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29 SETEMBRO 2010 - 22.05h

Era desistir da corrida, não era Manuel?

Categoria - Política

Comove a sincera e abnegada forma como o candidato poeta, ou o poeta candidato, Manuel Alegre de Melo Duarte de seu nome, se esforça por demonstrar que as ideias, com ele, querem pouco, e as poucas deitam odor a naftalina. Cavaco Silva fala? Não devia: é estar em campanha ou imiscuir-se em matéria da governação. Cavaco Silva não fala? Devia: é sinal de amorfismo, de quem não quer chatices ou de quem é calculista e não quer assumir as responsabilidades por uma situação que criou (?). Ainda estamos para saber qual seria o comportamento que Manuel Alegre recomendaria a, ou apreciaria em, Cavaco Silva. Mas temos uma ideia.

 
PS: a placa gráfica do meu (passe a redundância) personal computer pifou há quatro dias, o que significa que, neste momento, recorro a um personal computer alheio para debitar estes caracteres (obrigado pai!). O que significa que não vou poder dar a conhecer ao mundo, com a velocidade que se impunha, as minhas doutas e espectaculares ideias sobre o país e o mundo. Espero que, entretanto, o país não acabe, porque o mundo, como diria o poeta candidato, não tem fim.



Carlos do Carmo Carapinha

29 SETEMBRO 2010 - 17.01h

Computador Magalhães e Divulgação Científica

Categoria - Outras

Este muito bom texto de Nuno Crato não faz referência nenhuma à introdução do computador Magalhães nas escolas portuguesas mas é óbvio que aquilo que se conclui do texto é aplicável a esse "caso de estudo" português Por exemplo:

"Uma das descobertas mais surpreendentes dos modernos estudos sociais quantitativos é a "não existência de uma relação sistemática nem de relações fortes entre os gastos da escola e o desempenho dos estudantes"";

"o essencial é a formação dos professores, os pais, a boa estruturação e a exigência dos programas, a qualidade dos manuais, o rigor da avaliação" e ainda

"os jovens não melhoram os seus conhecimentos pelo simples uso de computador pessoal. Os rapazes têm mesmo algum retrocesso escolar, um retrocesso modesto, mas estatisticamente significativo".

Uma das coisas que mais aprecio no trabalho de divulgação científica de Nuno Crato é que este, sempre que refere estudos científicos, inclui os respectivos links. É uma coisa tão simples e, no entanto, tão pouco praticada.

Irrita-me sempre muito quando leio artigos em jornais online que falam de conclusões de estudos científicos sem que seja incluído o link. E irrita-me ainda mais quando alguém, por exemplo na blogosfera, usa o argumento do "há estudos" sem que seja capaz sequer de referir o nome de um dos autores de um dos estudos.

Por outro lado, a quase totalidade dos jornalistas que se dedicam a escrever sobre estudos científicos não dispõem do conhecimento técnico mínimo para compreender as metodologias científicas utilizadas e, ainda menos, para apresentarem os resultados desses estudos de forma crítica.

Nuno Crato em poucas palavras consegue ser claro e explicar coisas como "função produção" e "primeiras diferenças". E, ao contrário de tantos jornalistas, não se deixa deslumbrar pela ciência. "Os resultados são provisórios [...] e sujeitos à crítica, como tudo em ciência".



Ricardo Vicente

29 SETEMBRO 2010 - 09.48h

Dúvida

Categoria - Política

Se o Governo, no auge do autismo e da loucura despesista, não tivesse descido a taxa de IVA e, como defendia a oposição à direita, tivesse cortado na despesa (suspendendo, desde logo, processos megalómanos como o TGV), será que estaríamos hoje a falar de um novo aumento de impostos? 



Rui Castro

24 SETEMBRO 2010 - 19.41h

Filtrar Bem Primeiros Ministros Maus

Categoria - Política

Quando o FMI ou outras instituições internacionais salvam um país da falência, uma das consequências indesejáveis é a manutenção no poder de governantes responsáveis por más políticas. Estes governantes permanecem no poder muito para além daquilo que merecem. E o apoio que recebem acaba por ser uma forma de os desresponsabilizar pelas más políticas que seguiram.

