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30 NOVEMBRO 2010 - 23.21h

Repetir a Experiência: A Introdução do Euro

Categoria - Sociedade

No meio de uma crise da dívida soberana, da "ameaça" do FMI, da Grécia e da Irlanda, e sentindo-se já, ainda que ao de leve, o cheirinho ao possível debate sobre a desintegração da zona euro - será que os portugueses ainda se lembram de quando começaram a utilizar o euro pela primeira vez? O abandono do escudo, das nossas notas que "são as mais bonitas da Europa, senão mesmo do mundo!", a sensação de se avançar mais um bocadinho "na direcção da Europa" (como se Portugal fosse alguma vez menos europeu que qualquer um dos outros...)... Será que ainda alguém se recorda disto? Não falo das questões técnicas e económicas. Falo do impacto cultural e, vá lá, sentimental da coisa. O orgulho nacional, ou uma pressentida saudade dos contos...

Pois bem, quem quiser matar saudades dessa grande mudança pode experimentar ir ali à Estónia lá para os fins do ano. A 1 de Janeiro de 2011, a Estónia vai deixar de usar as suas
Lydias Koidulas e aquele senhor que inventou o óvulo (não acreditam?!) e passar a fazer pagamentos em euros! Imaginem a excitação! E experimentem, outra vez, os mesmos sentimentos: o orgulho um bocadinho ferido pela renúncia a um símbolo nacional - o kroon - mas logo revitalizado pela percepção de se estar um bocadinho mais próximo da Europa (como se a Estónia alguma vez tivesse estado minimamente afastada da história dessa península continental a que chamamos Europa...), ...



Ricardo Vicente

30 NOVEMBRO 2010 - 12.31h

Da série “Momentos televisivos de antologia”

Categoria - Política

Ontem, no Prós e Contras (RTP1):

Fátima Campos Ferreira: Mas como é que era no seu tempo?

Medina Carreira:
Nessa altura isto estava tudo fresco, filha.




Carlos do Carmo Carapinha

30 NOVEMBRO 2010 - 12.28h

Isto é tudo muito relativo

Categoria - Política

Anteontem, após maratona caseira de Mad Men (que com os Sopranos e The Wire, constitui o trio de ouro das séries televisivas dos últimos… vinte anos?), ocorreu-me que, de há uns dias para cá, é possível formular a seguinte frase, sem que a mesma seja uma redonda mentira ou esteja na substância incorrecta: “Tal como Mad Men, a telenovela da TVI Meu Amor foi galardoada com um Emmy”.



Carlos do Carmo Carapinha

Depois desse grande projecto, agremiador de grandes talentos, até então injustamente entregues ao basfond musical luso, chamado Amália Hoje, o Amanhã (que canta) chega agora com um novíssimo projecto, novamente agremiador do mais puro génio, que só por má-fé se pode insinuar que tresanda a Ontem. Atrevem-se a duvidar, caros leitores? Para que não haja a mais leve hesitação, passo a elencar as cabeças (e um par de dentes ralos, note-se) que humilde e desinteressadamente «recordam» e «reinventam» o Zeca: o Olavo (Bilac), o Nuno (Guerreiro), o Tozé (Santos) e o Vitor (Silva). Eu espero que isto não pare por aqui, e desde já proponho os próximos «projectos»:  

Fausto Pá!

Vitorino Já!

Janita Sim!

Zé Mário Força!

Heróis do Mar Nunca!, Que Eram Fascistas e Isso Não Vende!

Vão por mim: vai ser do caraças.



