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29 MARÇO 2010 - 17.32h

Aviso à navegação

Categoria - Política

Para usar de magnanimidade é suposto ser-se magnânimo. 



Rui Castro

29 MARÇO 2010 - 13.57h

Direita, Esquerda e Saúde in USA

Categoria - Política

Alguma esquerda portuguesa anda muito contente com a aprovação da reforma do sistema de saúde levada a cabo por Barack Obama. Eu também fico muito contente por a esquerda estar contente: mesmo com esta reforma, o sistema de saúde norte-americano é bastante "à direita", o que tem bastantes aspectos positivos (e também vários negativos).


O erro de algumas esquerdas europeias é não perceber que as políticas obamistas, em especial, e do(s) Partido(s) Democrata(s), em geral, são muito mais à direita que a maioria das propostas das direitas mainstream europeias. Obama é way more de direita do que um qualquer sarkozy, berlusconi ou merkel.


Vendo bem, a falta de percepção das esquerdas europeias, sobretudo das mais radicais, é exactamente a mesma das direitas mais radicais norte-americanas, só mudando o sinal. Estas acreditam que a reforma de saúde de Obama coloca os Estados Unidos no caminho do socialismo...


Nem Barack Obama, numa perspectiva europeia, é de esquerda (como a esquerda europeia parece acreditar), nem as suas políticas sociais tornam os Estados Unidos num welfare state à europeia (como muita direita americana teme).


Já agora, nem só a esquerda europeia e a direita americana se enganam: muita direita há (em Portugal, por exemplo) que prefere ignorar obstinadamente os méritos de Obama pelo simples facto de este ter sido perfilhado pela esquerda europeia. Nada de mais errado: em primeiro lugar, porque muito do que o Obama faz é (infelizmente) mera continuação do que já fazia George W. Bush, que era (infelizmente também) largamente apoiado por muita da direita europeia. Em segundo lugar, porque muitas das políticas de Obama enquadram-se perfeitamente nas várias doutrinas das direitas europeias.


Com mais ou menos reforma, com mais ou menos Obama, o sistema de saúde americano vai continuar a ser baseado nos seguros privados de saúde, nas contribuições para o sistema pagas pelos empregadores e na empresarialização generalizada de todas as unidades de saúde. Se este sistema é bom ou mau, melhor ou pior - há aqui matéria para debate interessante e infindável. Mas deveria ser mais que evidente, para esquerdistas e direitistas, de àquem e além Atlântico, que este sistema de socialista não tem nada e de direita tem praticamente tudo.


E o alargamento do sistema aos mais desfavorecidos é uma política de direita. Apoiar quem verdadeiramente precisa, quem não tem um mínimo de condições à partida é e devia ser política praticada pela direita. E isto, claramente, não deve ser confundido com um avanço na direcção da subsídio-dependência tão do agrado das esquerdas europeias. De qualquer forma, se as esquerdas ficam contentes com a reforma, ainda bem. Eu também fico muito contente.



Ricardo Vicente

28 MARÇO 2010 - 11.52h

Obama de Boa Saúde

Categoria - Política

A reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos defendida por Barack Obama foi finalmente aprovada. O objectivo essencial desta reforma é alargar o acesso à saúde aos sectores sociais mais carenciados. Este objectivo foi ampla (mas não totalmente) atingido. São boas notícias para os Estados Unidos.


Simplificando muito, o principal argumento de quem estava contra a reforma do sistema de saúde era o aumento dos custos para o Estado, uma vez que aquela visava abranger algumas dezenas de milhões de cidadãos que não possuíam nenhum seguro de saúde.


Naturalmente, as políticas sociais têm custos e a questão fundamental é sempre a mesma: saber se os benefícios justificam os custos. Deixando de lado o aspecto quantitativo, parece-me que há poucas coisas tão facilmente justificáveis como apoiar os mais desfavorecidos. E isto sobretudo quando o que está em causa - acesso à saúde - é um dos elementos mais básicos do conjunto de oportunidades mínimas à partida de que qualquer pessoa em qualquer país do mundo deveria dispor.


Certamente que é importante reduzir a factura da saúde norte-americana. Mas não era logicamente válido nem politicamente aceitável fazer depender o alargamento do sector saúde aos mais pobres da redução dos custos do mesmo sector. Os pobres não são responsáveis pelas falhas de mercado (resumindo: pouca concorrência) de que beneficiam os grandes conglomerados das indústrias médica e farmacêutica. Os mais excluídos não têm de ficar à espera que se resolva primeiro a questão dos custos para só depois poderem finalmente aceder ao sistema.


