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28 JANEIRO 2010 - 18.01h

O iPad Será um Sucesso

Categoria - Outras

Ponto menos um:

Tem estado na moda aquela coisa da declaração de interesses: jornalistas, bloggers, eteceteras introduzem a prosa sua voluntariamente declarando conhecerem de vista, ou de longe ou de perto, um conhecido da pessoa implicada na referida prosa.

Não fugindo à moda, eis a minha declaração de interesses: na minha opinião, os computadores Apple são como os carros com caixas-de-velocidades não-manuais: existem para quem nunca aprendeu nem quis verdadeiramente aprender a conduzir; isto é, os Apple servem para aquelas pessoas que não percebem nem querem perceber nada de computadores (e servem também para americanos e snobs americanófilos).

Posto isto, aqui vai a minha previsão acerca do iPad: será um sucesso tremendo.


Ponto zero: o iPad não é novidade nenhuma

O iPad é tão novidade como os iPods foram: muito antes de haver iPods já havia dezenas de leitores mp3 portáteis. Muitos antes de ontem, já havia computadores tablet híbridos (ecrã táctil + teclado convencional) e tablet puros (ecrã táctil sem nenhum teclado convencional apenso). Como em relação a todos os produtos Apple, a novidade é que este produto é mais caro do que os concorrentes, é mais bonito e integra num só objecto (quase) tudo o que pode ser integrado (imagem, som, processamento, etc.).


Ponto um: será um sucesso tremendo

Uma cada vez mais esmagadora maioria de programas de "computador" (computador num sentido lato: qualquer coisa com processador lá dentro) não precisa de teclado (rato, teclas de direcção, touchpad ou aquela rodinha dos iPods basta) mas exige um ecrã grande (jogos no telemóvel são um fracasso, navegação na internet é um fracasso em tudo o que tenha ecrã mais pequeno que o do iPhone). Ou seja, é um golpe de mestre fazer uma coisa que tenha um ecrã minimamente grande para a maioria do software e que, ao mesmo tempo, poupe no peso e nas dimensões ao não vir provido de teclado convencional. E se teclado necessário for, o iPad apresenta-o numa parte do ecrã táctil.

A ideia é esta: ninguém consegue trabalhar nem fazer nada parecido com o que se faz com um computador portátil utilizando um iPhone, um iPod touch ou um qualquer dos concorrentes destes: os ecrãs são pequenos demais. E, por outro lado, para uma grande maioria das aplicações os micro-portáteis não precisam de ser tão "grandes": o teclado convencional destes é dispensável para uma grande quantidade de aplicações. O iPad faz o equilíbrio perfeito entre os palmtops, iPhones e quejandos (num certo sentido pequenos demais) e os micro-portáteis (grandes demais no outro sentido).


Ponto dois: integrar é fonte de sucesso

Para quê comprar um ebook reader que só serve para ler documentos? A verdade mais fundamental do mercado tecnológico é que ninguém compra nada que sirva só para UMA tarefa: os telemóveis servem para falar, tirar fotografias, agendar, enviar/receber mensagens escritas e muito mais; um leitor mp3 tem de mostrar também vídeos e, já agora, ter rádio. Quantos mais eteceteras melhor. Como é que alguém vai estar alguma vez interessado num ebook reader que só serve para abrir ficheiros de texto? Ainda por cima, o preço destes extraordinariamente recentes monolíticos objectos é quase tão alto como o preço do novo iPad.

A ideia é esta: na senda dos iPods Nano que têm jogos giros e que, na última geração, já (finalmente!) tiram fotografias - o iPad será um sucesso porque acrescenta aos convencionais ebook readers uma série de aplicações e capacidades típicas de um "computador convencional" mantendo, ainda assim, reduzidas as dimensões do aparelho. Enquanto que o ebook reader é um computador que só serve para ler, o iPad é um ebook reader que faz tudo o que os computadores fazem.


Ponto três: o preço elevado não é problema

O preço elevado não é problema por uma série de razões: a Apple escolhe, para todos os seus produtos, qualquer que seja o tipo, preços sempre superiores aos da concorrência - and gets away with it. Porque é que havemos de esperar que o preço passe agora a ser, no caso do iPad, um problema para a Apple?

Além disso: na fronteira tecnológica, imprevisivelmente mutante, é muito difícil que a massa de compradores perceba qual será o standard vencedor e qual será o melhor produto. O preço mais elevado dos produtos Apple é o sinal de que a sua proposta corresponde ao standard definitivo e à melhor qualidade. É aliás por isso que a Apple costuma apresentar os seus produtos só depois de os concorrentes terem lançado os seus. Afinal, existe uma last player advantage: o último a chegar faz melhor, integrando tudo o que houver num só objecto, batendo todos os recordes de autonomia de baterias e... propondo o preço mais alto. Aliás, a Apple apresenta preços mais altos e, consecutivamente, propões versões melhoradas cada vez mais caras (cfr. a gama do iPod clássico).

E ainda: não é a moda que interessa, é a ÚLTIMA moda que importa: ao vir em último, a Apple consegue sempre ser a última moda. E a mais duradoura também.

Finalmente, quem é a massa de potenciais compradores? Aficionados da Apple (compram tudo o que tiver a maçã), gente com muita pasta, gente a quem a pasta é uma fonte infindável (jovens universitários) e malta snob (quanto mais caro, melhor). Portanto, o preço mais alto não é problema para a Apple, antes pelo contrário.


