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28 OUTUBRO 2011 - 15.18h

Disparates

Categoria - Política

Escreve o Rui Estevão Alexandre:

“A Europa pacificadora e próspera tornou-se rapidamente numa casa de vícios burocráticos, de cedências e preferências em razão do peso e da dimensão dos Estados-Membros, enfim, numa amálgama que cresceu demasiado sem que sedimentasse devidamente nos novos cidadãos europeus uma consciência de comunidade, logo de cidadania europeia comum. Numa casa em que os grandes desde logo fizeram sentir o peso do seu pé sobre a pequena cabeça dos mais rasteiros.”

O Rui Estevão Alexandre resumiu tudo numa história da carochinha moralista e recheada de chavões sem sentido (de juri e de facto): “novos cidadãos europeus”, “cidadania europeia comum”, etc.

Talvez o Rui ainda não tenha percebido duas ou três coisas básicas. A «amálgama» (no sentido de mistura confusa) era, e é, real. E inevitável. A «Europa» foi e continua a ser uma soma muito pouco homogénea de países e povos distintos, com histórias e realidades sociais, políticas e económicas que só na aparência podem, com algum esforço, parecer semelhantes.

Nenhum país, até à data – dos mais pequenos aos mais «poderosos» - abdicou das suas pretensões. Aliás legítimas. E é natural e legítimo que países com maior peso económico, tendam a presumir que podem gozar de ascendente (no sentido benigno) sobre outros (ou pelo menos a presumir que podem liderar e orientar). Foi e é natural que o crescimento, no passado e em fases futuras da integração económica e política, se faça com um módico de dor e drama, servido por, digamos, muitas «disfuncionalidades». Não necessariamente por esmagadora culpa de líderes putativamente fracos, mas por culpa da própria natureza das coisas.

A historieta dos grandes a esmagar a cabecita dos pequenos, é simplista e, no limite, pateta. É uma percepção que, regra geral, parte de quem, lá no fundo, gosta de reclamar a sua prosperidade a custo da dos outros. “Vá lá, Sra. D.ª Merkel: pague-nos lá os excessos e as asneiras porque somos todos irmãos e se eu for ao fundo a Sra. D.ª também vai."



Carlos do Carmo Carapinha

26 OUTUBRO 2011 - 20.25h

Anatomia de uma morte exagerada

Categoria - Política

O Bruno Sena Martins foi repescar um post escrito em Agosto de 2009 (aqui), sobre o estado da blogosfera e a sua relação com os partidos.

A história está ligeiramente enviesada. É falsa a ideia de que a blogosfera lusa nasceu maioritariamente dominada por gente de direita (que, afiança o Bruno, estava à direita do PSD - uma afirmação que padece de um equivoco primário: não há, em Portugal, contiguidade possível e rigorosa entre o debate ideológico, de carácter mais teórico ou filosófico, e a doutrina partidária), a que se seguiu uma reacção de gente de esquerda. Antes, durante e imediatamente a seguir ao advento da Coluna Infame, já existiam, em mais ou menos igual número, blogues situados à esquerda com voz e espaço. A proliferação dos blogues de esquerda não foi, em bom rigor, reactiva relativamente aos de direita, na mesmíssima medida do contrário. Foram, ambas, reactivas face a um momento muito particular: vivia-se (e o Bruno também o refere) uma época de acesa discussão política, marcada pela guerra no Iraque e pelo pós-11 de Setembro, contexto que levou muita gente a presumir, também pela facilidade e liberdade da ferramenta, que tinha o direito e o dever de se pronunciar publicamente sobre o assunto.

