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25 JANEIRO 2012 - 09.51h

A palhaçada

Categoria - Política

Meço bem as palavras: a petição on-line, de cinco frases, que pede a discussão no parlamento da «demissão do Presidente da República» é uma palhaçada.

É uma palhaçada porque imagina um sistema político onde o Presidente da República pode dissolver o parlamento e o parlamento pode destituir o Presidente da República, assim numa espécie de roleta russa.

Também é uma palhaçada porque nasce de uma gaffe, de uma atitude que, na pior das hipóteses, revela que o actual Presidente da República é má pessoa; ora, a Constituição da República Portuguesa explica (artigo 130º) que o Presidente da República responde perante o Supermo Tribunal de Justiça e não perante a Internet. E responde «[p]or crimes praticados no exercício das suas funções» e não por inabilidades políticas e inaptidões sociais.

Mas é sobretudo uma palhaçada porque decide mascarar-se de palhaço: o texto é deploravelmente mal escrito (dá a sensação que foi escrito no iPhone por um «indignado» ao volante na auto-estrada) e absurdo. Como prova única, apresento-vos a terceira frase (que, lembro, constitui 20% da petição):

«Portugal sendo um país democrático a população que o integra é que decide quem fica, quem vai e quem é realmente merecedor de uma posição no Governo.»

No Governo, por Deus! No Governo!

Que se encontre uma pessoa não inimputável entre os «mais de vinte mil» signatários da petição é uma hipótese que coloco com reservas.



Lourenço Ataíde Cordeiro

24 JANEIRO 2012 - 20.12h

Continuar do lado da decência

Categoria - Política

Não vamos usar eufemismos, nem estúpidas expressões como "a ser verdade". Pedro Rosa Mendes criticou tenazmente o facto de o Prós e Crontras ter sido transmitido de Angola, com toda a cumplicidade que a inenarrável teia de interesses directamente exibida pressupõe. Aquando da entrega da crónica seguinte foi-lhe dito que era a última. Isto foi o que fizeram, por exemplo, ao Pedro Lomba no Diário Económico. Não há forma de provar nada, eu sei. Mas, por uma vez, deixamo-nos de tretas: criticámos violentamente este tipo de atitude (chamemos-lhe atitude) repugnante durante todo o miserável e nunca suficientemente vilipendiado mandato do sr. engenheiro e, ao que parece, a porcaria do respeitinho, a censura mais cobarde, continua a reinar.

Uma das razões (talvez a principal) para ter votado PSD, foi exactamente a intolerância contra este tipo de situações, e a necessidade verdadeiramente urgente de acabar com elas. É verdade que ainda não assistimos a nenhum afastamento de jornalistas por o primeiro-ministro considerar que fazem, como é que era, jornalismo travestido, ou assim uma coisa parecida. Mas ou exigimos e limpámos o nosso lado a tempo, ou acabará por ficar igualmente conspurcado.

Não deveria ser necessário acrescentar que toda a boa gente do Jugular, a começar na Fernanda Câncio e a acabar no João Galamba, bem como gente pitoresca como o Eduardo Pitta, deviam ter vergonha em sequer se referirem ao caso (João Galamba, irrepreensivelmente, já o fez), pois desvalorizaram, mistificarem ou ridicularizaram situações idênticas, e tão aproximamente que ainda se sente o fedor. Mais uma razão para que continuemos do lado da decência.



