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29 NOVEMBRO 2011 - 11.31h

Mal posso esperar

Categoria - Política

A todo o momento se espera o relato das conclusões do Conselho do Partido Socialista Europeu. Nomeadamente de que forma o novo processo de escolha do candidato da família socialista ao lugar de Presidente da Comissão Europeia – cuja metodologia constitui, como nos relatou José Reis Santos, uma «revolução democrática» - pode dar um novo alento a esta União Europeia, apeando, «como assim espera» José Reis Santos, o «nosso» Durão Barroso, em grandes dificuldades para convencer Frau Bundeskanzler a imprimir moeda à maluca.



Carlos do Carmo Carapinha

A semana passada, na Quadratura do Circulo (SICN), Pacheco Pereira lembrou umas coisas básicas que importa não esquecer: a greve é um direito inalienável; historicamente, os sindicatos foram os grandes responsáveis pela melhoria das condições de trabalho; a greve encerra elementos identitários que tendem a fortalecer a sua função de protesto, necessária como «contraponto» ao poder; etc. etc.. Certo (só um ignorante ou um candidato a basbaque pode pôr isso em causa). Mas fez mais do que isso: colocou o direito à greve no mesmo patamar, por exemplo, do direito à liberdade de expressão (isto é, obviamente, discutível) e esvaziou a discussão da análise do exercício para além da epistemologia dos «direitos». O resultado esteve à vista: Lobo Xavier – o único que se dispôs a fazer uma análise crítica sobre a forma e o alcance da greve dita «geral» - acabou a fazer o papel de «Scrooge da greve» (embora não tão viperino quanto o «Scrooge do Natal»), e as palavras de João Proença e Carvalho da Silva ecoaram como uma espécie de doutrina «avant la lettre» de uma nova revolta popular, à escala planetária, contra os patrocinadores da austeridade: Merkel, a direita e a cáfila da alta finança.

Se há coisa que importa ser discutida, e posta em causa, é a retórica inconsequente, cristalizada e maniqueísta dos sindicatos: o patronato contra os trabalhadores; o governo contra os trabalhadores; a direita contra os trabalhadores; todos contra os trabalhadores. Se é verdade que a greve é um direito (não absoluto, é bom lembrar) e que os sindicatos têm um papel a desempenhar, cumpre à sociedade civil analisar e criticar a forma como os sindicatos actuam quando recorrem a uma agenda marcadamente ideológica, nem sempre consentânea com a defesa dos trabalhadores que supostamente representam, e quando o discurso dos seus dirigentes não se expõe um milímetro para além da «zona de confronto» das banalidades («a austeridade não é o caminho», «precisamos de uma agenda do crescimento», etc. etc.). Já para não falar dos «detalhes»: chamar «Geral» a uma greve da função pública, por exemplo.



Carlos do Carmo Carapinha

25 NOVEMBRO 2011 - 15.46h

Com comentários

Categoria - Política

[Pegando na deixa do Ramires] As reacções à entrevista de Vasco Pulido Valente, como este exemplar bilioso e, a espaços, ridículo, remetem para as palavras de Gilbert no ensaio de Oscar Wilde: “sim, o público é maravilhosamente tolerante; perdoa tudo, excepto o génio”. E são a prova da existência de coutadas, reservas e corporações. O «bando» da cóltura – «bando» na medida em que os próprios fazem questão de se auto-excluir dos vastos rebanhos humanos que, sem o saberem, incorrem, por mera inalação de oxigénio, numa dádiva de gratidão para com a classe que trata do augusto alimento dos seus pobres espíritos – não suporta alarvidades de quem vem de fora. E convive pessimamente com a crítica. Daí a arrevesada reacção, repleta de ódio e ataques ad hominem. O chá de camomila é reconhecido como um relaxante e muito usado nos cuidados dos bebés. Especialmente os chorões.