Ponto quatro: e eu vou comprar?

Resposta: não, é caro; mas ficaria muito contente se mo oferecessem.


Ponto post scriptum: parece que a coisa não tem câmara; não faz mal: a câmara só chegou ao iPod Nano à quinta geração e isso não impediu o sucesso deste.



Ricardo Vicente

28 JANEIRO 2010 - 12.28h

Sermão de próximo Domingo

Categoria - Política

No sermão deste Domingo Jesus transforma a surpresa dos seus concidadãos em decepção (o Mestre na sinagoga em Nazaré, Lucas 4:21-30). Daí para o ultraje será um passo pequeno. O escândalo deveria ser valorizado não na perspectiva da folclórica bainha à mostra mas quando leva as pessoas a precisarem de assumir diferenças. Perdoarão a extrapolação mas a ausência desta dignidade é o que continua a fazer de Portugal um país pobre.



Tiago de Oliveira Cavaco

27 JANEIRO 2010 - 22.14h

Expliquem-me como se eu fosse muito burro

Categoria - Política

PSD e CDS vieram hoje dizer que o orçamento apresentado pelo PS não presta. De acordo. Fica por explicar por que razão aceitaram viabilizá-lo...



Rui Castro

27 JANEIRO 2010 - 10.37h

Não esquecer

Categoria - Mundo

26 JANEIRO 2010 - 14.10h

Celebrar a República? Não, Obrigadinho

Categoria - Política

O que será celebrado quando celebrarmos o 5 de Outubro?


1. Se se celebra o conceito abstracto de "república", isto é, o conceito que popularmente é considerado o oposto de "monarquia" - então muito estranha e original será essa celebração. Isto porque nem em Portugal nem em nenhum país próximo existem celebrações de conceitos abstractos institucionalizadas ao ponto de haver dias feriados para essas efemérides. É verdade que Portugal celebra a "democracia" no dia 25 de Abril. Mas isto não é a celebração de um conceito mas sim daquela democracia, de uma democracia específica num contexto histórico preciso: a democracia portuguesa que foi nascendo a partir do dia 25 de Abril de 1974.


2. Então talvez que no próximo dia 5 de Outubro não vamos celebrar um conceito abstracto mas sim a nossa república portuguesa, com características e história próprias. Fará isto então sentido? Vamos ver: a Primeira República foi menos democrática que o regime que lhe precedeu, instaurou a perseguição à Igreja Católica, a violência (física) entre políticos passou a ser método banal, a instabilidade governativa foi ainda maior que no período anterior, houve curtas ditaduras,... Isto merece ser celebrado? Não. Então, vamos celebrar o que se seguiu à Primeira República?: ditadura militar seguida da ditadura de Salazar: não queremos celebrar isto, pois não? Então, que período da história da república ainda resta? Portugal a partir do 25 de Abril. Mas isto já é celebrado a cada 25 de Abril! Portanto: não faz sentido celebrar a nossa experiência histórica de república: o pouco que (talvez) mereça ser celebrado começa (com benevolência) só em 1974 e já tem feriado e comemorações próprias.


3. Há ainda uma terceira possibilidade: celebrar a "república" enquanto aglomerador de uma determinada cultura política (que já vem pelo menos desde o século XIX): a cultura dos "republicanos, socialistas e laicos". Esta terceira hipótese é a pior das três até agora consideradas: é ainda mais estranha do que celebrar a república enquanto conceito teórico, é ainda mais politicamente indesejável do que celebrar a triste experiência histórica portuguesa ao longo da maior parte do século XX.

É estranha: nem Portugal nem país próximo nenhum tem um feriado e comemorações a nível nacional para celebrar uma ideologia ou uma mundivisão específica: em Portugal, por exemplo, não há o dia oficial da social-democracia, nem o feriado do comunismo; e por muitos feriados católicos que existam, não há nenhum feriado para celebrar o cristianismo (nem sequer para celebrar o catolicismo). Como explicar a bizarria de haver um dia oficial do socialismo, laicismo e republicanismo?

Esta hipótese, para além de estranha, é politicamente indesejável: celebrar uma ideologia específica a nível oficial e nacional é um desrespeito à democracia (teórica) e à nossa democracia concreta, histórica e portuguesa. Um Estado democrático não pode ter uma ideologia oficial: a ideologia ou ideologias dominantes são determinadas provisoriamente de quatro em quatro anos (ou com frequência maior). E o "provisoriamente" é muito importante. A tríade república-socialismo-laicidade é uma ideologia concreta respeitável e democrática mas é-o como qualquer outra: não está acima das demais (nem sequer das que, porventura, serão menos amigas da democracia). Se o 5 de Outubro significa que o regime é propriedade dos republicanos-socialistas-laicos então o 5 de Outubro não deve ser celebrado: a captura de um regime por uma ideologia específica é um sinal da fragilidade democrática desse regime ou, pelo menos, é um sintoma da anormalidade com que um determinado sector político encara a existência de todos os outros sectores.


Concluindo: a menos que haja uma quarta hipótese, não me parece que o 5 de Outubro deva ser celebrado a nível nacional e oficial.