PM Ramires

24 JANEIRO 2012 - 10.44h

Dragar o Cacavo Silva da Presidência

Categoria - Política

 O Presidente da República o Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva - em cujo quadrado no boletim de voto, nas últimas eleições, coloquei uma cruz para significar o meu desagrado com a sua pessoa -, decidiu, de livre vontade, informar a nação a que preside da insuficiência de fundos com que a sua família se digladia. Cavaco Silva demonstraria assim, segundo palavras de esclarecimento que produziu depois, que é mesmo o “Presidente de todos os portugueses”, e que com eles partilha as dificuldades de gerir o dia-a-dia com o dinheiro à tabela com as despesas. Proponho que a Assembleia da República, no intuito de fazer do Professor Doutor Anibal António Cavaco e Silva ainda mais o Presidente de todos os portugueses, lhe estabeleça um vencimento máximo correspondente ao ordenado mínimo menos IVA, e sem direito a carro ou motorista. Para chegar e sair do Palácio de Belém, sugiro a utilização da Carris, através dos autocarros 727, 728 e 729, ou o eléctrico 15; há também uma paragem da CP em Belém, mas fica a uns bons 15 minutos dos portões do Palácio, e inclui uma passagem aéria sobre a Linha de Cascais bastante perigosa para quem calça sapatos de sola. O nosso Professor Doutor à Presidência da República está, muito evidentemente, necessitado de uma massagem com óleos de realidade, para não dizer de um cheirinho de revolta popular. Em movimento inverso, uma das nossas doutoras à Assembleia da república – Ana Drago, uma mulher que desde os seus vinte anos entrou numa descontrolada espiral de ficar cada vez mais gira, ao ponto de hoje, com trintas e tantos, ser a mais gira deputada de que tenho memória – sacrificou-se ao ponto de penetrar no antro das mordomias com que os  administradores das empresas públicas e do regime se lambem ao mesmo tempo que despedem  trabalhadores e cortam serviços. Pelo que foi noticiado, a lindíssima doutora Ana Drago resolveu envolver-se com um carro e um motorista para ir a Guimarães em representação do seu Grupo Parlamentar. O argumento para esta cedência às benesses do grande capital terá sido o facto de não ter carro próprio ou sequer carta de condução, ou seja, uma limitação pessoal é justificação suficiente para que os valores que noutras alturas servem para condenar o despesismo burguês agora não se apliquem. Eu, por mim, já sei: quando for deputado e tiver que ir a Guimarães, em vez de fazer três horas em primeira classe de Alfa Pendular até Braga, e depois 20 minutos até Guimarães na Alta Qualidade da Rede Expressos, vou primeiro destirar a carta de condução e vender o automóvel de 1991, para que assim não seja condenável perante os sacrifícios do país andar de carro e motorista. Estes dois eventos não estão no mesmo plano, e confesso que até tenho vontade de pedir desculpa à deputada Ana Drago por colocar as suas acções em paralelo com as infames declarações do Presidente da República o Professor Doutor numa Universidade estrageira Anibal António Cavaco e Silva. O Presidente faltou ao respeito a uma nação que aceitou resignadamente e com dignidade empobrecer no pressusposto da necessidade do sacrifício, Ana Drago apenas se colocou a jeito de provar um pouco da demagogia com que o Bloco de Esquerda costuma servir os seus adversários políticos; no primeiro caso, a minha vontade é aderir à violência que os radicais de esquerda tanto gostam de estetizar no papel, no segundo trata-se de um divertimento que nos permite evidenciar o vazio e inutilidade de uma forma pensar.



Maradona

24 JANEIRO 2012 - 10.27h

Desesperados do mundo, uni-vos!

Categoria - Política

O meu amigo e ex-colega universitário Armindo Monteiro, na qualidade de Presidente do Conselho de Administração da COMPTA, disse, aos microfones da TSF, que este não é um tempo de «lone rangers», querendo com isto dizer que o estado actual da economia e dos mercados não se compadece com heroísmos ou rasgos solitários. Que o caminho é a agregação. Que para vencer há que unir esforços e estratégias. Que as parcerias fazem a força. Que os bons espíritos «se rencontrent». Suponho que, em Portugal, mais ainda. Agora percebo porque constava o nome do meu amigo Armindo na lista de endereços da loja Mozart.



Carlos do Carmo Carapinha

23 JANEIRO 2012 - 16.03h

Indignação n.º 137/2012

Categoria - Política

Como é típico e comovente em Portugal, mais uma indignação: Ana de Macedo, artista plástica, foi (largamente) subsidiada pelo Instituto de Investigação Cientifica Tropical. O Instituto de Investigação Cientifica Tropical tem por hábito apoiar «artistas» quando estes procuram aquela entidade munidos de um «projecto artístico». O apoio é feito através de «residência artística» e/ou patrocínio directo de «exposições».

Razões da indignação? Observemos o silogismo oficial: Ana de Macedo é filha de Jorge Braga de Macedo; Jorge Braga de Macedo é figura grave do PSD; o governo em funções é do PSD, logo o Instituto de Investigação Científica Tropical (nem me atrevo a perguntar de que trata este instituto), subsidiou por amiguismo a filha de um ex-ministro do PSD.

Daniel Oliveira – um homem eternamente indignado e zangado com o mundo – viu claramente no arranjinho mais uma oportunidade para denunciar o compadrio e, en passant, vestir com a pompa que o caso exige, a fatiota de porta-voz do povo agrilhoado e enfastiado com tanto logro e trapaça. Caso se tratasse de «artista» caucionado pelos amigos do Daniel, ou pelo próprio, estamos certos de que resultaria no mesmo: a denúncia sem tréguas da choldra clientelar.

