiosos por largar as culpas em cima do primeiro que apareça. Assim é o bando que nos governa.
O PS afixou um cartaz que incluía uma data errada. OK; ninguém reviu, ninguém sabia, ninguém olhou para aquilo. Solução? Culpar a gráfica; como se salpicos de tinta tivessem alterado a data de entrada de Portugal na CE, não a ignorância de quem escreveu e aprovou a coisa.
A liderança de Sócrates é como uma gripe suína da alma: contagia e diminui todos os que passam tempo de mais com ela. Sintomas: desconhecimento, arrogância, desresponsabilização.
Luis Rainha
29 ABRIL 2009 - 12.43h
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Política
Dei com um texto de há umas semanas de Pedro Abrunhosa, publicado na Notícias Magazine. O tema é a magreza esquálida do orçamento destinado pelo Governo à Cultura. E o autor do conhecido hit “Talvez Foder” deve ter entretanto tirado um curso acelerado de tecno-Português, pois trata de nos informar do o seguinte: «se há uma área de absoluta prioridade estratégica que é, pela essência, forte, determinante e geradora de riqueza para um crescimento homogéneo e auto-sustentável do país, essa área é a Cultura.» Impressionante.
Mas há solução à vista: «Portugal tem que saber exportar a sua maior e única exclusiva riqueza: a Alma», que hoje já não se resume ao Fado, claro. Abrunhosa aponta como tremendas exportações a descobrir «a modernidade com que definimos a excelência da nossa escola arquitectónica, do teatro, da pintura, da literatura, esse meio excelso com que temos cativado o mundo, do imenso, único e disperso espólio arqueológico, patrimonial e paisagístico, da indústria musical que, em contra-corrente, se manifesta como das mais activas e produtivas do velho continente (…)».
Isto faz-me lembrar tempos de antanho, em que o nosso sombrio isolamento nos fazia cair em delírios colectivos de grandeza; tudo o que era português era o melhor do mundo – dos queijos aos pilotos de avião. Naturalmente, tal alucinação não nos levou a parte alguma.
Não temos nem fabulosas «escolas» de arquitectura, nem pintores na moda, nem dramaturgos encenados lá fora, nem músicos geniais, nem o mirífico «espólio» irresistível para hordas de turistas sedentos da magia da Cultura Lusa. Tivemos a sorte de dar ao mundo um dos maiores poetas do século passado e exportamos, hoje em dia, dois excelentes prosadores. Temos, ao fim e ao cabo, o que seria de esperar de um país com a população de Londres, mas povoado por malta incrivelmente ignorante e grunha.
Enquanto os nossos filhos continuarem a achar que quem anda com livros debaixo do braço é nerd e que quem não gosta dos Linkin Park só pode ser surdo; enquanto a educação artística no secundário inexistir, de nada valerá atirarmos milhões suplementares às nossas frustes indústrias culturais; além de apaziguarmos os bonzos do costume, só por acaso conseguiremos produzir e exportar mais um Fernando Pessoa ou um Domingos Bontempo.
Luis Rainha
29 ABRIL 2009 - 09.13h
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Outras
Às 19 horas, na cave da Pó dos Livros, o companheiro Zé Mário Silva lança o seu último livro de Poesia, intitulado Luz Indecisa. Jorge Silva Melo conversará com o autor e Miguel-Manso lerá alguns poemas.
Rua Marquês de Tomar, 89
1050-154 Lisboa
Até à hora da escrita deste post foi possível apurar se haverá acepipes.
Vasco M. Barreto
28 ABRIL 2009 - 21.54h
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Política
O bispo das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, resolveu condimentar a homilia de uma missa pascal com algumas baboseiras sobre o nosso sistema de Justiça. Transportar vulgares desabafos de café para uma igreja parece coisa de quem nunca leu uma certa passagem de um livro famoso, onde se fala de dar a César o que é de César e não sei mais o quê.