No contexto da União Europeia e no quadro da Constituição da República Portuguesa, as revoluções não são (obviamente) permitidas. Porém, tanto a União Europeia como a CRP falham enquanto mecanismos que deveriam filtrar para fora os políticos ostensivamente maus, como é o caso de José Sócrates.

Temos assim que existem várias instâncias que favorecem a permanência no poder de líderes políticos maus: a ajuda internacional, a União Europeia, a própria constituição.

Daí que seja necessário criar ou aprimorar um qualquer meio de filtragem da "má moeda".

O projecto de revisão constitucional de Paulo Teixeira Pinto inclui uma extensão do mandato do Presidente da República para seis anos.

O Presidente da República funciona muito mal enquanto possível co-adjuvante à filtragem de maus primeiros ministros mas isto não se deve à duração de cada mandato. O problema é que, como existe possibilidade de um segundo mandato, os presidentes são sempre muito passivos e cautelosos no primeiro.

Para acabar com esta passividade, a minha sugestão de alteração constitucional é a seguinte. O Presidente da República deve poder ser eleito uma só vez, isto é, a re-eleição não deve ser possível (e, pelos mesmos motivos, re-eleições intervaladas também não).

Cinco anos no poder parece pouco tendo em conta a popularidade dos PRs, a dignidade institucional do cargo e o número baixo de "senadores" disponíveis com qualidade suficiente. Então, o PR deve estar limitado a um só mandato mas de seis ou sete anos. Seis é pouco. Oito anos seria longo demais e haveria o risco de o mandato presidencial coincidir mais do que uma vez com as eleições legislativas. Sete anos é o valor ideal.

De notar que a minha proposta não corresponde nem a aumento nem a redução de poderes. O objectivo é garantir mais acção dentro do mesmo elenco de poderes.

A proposta de Paulo Teixeira Pinto de se manter os dois mandatos mas alargando a duração de cada um é má. Por exemplo, aplicando estas regras à situação portuguesa actual, o país ainda teria de aguentar mais um ano de inacção da parte do presidente face às políticas do governo.

Caro Rui: o presidente tem-se preocupado com a sua reeleição tal como qualquer outro teria feito, fosse ele de esquerda, de direita, mais ou menos à direita do que Cavaco, mais ou menos conservador do que ele. Todos os presidentes da república, tanto os passados, como o actual, como os potenciais querem manter-se no poder o maior período de tempo possível. Aliás, este é o objectivo de todos os políticos, incluindo os melhores. A reeleição é a prioridade absoluta de todo o indivíduo que se encontre em qualquer cargo político. Portanto, o problema não é do indivíduo que o ocupa mas sim do desenho institucional do mesmo.

É por isso que a minha "proposta de revisão constitucional" é adequada e necessária: visa alterar o comportamento previsível de quem ocupar o cargo, quem quer que seja, através da mudança dos parâmetros de selecção para o mesmo. Quando as regras de designação política não são boas, não vale a pena ficar à espera que apareça um político intrinsecamente bom ou melhor do que os que já lá estão. Políticos desses, indivíduos desses não existem. E aquele que já lá está (na presidência), por sinal, não é mesmo nada mau.



Ricardo Vicente

24 SETEMBRO 2010 - 17.43h

Com o meu voto não conta

Categoria - Política

Desta feita, não estou ao lado do Ricardo Vicente no apelo que faz à unidade em torno da candidatura de Cavaco Silva. Sem prejuízo de cá voltar com mais tempo, não me parece que o actual presidente da república constitua uma qualquer mais valia para aqueles que, como eu, são habitualmente apelidados de direita caceteira. E as razões não se prendem, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, com a ausência de veto ao casamento gay. No meu caso, resulta única e exclusivamente de uma profunda desilusão de alguém que votou no actual PR em 2006. Cavaco, nestes últimos 4 anos, preocupou-se com a sua reeleição, omitindo aquela que seria para mim a sua principal tarefa: fiscalização do governo. A cooperação institucional foi desculpa para tudo. Em final de mandado, só me ocorre perguntar o que é eu ganhei, nos últimos 4 anos, em ter um presidente da república de direita? 