Não pondo em causa mais um serviço à pátria e à Verdade, prestado por este homem justo e equilibrado, convinha explicar duas ou três coisas que, não subestimando ou escamoteando a patifaria de Ana de Macedo e do respectivo paizinho, alargam o âmbito da prelecção. A forma como, em Portugal, se atribuem subsídios a artistas e respectivas obras, está longe de obedecer a normas e critérios de grande rigor e objectividade. Se a objectividade e o rigor são, já por si, relativos em matérias que pertencem ao grande caldeirão da «cultura», sem métricas científicas clarificadoras para uma aferição estritamente técnica das virtudes da obra (regra geral, são sempre obras-primas…), a coisa agudiza-se na hora da escolher a quem atribuir o pilim: a horda de «artistas», agentes, amigalhaços e consagrados arrasta-se ruidosamente, embora em surdina, na direcção dos «centros de decisão». O «artista» português pode não saber mais nada, mas qualquer tentativa de vingar no meio artístico-cultural português impele-o compulsivamente a assimilar esta máxima: mais do que uma comadre mística nas alturas, o «artista» precisa de um compadre tutelar no milieu.

Seria interessante que Daniel Oliveira retirasse (no dia de São Nunca à tarde, eu sei) as lunetas que só lhe permitem observar os seus ódios de estimação (familiares incluídos). Chegaria, certamente, a duas prodigiosas conclusões. A primeira: nenhum «artista» com paizinho proeminente na sociedade portuguesa, deveria ser alvo da mesquinha assumpção de que «só foi escolhido por ser filho de quem é». A segunda: o suposto favorecimento de que gozou Ana de Macedo, não difere mais do que uns milímetros das centenas de favorecimentos que bafejam muito «artista» português. Nem que seja por via da mais cândida, honesta e objectiva simpatia.



Carlos do Carmo Carapinha

19 JANEIRO 2012 - 22.09h

O determinismo

Categoria - Política

A análise hermenêutica da reacção da CGTP é a mais indicada para se perceber que o marxismo guia (e provavelmente sempre guiou) aquelas cabeças.

A central sindical que assinou o acordo de concertação social, a UGT, e mais propriamente o seu presidente, João Proença, "traiu" os trabalhadores e este acordo é "um retrocesso civilizacional".

Esta palavras, independentemente de seres justas ou não, de serem disparates ou não, só fazem verdadeiramente sentido numa visão determinista da história: está traçado um caminho para os trabalhadores - a emancipação da sua situação de explorados às mãos dos capitalistas; as centrais sindicais são um instrumento dessa emancipação; quem portanto a adia ou, pior, a atrasa, trai a causa,que sofre um inominável retrocesso.

Repara-se que aqui não existe o melhor em cada momento: a própria noção de acordo é estranha, e de qualquer maneira o único admitido - o único acordo suportável, o único que faz verdadeiramente sentido - é o que segue o caminho. 

A CGTP não assina nenhum acordo, e nunca vai assinar, porque é da sua natureza: se o caminho está a ser seguido, negociar o quê, para quê um acordo? Se não está, é impossível o acordo, não faz sentido: acordar o quê?

É a esta luz que é necessário interpretar a decisão de quem assina o quê, não só neste acordo mas sempre.



PM Ramires

19 JANEIRO 2012 - 16.02h

Fazer parte da solução

Categoria - Política

Uma central sindical – a UGT – decidiu manter-se dentro do «jogo» da negociação, recusando virar costas. Objectivo: dentro das vicissitudes, dos condicionalismos e da putativa «desvantagem» negocial, defender até ao fim os seus representados, tentando minimizar prejuízos.

Outra central sindical – a CGTP – decidiu abandonar as negociações em sede de concertação social, para salvar a face de «eterna, verdadeira e intransigente» defensora dos «trabalhadores». Objectivo: o orgulho de não dar uma imagem de fraqueza e de derrotismo, no eterno jogo do «nós» (os verdadeiros defensores dos fracos) contra «eles» (o governo e os patrões vampiros).

Qualquer pessoa que, por um minuto, dispa a jaqueta ideológica, ponha de parte a lúdica partidarite e tenha uma noção clara do estado a que chegou o país, perceberá quem foi corajoso e agiu de boa-fé, mandando às urtigas eventuais danos na imagem romântica do sindicalista «proletários de todo o mundo, uni-vos!». Acima de tudo, quem agiu com a coragem própria de quem sabe que a realidade é a possível e não a que idealizamos.