Luis Rainha
Esta espécie de Cinema Paradiso em versão erotico-ecológica tem tudo para ser um dos sucessos do ano: bicharada, uma gaja boa armada em improvável menina do campo e paisagens à maneira. Mas o melhor é mesmo quando chega o barquinho a remos, carregando o projector de cinema. Aquilo estará ligado onde? Se a EDP produz electricidade, não deveria dar alguma atenção a estes pormenores? Parece que não. Importante mesmo é encontrar um lindo trocadilho (a EDP projecta os seus valores = sessão de projecção campestre), expô-lo da forma mais literal e atirar-lhe uns largos milhares de euros, a ver se resulta em obra decente. Não resultou.
Luis Rainha
28 ABRIL 2009 - 15.15h
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Economia
Antes que alguém comece mesmo a acreditar que a culpa desta choldra é dos gananciosos dos trabalhadores e que talvez seja boa ideia congelar ou reduzir salários, convém ler o que o João Rodrigues escreve sobre tais temas e ainda sobre a evolução recente das desigualdades socias.
Luis Rainha
28 ABRIL 2009 - 12.59h
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Política
João Vacas acha que ouvir José Mário Branco é uma «tortura». Mesmo sem perguntar quem é que o obriga a tal sofrimento, fica aqui uma sugestão musical mais ideologicamente alinhada com o PP.
Vasco M. Barreto
28 ABRIL 2009 - 12.01h
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Política
Manuela Ferreira Leite atrapalhou-se na TV e admitiu, com a falta de clareza que lhe é própria, a hipótese de um novo Bloco Central. Minutos depois, alguém no PSD detectou o disparate e tentou remendar a coisa, com uma emenda ainda pior que o desatinado soneto.
Está visto que, afinal, isso da “Política de Verdade” é estratégia inconveniente e suicida.
O que vale é que ninguém deve ter visto a tal entrevista; se até “Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes e Nuno Morais Sarmento” já nos tentaram convencer de que não deram por nada, imagino a atenção que o povo votante terá dispensado a tão fascinante momento televisivo. O dano causado é capaz de não ter sido de monta.
Luis Rainha
28 ABRIL 2009 - 10.30h
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Política
Não sei o que há neste atoleiro fétido que cresceu em torno do Freeport. Certo é que os vapores que dali emanam andam a disseminar uma espécie de gripe suína do juízo. Depois de Sócrates e do MP, as vítimas de colapsos totais do bom-senso e do bom gosto sucedem-se na imprensa: Fernanda Câncio com os seus j'accuses desorientados e sonsos; Manuela Moura Guedes embrenhada numa histriónica caça ao homem que num destes dias ainda consegue mesmo transformar o quase-engenheiro numa vítima; Miguel Sousa Tavares ao seu nível habitual. Depois, atraídos pelo cheiro da carniça, chegam os predadores menores: desde o ilegível Eduardo Cintra Torres, canhestro e de pontaria desfocada como sempre, a Mário Crespo.
Se calhar, muito do vitríolo com que alguns jornais são hoje impressos tem raiz em questões pessoais ou rivalidades antigas. Só um estado emocional perturbado explica algumas coisas que hoje em dia se lêem; ataques desvairados que tendem a cobrir os visados de razão. Este, de Crespo, é por certo um deles: escrever que a saída de Fernanda Câncio de um programa da TVI «equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública» é simplesmente alucinado, contraproducente e tonto.
Luis Rainha
27 ABRIL 2009 - 16.49h
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Política
Um dos nossos gémeos maus, o João Vacas, vem propor-nos uma história alternativa para o 25 de Abril. Falando-nos de uma revolução multicolorida e abrangente qb para albergar até malta como o dilecto Amaro da Costa e, quem sabe, o Ribeiro e Castro (era novinho mas precoce). O transporte poético leva-o a declamar algo como «nostalgias de um país imaginado em rubro monocromatismo apenas ensaiado num período tão curto quanto trágico de delírio colectivo.» A parte do delírio parece-me justa, o resto nem percebi.
Diz-nos ainda o João que o «programa do MFA era relativamente consensual e não contemplava o que de mais grave e criminoso veio a resultar não do golpe militar mas da traição do seu ideário e da apropriação momentânea do movimento pela sua ala mais radical.»