Rui Castro

Ribeiro e Castro critica o pragmatismo de Cavaco e Silva mas depois, neste texto, diz-que não se candidata a presidente por motivos de natureza... pragmática!

Ribeiro e Castro é pragmático demais para se candidatar contra "um objecto político de elevada tonelagem" : "Um Presidente em exercício com possibilidade de ser reeleito é um objecto político de elevada tonelagem, poderosíssimo condicionador geral.".

Mas o pragmatismo de Ribeiro e Castro não se fica por ali: "E é também uma certa ideia de economia: Se já temos esse problema [do presidente] resolvido, porque havemos de nos meter em derivações e aventuras?".

Vejam bem este argumento: um tipo que não está satisfeito com Cavaco Silva decide não candidatar-se porque o problema já está resolvido. Mas se o problema já está resolvido, assim, tão pragmaticamente, para quê escrever dois textos longos cheios de queixumes e queixinhas contra o actual presidente?

Pois, eu também concordo que isto de se continuar a equacionar outro candidato presidencial de direita já são "derivações e aventuras" a mais...

Basta, então, de queixumes, ressentimentos e queixas serôdias!! A unidade em torno de Cavaco Silva é fundamental!



Ricardo Vicente

24 SETEMBRO 2010 - 02.01h

Idiota ou cretino?

Categoria - Política

Li, no Público, que a curta-metragem "Covered" não passou, anteontem, no Queer Lisboa, Festival de Cinema Gay e Lésbico, a pedido do seu realizador, o canadiano John Greyson. Motivo: o jovem Greyson apoia um grupo palestiniano de boicote a Israel, que contesta o apoio financeiro da Embaixada de Israel ao festival.

Vamos lá ver se entendi: um realizador de cinema, provavelmente homossexual mas certamente defensor dos direitos e liberdades dos homossexuais, está contra o apoio financeiro, a um festival de cinema Gay e Lésbico, da embaixada do único Estado que, no coração do médio-oriente, e num raio de milhares de quilómetros à sua volta, respeita os direitos dos homossexuais, alberga inúmeras organizações gays e acolhe os gays que fogem dos territórios palestinianos. É isto, não é?



Carlos do Carmo Carapinha

23 SETEMBRO 2010 - 13.20h

A Unidade em Torno de Cavaco Silva é Fundamental

Categoria - Política

A promulgação do casamento gay parece-me cada vez mais apenas uma desculpa para libertar as antipatias e ressentimentos que muitos elementos da direita portuguesa cultivam desde sempre contra Cavaco Silva.

Uma reeleição presidencial quase garantida é posta em causa porque ocorreu uma promulgação pouco menos do que inevitável de uma única lei?

Quantas vezes será necessário lembrar que a ideia de que Cavaco Silva é um ultra-direitista ultra-conservador não passa de terrorismo intelectual da esquerda? Cavaco Silva é economicamente de esquerda (tal como o PSD) e é "centro-conservador" no eixo progressismo-conservadorismo.

E, tal como resultou da sua campanha para a presidência da república, Cavaco Silva defende um respeito absoluto pela letra da constituição e tem uma visão moderada quanto à extensão dos seus poderes.

Tudo isto considerado, não deveria ter surpreendido ninguém que Cavaco Silva acabasse por promulgar o casamento homossexual.

Finalmente, aquando daquela promulgação, Cavaco Silva limitou-se a utilizar o mesmo argumento dos que estavam contra o casamento gay... O assunto não era prioritário, lembram-se? Então, foi isso que Cavaco Silva afirmou na sua declaração: também não era prioritário arrastar ainda mais o assunto, prevendo-se uma maioria qualificada que forçaria o Presidente à promulgação. Por isso, promulgou - logo.