Carlos do Carmo Carapinha

16 JANEIRO 2012 - 19.11h

Socialismo

Categoria - Política

 

Com esta Godard não contava ! De certeza absoluta a maior ironia da história. Um campo inteiro de metáforas pronto a ser semeado.








PM Ramires

16 JANEIRO 2012 - 10.38h

As «nomeações»

Categoria - Política

Ai, as nomeações. Passos já nomeou não sei quantos, mais do que Sócrates nos primeiros não sei quantos dias, ai. Não deixa de ser curioso ver o mesmo PS que violou à bruta durante 6 anos o aparelho do estado, vir agora queixar-se das dores. Queriam o quê, que lá ficassem todas as Margaridas Moreiras desta vida? É mesmo assim: sai a pandilha antiga para entrar a pandilha nova. Grow up, pá.



Lourenço Ataíde Cordeiro

12 JANEIRO 2012 - 11.08h

Tão querido, o Igor

Categoria - Política

Desagrada-me a ideia de obrigar cidadãos a declarar que pertencem à Maçonaria, quando assumem funções públicas, de carácter político. Há um acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que contraria essa intenção. Em democracia, e num Estado de Direito pleno, a liberdade de associação, como outras liberdades (a de expressão, religiosa, etc.), é um direito inalienável. Por outro lado, a Maçonaria tem inscrito na sua génese e história, um papel de filantropia e de combate à ditadura que não pode ser escamoteado.

Dito isto, só a turma do Winnie The Pooh pode deixar de reconhecer o quão bizarro é, no actual estado civilizacional (com toda a parafernália de garantias, direitos e liberdades asseguradas), a existência de sociedades secretas e o temor associado à descoberta da identidade dos seus membros. Se se pode compreender a necessidade de secretismo num tempo e espaço de proibições, perseguições, repressão e clandestinidade compulsiva, hoje em dia e a Ocidente, não.

No presente, só o Piglet, a Ru, o Tigre, o Winnie The Pooh e, especialmente, o Igor, podem desconhecer a propensão clientelista desta sociedade muito anónima. Paralelamente à sua natureza altruísta, e à intenção de promover ou potenciar as virtudes do homem, a Maçonaria representa, hoje em dia, quer gostem ou não gostem os mais antigos e «puros» membros da organização, uma discretíssima teia de interesses políticos e económicos, alicerçada nos deveres de lealdade e fidelidades inter pares.

Há um dever de transparência implícito ao exercício de cargos políticos de representação. Um deputado deve estar acima de qualquer suspeita. Se, como dizem os maçons, pertencer à Maçonaria é uma «vantagem para a sociedade», porque representa uma garantia de dedicação à causa pública e à prossecução, sem tréguas, dos ideais de fraternidade e de amor pelo próximo, a revelação de pertença deveria constituir uma atitude natural e instintiva, como quem, no exercício de um cargo de administração empresarial, revela que tirou um MBA em Harvard. No caso dos maçons, na Harvard humanitarista. Vantagem do povo, pois então.





Carlos do Carmo Carapinha

11 JANEIRO 2012 - 17.32h

Juro que é verdade. A sério.

Categoria - Política

A Directora da Casa Fernando Pessoa, Dra. Inês Pedrosa, escreveu no Twitter:

“Sócrates criou um Estado Social, sim: Saúde, Educação.”
“Tenho saudades do Governo Sócrates, sim, era mil vezes mais capaz do q este. Não me macem mais com isso, vá. Adiante.”
“Mas até fui ao último almoço de campanha, qd já ninguém queria estar ali.”


A sério. A sério. Vá, adiante.



Carlos do Carmo Carapinha

11 JANEIRO 2012 - 16.03h

O que me anima

Categoria - Política

O que me anima, na vida, e sobretudo hoje em dia, é a concórdia, a cumplicidade, a unidade, a convergência e, com um pouco de sorte, a fraternidade. Depois de ler o artigo do Rui Estevão Alexandre, sobre a ultrajante proposta de lei que pretende aplicar uma taxa a todo o tipo de dispositivos electrónicos com a capacidade para ler, copiar e/ou armazenar dados que possam ser passíveis de estar ao abrigo de direitos de autor, e ainda em comoção, lhe digo: meu caro Rui, venham de lá esses ossos!!!