Este é, aliás, o erro principal de uma certa direita norte-americana no debate sobre a saúde: em vez de agitar o fantasma da deriva "socialista" levada a cabo por Obama, a direita deveria era preocupar-se mais com o bom funcionamento dos mercados da saúde. A causa principal para os incomparavelmente elevados custos do sistema de saúde nos Estados Unidos é a falta de concorrência, por exemplo entre hospitais, e a desproporcionada dedutibilidade de certas despesas. Quem pode deduzir não olha a poupanças e prodigaliza o dinheiro público (indirectamente) em miríades de serviços (consultas, testes, medicações) sem olhar a preços. E, claro está, quando  o utente não olha a preços, o fornecedor sobe-os à vontade.


A bandeira da concorrência e do bom funcionamento dos mercados é, tradicionalmente, património da direita. Assim como também o são a compaixão pelos mais desfavorecidos e a igualdade de oportunidades (ou a defesa de um mínimo de oportunidades à partida). Tudo isto estava em causa no debate da reforma da saúde. A direita norte-americana, ao ter estado contra esta reforma, prestou um mau serviço à dignificação e implementação daquele património.



(P.S.: Uma boa parte do debate girou em torno do conceito de "voluntariamente não-segurado" e qual a proporção de não-segurados - pessoas sem seguro de saúde - que o eram voluntariamente. Não me parece nada correcto dizer que alguém que ganha seiscentos dólares por mês e que não toma a iniciativa de adquirir um seguro privado de saúde o faça "voluntariamnte". O exercício da liberdade em sentido lato e da liberdade de escolha de consumo em particular compreende um mínimo de riqueza. Não perceber isto tem sido também um dos erros mais lamentáveis da direita do outro lado do Atlântico norte e de alguns catos institutes desta vida).



Ricardo Vicente

Noto, sem surpresa mas com alguma decepção, que muitos dos que dizem que é preciso debater ideias e não pessoas quando se fala do futuro do PSD não se coíbem de ataques ad hominem a quem se disponibiliza para ser parte activa nesse debate.

Vasco Obelix Campilho, que quando era pequeno caiu num caldeirão de fermento de construção de ideias, ainda não compreendeu que um "debate" exige dois campos, e pode dar-se o caso que um deles não reconheça autoridade ou estímulo suficiente no opositor para que tal nobre actividade seja, sequer, iniciada. A esta falta de imaginação e sintomática imodéstia, junta-se a cansativa teoria de que o país carece de "ideias" ou, quando não, "projectos". Que se pense que alguma ideia ou projecto que a ninguém tenha ocorrido possa brotar de um lodaçal de banalidades como Ângelo Correia ou de uma protuberância mediática de voz colocada como Pedro Passos Coelho revela o bungy jumping a que a pessoa de bem seria forçada para se poder ser "parte activa" no fantasioso "debate"; mas que Vasco Campilho nem compreenda que, por mais miraculosas ou revolucionariamente geniais as ideias que se tenha na manga, a capacidade de as aplicar com método e eficiência depende única e exclusivamente do indefinido e inexplicável carácter da pessoa que por elas dá a cara e os argumentos, e que portanto os ataques "ad hominem" são a essência porque devemos aceitar ou rejeitar um líder, já confere com a hipótese de que esta coisa das directas bicefalizou irremediavelmente o PSD: da mescla quase perfeita de elitismo, populismo e messianismo que produziu Sá Carneiro ou Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa ou, deus me perdoe, Durão Barroso, a ligação às bases excretou o elitismo e o messianismo, sobrando esta neo-sebastianismo triste, de vistas curtas e à exacta medida de Portugal, que é popular sem inspirar, que lidera sem ter sido sonhado, que pensa porque é bonito, e que, em última instância, só se imagina a si própria.



Maradona

27 MARÇO 2010 - 19.15h

Pê Ésse Dê

Categoria - Política

(i) Nos últimos e longos tempos, o maior dos maiores erros que o PSD cometeu foi ter afastado e desaproveitado Marques Mendes. Substituí-lo por um autarca foi desastre, substituí-lo por uma não-política foi um drama. Finalmente, o terceiro líder pós-desaproveitamento-de-Marques Mendes é Pedro Passos Coelho, que chega à liderança do partido quando já falta muito pouco para o partido liderar o país. Desejo que não venha aí nem mais desastre nem mais drama.