Este texto de Ribeiro e Castro no i de hoje parece-me também seguir a mesma atitude que gerou tanta crítica à direita contra Cavaco Silva. Cavaco fez uma declaração acerca do casamento gay só para, no final, promulgá-lo. Ribeiro e Castro escreve um texto longo e que terá continuação só para, no final, dizer que não se candidata a presidente? Para quê? Para enfraquecer um pouco a candidatura de Cavaco mas de forma descomprometida, lavando desde já as mãos de possíveis responsabilidades em caso de um resultado menos favorável à direita nas presidenciais?


Oh direita! Haja juízo! A unidade em torno de Cavaco Silva é fundamental!



[Aliás, a unidade em torno de Cavaco Silva poderia ser o mote para uma aproximação entre PSD e CDS mas isto já é matéria para outro post...]



Ricardo Vicente

Como já escrevi aqui no Blogue de Direita várias vezes, o objectivo dos vários tê gê vês, da terceira ponte sobre o Tejo, do novo aeroporto a sessenta ou trinta quilómetros de Lisboa, da terceira auto-estrada Lisboa-Porto e de outras auto-estradas, ... - é sempre o mesmo: dar dinheiro a ganhar aos amigalhaços socialistas da construção civil.

Todos estes projectos inúteis, com rentabilidades negativas comprovadas por estudos económicos (que também custam milhões...) não são o resultado do desconhecimento dos princípios da ciência económica, nem da incompetência técnica na abordagem custo-benefício, nem da estupidez ideológica. Estes projectos derivam simplesmente da rent seeking activity dos socialistas, quer os que estão no governo, quer os que estão fora dele.

A partir do
Cachimbo de Magritte cheguei a esta notícia: "O Bloco de Esquerda quer a anulação do contrato do TGV para o troço Poceirão-Caia. Os partidos da oposição receberam espantados a revelação, feita pela TVI, de que o Estado vai pagar o dobro do anunciado pela obra" (o sublinhado é meu).

Tenho uma teoria e uma esperança para explicar esta notícia: o partido socialista continua a querer o magnífico (para eles) negócio do tê gê vê mas está finalmente a compreender que é financeiramente impossível. Ir para a frente com tal negócio pode dar um sinal definitivo aos mercados de que as finanças públicas se tornarão insolventes, o que levará a um ainda mais difícil encaixe da nova dívida pública que terá de ser emitida ainda ao longo deste ano.

Na óptica da extracção de riqueza pública para proveito dos socialistas, um país falido com tê gê vê é pior do que um país quase-falido mas sem tê gê vê. É que a falência faz perder eleições quase que automaticamente. Aliás, a falência derruba governos automaticamente. E quem perde o governo, perde também a principal fonte de rent seeking.

Os socialistas, porém e por teimosia, não querem perder a face na questão do tê gê vê. Querem deixá-lo cair mas ainda poder vir com o discurso ridículo de que "se o país não se moderniza porque não se faz o tê gê vê, a culpa não é nossa". Vai daí que deixaram escapar a informação dos verdadeiros custos do tê gê vê como quem não quer a coisa. E com a revelação destes números, esperam que a oposição anule o projecto.

Mas isto é só uma teoria: ainda é precisa muita esperança para acreditar no fim deste sorvedouro ruinoso que é o tê gê vê.



Ricardo Vicente

19 SETEMBRO 2010 - 18.38h

Domingo de Vícios

Categoria - Outras

Ah!... a atracção pelas experiências tóxico-psicadélicas - quem não as tem?

Mesmo nunca tendo sentido uma adesão natural aos químicos - ou terá sido, quem saberá, a falta de vontade deles de aderirem a mim - guardo de há muito uma relação intensa com os chás e os cafés. Quantas litradas de chá-preto não bebi eu nos tempos em que habitei Lisboa! E quantas não foram as bicas que me acompanharam!