Carlos do Carmo Carapinha

9 JANEIRO 2012 - 16.21h

Lost in information

Categoria - Política

No Público, às 8:14h do dia 9 de Janeiro de 2012, ou seja, hoje de manhãzinha:

Sócrates arrolado pela acusação no caso Independente A presença de José Sócrates, hoje, no julgamento da Universidade Independente (UNI) ainda não é um dado confirmado. O ex-primeiro ministro foi arrolado pelo Ministério Público (MP) como testemunha de acusação, mas, como tem residência em Paris, pode não comparecer. José Sócrates fora inicalmente arrolado como testemunha de defesa do reitor da UNI, Luiz Arouca, o qual responde por crimes de associação criminosa, abuso de confiança, fraude fiscal, burla, corrupção e falsificação de documentos. No entanto, Arouca veio a prescindir do seu depoimento em tribunal. Desse modo evitava que o antigo governante pudesse ser confrontado com questões incómodas. Só que o MP entendeu que a sua presença pode ser determinante no desfecho do julgamento e arrolou-o como testemunha de acusação.

O Diário de Notícias, avançou com quatro notícias. A primeira:

Sócrates em tribunal para explicar como tirou licenciatura Não dispondo já das prerrogativas de primeiro-ministro, José Sócrates está obrigado a comparecer, hoje, em Lisboa, no julgamento da Universidade Independente (UnI), no Tribunal de Monsanto, convocado pelo Ministério Público. Um dos principais arguidos no processo, o ex-reitor Rui Verde (na foto), acusa-o de ter obtido a sua licenciatura em Engenharia Civil de modo irregular.

A segunda (fonte: Lusa):

José Sócrates não vai comparecer na sessão de hoje O ex-primeiro-ministro José Sócrates não estará presente na sessão de hoje do julgamento do processo Independente, onde devia ser ouvido como testemunha, disse hoje fonte ligada ao Tribunal. O ex-primeiro ministro já terá comunicado a sua ausência no tribunal, mas desconhecem-se os motivos.

A terceira (fonte: Lusa):

Juíza confirma ausência de Sócrates A juíza presidente do coletivo que julga o caso da Universidade Independente, Ana Peres, confirmou que o ex-primeiro-ministro José Sócrates não estará presente na sessão de hoje, mas disse que a justificação apresentada é genérica. "Fica a falta justificada, embora de forma genérica", afirmou a juíza, não especificando os motivos específicos indicados por José Sócrates, que está a viver em Paris, para não estar presente. O depoimento de José Sócrates era aguardado com alguma expetativa pelo advogado de defesa do ex-vice-reitor da Universidade Independente (UNI) Rui Verde, que admitiu à entrada do Tribunal de Monsanto (Lisboa) ponderar um pedido de reabertura do inquérito à licenciatura em engenharia do ex-primeiro-ministro.

A quarta:

Sócrates desconhece convocatória para ir a tribunal O ex-primeiro-ministro José Sócrates nega saber da existência de uma convocatória para ir a tribunal explicar como tirou a licenciatura, mas afirma estar disponível para colaborar com a justiça seja qual for o assunto. Para o político, o caso da licenciatura já é caso encerrado pois foram dadas há 4 anos as explicações cabais para que a investigação do Ministério Público considerasse em relatório que não tinha sido beneficiado. Em declarações ao DN, José Sócrates esclarece que soube na sexta-feira da possibilidade de a sua presença ter sido requerida pelo Tribunal de Monsanto mas que desconhece se existe ou não essa convocatória. Adiantou que o seu advogado, Daniel Proença de Carvalho, "já fez um requerimento para saber se fui ou não convocado por outrém que não o reitor, porque este entretanto abdicou da minha presença como testemunha". O ex-primeiro-ministro garante que "se existir essa convocatória, então manifesto a minha total disponibilidade para colaborar com a Justiça". José Sócrates só pede às autoridades judiciais, caso a resposta ao requerimento seja no sentido de prestar depoimento, que dado estar ausente em Paris lhe concedam pelo menos 48 horas para se organizar e deslocar a Portugal.

A revista Sábado, também noticiou o assunto:

Caso Independente: Sócrates falha sessão em tribunal Antigo primeiro-ministro devia ser ouvido como testemunha O ex-primeiro-ministro José Sócrates não estará presente na sessão desta segunda-feira do julgamento do caso Independente, onde devia ser ouvido como testemunha, revelou fonte ligada ao tribunal. O ex-primeiro ministro já terá comunicado a ausência, mas desconhecem-se os motivos. Além de José Sócrates, a sessão desta segunda-feira do julgamento do caso da Universidade Independente (UnI) destina-se também à audição do antigo ministro das Obras Públicas João Cravinho. José Sócrates, que vive actualmente em Paris, foi aluno da Universidade Independente e a forma como concluiu a licenciatura em Engenharia Civil suscitou muita polémica. Luiz Arouca, ex-reitor da UnI, está a ser julgado por associação criminosa, abuso de confiança, fraude fiscal, burla, corrupção e falsificação de documentos. Entre os principais arguidos do caso UNI estão também o antigo vice-reitor Rui Verde e Amadeu Lima de Carvalho, o antigo accionista da empresa SIDES, acusados de associação criminosa, abuso de confiança, fraude fiscal, burla, corrupção e falsificação de documentos.