Ricardo Vicente

24 JANEIRO 2010 - 17.52h

Vicky Whatever Cristina Works

Categoria - Sociedade

Duas Histórias (da Natureza e da Moral)


Cristina não sabe muito bem o que quer nem o que quer ser mas parece-lhe que o meio progressista muito pós-modernista a possa agradar, parece-lhe que um meio aparentemente tão relativista possa acolher alguém tão inseguro, com uma personalidade ainda tão distante de um qualquer absoluto.

Mas o que Cristina não sabe (mas irá sabendo) é que por muito que o progressismo a atraia, ela é uma pessoa como as outras: normal e instintiva.

Em nome do progressismo do qual pretende fazer parte e no qual anseia ser acolhida, Cristina tem de negar a sua natureza, que só aos poucos vai descobrindo. Em nome do progressismo e perante a amiga conservadora, perante a construção que faz de si mesma (o que ela não é mas acredita querer ser) e perante o meio progressista, ficará mal a Cristina declarar com toda a simplicidade e sem mais explicações que deseja o exclusivo para si de um homem.

O maior pecado no moralismo relativista e progressista é o reconhecimento da permência de um qualquer instinto básico: afinal, os instintos básicos desmontam a teoria de que tudo na vida, desde as instituições políticas às formas de relacionamento, são construções culturais e, portanto, moldáveis sem quaisquer restrições e não o reflexo (racionalizado, teorizado) de condições naturais anteriores à cultura e à socialização. É este o pecado praticado por Cristina. Mas Cristina não estará só quando o praticar...

Maria Helena e Juan Antonio bem podem querer convencer-se de que o "casamento" é aquilo que eles quiserem definir ou construir a cada momento (ou deixar semi-definido e em permanente construção): Cristina destrói-lhes o seu auto-engano ao declarar um simples instinto: o da posse exclusiva do parceiro sexual.

E será a própria Maria Helena que involuntariamente denunciará a sua natureza humana, normal e instintiva, trivialmente a mesma natureza de Cristina: Maria Helena indigna-se com o súbito abandono do "casamento" por parte de Cristina. Afinal este "casamento" progressista não só tinha regras como estas apontavam para a perenidade do mesmo. Isto é, o próprio "casamento" progressista queria-se regulado e eterno, como supostamente desejado pelos não progressistas...


Vicky sabe quem é, qual é o seu contexto e dentro de que regras se move. O seu enquadramento é conservador, bem definido, previsível, com papéis claros e expectativas demasiadamente pesadas para não se realizarem. Agora o que Vicky não sabe (mas não tardará a pressentir) é que por muita convenção social que a sua alma carregue, Vicky é uma pessoa como as outras: normal e instintiva.

Será em nome do conservadorismo acolhedor e seguro que a protege que Vicky reprimirá o seu instinto natural e básico de posse imediata. O seu mundo convencional está já demasiado construído e solidificado para que uma quebra instintiva nas fundações do moralismo religioso ocidental não tenha como consequência menos do que uma demolição de todas as relações em que assenta a sua vida. A hipocrisia das aparências da boa-sociedade e da boa-família, do mundo perfeito e recortadinho é afinal mais importante que a libertação dos seus instintos e aspirações mais genuínos.

O maior pecado no moralismo tradicional e religioso das sociedades ocidentais é aceitar a primazia dos instintos básicos: estes, se libertados, derrotam uma colecção inteira de instituições que visam manter aquilo que as pessoas e as sociedades autenticamente não são: entidades estáticas, previsíveis e facilmente reguláveis.


Mas os moralismos são precisamente isso: excessos que, ao sabor da moda filosófica, política ou religiosa, ou pretendem libertar-nos para além dos nossos instintos e daquilo que estes verdadeiramente almejam, ou pretendem reprimir-nos através do controlo e da condenação absolutos daqueles mesmos instintos.



Curiosamente, é por falta de fortaleza e constância que Cristina consegue libertar-se a tempo do progressismo que iria consumi-la, enquanto que são essas mesmas duas qualidades (virtudes?!) que permitem a Vicky recalcar a sua natureza e instintos e entregar-se definitiva e voluntariamente ao seu cárcere conservador.


"Whatever Works" (2009) é o filme seguinte de Woody Allen. É melhor, mais rico, interessante e divertido que "Vicky Cristina Barcelona" (2008) mas é também mais americanizado (o que não é bom): "whatever Works" conta exactíssimamente a mesma história que "Vicky Cristina Barcelona" só que fá-lo de modo explicadinho, palavrinha a palavrinha, para americano perceber. São dois filmes que dizem o mesmo, o primeiro de uma forma simpática, agradável e muito sensual, à Europeia e com muitos, desejados e elogiosos clichés, o segundo de uma forma brutalmente às escâncaras e muitíssimo mais divertida. O primeiro é profundo sem parecer muito, o segundo coloca as profundidades da vida do avesso e, com isso, é um bocado carnavalesco. Se se deixa os instintos funcionar, a vida funciona; e os moralismos, se quiserem, que se acomodem. E ainda bem!


Estas duas peças de Mestre Woody fazem o mesmo que Ally McBeal fazia nos anos noventa: torpedeiam os alicerces mais conservadores e lançam napalm por sobre a fantasias mais pós-modernistas: nada escapa, tudo é devastado. Deixam-nos a todos nuzinhos e confusos - afinal é para isto que a arte, da excelente, serve.