É que o PSD é fundamental ao país, sobretudo neste contexto em que o PS não só prossegue políticas miseráveis e irresponsáveis como é causa de um afundamento ético que se alastra à maioria das instituições sob a sua alçada.


(ii) Parece que a "ruptura" de Paulo Rangel, que supostamente teria a ver com o repúdio de uma certa cultura política instalada, terá sido entendida como "ruptura" com o próprio (ou dentro do próprio) partido, o que, naturalmente, lhe impossibilitou a obtenção de apoios suficientes para o vencer.

Esta derrota não foi pois muito surpreendente: com o PS, o PSD tem sido um dos partidos quase hegemónicos na política, administração e maioria dos sectores sociais da era democrática. O PSD é, assim, uma das fontes e sustentos da tal cultura política que Paulo Rangel visava alterar. Pretender transformar a mentalidade política do país, ainda que muito timidamente, implicava forçosamente mudar um dos partidos que suporta e se acomoda com essa mentalidade.


(iii) Este é aliás um dos principais problemas de Portugal: com uma "sociedade civil" que, fora dos partidos e dos sindicatos, não tem organização nem poder nenhuns, quaisquer mudanças a nível nacional têm de ser realizadas por via dos partidos. Mas estes são precisamente os principais garantes do status quo. Terá sido este o "erro" de Rangel: o de não se aperceber que, ao propôr uma ruptura para o país, colocava-se contra o próprio partido que ambicionava conquistar.


(iv) É bem possível que, com a eleição de Pedro Passos Coelho, o PSD tenha voltado a desaproveitar algum do melhor capital humano de que dispõe. Espero que não: caso contrário, não será só a si mesmo que o partido se desaproveita: o PSD estará a desaproveitar o próprio país.



Ricardo Vicente

25 MARÇO 2010 - 23.20h

O miúdo faz-se

Categoria - Política

Num outro texto, igualmente enigmático, a criatura Nogueira Leite escreve o seguinte:

"(...) A sucessão de pequenos rancores destes (mais ou menos) jovens que de "conquistadores" passaram a capturados pela habilidade do nosso amigo Paulo leva-me a pensar que talvez esteja na altura de uma conversa de pé-de-orelha com o patrono desta pequena mas tão aguerrida orquestra. É que, para meu gosto, a pequenada anda muito à solta..."

Embora, mais uma vez, o autor da bonita prosa tenha optado por não identificar o destinatário (há aqui qualquer coisa de patológico), percebe-se, pela leitura dos diversos textos, que me é dirigido. 

Confesso que fico bastante mais tranquilizado. O que Nogueira Leite aqui demonstra é o apreço pelos métodos socráticos, ao invocar a amizade que tem pelo "Paulo" - imagino que esteja a falar do Presidente do Conselho de Administração da Cofina, dona da Sábado -, admitindo que precisa de falar com ele para acalmar a "pequenada".

Ficamos, pois, com a certeza de que, caso Passos Coelho (apoiado por Nogueira Leite) seja eleito, poucas diferenças existirão relativamente ao actual primeiro-ministro. Talvez mudem as moscas.



Rui Castro

25 MARÇO 2010 - 22.57h

Logo viste o quê, Vasco?

Categoria - Política

O Vasco Campilho, sempre amigo dos seus amigos, decidiu defender o indefensável. Para o efeito, faz uma pergunta, sem que, no entanto, pretenda ouvir a resposta. O Vasco pergunta se o nojo que o sujeito que atende pelo nome de Nogueira Leite escreveu há dias não corresponde à verdade. Para se situarem, transcrevo aqui parte do texto:

"(...) Em particular, dar atenção como se deu, a uma criatura, supostamente profissional da academia, que aos trinta e muitos anos, sem curriculum, apenas pode reclamar um lugar de professor não-se-quê numa espécie de escola de ensino superior assim ao nível do instituto das novas profissões, e levá-la a pensar que é um valor para um dia qualquer no futuro, é muita maldade. Maldade, aliás, pela qual, e no que me toca, duplamente me penitencio: a criatura é truculenta e a indigência pública é sempre um espectáculo triste (...)"