Já o Correio da Manhã:

Caso Independente: Sócrates diz estar "inteiramente disponível" para ser ouvido O advogado de José Sócrates disse esta segunda-feira que o ex-primeiro-ministro, a residir em Paris, está "inteiramente disponível" para, "pessoalmente ou por videoconferência", depor como testemunha no âmbito do julgamento do caso da Universidade Independente (UnI). Em declarações à Lusa, Daniel Proença de Carvalho revelou que ele próprio disse a José Sócrates que a audição como testemunha tinha ficado "sem efeito", porque o ex-reitor da UnI Luiz Arouca, que arrolou Sócrates como testemunha, prescindira, entretanto, da sua audição. Proença de Carvalho alega que só tomou conhecimento de que Sócrates devia ser ouvido esta segunda-feira pela comunicação social, na passada sexta-feira, motivo que o levou a enviar no domingo um fax para o tribunal a comunicar que o ex-primeiro-ministro, a residir em Paris, não podia comparecer nem segunda, nem terça-feira no Tribunal do Monsanto, Lisboa. O advogado manifestou contudo a "total disponibilidade" de Sócrates em ser ouvido, pessoalmente ou por videoconferência, como testemunha no âmbito do "objecto deste processo" da UnI que está em julgamento. Proença de Carvalho considerou "normal" que uma testemunha que resida no estrangeiro possa ser ouvido por videoconferência ou por carta rogatória, mas frisou que cabe ao tribunal decidir sobre essa matéria. Caso o tribunal persista na intenção de ouvir o ex-primeiro-ministro, Proença de Carvalho pediu que Sócrates seja convocado com a antecedência mínima de dois dias, para dar tempo para tratar da viagem. O causídico garantiu desconhecer os motivos exactos pelos quais o tribunal pretende ouvir José Sócrates como testemunha, depois de Luiz Arouca ter prescindido da audição. Quanto ao inquérito do Ministério Público relacionado com a licenciatura em engenharia de Sócrates na Universidade Independente, Proença de Carvalho notou que o caso foi arquivado após investigação "exaustiva". Proença de Carvalho disse não querer fazer "juízos de intenção" sobre o alegado cariz político que envolve o processo judicial do caso UNI, tanto mais que Luiz Arouca e os demais arguidos têm o direito de arrolar as testemunhas que entenderem.

Uma notícia aparentemente simples, é alvo de várias versões, quase todas não coincidentes. Há a versão «não foi porque não foi notificado», a versão «não foi arrolado, logo não tinha que comparecer», a versão «foi notificado mas não pôde comparecer por motivos genéricos», etc. Tudo é nebuloso e contraditório quando está em causa o Eng. José Sócrates. Ou, em alternativa, que jornalismo preguiçoso, este.



Carlos do Carmo Carapinha

6 JANEIRO 2012 - 20.26h

Acabadinho de chegar do Pingo Doce

Categoria - Política

Entre a posição Daniel Oliveira (“cada um dá atenção a quem quer e, com todo o respeito por merceeiros, não os considero mais habilitados do que qualquer outro cidadão para o debate político”) e a posição VPV (vamos todos fingir que isto não tem nada a ver com as intervenções moralistas de ASS – a enésima utilização de “não ocorreu a ninguém” já não pega), isto é, entre a pura estupidez e a desonestidade, deve haver um lugar onde uma pessoa se possa sentar, com a genuína indiferença pelo acto da JM de quem nunca ouviu uma prelecção de ASS, mas com o reconhecimento de que deve ser difícil manter decisões económico-financeiras à altura de um discurso moralista. Que temos uma esquerda que faz por ser imbecil e idiota sempre que analisa a acção dos “capitalistas”, já todos sabemos (e, aliás, o Daniel Oliveira personifica bem essa esquerda), porquanto convém não se porem a jeito (por exemplo, é do bom senso não ir à televisão exortar aos “sacrifícios” se és a pessoa mais rica do país, pois estás a lançar um boomerang que vais ter dificuldade em suster). Não estou a dizer que ASS, ou outro empresário qualquer, não tenho o direito ou a legitimidade de dizer o que quiser; nem estou, como se percebe, a dizer que quem o critica o faz pelas melhores razões; só estou a tentar dizer que esta porra mais a maçonaria tornam absurdo o mundo para quem tem de emitir opinião, semanalmente, neste espaço.



