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Com que então o PSD andou a dizer uma coisa na campanha e está a fazer noutra no governo? Sem querer estar a fazer o papel de advogado de defesa de Pedro Passos Coelho - em quem votei, o que faz de mim um suposto cornudo, segundo o PS - mas fazendo o papel de advogado de defesa de Pedro Passos Coelho, lembro que Vítor Gaspar não esteve na campanha e que quem manda na política financeira do governo é Vítor Gaspar, não Eduardo Catroga. E já agora, era bom que o PS se lembrasse que foi o PS quem inventou, através do primeiro-ministro que nos ofereceu, o conceito de ciclos económicos de 15 dias. Isto para dizer que quem votou no PSD não votou sob a ilusão de que as políticas orçamentais iriam sofrer uma volta de 180º, já que era evidente que o MoU e os prazos nele estabelecidos não ofereciam grande margem de manobra, ao contrário daquilo que o PS nos quer, hoje, fazer crer. Infelizmente, a situação política do país não admite muitas nuances: o objectivo único - único - para os próximos três anos é impedir uma extensão do período de intervenção da troika; a única hipótese de viabilidade de Portugal é o cumprimento escrupuloso dos objectivos quantititavos - brutos, cegos, injustos e dolorosos - do MoU de forma a que, daqui por três anos, Portugal possa voltar a ser olhado como um participante cumpridor da zona Euro. Aumento de impostos, cortes nos benefícios fiscais, subida de preços dos bens e serviços fornecidos pelo Estado: mas queriam o quê? Um bunker equipado com bens de primeira necessidade para três anos?



Lourenço Ataíde Cordeiro

30 AGOSTO 2011 - 19.28h

Estava a cozinhar

Categoria - Política

E ia começar a falar o Tozé Seguro, e pensei: será que se consegue sacar aqui qualquer coisa, como agora se diz 'um facto político', antes de o cérebro me obrigar a mudar de canal? 

Tozé Seguro, confiante, inicia o discurso mais ou menos assim: O Governo [ao contrário do que o Partido Socialista propõe] exige mais, muito mais, a quem mais tem e a quem mais ganha.

Soltei uma gargalhada e mudei de canal. 

Está tudo bem com a direita em Portugal.



PM Ramires

29 AGOSTO 2011 - 15.11h

Aposta simples

Categoria - Política

Da esquerda à direita, do Altíssimo ao reino de Hades, toda a minha gente grita, sussurra, sonha, acalenta e bebe a solução: «cortar a despesa». Socialistas, trotskistas, comunistas, sociais-democratas, democratas-cristãos, indecisos, mata-mosquitos, vira-casacas e cata-ventos, todos, em uníssono, apontam o caminho: «corte-se na Despesa!» (subentende-se na despesa do Estado). É este o caldo «liberal» onde, hoje em dia, se comprazem os espíritos mesquinhamente práticos dos políticos e intelectuais da paróquia lusa. Fizeram, ao que parece, as contas.Agora, perante o cenário de mais impostos, a solução nunca foi tão unânime: «corte-se na Despesa».

Longe de mim perturbar uma ideia que adquiriu a solenidade severa e salvífica de um dogma. Cortar na despesa? Ó meus amigos: vamos a isso!

Quero, apenas, colocar o pouco dinheiro que me resta numa aposta simples (dispenso a múltipla): no dia em que se anunciar um rol mais ou menos sistematizado e, digamos, transversal, de medidas de «corte na Despesa», a unanimidade mudará de sinal. Nesse dia, eis o que iremos escutar dos mesmíssimos espíritos iluminados:

- Cortar assim, sem critério? Que horror!

- As pessoas não podem ser observadas como números. Que insensibilidade!

- Estas medidas vão conduzir a mais desemprego e recessão!

- O encerramento destes serviços representa um duro golpe no Estado Social!

- A falta de sensibilidade social deste governo é atroz!

- Estas empresas municipais geram emprego e desempenham uma função vital, sem a qual o Estado, por via das autarquias, se demitirá do seu papel social!

Está apostado.