A tese do Bruno incide sobre a relação partidos/blogosfera e é paralela/prima de uma outra: a da relação entre os media tradicionais e a blogosfera. A ideia de que a blogosfera perdeu gás e força por ter sido «apanhada» ou «amansada» pelos tentáculos dos partidos, ou assimilada pelos media ditos tradicionais (numa espécie de luta entre bons e inocentes vs. manhosos e interesseiros), é pouco interessante e simplista. Houve interesses legítimos, de ambas as partes, para que tal sucedesse. Seria, aliás, natural que assim acontecesse. Por um lado, a grande maioria dos bloggers tinha a aspiração ou a expectativa de vir a ser notada pelos «grandes» e «mediáticos» (televisões e jornais). Quem disser o contrário sabe que está a mentir. Por outro, foi natural que os jornais, televisões e rádios, tentassem assimilar os melhores que se movimentavam no «submundo» blogosférico: havia gente de qualidade (logo apetecível) em acção num novo e admirável espaço de intervenção que importava explorar, tanto mais que nele decorria um desaforado escrutínio dos próprios media. No caso dos partidos, idem. Seria impensável que as máquinas partidárias não lançassem os respectivos apaniguados (os assumidos e os dissimulados) a exercer os seus deveres de proselitismo e, sempre que possível, a «aburguesar» os interessados.

O saldo final? Não é negativo. Se é verdade que a blogosfera perdeu um pouco do gás de outrora – não esquecer o facto da geração seguinte ter optado, por falta de tempo ou de jeito, preguiça ou desinteresse, pelas «benditas» redes sociais - não é menos verdade que a assimilação de gente oriunda da blogosfera reavivou o debate nos meios ditos tradicionais e, ainda que muito pouco, ajudou a renovar o ar nos partidos.

Em penúltimo caso, pode sempre perguntar-se: por que razão não escreves tu mais, Bruno? (género «onde estavas tu no 25 de Abril?»). Em último caso: terá sido a blogosfera assim tão importante?



Carlos do Carmo Carapinha

25 OUTUBRO 2011 - 10.19h

Ter medo

Categoria - Política

Depois de uma pessoa aceitar a nomeação para uma pasta governativa, acontece uma de duas coisas: ou mantém-se em Lisboa ou muda-se para Lisboa. O primeiro caso não levanta problemas, mas o segundo levanta o seguinte: muda-se para onde? Vai viver para casa da tia? Com a avó? Aluga um quarto na Almirante Reis? Partindo do princípio que o ciclo de quatro anos é para respeitar, pode também acontecer que o titular do cargo político queira trazer a sua família com ele, porque tem filhos pequenos e quer evitar ficar longe deles. Uma lei muito sensata atribui às pessoas nestas condições um subsídio de alojamento que resolve este atrito administrativo. Convém não esquecer que um ministro em Portugal ganha, neste momento, 4290 euros brutos, o que, demagogias pós-troika à parte, é um rendimento sem gorduras. Por causa de dois ou três abusos desta lei (que no caso do anterior executivo eram 13), e com a ajuda preciosa de Marcelo Rebelo de Sousa, a opinião pública está já a exigir o fim deste subsídio por completo, causando assim, imediatamente, uma discriminação entre Lisboa e o resto do país. O bom senso está a saque.



Lourenço Ataíde Cordeiro

22 OUTUBRO 2011 - 14.39h

Público e privado

Categoria - Política

Escutava ontem, no Expresso da Meia-Noite (SIC-N), o Prof. Dr. Paulo Trigo Pereira a perorar sobre a tenebrosa e potencial clivagem social entre funcionários públicos e funcionários do sector privado, e ocorreu-me pensar como tudo aquilo é estranho e, no limite, uma grandessíssima treta. Há gente que parece retida há décadas na malha urbana das grandes cidades, e nos respectivos corredores académicos, não se dando conta de que existe um mundo «lá fora» que teima, de quando em vez, em não encaixar nos modelos e na pitoresca percepção dos teóricos das Finanças Públicas.