PM Ramires

4 JANEIRO 2012 - 10.31h

Viva a Jerónimo Martins

Categoria - Política

Portanto, a ver se percebi: todas as empresas portuguesas têm ao seu dispor um mercado europeu livre, que lhes permite estabelecer a sua actividade em qualquer país à sua escolha. Muitas empresas portuguesas têm tirado partido dessa oportunidade. Muitas das empresas concorrentes da Jerónimo Martins não têm a sua actividade totalmente sedidada em Portugal, naquilo que é a gestão económica e fiscal que consideram mais eficaz dos seus negócios. Nunca notei qualquer alarido mediático sobre estas deslocalizações como aconteceu com o anúncio da Jerónimo Martins. Como explicar isto?

O que separa a Jerónimo Martins dos seus concorrentes é a actividade do seu maior acionista, a sociedade Francisco Manuel dos Santos. E o que separa a sociedade Francisco Manuel dos Santos das suas concorrentes é a sua actividade não comercial, mais concretamente o trabalho cívico que tem vindo a desenvolver através da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que nos deu a Pordata, por exemplo, e uma série de outros instrumentos de análise e reflexão sobre o país. O rosto de ambas é Alexandre Soares dos Santos, que de há uns anos para cá tem vindo a expor-se de um modo corajoso, se comparado com, outra vez, a grande maioria dos seus concorrentes (quantas entrevistas políticas ouvimos a Paulo Azevedo, por exemplo?) É esta actividade cívica, de intervenção sobre o espaço público, que a esquerda não perdoa a Alexandre Soares dos Santos, não é a decisão absolutamente inatacável de transferir a sua actividade para a Holanda.

Alexandre Soares dos Santos transformou-se, por sua inteira responsabilidade, uma pessoa incómoda em Portugal. Eu agradeço-lhe por tudo.



Lourenço Ataíde Cordeiro

3 JANEIRO 2012 - 10.07h

maradona

Categoria - Política

Hoje é terça-feira, dia do maradona. Por impossibilidade técnica de publicar directamente, aqui vai o texto do maradona desta semana:

"No micro-cosmo português, e, particularmente, no cada vez menor sub-micro-cosmos da opinião em português que conheço, os escritos do João Pinto e Castro - no Blogoexisto, no Jugular, no Provador de Venenos e, finalmente, do Jornal de Negócios (um jornal) - são dos que melhor se relacionam com a minha sensibilidade; eventualmente explicarei a razão dessa factualidade noutro local da minha obra. Mas, tal como o João Duque, o Miguel Relvas ou o Cantiga Esteves, o João Pinto e Castro não padece de ausência de defeitos, e podemos apreciar um em magnífica exposição no seu texto de 7 de Dezembro do ano que acaba de falecer
 
O texto, em si, não adianta nem atrasa nada ao essencial do discurso do PS, muito embora se note claramente que o João Pinto e Castro o defende porque estudou e pensou, e não porque simplesmente pretende validar um percurso político prévio, uma evidência que é responsável pela tal característica de se conseguir ler até ao fim sem começar a pensar nas coxas do Jeffren. Mas, eis que, quase no fim e já necessitado de ouvir um discurso do Vitor Gaspar para voltar à minha posição ideológica de instinto, nos confrontamos com a seguinte frase: "No ponto de colapso iminente do euro a que chegámos, ninguém (nem sequer a Alemanha) tem algo a ganhar com o prolongamento da situação, mas nunca devemos subestimar o temível poder da estupidez." 
 
Para um completo ignorante nas matérias económicas e financeiras, numa altura em que o universo do Euro pode ser definido na sua quase totalidade por dois blocos teóricos que se dividem de forma tão afiada, é frustrante observar que um dos mais racionais intérpretes e pedagogos menos iliteratos destrua a sua capacidade de influência com um escusadíssimo desespero. O João Pinto e Castro pode de facto considerar que a Europa, ao não se movimentar através dos gestos por si preconizados, caminha para a dissolução, mas acreditar que quem o lê com prazer e atenção se comove com a adjectivação enérgica da inteligência do adversário chega a ser, se me permite o João Pinto e Castro, uma ofensa à sua própria obra. 
 