Ricardo Vicente

23 JANEIRO 2010 - 12.12h

Deixem-se de merdas

Categoria - Desporto

As escutas a Pinto da Costa, Valentim Loureiro e demais comparsas demonstram à saciedade a farsa em que se tornou o futebol português. Os teóricos podem atirar com as acusações habituais de devassa da vida privada ou com a nulidade das escutas. Lamento, mas não engulo. O teor das escutas tornadas públicas esta semana podem até não ter relevância criminal (gostava que me explicassem porquê), mas não se limitam a conversas privadas do foro íntimo dos intervenientes. Nelas podemos escutar o Presidente do Futebol Clube do Porto, o ex-Presidente do Conselho de Arbitragem, o ex-Presidente da Liga de Clubes, um jornalista, um empresário de futebol e diversos árbitros. Quem já ouviu pôde constatar que eles não estavam a falar de roupa interior, das notas dos filhos ou das estações de rádios preferidas. Os temas são outros: fabricação de notícias, pedidos de processos disciplinares a jogadores, escolhas de árbitros, encontros com árbitros e envio de fruta a árbitros. Acredite quem quiser. Eu, como não sou juiz, não me interessa se as escutas podem ou não ser utilizadas para condenar quem nelas intervém. O que eu sei é que, enquanto esta canalha continuar a beneficiar da impunidade que resulta da incompetência ou incapacidade da nossa justiça, o nosso futebol merece tanta credibilidade como os projectos de engenharia do nosso primeiro-ministro.



Rui Castro

23 JANEIRO 2010 - 11.44h

"Legitimidade democrática"

Categoria - Política

Na semana passada, e pedido da Plataforma Cidadania e Casamento, participei no programa Sociedade Civil com o tema "Casamento entre pessoas do mesmo sexo". Comigo estava o Pedro Pestana Bastos. Do lado contrário, o prof. Pamplona Corte-Real e o João Mouta argumentaram a favor do casamento gay. Uma coisa é certa: a intenção do PS, já expressa, de alterar a lei aprovada no passado dia 8.01, passando a incluir a adopção por casais do mesmo sexo, na sequência de uma eventual decisão de inconstitucionalidade por parte do TC, constitui fraude eleitoral. Relembremos o argumento utilizado pelos defensores do casamento gay para rejeitar o referendo - o PS tem toda a legitimidade para aprovar directamente a lei, uma vez que inclui essa proposta no seu programa eleitoral. Pois bem, o problema é que PS excluía expressamente a possibilidade de adopção. Fiéis ao argumento da "legitimidade democrática", estou certo de que, verificando-se a inconstitucionalidade do diploma, ao PS não restará alternativa que não seja a realização de um referendo - desta feita, a propósito da adopção. Em alternativa, poderá sempre aguardar pelas próximas eleições, fazendo constar essa proposta do seu programa. 



Rui Castro

22 JANEIRO 2010 - 18.10h

Pensei que já tínhamos batido no fundo...

Categoria - Política

21 JANEIRO 2010 - 13.18h

Excesso Ideológico no Ecodebate

Categoria - Mundo

A ideologia e a política andam por todo o lado, mesmo por onde não deveriam andar. A política e a ideologia podem existir sem extremismos mas estes também fazem parte da natureza daquelas.

Uma das consequências da politização e subversão ideológica das ciências naturais, em particular da climatologia, é que estas ciências tendem cada vez mais a ser feitas e divulgadas não em função da verdade e do rigor mas sim em conformidade com os extremismos ideológicos do momento.

Quer da parte dos profetas da calamidade ecológica global, quer do lado dos que obstinadamente repudiam quaisquer responsabilidades ambientais ao sistema de mercado - o que de mais verdadeiro existe e se pode registar é isto: excesso, extremismo, imoderação.

Não vejo em que medida tanto excesso de ambos os lados do debate ecológico possa levar a um maior conhecimento sobre a natureza do planeta ou a um melhor desenhar das instituições da sociedade global.

Haja moderação, para bem dos dois ecossistemas: o ecológico e o económico.



Ricardo Vicente

19 JANEIRO 2010 - 19.05h

Orçamento

Categoria - Política

O CDS, na pessoa do seu presidente Paulo Portas, durante a campanha para as últimas eleições legislativas - brilhante, diga-se - afirmou por diversas ocasiões, em debates e sessões de esclarecimento, que um dos traços distintivos do CDS relativamente aos demais partidos de oposição era o distanciamento do PS. Seria, assim, incompreensível que, mesmo com a desculpa da "responsabilidade política", o CDS fosse o 1.º partido a dar a mão ao Governo na aprovação do orçamento para 2010. Conheço muitos eleitores, uns mais recentes que outros, que dificilmente voltarão a votar CDS caso Paulo Portas decida dar a mão a Sócrates.



Rui Castro

19 JANEIRO 2010 - 10.20h

Braga

Categoria - Política

Seria bom que o Sporting de Braga triunfasse. Seria bom que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa ganhasse.

O PSD só vai deixar de ser o Sporting C.P. da política portuguesa quando se tornar no Sporting de Braga do campeonato.
 



Ricardo Vicente

15 JANEIRO 2010 - 13.06h

"Lisboa Pode Transformar-se na Praia de Madrid"

Categoria - Política

diz António Mendonça, o actual Ministro das Obras Públicas, referindo-se ao um eventual efeito que o TGV possa ter sobre o turismo espanhol em Portugal.

Eis mais um exemplo do desvario económico da parte daquele ministro e do governo socialista.