Os especialistas andam empenhadíssimos em esquecer o óbvio. Como disse um dia Orwell, afundámo-nos a um ponto em que reafirmar o óbvio constitui o dever dos homens inteligentes. Eu, que estou longe de ser particular ou genericamente inteligente, não tenho grandes problemas, neste caso, em arriscar o óbvio, de tão óbvio que é: as medidas de controlo do défice, por inerência recessivas (no fundo, pretende-se uma redução de custos e um re-enfoque sério nas questões da rentabilidade e da produtividade), irão provocar um nivelamento automático das remunerações no sector privado. Fatal como o destino. De um modo geral, a esmagadora maioria das PME vai tentar, e em última análise conseguir, contratar por menos dinheiro, cortar nos prémios, bónus e outros instrumentos remuneratórios de quem já trabalha e, desgraçadamente, despedir trabalhadores. Sem esquecer que um aumento de meia hora por dia útil de trabalho, equivale a um decréscimo remuneratório na casa dos 6%. Na função pública, isso só acontece por vontade e acção directa dos governos. Que se saiba, não foram anunciados despedimentos em massa. A categoria «empregos de longa duração» permanecerá quietinha e quentinha no colo do Estado. Funcionários, sindicatos e putativos defensores do sector público, deveriam saber que a moeda de troca (ganhar temporariamente menos vs. perder o emprego) é supimpa.

Bem pode o Prof. Dr. Paulo Trigo Pereira afastar do seu discurso a nuvem negra da clivagem social. Ele sabe que uns sabem que os outros sabem que aqueles sabem quem está mais sujeito a engrossar as filas nos Centros de Emprego.



Carlos do Carmo Carapinha

falem-nos de alternativas c-o-n-c-r-e-t-a-s. Se for possível, claro. E, claro, partindo do princípio de que V. Exas. defendem o cumprimentos do acordado com a troika. E, obviamente, partindo do princípio de que conhecem os termos do memorando de entendimento, que passo a relembrar, não a V. Exas., que tudo parecem saber, mas aos leigos e distraídos desta vida: em troca de um empréstimo, pago em tranches, o Estado português compromete-se a cumprir as metas orçamentais fixadas no acordo.

Isto, claro, se estiverem para aí virados. Caso contrário, podem sempre continuar a fazer de conta de que há por aí soluções alternativas indolores e cheiinhas de «equidade fiscal», que só por teimosia e maldade não se escolhem.



Carlos do Carmo Carapinha

20 OUTUBRO 2011 - 10.42h

Público vs. privado

Categoria - Política

Mesmo partindo do princípio que os salários da função pública são equiparáveis aos do sector privado (embora não sejam, são mais elevados), há um enorme fosso que separa as duas realidades e que devia servir para envergonhar todas as queixas dos funcionários públicos (direi «eventuais» queixas, pois aparte dos sindicatos não tenho notado grande indignação). O fosso chama-se «despedimento». A somar à descida real dos salários do sector privado nos últimos quatro a cinco anos (sobretudo através do corte nos prémios, mas também muitas vezes da descida do salário base), aquilo a que o sector privado tem assistido é ao fecho de empresas e ao despedimento generalizado. Todos aqueles que trabalham para o sector privado sabem, hoje, que têm o emprego em risco. Sabem que dependem directamente do desempenho económico do país. Diminuição do PIB, menos emprego. Já na função pública, para além dos aumentos que, por direito divino, com algumas excepções aconteceram de forma constante (que culminaram no aumento criminoso de 2,9% no ano eleitoral de 2009), o despedimento é ainda uma alternativa muito remota. As opções que agora foram tomadas, e que afectam gravemente os funcionários públicos de menores rendimentos (é duríssimo cortar um dos subsídios a quem ganha 500 a 1000 euros mensais), tiveram como base a tentativa de evitar despedimentos. E nos tempos que correm, o drama já não é a descida do poder de compra e da qualidade de vida associada (esse é um dado garantido), é o aumento do desemprego. Acusar, por isso, o governo de Passos Coelho de «radicalismo ideológico» nesta matéria é uma patetice irresponsável. 



Lourenço Ataíde Cordeiro

20 OUTUBRO 2011 - 10.12h

É que não se perdoa

Categoria - Política

António Pires de Lima afirmou que tem faltado ao ministro da Economia, «peso político». É um facto comprovado: quem assistiu, no início de Outubro, à peixeirada que teve lugar na Comissão de Economia (Parlamento), com a Dra. Ana Paula Vitorino, a Dra. Heloisa Apolónia e o Dr. Paulo Campos em registo histérico e tresloucado, percebe do que fala António Pires de Lima. No fundo, o que se exige a quem ocupa o lugar de ministro, é valentia na picardia, jeitinho na contra-argumentação, gestos coléricos e heróicos, voz grossa e olhar de lanceta. Luz, cor, emoção, espectáculo. O nosso Álvaro é um educado, um cordato, um discreto. Numa expressão: um «copinho de leite». Isso não se perdoa na arena mediática. Morte ao ministro Álvaro. Já.