Carlos do Carmo Carapinha

27 NOVEMBRO 2010 - 12.13h

Da liberdade

Categoria - Política

O Nuno Ramos de Almeida (presença regular no Combate de Blogs) e outros grandes defensores do racionalismo e moralismo político, para delírio das massas eternamente gratas, deram a conhecer ao mundo, ou melhor, voltaram a expor de forma cintilante como é que as coisas funcionam ou devem funcionar: mais do que um direito, a greve é um dever. Quem não o exerce – o dever – é mau pai de família e, pior ainda, é conivente com (apontem por favor): as políticas do governo, o capitalismo (que é sempre uma coisa muito má), o interesse dos ricos (basicamente os grandes empresários e, como diria o Dr. Marinho Pinto, os grandes escritórios de advocacia de Lisboa), o Sr. Barroso, a América (do Norte) e a doida da Merkel. Ao Nuno Ramos de Almeida não lhe ocorre coisa diversa porque a cabeça do Nuno Ramos de Almeida está muito bem arrumadinha e organizada. Nada lhe escapa, nada faz estremecer as veneráveis certezas que o habitam, nada belisca o mundo que Nuno Ramos de Almeida tão bem observa e disseca. Não querendo pôr em causa este quadro de perfeição analítica e o entusiasmo, ora cândido, ora ardente, que o rodeia, atrevo-me a observar o mundo de forma um pouquinho diferente.

Estão as pessoas descontentes com o país? Estão. Sentem-se enganadas por um primeiro-ministro delirante? A maior parte sim (os restantes, salvo o pequeno grupo dos mentalmente empedernidos ou financeiramente engajados, começam agora a despertar para a monumental burla política levada a cabo por um primeiro-ministro que, das duas uma: ou se encontrava fora do mundo ou tentava ardilosamente varrer o lixo para debaixo do tapete). Têm, por tudo isto, direito a expressar o seu descontentamento? Têm. A greve, como direito, é uma forma de expressar esse descontentamento? É óbvio que sim. Pode um cidadão optar por não fazer greve, sem que isso signifique estar ao lado do governo ou ser-se conivente com os erros e falcatruas cometidas? O
Nuno Ramos de Almeida acha que não. Eu acho que sim. Por uma razão simples e, digamos, comezinha: liberdade. Cada um é livre de se manifestar à sua maneira. Cada um é livre de achar que a greve é inconsequente e, dadas as dificuldades do país, contraproducente. Cada um é livre de achar que perder um dia de ordenado, agrava uma situação pessoal já apertada. Cada um é livre de achar que fazer greve prejudica a empresa de que faz parte - a qual, por força da conjuntura, já enfrenta dificuldades suficientes. E que achar e pensar tudo isto, de forma livre e consciente, não é sinónimo de iniquidade moral ou distúrbio cívico.

O que não deixa de ser sempre curioso, é a forma como esta coisa da Liberdade continua, de quando em vez, de forma incompreensível e paradoxal, a não entra na cabeça de quem não raras vezes dá ares de ser o dono da clarividência e o defensor oficioso dos oprimidos – como se o «oprimido» fosse um basbaque a precisar da orientação augusta dos sages da opinião. O que não é de admirar: a História está pejada de quem, julgando-se o paladino da moral e das mais nobres ideias, mandou à fava valores «menores». Só atrapalhavam.



Carlos do Carmo Carapinha

26 NOVEMBRO 2010 - 18.20h

Irra! Berlim NÃO Cumpriu a Sua Parte do Acordo

Categoria - Política

Em Junho passado, era João Marques de Almeida que escrevia que a "Alemanha cumpriu a sua parte do contrato (se formos à Alemanha não fazemos pagamentos em Marcos, mas sim em Euros)". Agora é Henrique Raposo que diz que "Berlim cumpriu a sua parte do acordo". Por muito que insistam, a verdade factual (não é opinião, é facto!) é que a Alemanha foi um dos três primeiros países a desrespeitar o limite do défice público, que era uma das tais "regras germânicas" do euro. Se não acreditam, consultem o EuroStat.

Como
escrevi aqui em Junho, a "Alemanha não cumpriu a sua parte do contrato, ao contrário por exemplo de uma Irlanda ou mesmo de uma Espanha, países agora sob a mira do hipócrita moralismo financeiro germânico".

Ainda que já menos no plano dos factos e mais no das opiniões, é difícil aceitar a asserção de que a "Alemanha unificada era demasiado poderosa, e tinha de ser açaimada. O euro foi esse açaime institucional que os alemães aceitaram colocar" (
aqui). Sendo a Alemanha, na minha opinião e na de pensadores tão reputados como Martin Wolf, o país que mais beneficiou com o euro - o que se deve concluir isso sim, e que de resto é bem patente, é que a Alemanha tem aumentado o seu poder também graças à moeda única.