O café serve para nos acompanhar. Tomamo-lo por momentos. Ele retribui-nos e segue-nos ao longo do dia. Toma-nos a nós. Há, é claro, uns ingratos que consideram a retribuição sempre insuficiente e insistem em tomá-lo outras vezes pelo dia, e até a noite, fora.

Fumar sabe mal mas acompanha também pela noite e pelo dia. São tantos os fumadores que explicam que o prazer de fumar está mais no gesto do que no gosto. É: fumar é um gosto com imensas vantagens. Como eu os compreendo! Só que o meu prazer é outro: o café.

Como quem gosta de chocolate, adoro saboreá-lo. Como quem estabelece rituais de mistura de drogas e droguinhas, gozo cada minutinho da sua preparação e prezo todos os próprios detalhes e segredos. E como quem fuma, agrada-me o gesto de tomá-lo.

Pelo quanto disto tudo, e tal como os fumadores, tive de descobrir meios light de realizar o meu prazer. Foi assim que cheguei ao descafeinado.

O descafeinado é a categoria menos compreendida do café. Há quem afirme logo que "descafeinado não é café"; ele há quem desenvolva teorias de conspiração acerca dele; e há sempre uma pessoa, sempre aquela com os hábitos de salubridade mais dubitáveis, que alerta, com alguma troça porém, para o seu grau cancerígeno. A verdade pura é que o descafeinado permite a repetição ritual sem ofender nem o mito do café, nem o mito de Morfeu.

Li há muitos anos Agustina Bessa-Luís no Independente dizendo que os portugueses não sabiam beber o café, ao contrário dos italianos. Agustina pretendia ser contrariante. O contrarianismo é uma arte arriscada: até os melhores falham amiúde. A escritora falhou ali: os portugueses sabem beber o café, os italianos não.

Em Portugal, as bicas são o princípio de conversa, leituras, trabalho, sesta, tempos perdidos ou ganhos a uma mesa de café. Eis o café enquanto propiciador da acção, do pensamento e do social! Na Itália, ainda que mais na parte etrusca do que na latina, o café é coisificado ao seu mínimo químico: bebem-no de pé porque acorda e porque faz digerir. Não se sentam, não conversam, não o sentem: os italianos não sabem beber café. Ou, do café, obtem só o tangível: os excitantes que lá estão.

Para ritual, este pouco é menos do que rezar sem ouvir as próprias palavras, que sempre são ouvidas por a Quem são dirigidas... O resto, o mais importante, o ritual faz parte de uma religião já esquecida ou nunca desenvolvida nesta península mediterrânica. Onde a religião, aqui, é praticada é à mesa do almoço e do jantar. À mesa do café: profanação e só.

O beber café em Itália só é rivalizado na ausência de espiritualidade pela prostituição na Holanda (segundo, é certo, a minha imaginação). É a subversão da teleologia pela técnica, o sobrepor dos fins comezinhos a qualquer coisa indefinível e sublime.

O café é possível e respeitado em Portugal. Na Itália, desde que em casa, também. Hoje é um Domingo de karaoke belíssimo e eu, em casa, leio, escrevo e vou bebendo os meus cafés e descafeinados observando os preceitos de bem beber café.



Ricardo Vicente

17 SETEMBRO 2010 - 17.32h

Ai Europa, Europa...

Categoria - Mundo

O International Herald Tribune e o Financial Times estão ali em cima lado a lado. Ambos escolheram o mesmo assunto para foto de primeira página: Nicolas Sarkozy e Traian Băsescu, o presidente da Roménia, falando cara-a-cara.

O International Herald Tribune, que pertence ao progressista New York Times, exibe um Sarkozy agressivo e de dedo espetado na cara de Băsescu, que surge de cabeça baixa e aparenta ter estatura física inferior à do primeiro.

Por sua vez, o Financial Times, jornal mais conservador, apresenta Băsescu ao ataque e Sarkozy numa atitude defensiva de menino amuado que já não quer brincar.