Carlos do Carmo Carapinha

17 OUTUBRO 2011 - 00.07h

O JUP

Categoria - Política

A reportagem da Sádado Esta miúda pode mudar a América do Sul lembrou-me o seguinte.

O JUP (Jornal Universitário do Porto), que possui mais ou menos a mesma diversidade ideológica do Le monde diplomatique, conseguiu fazer uma reportagem sobre a revolta estudantil chilena sem uma única referência textual ou visual (como se exigia) à Camila Vallejo. Devem ter considerado que seria uma concessão burguesa perniciosa à luta revolucionária. Uma tristeza.



PM Ramires

No remanso do lar, Pedro Marques Lopes, Pedro Adão e Silva, Miguel Sousa Tavares, Daniel Oliveira, Nicolau Santos, Basílio Horta, Boaventura Sousa Santos... Amigos, ex-amigos, apoiantes, detractores, simpatizantes, gente simplesmente indiferente à figura de Pedro Passos Coelho. A lista é infindável, o denominador comum: 1) fomos enganados; 2) as medidas são recessivas, logo suicidas; 3) contra o abismo, recuar recuar. 

No tumulto da rua, o mundo – vamos todos fingir que foi o mundo – assistiu à «indignação» das putativas vítimas e/ou dos intrépidos defensores da verdade (que topam a urdidura dos «ricos», do «patronato» e dos «especuladores» à distância).

Por muito que queira elaborar uma análise profunda sobre os mais recentes acontecimentos, com direito a name- dropping e a profundas conjecturas de natureza sociológica e económica, apenas consigo chegar – falha minha, certamente – a duas conclusões mesquinhas: o primeiro grupo – o dos fazedores de opinião - ou perdeu a memória ou desistiu de pensar (é o que dá tanta indignação); o segundo grupo – vulgo «povo agrilhoado» - insiste em não perceber em que país vive e em que situação nos encontramos.

Perdoem-me a indagação: não assinámos um Memorando de Entendimento com quem nos veio salvar da bancarrota, há coisa de seis meses atrás? Aquilo não era para valer? Assinámos uns papéis para ganhar tempo? O objectivo é não pagar ou, no mínimo, empatar? É assim que esperamos novas tranches do empréstimo? É assim que esperamos que nos reconheçam como um povo sério? Em que parte do mundo ou momento da história se baixaram défices ou reduziram dívidas soberanas sem medidas recessivas? Sem dor e sacrifícios? Em que parte do mundo ou momento da história, um Estado de direito assinou um documento de auxílio financeiro com a secreta intenção de, passados poucos meses, anunciar que «não é para cumprir»? Não se fixaram metas, objectivas e mensuráveis, para consumar? Se queremos falar de reestruturação do empréstimo, vamos ter que tentar cumpri-lo. Nunca antes. Nunca ao contrário. É assim muito complicado, perceber isto?

O que o governo de Passos Coelho está a fazer é o dirty job que, muito provavelmente, nenhum governo de esquerda faria (ou, se o fizesse, desapareceria do mapa político), com origem em erros que lhe foram alheios. É preciso coragem para o fazer – e, sinceramente, nunca pensei que Passos Coelho a tivesse. Assim como nunca esperei que certos especialistas ou catedráticos da opinião, enveredassem por um discurso apocalíptico e «tremendo». No mínimo, patético.

Até ao final de 2013, vamos ter tempo para discutir como chegámos até aqui – o que aconteceu e quem foi directamente responsável pelo rumo dos acontecimentos. Vamos ter tempo para discutir que modelo de país queremos para as próximas décadas. Vamos ter tempo para exigir os cortes necessários nas mordomias e na organização do Estado. Vamos ter tempo para exigir o regresso da Ética e o fim da rapina do erário público. Mas convém perceber, hoje, uma coisa simples: vamos também ter de honrar os compromissos que celebrámos. Vamos ter de assegurar os meios de cumprimento das metas.