É certo que as (ir)responsabilidades políticas e financeiras portuguesas, gregas, etc. não podem ser imputadas à Alemanha. E o argumento de que nós fomos forçados ou levados a endividar-nos por causa dessas malignas taxas de juro baixas é equivalente a um atestado de menoridade nacional. Mas daí não procede que a Alemanha seja a virgem impoluta da moeda única. E os pecados de política financeira alemã tiveram consequências.

"Este problema alemão teve e tem um efeito na crise: não sendo aplicadas aos países grandes como a Alemanha e França, as regras financeiras deixam de ter credibilidade. França e Alemanha perdem qualquer tipo de legitimidade para forçar uma aplicação aos pequenos [países]. Logo, um qualquer governo grego ou português sente-se à vontade para desrespeitá-las porque sabe que não haverá sanções (tal como não chegou a haver para Portugal em 2002)". (Ler o resto
aqui).



Ricardo Vicente

25 NOVEMBRO 2010 - 20.29h

Democracia Portuguesa em Estado Mafioso

Categoria - Política

Uma das piores novidades que o Partido Socialista de José Sócrates trouxe ao país foi a mudança de enfoque no debate político das questões ideológicas e técnicas para os casos de polícia, os casos dos amigalhaços e, enfim, as questões de honestidade. Grande parte dos eleitores portugueses, quando tem de decidir entre votar, por exemplo, PSD ou PS, preocupa-se mais em saber qual dos dois partidos estará envolvido em menos "casos" e "tachos" do que com considerações de natureza ideológica ou técnica.

Com o Partido Socialista, a democracia portuguesa regrediu. As principais escolhas eleitorais deixam de se fazer em função das preferências ideológicas ou das expectativas face à competência técnica dos candidatos. O que interessa é avaliar o calibre mafioso de cada partido. Impor
ta saber quem é que tem mais ou menos connections com o cimento e as rotundas, os robalos e a sucata ou os computadores. As pessoas tendem a votar no partido que lhes parece menos desonesto. E isto, obviamente, é muito mau.



Ricardo Vicente

25 NOVEMBRO 2010 - 00.05h

Isto não está a ser cumprido, pois não?

Categoria - Política

Livro de Estilo do jornal Público, princípio geral n.º 12:

“Os textos de opinião, quer os dos colunistas regulares, quer os dos ocasionais, devem identificar o seu autor pelo nome e pelo cargo, profissão ou área de especialidade, permitindo ao leitor perceber em que qualidade o texto é escrito. Quando o autor desempenhe um cargo dirigente num partido ou movimento, tal indicação deve ser acrescentada ao nome e identificação profissional. Quando escreverem sobre matérias em que têm interesses directos ou indirectos de ordem material ou outra, os colaboradores deverão disso dar conta aos seus leitores.”



Carlos do Carmo Carapinha

24 NOVEMBRO 2010 - 19.46h

Esquerda Contra a Esquerda até ao Colapso Final

Categoria - Política

A greve geral foi organizada pela CGTP, comunista, e pela UGT, socialista. É um absurdo: a esquerda que apoia Sócrates sai à rua contra Sócrates. A esquerda que é a favor dos grandes projectos, que mais não são do que puro lixo para dar milhões aos amigalhaços da contrução civil - é essa esquerda que vai para a rua fazer greve geral. São todos incapazes de perceber que é precisamente aquilo que eles defendem - direitos adquiridos, "políticas sociais", "grandes projectos", "Estado social" - que levou o país ao cenário calamitoso actual.