Mais do que um posicionamento nos eixos esquerda-direita e conservadorismo-progressismo, a opção daqueles jornais por estas diferentes perspectivas visuais de um mesmo acontecimento revelam os sentimentos relativos a esse "grande fenómeno" que é a França. Sem surpresa, o americano New York Times é muito mais favorável à França do que o inglês Financial Times.


Um colega meu desenhou um bigodinho à Hitler numa das fotos de Sarkozy. A ironia não intencional deste gesto é que, muito provavelmente, este bigodinho na cara do líder francês procede menos de uma simpatia para com os ciganos da Roménia do que de uma detestação por Sarkozy e, quem sabe, por toda a França.

Mais irónico ainda é que, com grande probabilidade, o meu colega que pintou o bigode nazi no rosto do Sarkozy é bem capaz de ser alemão...



Ricardo Vicente

17 SETEMBRO 2010 - 14.12h

Sarkozy, Europa, Ciganos, Nós (1)

Categoria - Mundo

Sejam verdadeiras expulsões, ou meros "convites" ao abandono do país através da coacção soft do dinheiro, ou seja outra coisa qualquer que se lhes queira chamar - esta persuasão do governo francês sobre as comunidades ciganas para que façam as malas, levantem os acampamentos e digam adieu a la France já vem sendo praticada há anos. Não é de 2010, vem de trás e tem sido levada a cabo de forma relativamente sistemática e discreta.

Outros países seguem há décadas as suas muito discretas políticas de convite ao exílio, por exemplo, de indivíduos considerados "socialmente indesejáveis". A Alemanha, por exemplo. E não, não me refiro nem ao Terceiro Reich nem à RDA, refiro-me à Alemanha mais recente e mais democrática. As expulsões não são nem de agora nem um exclusivo francês.

A novidade em 2010 é que estas campanhas francesas passaram a ser mediatizadas. A discrição anterior foi resultado da influência que os media franceses têm sobre os media de outros países, sendo que os media franceses são nacionalistas e defendem a todo o custo a imagem externa do seu "grande país". A AFP é francesa. E países há, como por exemplo Portugal, em que os media nacionais acedem aos acontecimentos estrangeiros sobretudo por via indirecta, lendo apenas aquilo que apetece aos les mondes revelar. Em anos anteriores, não interessou aos les mondes falar de políticas de imigração; agora, passou a interessar.

A mediatização actual resultou de uma deliberação de Sarkozy com fins puramente estratégicos e de política baixa. O presidente francês pretendia ganhos de popularidade e acreditou que os conseguia através da publicitação das expulsões de ciganos.

Isto não é mais que um dos grandes clichés da política: em época de crise económica, é fácil atirar as culpas genericamente para cima de uma minoria ora endinheirada ora frágil. É uma forma de canalizar tensões sociais para um elemento da sociedade que conta pouco (ou nada) em termos eleitorais. Isto é uma coisa que se pode registar ao longo dos séculos e desde uma Indonésia a uma Alemanha, ou seja, por todo o planeta.

Ora, no caso francês, o uso desta política-cliché está a revelar-se um tremendo erro: a popularidade de Sarkozy não só não descolou como que, também, os franceses, orgulhosos e altivos, temem que a imagem da França no exterior venha a sair muito prejudicada.

Muita opinião já foi divulgada sobre este assunto. A mim, uma das perspectivas que me parecem mais interessantes e menos abordadas é a da legalidade. É preciso lembrar que Sarkozy pôde "expulsar" ciganos porque é legal. Sim: sem querer subir às declarações universais de direitos e princípios gerais do direito europeu, é perfeitamente legal pagar àqueles romenos para que dêem meia-volta e desocupem o terreno francês.

O mais interessante da história das expulsões de ciganos em França, e talvez aquilo que mais se relacione com Portugal e a nossa integração europeia, são os factores que levaram a que seja legal que as autoridades francesas possam assim tão facilmente expulsar cidadãos romenos. Sobre isso falarei no próximo post.