Isto implicará uma mudança de vida. Farewell direitos adquiridos. Goodbye segundo carro ou casa própria. Au revoir férias abroad. Sejam bem-vindas as velhas profissões: o sapateiro ou a cerzideira, por exemplo. Seja bem-vindo o fim de um mundo fantasioso. Cabe-nos construir o muito que está por construir. Construímos muito pouco, nestas últimas décadas. Ao contrário do que pensamos. Vai ser difícil? Muito. Há uma maneira mais fácil de o fazer? Não.

 



Carlos do Carmo Carapinha

15 OUTUBRO 2011 - 11.04h

Against the Current

Categoria - Política

Lembram-se disto?

De até o Paul Krugman reagir com estupefacção às sucessivas vitórias na colocação da dívida do governo socialista?

Lembram-se da esquerda, do Jugular ao Arrastão, festejar efusivamente colocações de dívida a 6.7%?

Lembram-se quem foi ridicularizado, quem, lutando contra a estupidez, passou por anti-patriota e coisas piores?

Sabem, eles agora querem ser verdadeiramente livres, ao contrário de nós, que queremos apenas ser livres e, então, eles vão manisfestar-se.

O meu cartaz preferido dos colocados na net pelo Bruno Sena Martins é o que diz None are more hopelessly enslaved than those who false believe they are free, uma frase atribuída a Goethe. Ah, os românticos. Todos sabemos de onde vem e para onde nos leva este free. É o famoso he will be forced to be free do contrato-social de Rosseau. Eles querem libertarmo-nos da opressão em que nós, falsamente, acreditamos não viver. Tudo isto é velho. Tudo isto já foi testado. Tudo isto é, de uma certa forma, tudo aquilo contra o qual estou disposto a lutar.

Compreendo a manifestação de hoje e ainda bem que as pessoas estão despertas; tenho é pena de elas não terem pensado nisso antes: aquando das famosas colocações da dívida, ninguém reagia; acordava-se, desfazia-se a barba, e estava tudo bem. A parede contra a qual decerto íamos bater estava ainda longe; o sr. engenheiro de certeza que ia descobrir forma de a derrubar; e o melhor era nem pensar nisso.

É que olha-se os aderentes da manifestação, pessoas que conhecemos e pessoas que não conhecemos, e não se acredita: são os mesmos que votaram no sr. engenheiro, o mesmo que nos trouxe aqui; são os que defendem a outra miserável alternativa, o forced to be free [ler a última coluna do artigo de hoje de Pacheco Pereira; melhor, ler o artigo todo, mas ler a última coluna 10 vezes]; são estudantes universitários que colocam com entusiasmo cartazes de apelo à manifestação com a imagem do Dirty Harry (pela minha saúde, estão por todo o lado na faculdade de letras).

É difícil não reagir com aversão a tudo isto quando vemos gente que julgávamos (sim, é passado) honesta intelectualmente como o Pedro Adão e Silva, afirmar na Sic Notícias coisas como pior do que isto? mas há pior do que isto? não há pior do que isto!, quando ele sabe muito bem que há muito pior do que isto. Que, como professor universitário, se dá aulas no público, deixar de receber salário é bem pior do que 'isto' e que deixar de receber salário por não haver dinheiro é 'a' alternativa mais certa a 'isto'.

Sim, gentes de esquerda, saiam lá à rua. Nós vamos apurar responsabilidades, cujo objecto final será um espelho onde vocês se possam contemplar.