São incapazes de perceber que a pressão do sector Estado sobre o sector privado verdadeiramente produtivo, por um lado, e a inutilidade dos investimentos das empresas privadas que vivem à custa de adjudicações estatais, por outro - levam à estagnação. Com o consumo parado, o investimento em lixo, as pequenas e médias empresas, incluindo as exportadoras, atrofiadas pela tributação e adminstração pública - é impossível a economia crescer. Ou o Estado emagrece a bem - AGORA - com despedimentos no Estado ou emagrecerá à bruta. Sem não se impuser austeridade agora, sem crescimento e com aumento da emigração, o sector privado desaparece, as bases fiscais evaporar-se-ão e como não é possível ir cobrar impostos aos espanhóis -  o Estado entrará em ruína. O país entra em colapso lá para 2025 e então, à bruta, será feito um reset dos direitos adquiridos e dos contratos na função pública. Mas nessa altura será tarde demais: centenas de milhares de portugueses já estarão instalados no estrangeiro. É o próprio stock do principal recurso - gente - que já se terá reduzido.



Ricardo Vicente

24 NOVEMBRO 2010 - 17.50h

Análise regressiva

Categoria - Política

Como reputado analista do Sitemeter dos principais blogues portugueses, cabe-me a seguinte reflexão: ao contrário do que acontece ao volume de visitas em dias em que não se trabalha (feriados, Sábados e Domingos), neste dia de Greve Geral os números preliminares descritivos dos acessos a cada blogue permanecem ao nível dos dias de semana, o que me sugere uma fraca adesão à paralização. Veja-se o caso do 5 Dias, um dos blogues mais agressivamente pró-Greve Geral: usualmente com 3000 visitas diárias, é costume decrescer ao Sábado e ao Domingo para cerca de 2300 visitas diárias; o que está a acontecer é que, pelas 18 horas de hoje, esse blogue já regista umas 2500 visitas, pelo que é expectável que até à meia-noite o número ultrapasse as 3000 visitas usuais para um normal dia de semana de trabalho intenso e não produtivo.



Maradona

24 NOVEMBRO 2010 - 17.11h

Back to the future

Categoria - Política

22 NOVEMBRO 2010 - 19.13h

Serviço Público

Categoria - Sociedade

Ofertas de emprego

"Pretende-se secretária para:
- Acompanhar ao estrangeiro o Advogado o tempo que for necessário. 
- Assessoriar em tudo o que for preciso para o bom exercicio da sua profissão.
- Inteligente, vivida, audaz, activa, bem falante.
- Bonita e com boa aparência.
- Elevada responsabilidade no seu trabalho.
- capaz de tudo para realizar negócios que estarão em causa muitas vezes milhões de euros.

Oferece-se remuneração elevada e percentual e outras regalias. Paga-se estadias e despesas totais com as viagens.

Enviar CV e duas fotos actuais (uma de corpo inteiro e outra de rosto) para candidaturasadvogado@gmail.com" - o sublinhado é nosso



Rui Castro

22 NOVEMBRO 2010 - 16.56h

"Tell your guy to cool it"

Categoria - Política

22 NOVEMBRO 2010 - 14.49h

E pronto, era isto

Categoria - Política

Bom dia a todos. Venho aqui na esperança de vos encontrar. Vem este profundo desejo a propósito de mais um episódio do cortejo fúnebre público do Christopher Hitchens, que tem aqui mais um (longo) episódio. Um homem que passou a vida a falar-nos parece, agora que o fim se tornou evidente, querer recuperar algo que todavia lhe escapou. Se a uma pessoa como Christopher Hitchens a vida se revelou insuficiente ao ponto de ter que acelerar o passo antes do fim, que dizer de mim, que nunca fiz nada que se aproveitasse? Cada um completará a sua vida como entenda ou possa, mas conseguir enveredar por uma azáfama final é coisa que, sinto, nunca serei capaz. Não pretendo julgar Hitchens, mas a sua energia cheira-me a coragem: é como se pretendesse provar a utilidade de se ter a consciência do fim, como se a sua simples contemplação não fosse suficiente para nos elevarmos contra a morte.



Maradona

22 NOVEMBRO 2010 - 08.10h

Normalização Alemã e Masoquismo Lusitano

Categoria - Mundo

A festa da NATO foi-se. Uma das tendências da coisa e dos tempos que passam presentemente é a da "normalização da Alemanha e da Rússia". Cada vez mais se vê a Rússia como parceira confiável; cada vez mais se aceita que a Alemanha esqueça o seu passado e, também, se pretende que os outros europeus ponham esse passado atrás das costas.