Antes de mais, Vasco, convinha que o autor deste lixo tivesse tido a coragem de identificar o destinatário das suas palavras. Caso contrário, para além de não ser possível avaliar da maior ou menor correspondência com a realidade, até podíamos pensar que o Nogueira Leite estava com medo de dizer a quem se dirigia.

Depois, gostava que me dissesses se subscreves a parte que aqui citei, nomeadamente as considerações feitas acerca do currículo do visado (que ambos sabemos ser o Pedro Picoito) e, finalmente, os adjectivos utilizados.

O combate político é salutar e faz parte das regras do jogo. Estranho, porém, que pactues com a iniquidade e a ordinarice de quem, dado o vasto currículo e a idade que já tem, devia era ter juizinho.



Rui Castro

25 MARÇO 2010 - 19.22h

La Leche, El Matador

Categoria - Política

Intrigados com o sucesso do economista Nogueira Leite, para lá de Badajoz, fomos à fronteira fazer um inquérito (sem qualquer rigor científico) para tentar perceber a real dimensão do fenómeno. Ficámos verdadeiramente impressionados. Adivinhem lá qual o TOP 3 dos famosos (para lá de Badajoz, entenda-se):

  



Rui Castro

25 MARÇO 2010 - 19.04h

Sobre matilhas e emigrantes famosos

Categoria - Política

Na caixa de comentários deste texto do FAL, escreve a musa inspiradora de Passos Coelho (dizem as más línguas que vai ser o próximo primeiro-ministro. Não me surpreende. Depois de ter visto um porco a andar de bicicleta, já acredito em tudo), Nogueira Leite:
"De António Nogueira Leite a 24 de Março de 2010 às 15:24
Luis, essa matilha de gente desqualificada vive para si própria. Se isso os anima, deixemo-los em paz. Onde interessa, nas instituições, nas empresas, nas boas universidades, para lá de Badajoz, ninguém os conhece [gosto muito desta parte], ninguém os ouve, ninguém lhes liga. Antes a autocomiseração da matilha a termos os nossos impostos a pagar-lhes as consequências do estado em que vivem."
Mais uma vez, e tirando os erros de português (há que relevar, pois a criatura é economista), não há muito que se possa dizer sobre este belo naco de prosa. Fica para memória futura.



Rui Castro

25 MARÇO 2010 - 18.46h

Isto também é uma questão política

Categoria - Política

A Páscoa aproxima-se



Tiago de Oliveira Cavaco

25 MARÇO 2010 - 16.52h

PEC

Categoria - Política

Há dias, Ferreira Leite, referindo-se ao PEC, dizia qualquer coisa como são medidas inaceitáveis e, ainda assim inevitáveis. A expressão, mais do que infeliz, revela aquilo em que se tornou a política em Portugal, em especial nos 2 partidos que ocupam o centro no espectro político português. Morna, pragmática e ineficaz. Morna, porque é feita sem chama, por pessoas que preferiam estar noutro sítio a fazer outra coisa qualquer. Pragmática, porque asséptica e sem quaisquer compromissos ideológicos. Finalmente, ineficaz, porque é reactiva, não assumindo os seus protagonistas os custos das decisões que importava tomar. Adiante.
A aprovação do PEC, com a abstenção do PSD, é a constatação do que escrevi em cima. Que o PS pretenda adiar o fim do regime, não admira. O que custa a engolir é que a actual direcção do PSD, a pretexto de uma falsa estabilidade, e em vésperas de eleger um novo líder, assuma o papel de colaboracionista na aprovação de um Plano que, sem nada resolver, impõe sacrifícios injustos a quem pouco ou nada tem a ver com a situação calamitosa a que chegaram as contas públicas.
A capitulação do PSD, encurralado por um Governo sem qualquer credibilidade e, pior, que recusa assumir a responsabilidade - que é sua - pela dimensão da crise em que nos encontramos, é bem demonstrativa da sua incapacidade em assumir-se como alternativa de poder.