Carlos do Carmo Carapinha

24 NOVEMBRO 2011 - 20.47h

Sem comentários

Categoria - Política

Eu sei que hoje foi dia de greve geral, mas isso é quase insignificante comparado com o seguinte. Há uma senhora no Jugular, de seu nome Fátima Rolo Duarte, que a propósito da última entrevista do Vasco Pulido Valente, acha pertinente esta descrição de Maria de Teresa Horta (a poetisa): “menino gordinho de nove anos, (...) que já na altura era insuportável – partia-nos os brinquedos todos e depois dizia que não tinha sido ele, era hipócrita, grosseirão, que chegava, causava os distúrbios e atirava as culpas para os outros.” 

Aos 9 anos, meu Deus, leram bem, aos nove, 9, anos. 

Não há nada como uma entrevista (sempre na generalidade muito muito boas) do Vasco Pulido Valente, para esta gente perder a cabeça. 



PM Ramires

23 NOVEMBRO 2011 - 10.41h

Marta me mata

Categoria - Política

A Marta Rebelo consegue a proeza (aqui) de fazer a ponte entre o filme de George Clooney e a mediocridade dos «nossos líderes» (com Merkel, Sarkozy e Cameron à cabeça). Referências a José Sócrates e a Zapatero? Zero. O mundo nasceu há meses. Nem Passos Coelho escapou. E nem, pasme-se, Mariano Rajoy. Esse mesmo: o que ganhou as eleições espanholas há... três dias. Estamos conversados, Marta. A culpa, como sempre, é da direita.



Carlos do Carmo Carapinha

21 NOVEMBRO 2011 - 10.03h

A vaca sagrada que ri

Categoria - Política

O grupo de trabalho encarregue de estudar o serviço público de comunicação social, deu por concluído o TPC que lhe havia sido encomendado pelo governo. No meio de algumas propostas de gosto duvidoso (para não as apelidar de, basicamente, idiotas), o grupo defende, genericamente, e passo a citar, “que os conteúdos noticiosos do operador de serviço público de rádio e televisão sejam concentrados em noticiários curtos, sejam limitados ao essencial e recuperem o carácter verdadeiramente informativo, libertos da crescente dimensão subjectiva e opinativa no jornalismo” (é o que está lá escrito), para além de um corte significativo na dimensão da RTP/RDP.

Perante isto, levantou-se o habitual coro de protestos contra a maléfica e interesseira intenção de acabar com o serviço público de televisão e rádio (que, como nos dizem, só pode ser consumado por sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos), incluindo o serviço noticioso. Daniel Oliveira, no Eixo do Mal, negou, praticamente, cidadania terráquea a Luis Duque. Clara Ferreira Alves, evitando, ainda assim, relegar Duque para a galáxia dos idiotas, vociferou contra o facto de o relatório não passar de um «macguffin», já que o que está em causa é uma «negociata entre o Estado, a Ongoing e os angolanos». O Sindicato dos Jornalistas comunicou que daria «apoio judicial contra o grupo de João Duque», tamanha foi a patifaria. Pedro Marques Lopes, o liberal cada vez menos liberal, não se coibiu de deitar no lixo o relatório e de, en passant, mandar uma farpa a José Manuel Fernandes e Eduardo Cintra Torres.

Estivemos perante um clássico: as críticas disseram mais sobre quem as proferiu do que propriamente sobre o relatório (que poucos leram de forma isenta). Ideologia, preconceito, politiquice e a habitual pesporrência da intelectualidade lusa, mataram, à partida, uma discussão que seria interessante. Poderia, por exemplo (deixem-me sonhar), significar o princípio do fim do monstro. Mas não. O Duque é um idiota e não se fala mais nisso.



Carlos do Carmo Carapinha

17 NOVEMBRO 2011 - 22.15h

Na onda do Lourenço

Categoria - Política

Na onda do Lourenço também fico na primeira fila à espera da seguinte explicação:

Porquê que todos os jornalistas e grande parte dos comentadores parecem achar estranho o governo delinear uma estratégia em que claramente é admitido que daqui a dois anos, no que ao nível de vida diz respeito, estaremos pior?