Ora isto é tudo muito suspeito. Ainda há pouco mais de dois anos, a Rússia invadiu e atacou uma democracia, a Geórgia. E na sequência dessa curta guerra, decidiu apoiar a independência de duas regiões separatistas, com isso lesando a integridade territorial daquele país do Cáucaso. A Rússia, se admitirmos que é uma democracia, é o único país que viola a chamada "paz democrática".

A Alemanha recentemente, a propósito de política financeira, propôs suspender os direitos de voto de Estados soberanos nas instâncias europeias no caso de não obedecerem a certos critérios orçamentais. Poderia compreender uma tal proposta numa situação de grave atentado aos direitos humanos por parte de um Estado. Mas, agora, suspensão de direito de voto por razões fiscais?! A chanceler Merkel põe em causa a soberania de países a propósito de contas?!

Por outro lado, o infame encontro dos líderes da Alemanha, França e Rússia em Deauville. Duvido que finlandeses, estónios, polacos, etc., etc. se sintam muito felizes com o ressurgir desta tríade. Deauville revelar-se-á mais determinante que a cimeira da NATO de Lisboa ou as reuniões do Conselho Europeu.

A Rússia tem vindo a seguir uma política de re-militarização. A Alemanha tem paulatinamente re-orientado a política externa em favor da sua economia e contra os interesses geo-estratégicos da Europa democrática. O exemplo mais evidente é o Nord Stream. Em vez de apostar na diversificação de fontes de gás natural, o que facilmente apontaria para a inclusão da Turquia na União Europeia, a Alemanha prefere fortalecer o monopólio russo.

Normalização alemã? Só se isso significar uma Alemanha cada vez mais egoísta e menos europeia. A Alemanha não está preocupada com o Euro por causa da solidez da União mas sim devido aos seus interesses comerciais. Convém lembrar que o país que mais beneficia com o Euro é a Alemanha. O Euro não é uma invenção alemã pensada no bem-estar dos pobrezinhos do Sul... E os seus laços económicos com a Rússia vão cada vez mais marginalizando uma série de Estados europeus.

A Alemanha boazinha e moralista do pós Segunda Guerra Mundial está a dar lugar à Alemanha que não olha a parceiros nem a princípios quando o objectivo é lucrar. Tal como esquece o seu passado, a Alemanha esquece
o que verdadeiramente deveria orientar a sua política externa: lealdade para com os Estados membros da União.

Mas o que me causa maior estranheza é a aceitação em tantos fora portugueses destas "normalizações". Portugal enquanto país pequeno deveria estar ao lado de uma Polónia ou República Checa. Que anormal realpolitik esta que acredita que Portugal se defende melhor ao lado dos imperialistas do que ao lado dos outros pequenos Estados!

A realpolitik portuguesa é cada vez mais uma ideologia de masoquismo ignorante. França e Alemanha têm tanto apreço por nós como têm por uma Letónia ou uma Turquia. Ao também defender a "normalização alemã e russa", Portugal coloca-se do lado errado da história e da geo-estratégia. Como sempre, não ganharemos nada com esta "grande opção" pelos grandes.



Ricardo Vicente

21 NOVEMBRO 2010 - 18.49h

É Só Para Dizer

Categoria - Outras

«[…] Em África, Vossa Santidade afirmou que a doutrina tradicional da Igreja tinha revelado ser o caminho mais seguro para conter a propagação da sida. Os críticos, provenientes também da Igreja, dizem, pelo contrário, que é uma loucura proibir a utilização de preservativos a uma população ameaçada pela sida.

Em termos jornalísticos, a viagem a África foi totalmente ofuscada por uma única frase. Perguntaram-me porque é que, no domínio da sida, a Igreja Católica assume uma posição irrealista e sem efeito – uma pergunta que considerei realmente provocatória, porque ela faz mais do que todos os outros. E mantenho o que disse. Faz mais porque é a única instituição que está muito próxima e muito concretamente junto das pessoas, agindo preventivamente, educando, ajudando, aconselhando, acompanhando. Faz mais porque trata como mais ninguém tantos doentes com sida e, em especial, crianças doentes com sida. Pude visitar uma dessas unidades hospitalares e falar com os doentes.