Isto, para começar, esquece que foi Spínola quem expurgou o manifesto original do MFA das suas passagens mais ideológicas., E que o mesmo continuou a ostentar ditames como «a) Uma nova política económica, posta ao serviço do Povo Português, em particular das camadas da população até agora mais desfavorecidas, tendo como preocupação imediata a luta contra a inflação e a alta excessiva do custo de vida, o que necessariamente implicará uma estratégia antimonopolista;
b ) Uma nova política social que, em todos os domínios, terá essencialmente como objectivo a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e o aumento progressivo, mas acelerado, da qualidade da vida de todos os Portugueses.»
A fechar, o JV explica que «no dia 25 de Abril de 1974 deram-se cravos de várias cores em Lisboa». O que me parece estranho: estive lá e só me recordo dos vermelhos. Os azuis e a amarelos ficaram reservados para reminiscências febris e imaginações tardias.
Luis Rainha
27 ABRIL 2009 - 15.25h
Categoria -
Política

Já circula pela net uma Petição que tem em vista a beatificação e posterior canonização da Padeira de Aljubarrota; essa grande Mulher que nem precisou de armas para fazer a vontade do Senhor, chacinando os nossos inimigos. Ao que parece, os milagres estão a multiplicar-se. Que floresçam também as adesões a esta meritória e nobre missão.
Fiquem aqui com alguns excertos da bendita Petição: «os Promotores declaram-se inspirados pelas amplas provas de valentia, amor ao trabalho e caridade desta admirável figura da nossa História. Uma mulher humilde, pouco agraciada pela beleza e logo distinguida à nascença pelos seis dedos que ostentava em cada mão; outros tantos dons do Senhor para mortificar o pecaminoso invasor castelhano e melhor amassar o pão com que alimentava os vizinhos, quer fossem nobres ou desvalidos sem eira nem beira. Porque não elevar este rutilante paradigma da Mulher Portuguesa à santidade oficial? Ao fim e ao cabo, ela foi responsável por muito menos mortes do que o agora Santo Condestável; mesmo a sua arma preferida, a pá, é coisa mais humana e produtiva do que a bruta espada (relembremos o episódio em que Cristo ordena a Pedro que embainhe a sua). Por outro lado, ela teve origens humildes, mas que sempre nos parecem mais adequadas do que ser filho de um prior e neto de um arcebispo, como o mais recente santo luso.
(...)
Os mais corroídos pelo vírus do cepticismo por certo apresentarão o estafado argumento da provável inexistência, no sentido biologicamente convencional, da Gloriosa Padeira. Não conseguimos ver onde jaz o óbice: Juan Diego, o santo índio mexicano, também é bem capaz de nunca ter vivido, o que não o impediu de ser canonizado por João Paulo II. A santidade é mesmo um estado de espírito, não um rasteiro assunto de carne e ossos.
(...)
Os Promotores estão na posse de alguns dados que sugerem que eventos espantosos, desafiando as leis do mundo natural, já ocorreram, mediante a intervenção da Nossa Padeira: uma verruga desaparecida da noite para o dia a uma aldeã de Cervilhares; uma vaca leiteira que inopinadamente começou a produzir iogurte com pedaços de uma fruta ainda não identificada; o aparecimento na traseira de um autocarro da Carris de uma mancha de ferrugem reproduzindo de forma incontroversa a efígie daquela que na alma do bom Povo já é Santa.»
Apesar de não parecer, este texto é da autoria do Luis Rainha, não do...
José Mário Silva
27 ABRIL 2009 - 15.03h
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Mundo
«José Sócrates não quis responder a rumores que o ligam ao presente surto de gripe suína.»
Luis Rainha
José Mário Silva
26 ABRIL 2009 - 17.06h
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Política
De ano para ano, vai minguando a alegria, a energia, a festa. Logo à cabeça do desfile, lá seguia um sintoma flagrante de acédia: o tradicionalmente majestoso Quadrado, a Navigator Class da coisa, antes mais cobiçado que um camarote à borla no S. Carlos, tinha o ar que se vê. Aquilo ostentava o viço de um Centro de Dia ambulante, com o cordão de pano a parecer mais uma baia para que os velhotes não se perdessem do que uma barreira para penetras em busca de distinção revolucionária.
Pior do que isto só mesmo as Organizações com literalmente meia dúzia de gatos pingados a segurar no seu panito feioso. Bem, pode ser que para o ano corra melhor; comigo em casa, por exemplo.
Luis Rainha
José Mário Silva