Rui Castro

25 MARÇO 2010 - 16.43h

"Uma agressão ao Papa"

Categoria - Política

Carta de Marcello Pera, publicada no Corriere della Sera:
"A questão dos sacerdotes pedófilos ou homossexuais, que rebentou recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. E, dadas as enormidades temerárias da imprensa, cometeria um grave erro quem pensasse que o golpe não acertou no alvo - e um erro ainda mais grave quem pensasse que a questão morreria depressa, como morreram tantas questões parecidas. Não é isso que se passa. Está em curso uma guerra. Não propriamente contra a pessoa do Papa porque, neste terreno, tal guerra é impossível: Bento XVI tornou-se inexpugnável pela sua imagem, pela sua serenidade, pela sua limpidez, firmeza e doutrina; só aquele sorriso manso basta para desbaratar um exército de adversários. Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo. Os laicistas sabem perfeitamente que, se aquela batina branca fosse tocada, sequer, por uma pontinha de lama, toda a Igreja ficaria suja,e se a Igreja ficasse suja, suja ficaria igualmente a religião cristã. Foi por isso que os laicistas acompanharam esta campanha com palavras de ordem do tipo: «Quem voltará a mandar os filhos à igreja?», ou «Quem voltará a meter os filhos numa escola católica?», ou ainda: «Quem internará os filhos num hospital ou numa clínica católica?» Há uns dias, uma laicista deixou escapar uma observação reveladora: «A relevância das revelações dos abusos sexuais de crianças por parte de sacerdotes mina a própria legitimação da Igreja Católica como garante da educação dos mais novos.» Pouco importa que semelhante sentença seja desprovida de qualquer base de prova, porque a mesma aparece cuidadosamente latente: «A relevância das revelações»; quantos são os sacerdotes pedófilos? 1%? 10%? Todos? Pouco importa também que a sentença seja completamente ilógica; bastaria substituir «sacerdotes» por «professores», ou por «políticos», ou por «jornalistas» para se «minar a legitimação» da escola pública, do parlamento, ou da imprensa. Aquilo que importa é a insinuação, mesmo que feita à custa de um argumento grosseiro: os sacerdotes são pedófilos, portanto a Igreja não tem autoridade moral,portanto a educação católica é perigosa, portanto o cristianismo é um engano e um perigo. Esta guerra do laicismo contra o cristianismo é uma guerra campal; é preciso recuar ao nazismo e ao comunismo para se encontrar outra igual. Mudam os meios, mas o fim é o mesmo: hoje, como ontem, aquilo que se pretende é a destruição da religião. Ora, a Europa pagou esta fúria destrutiva ao preço da própria liberdade. É incrível que sobretudo a Alemanha, que bate continuamente no peito pela memória desse preço que infligiu a toda a Europa, se esqueça dele, hoje que é democrática, recusando-se a compreender que,destruído o cristianismo, é a própria democracia que se perde. No passado, a destruição da religião comportou a destruição da razão; hoje, não conduz ao triunfo da razão laica, mas a uma segunda barbárie. No plano ético, é a barbárie de quem mata um feto por ser prejudicial à «saúde psíquica» da mãe. De quem diz que um embrião é uma «bola de células», boa para fazer experiências. De quem mata um velho porque este já não tem família que cuide dele. De quem apressa o fim de um filho, porque este deixou de estar consciente e tem uma doença incurável. De quem pensa que progenitor «A» e progenitor «B» é o mesmo que «pai» e «mãe». De quem julga que a fé é como o cóccix, um órgão que deixou de participar na evolução, porque o homem deixou de precisar de cauda. E por aí fora. Ou então, e considerando agora o lado político da guerra do laicismo contra o cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, eliminado o cristianismo, restará o multiculturalismo, de acordo com o qual todos os grupos têm direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que todas as culturas são igualmente boas. O pacifismo, que nega a existência do mal. Mas esta guerra contra o cristianismo seria menos perigosa se os cristãos a compreendessem; pelo contrário, muitos deles não percebem o que se está a passar. São os teólogos que se sentem frustrados com a supremacia intelectual de Bento XVI. Os bispos indecisos, que consideram que o compromisso com a modernidade é a melhor maneira de actualizar a mensagem cristã. Os cardeais em crise de fé, que começam a insinuar que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor repensar essa questão. Os intelectuais católicos que acham que a Igreja tem um problema com o feminismo e que o cristianismo tem um diferendo por resolver com a sexualidade. As conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e, enquanto auguram uma política de fronteiras abertas a todos, não têm a coragem de denunciar as agressões de que os cristãos são alvo, bem como a humilhação que são obrigados a suportar por serem colocados, todos sem descriminação, no banco dos réus. Ou ainda os chanceleres vindos do Leste, que exibem um ministro dos negócios estrangeiros homossexual, ao mesmo tempo que atacam o Papa com argumentos éticos; e os nascidos no Ocidente, que acham que este deve ser laico, que o mesmo é dizer anti-cristão. A guerra dos laicistas vai continuar, quanto mais não seja porque um Papa como Bento XVI sorri, mas não recua um milímetro. Mas aqueles que compreendem esta intransigência papal têm de agarrar na situação com as duas mãos, não ficando de braços cruzados à espera do próximo golpe. Quem se limita a solidarizar-se com ele, ou entrou no horto das oliveiras de noite e às escondidas, ou então não percebeu o que está ali a fazer."