Essa foi a verdadeira resposta: a Igreja faz mais do que os outros porque não se limita a falar da tribuna que é o jornal, mas ajuda as irmãs e os irmãos no terreno. Não tinha, nesse contexto, dado a minha opinião em geral quanto à questão dos preservativos, mas apenas dito – e foi isso que provocou um grande escândalo – que não se pode resolver o problema com a distribuição de preservativos. É preciso fazer muito mais. Temos de estar próximos das pessoas, orientá-las, ajudá-las; e isso quer antes, quer depois de uma doença.

Efectivamente, acontece que, onde quer que alguém queira obter preservativos, eles existem. Só que isso, por si só, não resolve o assunto. Tem de se fazer mais.

Desenvolveu-se entretanto, precisamente no domínio secular, a chamada teoria ABC, que defende “Abstinence – Be faithful – Condom” (“Abstinência – Fidelidade – Preservativo”), sendo que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois não resultam. Ou seja, a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade, e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver no todo do ser pessoa.

Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.

Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos? É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.»

In Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald, Lucerna, 2010 



Rui Castro

20 NOVEMBRO 2010 - 03.21h

Um "sobretudo" muito bem colocado

Categoria - Política

Não temos nenhum respeito pela brutalidade sobre as mulheres, não acarinhamos o atraso, não defendemos uma ditadura. Sobretudo, não deixamos de denunciar que o pior destas direcções islâmicas é que são burguesas, e por isso um obstáculo à emancipação dos trabalhadores desses países.

Excerto do manifesto contra a Nato não sei bem de quem, retirado daqui.



Maradona

19 NOVEMBRO 2010 - 17.27h

Declaração de interesses

Categoria - Política

18 NOVEMBRO 2010 - 21.06h

Os Bons, os Maus e os Assim-Assim

Categoria - Outras

Maniqueísmo Dois Ponto Zero

Os bons são o Google, o Youtube, o Blogger, o Orkut e o Skype. Os maus são o Facebook e a Microsoft. Assim-assim é a Apple.



Os inúteis são o Second Life e o Twitter.



Ricardo Vicente

17 NOVEMBRO 2010 - 21.25h

Xenofobia

Categoria - Sociedade

Já é má quando se tem dinheiro, ocupação, escolaridade, se fala a língua local e se tem a cor de pele da maioria.

Agora imaginem quando não se tem nada disto.

É muito difícil; é muito má.



Ricardo Vicente

16 NOVEMBRO 2010 - 12.36h

Poderia explicar um pouco melhor, se fizer favor?

Categoria - Política

Notícia Sábado:

"Não queremos ser um factor de instabilidade", afirmou esta terça-feira o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, quando questionado sobre a hipótese de um Governo de coligação.

Gosto muito da forma meio pusilânime, meio redonda, como Pedro Passos Coelho se esforça por falar muito e não dizer nada. Se me pedissem (e eu sei que milhões de pessoas secretamente o pedem) para apontar um defeito ao actual líder do PSD, a resposta seria fácil e imediata: ouve-se Pedro Passos Coelho e raramente se sabe, em concreto, o que ele quer, para onde quer ir e, claro, como.



Carlos do Carmo Carapinha

14 NOVEMBRO 2010 - 10.46h

Estes americanos não percebem nada disto

Categoria - Política

Diz David Remnick, biógrafo de Obama e director do New Yorker, que Obama foi “publicly kicked in the ass in a colossal world historical way”. Que nada. Remnick é um idiota a precisar de se actualizar com o sage lusitano: o Dr. Mário Soares.



Carlos do Carmo Carapinha

11 NOVEMBRO 2010 - 18.27h

Cavaco Silva por Santana Lopes

Categoria - Política

Cavaco Silva tornou-se Primeiro Ministro pela primeira vez a 6 de Novembro de 1985, lembra Pedro Santana Lopes neste post.