É que a opção (talvez seja isto que ainda não perceberam, mas custa a acreditar, ninguém é assim tão desonesto) não é entre estar pior ou estar melhor, é entre estar pior mas em condições de ficar melhor (ou seja, estar feito o ajustamento e mantermo-nos no euro) ou estar falido - leia-se estarmos muito muito pior (como a Grécia) ou fora do euro.

A questão não é de nível de vida, é de saúde.

Neste contexto, isto é, no contexto em que está Portugal e em que o governo actua, a pergunta insistente do jornalista do Público ao sr. da troika, procurando que este lhe garantisse que os portugueses daqui a dois anos estariam melhor, em primeiro lugar resulta de uma falácia, e em segundo lugar, pela insistência e propósito com que foi feita, é abundatemente estúpida.



PM Ramires

17 NOVEMBRO 2011 - 15.38h

Cortar salários no privado?

Categoria - Política

Fascinante. A Troika explicou aos jornalistas um movimento de mercado expectável e muito simples de explicar: a diminuição dos salários na função pública irá, provavelmente, repercutir-se num aumento de oferta de mão de obra no sector privado o que - aquele gráfico do ponto de equilíbrio - poderá fazer descer os salários no mesmo sector privado. O que escrevem os jornalistas? «Troika pretende corte nos salários do sector privado». Ficou por explicar como iria a Troika obrigar empresas privadas a cortar salários sem ser pela via fiscal (que abregeria também, evidentemente, o sector público) e porque raio isso seria algo desejável para as contas públicas, sabendo que traria uma redução da colecta do IRS. Fico à espera na primeira fila para o desenrolar deste raciocínio brilhante.



Lourenço Ataíde Cordeiro

11 NOVEMBRO 2011 - 18.42h

Está bem, mas

Categoria - Política

Como sói dizer-se, a «narrativa» de João Ribeiro, no mais recente post no Blogue de Esquerda, é um arrevesado conjunto de clichés e espuma, embrulhado num tom que não bate certo com o sentido de voto do PS, no OE de 2012.

Em momento algum João Ribeiro explica a mega contradição que está por detrás do que escreveu: como escolher a abstenção se o orçamento é violento, injusto e reflecte a cegueira ideológica da ímpia direita?

«Os socialistas demonstraram querer a política que supera o medo. Que dá confiança. Que acredita no futuro. Mostraram democraticamente que querem um novo futuro. Um futuro diferente.»

Não, caro João Ribeiro. Os socialistas demonstraram, com a abstenção, que não há grandes alternativas ao caminho preconizado pelo governo. Os socialistas demonstraram, com a abstenção, que têm a noção clara de que Portugal está agarrado a compromissos objectivos e insupríveis. Os socialistas demonstraram, com a abstenção, que por detrás da discordância, não existem soluções indolores e justas. Os socialistas demonstraram, com a abstenção, que estão a tentar virar uma página do seu passado, de que tão péssima conta continua a dar o inefável coro dos órfãos do socratismo.

Seria, por isso, curial e digno que o PS assumisse tudo isto de forma clara. Sem rodriguinhos, repulsas, indignações e recadinhos. Caso contrário, se é tão grande a revolta, por que não votaram contra?



Carlos do Carmo Carapinha

4 NOVEMBRO 2011 - 13.10h

Já tinha saudades disto

Categoria - Política

Fui ler os blogues de esquerda (o da Sábado, Jugular, Arrastão, etc).

Vão lá também, para ver como eles conseguem, em poucos dias, passar do ouvir povo alemão é provinciano para um ouvir o povo grego é democrático. É genial. É como se não dessem por isso. Quando a Sra Merkel ouve o povo alemão, estamos perante uma Europa que não se está a guiar democraticamente; quando o Sr Papandreau (?) decide ouvir o povo grego, eis que se revela democracia. 