O que se passa é isto: a Vueling, que é uma empresa de vôos low-cost, oferece ida e volta Lisboa-Madrid por 80 euros. IDA E VOLTA. Qualquer pessoa, agora (são 12:53 minutos hora de Lisboa) experimente ir ao site www.vueling.com e comprar o vôo Lisboa - Madrid já daqui a uma semana (22 de Janeiro) com partida às 9:25 e chegada às 11:35 e o vôo de regresso Segunda-feira 25 com partida às 18h00 e chegada às 18h10 (tudo horas locais). Com uma mala de porão o preço são 80 euros.

Ida-e-volta Lisboa-Madrid bilhetes comprados apenas com uma semana de intervalo e de avião: 80 euros.

Preço de uma viagem só de ida, repito, só de ida  Lisboa-Madrid em TGV: cem (100) euros.

Mas cabe na cabeça de alguém que algum português vá fazer turismo a Madrid de TGV por 200 euros ou mais (ida-e-volta) quando pode pagar ida-e-volta de avião a 80 euros? Virá algum espanhol à "praia de Madrid" (na cabeça do ministro a praia de Madrid será Lisboa) pagando 100 euros pelo bilhete de TGV de ida, pagando mais 100 euros pelo bilhete do TGV de volta, quando tudo junto, ida e volta, ficam a 80 euros de avião, e tudo comprado a uma semana de distância???

E ainda por cima: o bilhete de ida Lisboa a Madrid, mesmo custando 100 euros, não permite cobrir os custos operacionais do TGV e nem em sonhos permitirá cobrir os custos fixos (a instalação, as infra-estruturas, os estudos, etc.). O TGV é um projecto extremamente deficitário MESMO tomando como cenário central de crescimento económico as previsões do Plano de Estabilidade e Crescimento de 2005, que não se verificaram, e mesmo considerando que o preço do bilhete de ida seja 100 euros. Mas esse preço é obviamente não competitivo: a esse preço, poucos ou nenhuns quererão utilizar o TGV.

O preço de uma viagem de TGV ou desce para qualquer coisa como 50 euros viagem de ida Lisboa - Madrid ou simplesmente não terá procura: a viagem de avião será preferível quer em termos de dinheiro quer em termos de tempo. Mas com um preço de 50 euros então o défice financeiro do TGV será GIGANTESCO.

Será que não há nenhum ministro, governante, socialista que não perceba que o TGV vai significar ou um buraco financeiro monstruoso ou um objecto de luxo usado por um pequeníssimo número de pessoas que vá se lá tentar saber por que razões não gosta de andar de avião? Será que ninguém percebe que se o preço do bilhete do TGV for competitivo face ao preço do bilhete de avião, esse preço será tão baixo que só o défice operacional (excluindo custos fixos) do TGV será monstruoso? E será que ninguém percebe que se o preço do bilhete for ligeiramente mais elevado, não compensará andar de TGV e o avião será preferível, pelo que a quantidade procurada será diminuta e, logo, temos novamente um enormíssimo défice operacional??

E o Ministro ainda se dá ao luxo de fazer piadas como esta coisa agora da praia de Madrid??

Oh Excelentíssimo Senhor Presidente da República: por favor demita este governo já! A instabilidade política e o eventual vazio político não são nada comparados com a completa loucura e irresponsabilidade política destes socialistas!!



Ricardo Vicente

15 JANEIRO 2010 - 09.24h

Catch-22

Categoria - Política

Catch-22 é uma situação em que, qualquer que seja a acção que se escolha tomar, o resultado atingido é sempre indesejado. É um estar entre a espada e a parede, entre o carro perseguidor e o abismo.

É a situação que foi prevista há já mais de dez anos para estes tempos actuais. Durante o primeiro governo de António Guterres vivia-se uma expansão económica. Era o período certo para as ditas reformas estruturias: mesmo que estas no curto prazo tivessem um impacto negativo sobre o bem-estar das pessoas, esse impacto seria mitigado pelo efeito da expansão económica. Era a altura ideal para reduzir o défice público e, principalmente, para reduzir o stock de dívida pública. Era a época para poupar, para criar margem de manobra para que, quando viesse uma crise ou a retracção da economia, fosse possível ao Estado e ao sector privado (famílias e empresas) endividarem-se.

O governo de Guterres fez tudo ao contrário: com políticas pró-cíclicas, aumentou a despesa pública, o stock de dívida, o défice e o número de funcionários públicos para valores não só injustificados face à baixa quantidade e qualidade dos serviços prestados pela administração pública (educação, saúde, justiça, segurança social, etc., etc.) mas também inconportáveis em situação de contracção económica ou de crise.

Agora que urge reduzir a despesa pública para garantir o controlo da dívida e do défice, isto é, para garantir que Portugal não se aproxima demasiado da possibilidade de bancarrota é também o momento em que, por causa da crise e da necessidade de suster a actividade económica e o emprego, o Governo estaria justificado em aumentar a despesa (temporariamente!), em aumentar o stock de dívida e o défice.

Neste preciso momento, se o governo tenta controlar as finanças públicas (reduzir despesa, dívida e défice) deixa de ter os meios para responder activamente à crise económica; e se o governo tenta contrariar a crise (com incentivos fiscais, mais dívida, mais défice, mais despesa) arrisca cada vez mais o país ao colapso financeiro. Faça o que fizer, fará sempre mal e o resultado será sempre indesejado. É este o catch-22 do actual Governo, da economia, de todo o país.