"Faz hoje 25 anos que aconteceu a primeira vitória eleitoral do Português que melhor sabe ser Político dizendo sempre ser não - político".



Ricardo Vicente

11 NOVEMBRO 2010 - 16.02h

Lisboa a Mudar, o Resto a Continuar

Categoria - Sociedade

João Manuel Serra, o Senhor do Adeus, morreu. José Mestre, o homem sem rosto do Rossio, foi operado.

Entretanto, reparo que após uma semana sem ler jornais, nem ver televisão, sem ler blogues e quase sem passar pelo email - muito pouco mudou no mundo. Em Portugal, tirando os dois casos lisboetas referidos acima, nada mudou.

A cidade inundou e aquele socialista incompetente por lá continuou.

Os juros continuaram a subir, o FMI continou a não vir, os socialistas incompetentes e desavergonhados continuaram a não solicitar apoio ao fundo europeu de estabilidade financeira. E o orçamento passou.



Ricardo Vicente

8 NOVEMBRO 2010 - 17.54h

É a política, estúpido!

Categoria - Política

O Dr. Nogueira Leite, num acto que revela toda a sua magnanimidade, decidiu mimar-me com este texto.

Embora não sinta que mereça tamanha atenção do putativo ministro das finanças, muito menos tendo como co-destinatário o Filipe Nunes Vicente, pessoa que muito estimo e que vale mais do que 10 Nogueiras Leite juntos, ainda assim não resisto responder.

Desde logo, para estranhar que o candidato a ocupar o lugar de Teixeira dos Santos se preocupe publicamente em pedir a suspensão de projectos que, de acordo com o próprio, "são absolutamente marginais para o valor da companhia..."

Por outro lado, e sem perder mais tempo com quem, apesar de não parecer, é suposto ter mais que fazer, sugiro que o Dr. Nogueira Leite seja coerente, demitindo-se da BRISA ou evitando dar sentenças a propósito de matérias com as quais está manifestamente comprometido.

De resto, Dr. Nogueira Leite, não perca a esperança, vai mais do que a tempo para aprender a fazer contas.



Rui Castro

6 NOVEMBRO 2010 - 21.48h

Crime, disse ele *

Categoria - Política

5 NOVEMBRO 2010 - 16.13h

É que estou mesmo mais descansado

Categoria - Política

O Sr. Jorge Lacão, do alto da sua bonomia e magnanimidade, «admitiu» que a questão dos (altos) salários dos «gestores» da RTP, é uma «matéria a reflectir», achando-se «disponível» para discutir o assunto. Por amor à Pátria, disse: «não deve haver temas tabus».

Ao contrário do senhor primeiro-ministro, seu chefe (adepto da procrastinação e avesso a previsões, como confessou em recente entrevista televisiva a um par de bonecos que se julgaram capazes de entrevistar aquela máquina de retórica), o Sr. Jorge Lacão, num rasgo de génio e de amor à Pátria, está neste momento convicto de que o país poderá enfrentar dificuldades futuras. Como tal, ele está «disponível». Para reflectir. Amém.



Carlos do Carmo Carapinha

5 NOVEMBRO 2010 - 15.03h

Enguia?

Categoria - Política

Politician, n. An eel in the fundamental mud upon which the superstructure of organized society is reared.

O cinismo e a cretinice demonstradas por José Sócrates – que, atenção, é o primeiro-ministro do meu país - no aproveitamento que fez do discurso de Manuel Ferreira Leite no Parlamento (que pôs a nu a inépcia argumentativa e negocial do governo mas, também, embora em menor grau, a do seu próprio partido), tornam obsoleta, por insuficiência «abjectiva», a frase de Ambrose Bierce quando aplicada ao, repito, primeiro-ministro de Portugal. Estamos perante um ser político habitante de outros submundos.

É toda uma classe política que se afunda por culpa de uma agremiação de politicos de quinta categoria, cuja cultura democrática e dimensão moral envergonham qualquer um. 