Rui Castro

24 MARÇO 2010 - 15.59h

Albergue Espanhol (1)

Categoria - Política

António Nogueira Leite, figura pública sobejamente conhecida para lá de Badajoz, dedicou ontem um texto a alguém que não identificou (estilo toca e foge):
"(...) Apareceram variadíssimos novos e valiosos talentos. Porém, e como sempre, o pano deixou-se sujar por algumas nódoas. Em particular, dar atenção como se deu, a uma criatura, supostamente profissional da academia, que aos trinta e muitos anos, sem curriculum, apenas pode reclamar um lugar de professor não-se-quê numa espécie de escola de ensino superior assim ao nível do instituto das novas profissões, e levá-la a pensar que é um valor para um dia qualquer no futuro, é muita maldade. Maldade, aliás, pela qual, e no que me toca, duplamente me penitencio: a criatura é truculenta e a indigência pública é sempre um espectáculo triste. (...)"
O Francisco Almeida Leite, com quem simpatizo, defende o camarada de blogue, invocando o seu vasto currículo. Confesso que, ao contrário do Francisco, considero que quanto maior o currículo menos tolerância se deve ter com o disparate. Basta, aliás, ler os dislates que a criatura escreveu depois do texto do Francisco para se constatar a sua inimputabilidade. Resta saber se pessoas, que muito estimo - como o Francisco, a Isabel Teixeira da Mota, o Pedro Correia, a Filipa Martins ou o João Villalobos, entre outros -, subscrevem as baboseiras do António Nogueira Leite.



Rui Castro

23 MARÇO 2010 - 16.52h

Do nojo

Categoria - Política

Já li 2 versões deste (diz que é um) texto. O seu autor é António Nogueira Leite, cujo ego é quase tão grande como a sua pesporrência. Para quem não acompanha habitualmente os seus escritos no Albergue Espanhol ou no twitter (eu costumava fazê-lo até ao dia em que a criatura decidiu bloquear-me), convém esclarecer que o visado no texto é o Pedro Picoito, por quem o António Nogueira Leite mantém uma fixação doentia. Embora o (baixo) nível do texto desaconselhe grandes elucubrações, não consigo deixar de soltar uma gargalhada perante as (des)considerações que Nogueira Leite faz sobre currículo do Pedro Picoito. Ele, Nogueira Leite, que foi secretário de estado de António Guterres e apoia agora Passos Coelho à presidência do PSD. É de gargalhada.

nota (i): não sou do PSD nem tão-pouco amigo do Pedro Picoito.

nota (ii): tenho alguma dificuldade em compreender como é que pessoas que considero, certamente subscritores do que aqui se escreveu "Aqui não irá encontrar polémicas esdrúxulas e inúteis. Connosco, os ataques pessoais, as guerras intestinas e as perseguições políticas (e outras) ficam à porta", admitem partilhar a mesma casa com alguém que escreve coisas tão desprezíveis como Nogueira Leite.



Rui Castro

23 MARÇO 2010 - 16.02h

Vistas curtas

Categoria - Política

 

Este senhor arrisca-se a ser o próximo primeiro-ministro. Pena é que os militantes do PSD ainda não tenham percebido que não passa de uma versão, para pior, do actual chefe de governo, José Sócrates. Triste país, este.



Rui Castro

23 MARÇO 2010 - 15.51h

PDL

Categoria - Outras

23 MARÇO 2010 - 11.12h

PR

Categoria - Política

Depois de Fernando Nobre, candidato da área socialista, ter feito duras críticas ao Governo e às suas políticas, também Manuel Alegre se demarca do seu partido em questões essenciais de governação. O PS não vai ter, pois, tarefa fácil na escolha do seu candidato à presidência. Não deixaria de ser curioso que Sócrates sentisse a necessidade de optar por uma terceira via. Cavaco agradece.