Ricardo Vicente

16 SETEMBRO 2010 - 22.55h

David Cameron dá as boas vindas a Bento XVI

Categoria - Mundo

16 SETEMBRO 2010 - 20.48h

Meias-Tintas

Categoria - Desporto

Esta coisa de Madaíl convidar Mourinho para ser um meio-treinador a meias com um Paulo Bento ou não-sei-quem obviamente levará a lugar nenhum. José Mourinho é um excelente profissional e deveria ser mais que óbvio que um tal profissional não aceita meias-responsabilidades com meios-poderes numa semi-posição. Ou tudo ou nada. O tudo de Mourinho na selecção nacional de futebol de adultos [?] masculinos ainda não chegou. Ainda há uma Champions League para vencer. Depois, logo se verá se há gente em Portugal que justifique Mourinho.


[E nesse depois, evidentemente, não cabem madaís.]



Ricardo Vicente

15 SETEMBRO 2010 - 13.46h

Os Funcionários Públicos Servem-se a Si Mesmos

Categoria - Política

Não é só Cuba que deveria reduzir drasticamente o número de funcionários público. Também Portugal deveria fazer o mesmo. Aliás, todos os países que praticaram contratações na função pública não por necessidade mas como medida para reduzir o desemprego deveriam fazê-lo. E ainda os países em que a quantidade e a qualidade dos bens e serviços prestados pelo Estado são demasiado baixas para justificarem um número elevado de funcionários, o que também é o caso de Portugal.


Na semana passada tivémos um exemplo confrangedoramente evidente de como os funcionários públicos se servem, e se protegem, a si mesmos e uns aos outros. A televisão do Estado, que por sinal presta um serviço de baixa qualidade (com excepções, em especial, a RTP2) e é em si mesma um enorme buraco financeiro, decidiu pôr os seus recursos  e, ainda, o seu principal e melhor activo - tempo de antena em prime time - ao serviço de um único indivíduo: o antigo funcionário da televisão pública Carlos Cruz.


A RTP colocou-se ao dispôr de Carlos Cruz para o proteger em horário nobre com, obviamente, todos os custos inerentes pagos pelos contribuintes. É quase certo que Carlos Cruz não terá pagado um único cêntimo pelos recursos (pessoas, meios técnicos) de que se serviu. Isto ao mesmo tempo que a televisão "pública" optava por não dar apoio e protecção equivalentes a nenhum outro condenado, nem a queixosos, nem a magistrados do Ministério Público (e, porque não, a juízes).


Ainda mais caricato é que esta protecção concedida pela parte do erário público que é gerida pela RTP tenha servido para que aquele ex-funcionário público pusesse em causa a credibilidade de outras instituições públicas - os tribunais e ministério público - que são, para mais, orgãos de soberania (os primeiros) com uma dignidade institucional bem maior que a de uma televisão.


Os funcionários públicos usam e abusam dos recursos que deveriam servir exclusivamente o bem comum. Os funcionários públicos gerem estes recursos para seu proveito próprio. Os funcionários públicos protegem-se uns aos outros manipulando livremente os poderes e recursos de que dispõem. E os funcionários públicos, no uso e abuso destes poderes e recursos, ainda patrocinam ataques a instituições a que devem respeito institucional. Tudo uma vergonha: o dinheiro dissipado, os recursos prodigalizados e os fins privados e, até, individuais que se pretende atingir.



Ricardo Vicente

14 SETEMBRO 2010 - 17.37h

Cubanos, Esses Grandes Neo-Liberais

Categoria - Mundo

"Cuba: Meio milhão de funcionários públicos despedidos." Parece que esta coisa de basear uma grande parte da economia no sector público e de tentar criar uma classe média à custa do erário público já não serve nem para Cuba, quanto mais para os Estados da União Europeia.



Ricardo Vicente

13 SETEMBRO 2010 - 14.54h

É a justiça, estúpido!