Carlos do Carmo Carapinha

5 NOVEMBRO 2010 - 14.59h

Playlist

Categoria - Política

A playlist de Luis Pinheiro de Almeida (esta semana, na TSF, entre as 13h e as 14h) parece saída de um acampamento de catequistas da década de setenta, com direito a escapadela oficialmente acidental à congregação de uma seita semi-religiosa vizinha, para quem o sexo e o naturalismo são os catalisadores preferências de todos os chacras.



Carlos do Carmo Carapinha

3 NOVEMBRO 2010 - 23.59h

A Campanha Eleitoral das Legislativas Já Começou

Categoria - Política

Esta notícia do Público: "José Sócrates assegurou hoje à noite que as medidas de combate à crise financeira não vão passar pelo despedimento de funcionários públicos".

Sócrates já está em campanha eleitoral para as legislativas de 2011. Isto é, Sócrates já interiorizou que vai ser demitido assim que for constitucionalmente possível. E está já a dar a entender que, uma vez aprovado o orçamento, reinicia-se o regabofe perdulário da despesa pública.



Ricardo Vicente

3 NOVEMBRO 2010 - 00.56h

O lado escondido

Categoria - Política

Os debates da Assembleia da República são a desgraça a que já nos habituámos, com o Primerio Ministro a responder o que muito bem entende às perguntas e às mitológicas "interpelações à mesa" como se de uma oportunidade de ouro para atacar o PSD se tratasse, o Bloco de Esquerda e o PCP a fazerem o habitual teatro contra a banca, o CDS tentando auto-virginar-se (esquecendo-se de que os seus três aninhos de governo foram, na essência, degraus para o que hoje estamos a viver). Da imagem de formigas da politiquice mesquinha a que a nossa democracia desgraçadamente se submete escapam meia dúzia de deputados: o Francisco Louçã porque é obviamente uma pessoa brilhante, o Honório Novo (um tipo curiosíssimo), o João Galamba, a Assunção Cristas e muitos, muitos poucos mais. Arrumado e desaconselhado o triste espectáculo de ontem, quem quiser assistir a uma hipótese do que deveria ser a casa de onde se governa um país, pode tentar assistir ao fabuloso colóquio organizado pela Assembleia da República que juntou, naquele recinto mais pequenino, deputados e uma catrefada de especialistas nacionais e internacionais nas finanças e nessas coisas assim: Kenneth Rogoph, Teodora Cardoso, Braga de Macedo, Ricardo Reis, Silva Lopes e outros, durante umas horas explicaram bem explicadinho como é que chegámos até aqui. Apesar das perguntas de João Galamba (que exibiu o seu inglês) e Assunção Cristas (amo-a), a coisa vale mais pelas palestras dos especialistas que por qualquer diálogo com os deputados. Nesta página poderão encontrar documentos sobre o evento, bem como o video e o audio.



Maradona

2 NOVEMBRO 2010 - 16.58h

Recebido por e-mail

Categoria - Política

"Um homem, voando num balão, dá conta de que está perdido. Avista um homem no chão, baixa o balão e aproxima-se:
- Pode ajudar-me? Fiquei de encontrar-me com um amigo às duas da tarde; já tenho um atraso de mais de meia hora e não sei onde estou...
- Claro que sim! - responde o homem: O senhor está num balão, a uns 20 metros de altura, algures entre as latitudes de 40 e 43 graus Norte e as longitudes de 7 e 9 graus Oeste.
- É consultor, não é?
- Sou sim senhor! Como foi que adivinhou?
- Muito fácil: deu-me uma informação tecnicamente correcta, mas inútil na prática. Continuo perdido e vou chegar tarde ao encontro porque não sei o que fazer com a sua informação...
- Ah! Então o senhor é o José Sócrates!
- Sou! Como descobriu?
- Muito fácil: O senhor não sabe onde está, nem para onde ir, assumiu um compromisso que não pode cumprir e está à espera que alguém lhe resolva o problema. Com efeito, está exactamente na mesma situação em que estava antes de me encontrar. Só que agora, por uma estranha razão, a culpa é minha!..."   



Rui Castro

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

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