Rui Castro

23 MARÇO 2010 - 10.43h

Isabel Moreira, a professora doutora das minorias

Categoria - Política

A Isabel Moreira, num texto pseudo-irónico, tenta convencer-nos de que está do lado da maioria dos constitucionalistas no que ao casamento entre pessoas do mesmo sexo respeita. Nada menos verdadeiro. A posição da Isabel Moreira - que defende a inconstitucionalidade da actual lei civil, na medida em que não permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo -, ao contrário do que pretende fazer crer, não tem adeptos entre constitucionalistas e foi inclusivamente reprovada pelo recente Acórdão do TC que a própria cita. Jorge Miranda, pelo contrário, conta com Freitas do Amaral (publicista, autor de um projecto de revisão constitucional), entre muitos outros juristas (Paulo Otero, por exemplo). Estamos convencidos, ainda assim, que a Isabel Moreira há-de encontrar o seu Sexta-Feira.



Rui Castro

20 MARÇO 2010 - 22.57h

New blog on the block

Categoria - Sociedade

Cocó, ranheta e facada. Suspeito quem possam ser, mas prefiro continuar na (quase) ignorância. Ide ler. É do estilo anónimos como o Abrantes mas com muito mais nível.



Rui Castro

19 MARÇO 2010 - 09.53h

Droit au but

Categoria - Desporto

Pedro, já se sabe com quem é que o Porto vai jogar na próxima jornada europeia? 



Rui Castro

15 MARÇO 2010 - 15.01h

Brincalhão

Categoria - Política

Calma aí, Bernardo. O mentor da proposta (idiota) não é primeiro-ministro e o PSD não é nenhum órgão de comunicação social. 



Rui Castro

13 MARÇO 2010 - 20.03h

O desempregado da política

Categoria - Política

O dr. Pedro Passos Coelho anunciou que em 1999 foi fazer "outras coisas", para não se tornar um "empregado da política". Depois, enigmaticamente, ajoelhou-se para pedir que as acusações que lhe tivermos que fazer o façamos "cara a cara", para ele se "poder defender". Não percebeu o dr.Pedro Passos Coelho que ninguém o acusa de nada, que de nada se tem que defender. A vida do dr. Pedro Passos Coelho é tão clara e pública como a de qualquer outro político. O dr. Mário Soares ou o professor doutor Anibal Cavaco Silva, para citar os exemplos mais óbvios e grandiosos, viveram sempre da e na política, e ainda hoje o dr. Marques Mendes teve a inteligência e a justiça de agradecer à política tudo aquilo que dela recebeu e que ele nunca poderá retribuir. Mora aqui a diferença fundamental entre a estirpe de políticos "profissionais" como o dr. Passos Coelho, que, devagarinho mas assustadoramente, têm feito o seu caminho em direcção ao centro da nossa democracia: não se trata de uma simples vocação ou gosto pela actvidade política, mas de um modelo de vida que se pretende seguir como quem tenta sobrepôr o seu percurso vital ao do personagem principal do filme preferido. Aprecia-se a política, mas não, verdadeiramente, a luta e o embate; Alberto João Jardim, ao se sentar ao lado de Paulo Rangel aquando da desajeitada tentativa de aproximação do dr. Passos Coelho, é o exemplo perfeito para ilustrar a diferença entre os que fizeram questão de viver uma vida na política, e estes novos agora, que apenas querem uma vida de política: a primeira faz questão de incluir, e por vezes abraçar com amor, a agressão e a violência, a segunda é apenas um meio de se passar pela vida confortavelmente. Espero que com isto o dr. Pedro Passos Coelho compreenda que mais depressa voto no professor doutor Francisco Louçã que nele. Cordialmente, uma pessoa que não acusa ninguém de nada "cara a cara", eu é mais blogues anónimos.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 19.08h

Futuro, que Portugal?

Categoria - Política

Demonstrando grande atenção aos interesses dos seus accionistas, a TSF aproveita o discurso do José Pedro Aguiar Branco para passar ao relato do Braga - Rio Ave. Fossem assim todas as nossas PMEs e seriamos uma Suiça de clima ameno.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 19.03h

Mister Parker

Categoria - Política

Paulo Rangel acaba de celebrar a a fundamental liberdade do ser humano militante do PSD lembrando que caba um, e passo a citar rigorosamente, "é dono do seu polegar, do seu indicador, com que segura a caneta."