Categoria - Sociedade

Os mesmos que andaram nas últimas semanas a exigir maior celeridade no processo, preparam-se agora para pedir um alargamento excepcional do prazo para recorrer...



Rui Castro

11 SETEMBRO 2010 - 15.13h

Filipe Ribeiro Meneses

Categoria - Sociedade

Filipe Ribeiro Meneses, historiador português lavorando na Irlanda,escreveu uma valente biografia de Salazar. Desde então, o historiador tem sido atacado um pouco por aqui e por ali na imprensa e na blogosfera. As razões para os azedumes que lhe têm sido dirigidos são três.

Primeira razão, em Portugal é impossível e severamente penalizado qualquer consideração racional e distanciada do fenómeno "Salazar" e "Estado Novo". Ou se diz mal em absoluto de tudo o que se relacione com esses dois fenómenos, ou se é apodado de "fascista". "Salazar" e "Estado Novo" enquanto objectos de estudo são impossibilidades da mentalidade portuguesa (política, académica, em geral).

Segunda razão: aparentemente, Filipe Ribeiro Meneses não precisou de prestar vassalagem às luminárias do costume, que se acreditam monopolizadoras do conhecimento do "fascismo", para realizar o seu projecto académico.

Finalmente, e este será porventura um ultraje ainda maior que o anterior, o investigador que habita na Irlanda nem sequer precisou do subsídio do erário público português para financiar os seus estudos.


No Portugal dos subsídios, eternamente traumatizado pela ditadura e aterrorizado intelectualmente pelas esquerdas das "modernas" até às mais pútridas - não há infâmia maior do que tomar uma postura ciêntifica (não politizada) em relação a Salazar e o Estado Novo, nem há injúria maior do que ser-se verdadeira e totalmente independente dos doutores do costume, tanto ao nível do pensamento como do sustento.



Ricardo Vicente

9 SETEMBRO 2010 - 12.29h

Ler os outros

Categoria - Política

"A entrevista “non stop” que, desde que foi condenado, Sua Inocência tem estado ininterruptamente a dar às TVs teve o mais respeitoso e obrigado dos episódios na RTP1, canal que é suposto fazer “serviço público”. Desta vez, o “serviço” foi feito a um antigo colega, facultando-lhe a exposição sem contraditório das partes que lhe convêm (acha ele) do processo Casa Pia e promovendo o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia sem se impressionarem com a gritaria mediática de Suas Barulhências os seus advogados, o constituído e o bastonário. Tudo embrulhado no jornalismo de regime, inculto e superficial, de Fátima C. Ferreira, agora em versão tu-cá-tu-lá (”Queres fazer-lhe [a uma das vítimas] alguma pergunta, Carlos?”). O “Prós & Contras” só não ficará na História Universal da Infâmia do jornalismo português porque é improvável que alguém, a não ser os responsáveis da RTP, possa chamar jornalismo àquilo."  
 
Manuel António Pina, no Jornal de Notícias (08.09.2010)



Rui Castro

8 SETEMBRO 2010 - 09.35h

Bacalhau

Categoria - Desporto

Gente houve que não descansou, por purismo ideológico ou simples xenofobia, enquanto não viu Scolari pelas costas. Para a História, para além do apuramento para todos os campeonatos, fica uma final no europeu e uma meia final num mundial. Quando Queiroz chegou, era o maior e, diziam, muito melhor que Scolari. São os mesmos que hoje o apelidam de incompetente e clamam pela sua substituição. Não sou bruxo, mas como reconheço os méritos de Scolari e sempre desconfiei de Queiroz, estou à vontade para mandar pastar quem, no espaço mediático, vai fazendo a sua carreira a dizer uma coisa e o seu contrário com a mesma cara de pau.



Rui Castro

7 SETEMBRO 2010 - 08.46h

P&C - Casa Pia

Categoria - Sociedade

Fui só eu a achar que o Prós e Contras de ontem, a começar nos convidados e a terminar na postura da Fátima Campos Ferreira, foi indecoroso?



Rui Castro

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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