As políticas pró-cíclicas de António Guterres no período de 1995 a 1999, ao comprometer os governos seguintes - que não podiam nem podem repudiar dívidas, contratos, direitos adquiridos (? talvez possam...) e funcionários públicos contratados pelo governo Guterres - forçam o governo actual a também seguir políticas pró-cíclicas.

Por muito má que tenha sido (e foi) a política levada a cabo pelo anterior governo de Sócrates, a verdade é que uma grande parte da responsabilidade pelo actual dilema político-económico-financeiro é dos governos de Guterres.

Aquilo que Sócrates deverá fazer agora exige muita prudência e habilidade técnicas e também muito controlo político.

Do lado da despesa pública, é necessário não cortar nos gastos que se relacionam directamente com o bem-estar imediato das pessos, como sejam subsídios de desemprego e apoios às famílias. Mas os grandes projectos públicos devem ser cancelados: pelas suas rentabilidades negativas (são puros desperdícios), pela sua incomportável dimensão financeira e porque se alguns efeitos positivos terão na economia, esse efeitos só se farão sentir daqui por alguns anos (precisamente quando a economia, oxalá, já estiver em expansão e eventualmente em sobre-aquecimento).

É também preciso congelar (ano a ano e durante os próximos quatro anos) os salários dos 75% de funcionários públicos menos bem pagos e reduzir já os salários dos 25% de funcionários públicos mais bem pagos. Tendo em conta a baixa produtividade da função pública e os péssimos resultados da saúde, justiça, educação e de toda a administração pública, todos os salários deveriam ser baixados. Mas aqui é preciso pensar também em evitar medidas que deprimam o consumo privado e que poderão ser de dificílima gestão política.

Finalmente, a política de contratar um novo funcionário público por cada dois que saíam já era insuficiente antes da crise e é agora completamente impraticável: nos próximos quatro anos, pelo menos, não deverá haver novas contratações na função pública.

Do lado das receitas pouco ou nada há a fazer para além de, eventualmente, aumentar ainda mais a eficácia da máquina fiscal e conseguir um maior combate à fraude e evasão fiscais.

Aumentar o IVA é péssimo (mesmo que Espanha pareça vir a fazê-lo) assim como aumentar os escalãos mais baixos de IRC: a expansão económica terá de vir do lado do consumo e da produção das PMEs; por outro lado, tais medidas têm um efeito imediato de agravar a pobreza das famílias, trabalhadores e empresas mais frágeis.

Aumentar o IRS é mau relativamente aos escalões mais baixos (o que as famílias mais pobres precisam é de menos asfixia fiscal) e é injusto nos escalões mais altos (como defender no plano ético e ideológico que um trabalhador, por muito bem pago que seja, receba menos de 50% daquilo que ganha?).

Restam os escalões mais altos do IRC: as taxas de imposto efectivas sobre as empresas, em Portugal, são relativamente baixas e isto é válido também para as empresas maiores e mais lucrativas. Aumentar a tributação efectiva destas levará estes impostos para taxas perfeitamente aceitáveis (em termos éticos e ideológicos, quer à esquerda quer à direita) e que não comprometem a competitividade fiscal do país.

Resumindo: cortar nos grandes projectos, congelar salários e contratações na função pública, baixar os salários dos funcionários públicos mais bem pagos; e aumentar as taxas de imposto efectivamente pagas pelas empresas maiores e mais lucrativas.



Ricardo Vicente

14 JANEIRO 2010 - 13.04h

Vale a Pena Ler

Categoria - Política

Álvaro Santos Pereira: TGV será "o maior fiasco financeiro dos últimos 50 anos" (aqui).

Ernâni Lopes: "Essa ideia de que as obras públicas são o sustentáculo da vida política portuguesa, eu não a aceito. As obras públicas são obras para efeitos públicos. Pagas pelos contribuintes ainda por cima. Temos de ter respeito por isso" e

"Primeira condição para haver um novo aeroporto é o existente estar esgotado. Não vale a pena estar a fazer outro se este ainda aguenta. Ora, aparentemente não está esgotado e ainda aguenta mais anos do que se pensava",
 
"A urgência que foi proclamada ou era mentira ou então revelou-se menos imediata" (aqui).

Finalmente, aqui: "O ministro dos Transportes, António Mendonça, anunciou hoje em Bruxelas a concessão de um financiamento comunitário adicional de 33 milhões de euros para o projecto de alta velocidade (TGV) em Portugal, que classificou como "uma prenda de Natal"".
 
Ora bem, o que está em causa é um projecto que está orçado em 8,9 MIL MILHÕES de euros e isto assumindo estupidamente que não haverá derrapagens financeiras. Trinta e três milhões de euros supostamente oferecidos por Bruxelas comparados a oito mil e novecentos milhões significam menos do que 0,4% (ZERO VÍRGULA QUATRO POR CENTO). Não, não são quatro por cento, são ZERO vírgula quatro por cento.

Se isto representa para o Ministro uma "prenda de Natal" representa também mais um exemplo do desvario económico e irresponsabilidade política que vai pelas cabeças do Ministro, do Governo e do Partido Socialista que loucamente insistem em levar o país para a bancarrota com uma colecção infindável de projectos orçados em milhares de milhões de euros que são inúteis e parecem servir unicamente os interesses das grandes empresas de construção civil.