Maradona

13 MARÇO 2010 - 18.52h

Não é assim que me fisgam

Categoria - Política

Parece-me mau sinal que se repita inúmeras vezes que Portugal tem o maior desemprego da sua história sem se dedicar uma única linha às dificuldades de governar um país durante a maior crise económica mundial dos últimos oitenta anos.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 18.20h

O dr. Pacheco Pereira tem razão

Categoria - Política

De Marcelo Rebelo de Sousa a Marques Mendes, de Pedro Santana Lopes a Alberto João Jardim, todos anseiam por união dentro do PSD, a qual, supostamente, tem faltado e, ainda mais supostamente, seria a grande responsável pelo insucesso do PSD nas eleições legislativas. Tudo isto me parece estranho. O PSD estará unido quando ganhar eleições e ficará desunido quando perder eleições. Não tem nada que saber. Daí que o que realmente se pede quando se clama por união é, tão somente, que o próximo líder ganhe eleições legislativas o mais rápido possivel. Dizer que não se quer um PSD em paz com Pedro Santana Lopes ou Pedro Passos Coelho, que não se quer um PSD unido à volta de um líder como Aguiar Branco ou Luis Filipe Meneses, significa que não se deseja nenhuma destas pessoas à frente do governo de Portugal. Ora aqui está o maior pesadelo do Pedro Santana Lopes concretizado: alguém que, simpatizando embora com o PSD, quando o líder não lhe agrada deseja que o PSD perca eleições, que se divida em facções fraticidas dando um pobre espectáculo ao país. Julgo que é a isto que se deveria chamar gostar mais de Portugal que do partido, mas se calhar estou enganado, sei lá.



Maradona

Uma única nota: Cavaco fez o que tinha que fazer (ao contrário do que fez com a lei do aborto)



Rui Castro

13 MARÇO 2010 - 17.18h

Santana Lopes

Categoria - Política

O discurso de Santana Lopes parece ter ficado a meio. Ou muito me engano ou vamos ainda ter um Santana (2) neste congresso. 



Rui Castro

13 MARÇO 2010 - 17.16h

Cristo ainda aparece?

Categoria - Política

É impressão minha ou acabo de ver deus ao lado de Marcelo e de João Silveira Botelho? 



Rui Castro

13 MARÇO 2010 - 17.04h

Spoiler

Categoria - Política

Pedro Santana Lopes acaba de dizer que gostou muito de ler o livro do Pedro Passos Coelho; continuou acrescentando que, e passo a citar rigorosamente, "tem boas ideias", um momento em que Vasco Campilho saltou da cadeira para tapar os ouvidos ao chefe com medo que viesse dali algum spoiler.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 16.27h

Marques Mendes

Categoria - Política

Marques Mendes acaba de fazer uma afirmação extraordinária, reveladora do bom homem e do homem inteligente que estamos a perder: "Devo muito ao PSD, o PSD deu-me muito". Imagina-se Pedro Passos Coelho a dizer algo de semelhante? O que ouvimos sistematicamente é a retórica mal cheirosa do "serviço" desinteressado a Portugal e ao Partido, porque quando envelhecemos sem enriquecer a única maniera de esconder as rugas é inchando.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 16.19h

Marcelo Rebelo de Sousa

Categoria - Política

 O PSD conta como militantes os dois melhores primeiros-ministros que nunca o foram: Rui Machete e Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo está agora a falar, e a distância entre o que este homem diz, e a forma como o diz, não tem qualquer relação com o que nos espera na liderança do Partido Social Democrata.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 14.48h

Portugal tomou conta do PSD

Categoria - Política

Meia hora de "trabalho" e vai tudo almoçar.



Maradona

13 MARÇO 2010 - 13.57h

Pulo do Convento

Categoria - Política

Aos microfones da TSF Ângelo Correia recusou-se a comentar o discurso de Manuela Ferreira Leite, com o eticamente irrepreensível argumento de não o ter ouvido. O discurso de despedida da líder do seu partido não lhe chegou à limosine, esperemos que solucione o problema do receptor hertziano a tempo de conseguir ouvir a informação de trânsito na volta a Lisboa.



Maradona

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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