Também se conseguem divertir com outras coisas.



PM Ramires

3 NOVEMBRO 2011 - 18.56h

BCE desce taxa de juro

Categoria - Economia

Para um leigo em economia e finanças, como eu, agarrado durante as próximas três décadas a um empréstimo habitação, assim como para muitas pessoas que começam já a antecipar o aumento da carga fiscal e, consequentemente, a carteira mais leve, a descida da taxa de juro é uma óptima notícia. 



Rui Castro

Faço parte do grupo de pessoas que defende (tanto quanto eu defendo coisas) uma via literalmente populista para a construção europeia, na medida em que penso (idem) ser muito difícil o processo de construção europeia evoluir (de um modo não pernicioso) do ponto em que está sem ouvir 'os povos'. Basicamente, a tese do Pacheco Pereira e do Miguel Portas no prós e contra de há uns anos atrás, quando eu ainda via o prós e contras. 

Nunca estive muito certo desta posição: não só pelo ensaio do Rui Ramos, onde defende a tese oposta (elitista) -- isto, para os interessados, ocorreu tudo há uns anos atrás -- como pela leitura da biografia do Raymond Aron (onde se percebe que talvez o sr.Arond fosse o único francês que acreditava verdadeiramente que o projecto europeu tinha de incluir a Alemanha, sem um arrepio na espinha -- e no entanto, ele tinha mesmo de incluir a Alemanha).

De acordo com a posição populista a que, digamos, aderi, sempre me pareceu razoável, democrático e, por assim dizer, normal a sra Merkel ouvir o povo alemão e o tribunal constitucional alemão no que ao destino da Alemanha na UEM(zona euro) diz respeito. Neste sentido, também me parece razoável e democrático e normal que o PM grego decida ouvir o povo grego no que ao destino da Grécia na UEM diz respeito. Na verdade, até me parece inteligente (no sentido pragmático do termo), porque acredito na inteligência do povo grego, e portanto não me parece que eles troquem um empobrecimento regular de 4 ou 5 anos para o nível de enriquecimento em que estavam há 10 anos atrás, por um empobrecimento imediato para o nível em que estavam há 30 anos-- onde uma viagem pela Raynair até Paris custará um salário (médio) -- e assim que escolham a primeira opção a tensão deve esmorecer.

Num outro sentido, como se costuma dizer, gostava (se ninguém sofresse com isso) que os adeptos em Portugal da alternativa, os adeptos de 'o governo escolheu um túnel sem luz ao fundo', os adeptos da 'via Sócrates' para resolver o problema, vissem, via povo grego, o catastrófico resultado da tal alternativa. Seria, por assim dizer, um óptimo banho de transparência da discussão política na sociedade portuguesa, e talvez estimulasse o juízo (no sentido de 'tenham juízo').

Mas parece-me (e espero) que vai correr tudo bem. 



PM Ramires

2 NOVEMBRO 2011 - 08.25h

Grécia

Categoria - Política

O referendo na Grécia levanta várias questões acerca do "projecto europeu", nomeadamente sobre a interferência do directório dos grandes na política interna dos estados, em especial dos que são hoje incapazes de cumprir os limites do deficit. O novo plano de austeridade para a Grécia, essencial para que o país se mantenha no Euro, representa um programa de governo, com a particularidade de ter sido elaborado em Bruxelas e de não ter sido sufragado pelos destinatários de tais medidas. Se no caso português não tenho grandes dúvidas sobre a inevitabilidade das medidas negociadas com a troika - ou triunvirato, se optarem pela linguagem do MNE -, porquanto tal plano foi implicitamente aceite pelos portugueses nas últimas eleições, já no caso grego se podem suscitar outro tipo de questões. A mais evidente parece-me ser a questão da acentuada perda de soberania, motivada pela urgência da assistência financeira. Admito, por isso, que, apesar de todas as críticas e coro de protestos, o referendo seja uma inevitabilidade.



Rui Castro

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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