PM Ramires

14 OUTUBRO 2011 - 16.26h

Ou há moralidade

Categoria - Política

Ao contrário do que se irá dizer dentro de muito poucas horas – invocando-se os perigos de uma eventual caça às bruxas ou de uma suposta judicialização da política – é fundamental, para o futuro da nossa democracia, que este trabalho de apuramento de responsabilidades seja feito até ao fim, independentemente do valor probatório conducente à criminalização deste ou daquele acto. Em Portugal, a noção de ‘accountability’ continua a não deixar raízes. Não há meio dissuasor mais eficaz do que este: saber-se que as acções e decisões de quem desempenhou cargos públicos de governação ou direcção, serão passadas a pente fino. E que os responsáveis, se não julgados, serão publicamente chamados à pedra. Boa tarde também para si, Sr. Paulo Campos.



Carlos do Carmo Carapinha

14 OUTUBRO 2011 - 16.24h

Fora do mundo

Categoria - Política

Ouvem-se os representantes da esquerda portuguesa, e fica-se com a sensação de que não vivem neste mundo. Luis Fazenda, por exemplo, preconiza, como alternativa às medidas de austeridade, «mais investimento público». Carlos Zorrinho, e a generalidade dos socialistas, insistem na mais recente efabulação socretina, disfarçada de uma putativa «dúvida quanto natureza do desvio»: foram estes quatro meses de governo que trouxeram o país até aqui. Bernardino Soares, em registo apopléctico, zurzia, ontem, contra as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, sem dizer o que faria em alternativa (nacionalização da banca e dos meios de produção, de acordo com o interesse colectivo? Prender os ricos e os «especuladores»? Substituir o patronato por comissões de trabalhadores? Criar dois escalões de IRS: um para ricos, a 80%, e um para os pobres, a 0%? Até hoje, ninguém sabe). Parafraseando o Francisco José Viegas, que parte da frase «não há dinheiro» ainda não perceberam?



Carlos do Carmo Carapinha

13 OUTUBRO 2011 - 17.25h

Pelo direito aos deveres

Categoria - Política

O cartaz da «manifestação internacional» de 15 de Outubro, explicita:

“- Por uma democracia participativa;

- Pela transparência nas decisões políticas;

- Pelo direito ao trabalho com direitos, à habitação, à educação, à saúde e à cultura;

- Contra a privatização dos recursos naturais e sectores estratégicos.”


Já agora, podiam acrescentar:

- Pelo dever de trabalhar;

- Pelo dever de ser sério;

- Pelo dever de ser competente;

- Pelo dever de combater a ronha e a mandriice;

- Pelo dever de discutir sem maniqueísmos;

- Pelo dever de manter a mente aberta a outros «paradigmas sociais»;

- Pelo dever de auto-crítica;

- Pelo dever de não ser demagógico;

- Pelo dever de discordar sem excluir de quem se discorda.



Carlos do Carmo Carapinha

13 OUTUBRO 2011 - 17.23h

Vejam lá isso

Categoria - Política

O nosso colega aqui do lado, Bruno Sena Martins, escreveu nestoutro bastião da luta: “O capitalismo é uma guerra que não conta vítimas, apenas munições. Feitas as contas, a nossa carne contra os canhões deles não pode valer assim tão pouco.”

Esta linguagem diverte-me. O problema é que o ridículo e o risível não são muito eficazes em matéria de luta. Convinha avisar a malta.



Carlos do Carmo Carapinha

12 OUTUBRO 2011 - 15.42h

Perceber o que aconteceu?

Categoria - Política

O resultado da Esquerda nas eleições regionais da Madeira, tem origem num equívoco. Ou, se quiserem, numa incompreensão.

Ninguém ganha eleições a açoitar incessantemente um opositor, sobretudo quando o opositor é, digamos, um homem «querido», responsável por um governo do qual depende a esmagadora maioria da população (activa e passiva). Muito menos quando o grau e a forma das invectivas arriscou fazer escorregar a zurzidela para o domínio colectivo do «povo». A Esquerda – sobretudo a Esquerda mais radical – não percebeu que a raiva espelhada nas críticas a Alberto João Jardim, se travestiu de raiva contra o «povo madeirense», coisa que Alberto João Jardim aproveitou com especial prazer. «Eles gastaram - e nós, no Continente, pagámos». O que aconteceu na Madeira seria um excelente ponto de partida para uma reflexão sobre a ineficácia de um certo tipo de discurso político radical e arrogante, carregado de ódio e tremendismo. Assim a Esquerda estivesse disposta a fazê-lo. O Dr. Louçã, por exemplo, não está para aí virado.