Carlos do Carmo Carapinha

8 AGOSTO 2011 - 12.32h

Um exemplo

Categoria - Política

4 épocas é a duração do contrato que Aimar assinou com os encarnados, no Verão de 2008. Cumpre o último ano e a SAD não desdenha vender o passe, rentabilizando o investimento feito.

Algures no Record, hoje.

 

Se estiver por aí algum professor universitário de Gestão Desportiva, aqui tem um excelente exemplo de um raciocínio de ponta a ponta estúpido, irresponsável, típico de quem, desconhecendo que parte de premissas erradas, faz derivações lógicas absurdas. 

Quanto à pré-época, espero que ninguém tenha levado muito a sério a segunda-parte contra os intercontinentais juvenis do Arsenal (os juniores são os titulares), numa pré-época onde o cerne do problema da equipa não foi resolvido (aquela cancerígena célula paraguaia que, talvez pela velinha que acendi com vista a que partisse uma perna, está com um olho na Turquia). 

Contudo, se Gaitán deixar a via artista-de-circo e se transformar num jogador de futebol profissional (não vai ser fácil, pois o treinador não está para aí virado, convencidíssimo que já mora ali um grande jogador, erro que os treinadores do Porto não cometeram com o Hulk, que há dois anos era um artista-de-circo, e nem por isso dos melhores), o Urreta ultrapassar rapidamente o Bruno César como primeiro suplente da equipa, e o Rodrigo substituir eficazmente (isto quer dizer golos) o Saviola na frente de ataque, talvez se consiga ganhar algo mais que a Taça da Liga.

Mas com uma gestão desportiva cujo principal reflexo está na frase que encima o post, já sabemos que não vai ser fácil. Como, para o Benfica, nunca é.



PM Ramires

2 AGOSTO 2011 - 15.38h

Pobre Capitalismo

Categoria - Política

"O Capitalismo é o único sistema que temos e não temos nada que o substitua. O que precisamos é que seja ético, com princípios, como era no início."

Mário Soares, numa entrevista ao Expresso, que tive a felicidade de não ler.

Pobre capitalismo, que agora, talvez por ser Verão, tem de ser ético! E porque não simpático? E que tal amoroso? E jovial? E, por que não, amigo? Talvez o pudéssemos convidar para um jantar e, honrando-o com libações, cair nas suas boas graças!

Como é que se explica a alguém como Mário Soares que o capitalismo não é nem deixou de ser ético, e que isso só não é irrelevante na medida em que devia levar o dr. Soares a meditar sobre que raio de sistema temos em Portugal para que a ética seja assim tão fundamental.

Abordemos dois pilares do Capitalismo: Justiça e Concorrência.

O Capitalismo, dr. Soares, não tem como base a ética (e não precisámos de nos debruçar muito sobre os corruptos humanos que nós somos para concluir que estávamos bem perdidos se assim fosse), mas a Justiça; sem Justiça, seu esteio central, o Capitalismo desabará. Mas para se manter de pé e alcançar resultados frutuosos não apenas para alguns mas para todos, o Capitalismo também necessita de concorrência, que um organismo chamado Autoridade da Concorrência deve zelar e promover. 

A Justiça, em Portugal, funciona, dr. Soares? Alguma vez funcionou? Alguém está a fazer alguma coisa para que funcione? Num país onde a Justiça não funciona, não surpreende que chore pela ética dr. Soares! E a concorrência, dr. Soares, observe o amor que todos em Portugal temos por ela! Quanto bradámos procurá-la!, e, no entanto, ela não aparece! Será culpa nossa? Será que no fundo a odiámos e nunca a quisemos por perto, ou será culpa dela, que teima em escapar à nossa busca doentia?

Antes que seja ético, dr. Soares, precisámos que em Portugal o Capitalismo seja mesmo Capitalismo, e não o reles mercantilismo que temos, homérica história de amor entre um Estado promíscuo (que dorme com todos empresários que lhe batem à porta), uma Justiça incapaz e um simulacro grotesco de Concorrência que todos fingimos ver.

E não há ética que resolva isto, acredite.



PM Ramires

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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