Mesmo que a Europa rebente nas próximas semanas, o dever do João Pinto e Castro não será tanto o de observar o "temível poder da estupidez", mas de nos explicar porque é que pessoas tão inteligentes se deixaram derrotar por gente supostamente muito mais burra. Espanta-me, particularmente, que quem agora constata com definitivo horror o "temível poder da estupidez", não tenha accionado o (também) temível poder da inteligência a tempo de nos ir avisando para os perigos da dissonância entre o edifício político europeu e a forma como se estava a construir o Euro, e pelo menos ter tentado contribuir para que Portugal se colocasse numa posição em que a nossa estabilidade política não dependesse tanto da não "estupidez" de outros. 
 
O João Pinto e Castro parece pensar que tudo o que de mal acontece tem origem em alguma insanável "estupidez", a qual, se colocada debaixo da influência da quantidade certa de inteligência e vontade, se dissiparia num torrente de boas políticas em direcção à razão e à razoabilidade. A derrota da estupidez pela inteligência bastaria para, num exemplo fornecido pelo próprio, ter evitado a Primeira Guerra Mundial. Sucede que o fundamental da Primeira Guerra Mundial não terá sido tanto a estupidez do seu início (que partilha com incontáveis outras guerras, antes e depois dessa), mas num conjunto de factores precisos, barbaramente fúteis e, como está vastamente documentado, impossíveis de abreviar pelas maiores inteligências da altura, e que acabaram por tornar perfeitamente lógico o seu prolongamento por tantos anos e com aquele grau de destruição. 
 
Que garantias é que eu tenho que quem pensa que uma "estupidez" pode construir uma realidade como a Primeira Guerra Mundial não incorre na mesma falácia quando afirma que basta uma acção "inteligente" da senhora dona Merkle e do senhor Sarkozy para salvar o Euro? A mim cada vez mais me parece que o "temível poder da estupidez" mais não é que uma trincheira rodeada de arame farpado e defendido por uma metralhadora, onde nos enfiamos para esperar pela iniciativa inimigo ou pela nossa derrota perante a impaciência; só que o inimigo também tem a sua tincheira, o seu arame farpado e a sua metralhadora, que nós nos recusamos definitivamente a admitir, conhecer e reconhecer. 
 
Resta-nos aguardar a invenção e correcta adaptação táctica do tanque; esperemos que desta vez pelos alemães bons, e não pelos alemães maus."  



Rui Castro

2 JANEIRO 2012 - 18.01h

25 resoluções para 2012

Categoria - Política

1. Escrever um livro de culinária;

2. Não voltar a ver o Eixo do Mal;

3. Desligar a televisão sempre que surja um vislumbre de Alfredo Barroso e Basílio Horta;

4. Desligar a televisão sempre que surja um vislumbre de comentário político nos canais de informação;

5. Evitar, a qualquer custo, programas do género «Portugal no divã» (vulgo Prós e Contras);

6. Acabar de ler o War and Peace, na tradução de Anthony Briggs;

7. Evitar discussões sobre a dívida com militantes ou simpatizantes do Partido Socialista;

8. Premir a tecla «mute» sempre que a Ana Mesquita se prepare para verbalizar qualquer coisa;

9. Continuar a acreditar que o João Galamba é uma excelente pessoa e que eu sou um pouco parvo;

10. Voltar a Borges;

11. Esperar que 2012 seja pior que 2011;

12. Dizer mais palavrões;

13. Explicar, a quem precisar, o significado da expressão «não há dinheiro»;

14. Abrir uma garrafa de champanhe quando Pacheco Pereira se reequilibrar/reencontrar;

15. Comer menos e melhor;

16. Beber mais e melhor;

17. Inscrever-me nas aulas de surf em Odeceixe;

18. Comprar um iPad;

19. Continuar a influenciar a minha filha para que saia de Portugal;

20. Acabar com a conta no Facebook;

21. Aumentar para o triplo o número de vezes que recorri à bicicleta para me deslocar;

22. Rezar para que o ciclista Maradona passe por Évora;

23. Deixar de mandar farpas ao (vizinho) Blogue de Esquerda, na secreta esperança de que o desprezo e a indiferença estimulem um lampejo de saudável picardia na equipa de doutores e doutorandos que o compõe;

24. Estar mais tempo com os amigos;

25. Não falhar o concerto dos Magnetic Fields.

Bom ano.



Carlos do Carmo Carapinha

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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