Ricardo Vicente

12 JANEIRO 2010 - 14.10h

Pequeno apontamento ao Ricardo Vicente

Categoria - Política

Tentando responder ao colega Ricardo Vicente, acho que os novos hospitais são para substituir unidades degradadas, não para funcionar em paralelo com o que já existe a cair de podre. Por exemplo: quando se construiu o Hospital Garcia da Horta, o velho Hospital de Almada e mais umas dezenas de pólos a funcionar em blocos de apartamentos residenciais foram fechados, concentrando-se todos os serviços e pessoal antes dispersos num unico e esplêndido local. Por outro lado, como se pode ver por aqui, Portugal tem médicos mais que suficientes (de facto, mais que a Espanha, a Grã Brtanha, os Estados Unidos e, para todos os efeitos práticos, os mesmo que a França, a Suécia e a Alemanha). O Ricardo Vicente devia estar a queixar-se de duas coisas diferentes; a) de os concursos para a construção de obras públicas constantemente beneficie as empresas nacionais (em detrimento de propostas estrangeiras às vezes escandalosamente mais bem posicionadas), b) que a impotência do Estado sobre a corporação dos médicos impossibilite a sua efectiva distribuição pelos locais e especialidades onde fazem falta.    



Maradona

12 JANEIRO 2010 - 09.44h

Hospitais, Médicos e Construção Civil

Categoria - Política

Esta notícia da Sábado: "O Ministério da Saúde tem em curso um programa para a construção de 12 novos hospitais até 2013."

Como é que num país com tamanha falta de médicos, em que é preciso pedir reforços de médicos a Cuba, vão ser construídos doze novos hospitais? De onde virão os médicos para trabalhar em tantos novos hospitais?

Bom seria que esta notícia viesse na sequência de um qualquer projecto do Governo no sentido da liberalização da oferta de cursos de medicina ou da liberalização no acesso à profissão. Mas de tal projecto nunca ninguém ouviu falar.

Havendo uma tão grande falta de médicos e sendo os honorários cobrados elevadíssimos e decididos em conluio pelos próprios - o que o Governo deveria fazer era acabar com o poder da Ordem dos Médicos de impedir a criação de novas faculdades de medicina. Deveria também acabar com todas as normas absurdas que impõem que um médico estrangeiro tenha, por exemplo, de traduzir para português o seu currículo universitário detalhado, disciplina a disciplina, com resumo do conteúdo de cada uma das disciplinas.

Mais: ao mesmo tempo que surgem notícias de que a Ministra da Saúde está preocupada com a saída de médicos do sector público para o privado, estes doze novos hospitais vão sendo construídos. Será que o destino deles será o mesmo dos estádios de futebol do Euro 2004?

Ou será que a verdadeira razão para serem construídos tantos hospitais é a mesma por trás das várias auto-estradas, luxuosoas e absolutamente dispensáveis, que os governos não páram de adjudicar? "Segundo apurou o CM junto de fonte governamental, trata-se de um investimento de mais de 1,3 mil milhões de euros" e "a construção destes hospitais está a envolver praticamente todas as grandes construtoras nacionais, entre as quais se encontram (em consórcios) a Mota-Engil, Somague e Teixeira Duarte".

Como sempre, parece que tudo em Portugal é decidido em conformidade com os interesses da construção civil, que ganham projectos que se medem invariavelmente em milhares de milhões de euros, projectos estes em que as empresas concessionárias se encontram quase sempre resguardadas da concorrência de mercado, e que, na retórica mitológica do partido socialista, são supostamente fundamentais à modernização do país e essenciais para a criação de emprego.

Na verdade, um mínimo de preocupação pelo bem-estar geral do país (e não pelos interesses da construção civil) e um módico de sensatez económica deveria tornar claras duas ideias:

(1) um país com uma economia estagnada e internamente desequilibrada (stock da dívida pública, défice anual das contas públicas) não gasta milhares de milhões em inutilidades só por causa dos bonitos olhos e dos mercedes dos construtores civis e

(2) uma economia estruturalmente deprimida e externamente desequilibrada (défice da transacções correntes, endividamento ao exterior) se tiver de "apostar" nalgum sector deve escolher os bens transaccionáveis, isto é, aqueles que podem ser exportados.

Portugal já tem, e ainda bem, a separação entre o Estado e a Igreja. Para quando a separação entre o Estado e esse sorvedouro colossalmente oneroso da construção civil?



Ricardo Vicente

11 JANEIRO 2010 - 16.12h

Estado Laico e Estado do Contraditório

Categoria - Política

No Estado laico, em nome da liberdade religiosa, são proibidos os símbolos religiosos nas escolas e os símbolos religiosos ostensivos nas pessoas. Em nome da liberdade, é melhor que ninguém goze de liberdade.

No Estado do contraditório, um programa de televisão tem de acabar só porque não existe um outro programa que lhe faça contraditório. Se este programa existir e tiver vinte minutos, deve aquele primeiro programa, caso tenha trinta minutos, ser reduzido para vinte. Finalmente, quando ambos tiverem dezoito minutos e forem transmitidos a incertas e precárias horas, o melhor para bem do contraditório é que acabem de vez. Em nome da liberdade de expressão, é melhor que se fale pouco e melhor ainda que se fale nada.