Carlos do Carmo Carapinha

12 OUTUBRO 2011 - 15.38h

Amarga?

Categoria - Política

Pois é: até a nossa ilustre casa (a revista Sábado) comprou, por tuta-e-meia, a versão propalada por, pelo menos, um dos também ilustres fazedores de opinião que andam, por aí, a orientar as «massas»: a vitória de Alberto João Jardim foi uma vitória (vá lá), mas, atenção, «amarga». Admito, desde já, que este Verão tardio concorreu, em definitivo, para anular no meu encéfalo os impulsos nervosos primordiais à função pensar. Só assim se explica a minha incompreensão sobre a putativa natureza «amarga» da vitória de Alberto João Jardim. Houve maioria absoluta? Houve. Mas foi «amarga». Não consigo imaginar os adjectivos que se teriam usado em caso de maioria relativa. «Vitória acre»? «Vitória intragável»? «Vitória nauseabunda»? Nem quero pensar no assunto.



Carlos do Carmo Carapinha

10 OUTUBRO 2011 - 10.32h

Alberto João

Categoria - Política

Depois das piores duas semanas da história das campanhas eleitorais em Portugal que qualquer candidato jamais sofreu, Alberto João Jardim conquistou, nas suas palavras, «a quadragésima quinta» vitória eleitoral. O povo madeirense entregou-lhe novamente a maioria absoluta para governar a seu bel-prazer os destinos da ilha, perdão, do arquipélago. Marcelo Rebelo de Sousa, que estava em directo no momento do discurso de Alberto João, tentou forçar a ideia de que esta era uma «vitória amarga» e que, apesar de ser um resultado que - juro - «dá para governar», não deixa de ser um castigo ao regime madeirense. Consta que Alberto João terá ficado bastante abalado por estas palavras. Entretanto, os 16% de esclarecidos decidiram esclarecidamente onde entregar o seu voto: a esmagadora maioria depositou-o no CDS, o restante no partido do artista de variedades. O PS, esse, que anda há décadas e fingir que luta contra a oligarquia jardinista, perdeu 5% dos votos e um mandato. Way to go, Tó Zé! O buraco, os seis mil e tal milhões, continua lá como dantes. E quem terá de lidar com ele foi quem o criou. A mama acaba agora.



Lourenço Ataíde Cordeiro

4 OUTUBRO 2011 - 11.29h

Pagas quando puderes

Categoria - Política

Ficámos hoje a saber que a zona euro vai fazer de conta que a Grécia não acabou de dizer que não vai cumprir aquilo que tinha ficado estabelecido, o que é uma confirmação de que a zona euro nunca acreditou naquilo que os gregos têm vindo a dizer. Esta é uma boa notícia. Ao assumir desta forma tão explícita que vai permitir incumprimentos desta natureza, a europa está finalmente a perceber que o problema da dívida soberana dos países do sul não é apenas um problema dos países do sul nem da sua exclusiva responsabilidade. Que o sinal tenha vindo precisamente a propósito da Grécia, um país de malucos, só reforça a sua importância. Ao lado dos gregos, somos todos austríacos.



Lourenço Ataíde Cordeiro

1 OUTUBRO 2011 - 20.47h

Sing along

Categoria - Política

1 OUTUBRO 2011 - 12.41h

Para o Vítor Gaspar

Categoria - Política

Well we've got alot alot alot of hard work today
We gotta rock at the government center
Make the secretaries feel better
When they put those stamps on the letters

And they got alot alot alot of great desks and chairs
Uh huh, at the government center
We gotta make the secretaries feel better
When they put those stamps on all those letter

Government Center, The Modern Lovers

(por incapacidade minha ou da plataforma ou de todos não consegui incorporar o vídeo youtube. só ouvindo é que isto tem piada, e só ouvindo o Dr. Vítor Gaspar se percebe o espírito do post.)



PM Ramires

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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