Ricardo Vicente

11 JANEIRO 2010 - 12.38h

Está tudo bem

Categoria - Política

A questão do casamento entre maricas do mesmo sexo foi alvo de vários aditamentos argumentativos, alguns dos quais relevantes. Derivado ao facto, não tenho tempo para expor aqui todas as minhas qualidades, mas adiante-se que a conversa entre o Tiago e o Lourenço ajuda-nos (ajuda-me, talvez seja isto que eu queira dizer) a traçar um risco menos confuso sobre a fronteira entre os dois campos que se definiram à Direita. À Esquerda é que parece que não hà fronteira nenhuma: sempre em frente é que é o caminho. As discussões à Direita perecem-me sempre mais densas e substanciais, menos fúteis e por isso menos frequentes, isto é, menos sujeitas ao ego de cada um (ex: assistir ao que se tem passado entre o 5 Dias e o Arrastão). Por isso, julgo, é que historicamente a Esquerda é uma suiça de cantões partidários, um cacho de uvas que inebria mas que não alimenta, que diverte e distrai, mas sem largar mosto (espero que tenham gostado da metáfora vitivinícula, uma homenagem pessoal ao escanção Manuel Moreira). Verdade seja dita que raramente o monolitismo à Direita é sinal de pessoas dedicadas à síntese solidária de um projecto político ao serviço de um conjunto de valores mais altos, mas ao menos não incomodam tanto. Enfim, já descansava. O casamento entre aqueles gajos e gajas que agora viu o reconhecimento da lei civil não me consegue incomodar, e, apesar do texto do Tiago, continuo a não compreender bem a insistência de quem está contra em trabalhar dia e noite para o impedir. A verdade é que a Igreja, com toda a minha compreensão, continua a não reconhecer esse tipo desagradável de uniões, e, assim como me custa a perceber porque é que os homossexuais não aceitaram a oferta de tudo menos o nome "casamento", também me custa a entender porque é que se dispende tanta energia a evitar a alteração de uma lei que só vincula o ordenamento civil das pessoas. Não me conseguem convencer que esta nova situação ponha em causa o sistema de valores que a Igreja Católica ou Protestante defendem, pelo menos em maior medida do que a liberdade já conferida permitia. Está, continua, tudo bem. É certo que certas coisas irritam - como a inacreditável comparação do Daniel Oliveira entre esta lei e a que permitiu o voto às mulheres -, mas nada disso tem muita relevânca, caramba, nem merece reacção. Em última instância, é até possivel que todos aqueles que não se venham a identificar com os caminhos de maior dissolução das diferenças, no futuro reajam reforçando com a sua participação activa o poder da Igreja na sociedade civil, e que tudo isto não passe apenas de uma má jogada táctica dos que, como eu, não vêem nos valores defendidos pela Igreja um mérito ou responsabilidade especiais em tornar cada um de nós melhor (ou pior) pessoa.



Maradona

10 JANEIRO 2010 - 16.17h

Ou outra rua qualquer

Categoria - Política

Como julgo que disse o Pedro Lomba por altura do ciclo eleitoral passado à Presidência da República, se a opção for entre Manuel Alegre e o "sistema", que venha o sistema. Eram tempos em que Manuel Alegre nos aparecia como a espécie anti-tecnocrática de Cavaco Silva: rejeitado pelo PS, Manuel Alegre fazia gala e valor de não pertencer à orgânica do estado das coisas, mas que estaria disposto a chafurdar um bocadinho no meio de nós todos para nos oferecer e purificar com uma visão de Portugal enraizada na cultura, na honra e na solidariedade. Volta agora à nossa companhia, com aquela cara de quem nos ama a todos independentemente da nossa raça, já bem apoiado por toda a Esquerda. O famoso milhão, de deus quiser, será enterrado definitivamente com a re-eleição do Presidente da República o Professor Doutor Anibal António Cavaco Silva. Nem que eu tenha que ir entregar panfletos para a Rua dos Correeiros.



Maradona

10 JANEIRO 2010 - 16.07h

Contado ninguém acredita

Categoria - Política

O Daniel Oliveira é, acima de tudo, um grande humorista. Só isso explica que decida comparar a liberalização do aborto, o casamento gay e a recente lei do divórcio ao fim da escravatura, criminalização da violência doméstica e o voto das mulheres. Aprecio também a arrogância de quem se coloca do lado "certo" da barricada, tentando colar-me a quem, em tempos idos, pugnou pela manutenção da escravatura ou pela discriminação da mulheres. Vais desculpar-me, Daniel, mas o teu post é o retrato fiel do partido em que militas: excelente no marketing e melhor ainda na desonestidade intelectual.



Rui Castro

10 JANEIRO 2010 - 16.01h

Como em tudo

Categoria - Sociedade

Há pessoas de quem gostamos, outras que nem por isso e, finalmente, aquelas que fazem lá tanta falta como um bocado de carne no frigorífico de um vegetariano. Chamam-lhe o Albergue Espanhol



Rui Castro

8 JANEIRO 2010 - 19.47h

E agora?

Categoria - Política

Aborto

Divórcio

Casamento gay

Adopção gay

Eutanásia 



Rui Castro

8 JANEIRO 2010 - 12.18h

Do Tempo

Categoria - Política

O Estado quer fazer o arco-íris cair-nos na cabeça.



Tiago de Oliveira Cavaco

5 JANEIRO 2010 - 01.28h

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Categoria - Política

Cortex Frontal, do Medeiros Ferreira e da Joana Amaral Dias.



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