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30 ABRIL 2010 - 18.14h

Liberalismo? Qual liberalismo?

Categoria - Política

 

O Daniel identifica, por aí, uma “mescla de concessões no campo social” para disfarçar uma “crescente veia liberal da visão económica vigente”. Coisa que ele considera “irresponsável” e “oportunista”. Nunca “socialista.

Eu identifico o contrário: uma mescla de concessões de natureza pseudo-liberal, num mar imenso, sem fim à vista, de ideias e tendências socialistas.

Falo, atenção, de socialismo “democrático” (e não de “comunismo”): estatizante, dirigista e centralista, para quem o Estado é pai e motor, omnisciente e intrinsecamente bom, infalível e tendencialmente justo na defesa do common good.

Acho, aliás, imensa piada que, em Portugal, se fale em “liberalismo” ou nos perigos de uma deriva “liberal” ou “neo-liberal” (desabafo próprio e óbvio de socialistas e/ou anti-liberais). Qualquer pessoa que estude o que é liberalismo (falemos só do económico, por agora) e que estude o que foram as políticas e disposições económicas do século XX português e da primeira década deste novo século, facilmente chega a uma conclusão: liberalismo? Népias. Confundir uma tendenciazinha acolá, ou uma decisão acoli, putativamente “liberal”, com um modelo económico verdadeiramente liberal, equivale a dizer que ler a Odisseia nos transforma num especialista helénico.

Por cada meio de prova que o Daniel arranje para corroborar a tese do “crime liberal” (a tenebrosa “crescente veia liberal”), eu respondo com as Golden Shares; o peso da Despesa Pública; a dependência da economia em relação ao Estado (o maior empregador e distribuidor de benesses); o desperdício hemorrágico na gestão da coisa pública; as excrescências burocráticas que tendem a paralisar a economia; uma carga fiscal faraónica quando comparada com o retorno; o beija-mão global, canídeo e transversal ao Estado, por parte dos interesses instalados; a subsídio-dependência que tende a produzir uma sociedade de gente muito pouco forçada e muitíssimo encostada; etc. etc.

O Daniel não percebeu o meu ponto: eu estou farto de ismos. Mas o único ismo que me foi dado a conhecer, até à hora a que escrevo isto, foi o “social” (ainda que ardilosamente disfarçado de outra coisa qualquer). Queremos continuar assim? O resultado está à vista.



Carlos do Carmo Carapinha

O partido da construção civil continua a enterrar o país: apesar de a probabilidade de Portugal falir ser cada vez maior, o Partido Socialista não abre mão do TGV Lisboa-Caia, do novo aeroporto a trinta quilómetros de Lisboa, de uma nova ponte sobre o Tejo e de uma auto-estrada que, pasme-se, medirá 567 quilómetros!

Enquanto isso, decide cortar prestações sociais em época de crise: injusto e economicamente errado. E insiste em paliativos que só servem para destacar a frouxidão deste Ministro das Finanças: "Toda e qualquer substituição de veículos por veículos novos tem de respeitar uma regra: por cada nova aquisição tem de se mandar para abate três veículos" e "vai haver uma maior exigência" no rácio de "pelo menos mais de duas saídas por cada entrada" de novos funcionários, ministro dixit.

É mesmo isto? É mesmo só isto? "Pelo menos mais de duas saídas por cada entrada"? O Ministro não podia ter dito que, mínimo dos mínimos!, para entrar um têm de sair três? A própria linguagem usada pelo Ministro é frouxa, tão frouxa quanto estas polítcas.

Quanto à nova regra de substituição do parque automóvel do Estado, o que verdadeiramente interessa saber é porque é que o Estado tem de ter tantos carros oficiais, para tantos cargos, e porque é que estes carros têm de ser sempre de luxo. E porque é que carros de luxo, que duram muito mais que os outros, têm de estar a ser permanentemente substituídos ao fim de tempos de utilização ridículos.


Tê gê vês, aeroporto, auto-estradas, assessores, outsourcing, automóveis: todos estes luxos têm em comum uma supina inutilidade e um obsceno abuso da confiança que os cidadãos (ainda) têm na classe governativa. Estes luxos servem apenas para enterrar o país.


O partido da construção civil ainda irá pedir aos alemães e a uma ou outra merkel que nos venham ajudar a pagar estes luxos todos... e no caso destes se recusarem, o partido da construção civil ainda irá dizer que a culpa pela bancarrota do país é dos alemães ou do neo-liberalismo ou das agências de rating...



Ricardo Vicente

30 ABRIL 2010 - 12.43h

E agora PS?

Categoria - Política


O que é que eu quero deste governo? Simples: que «morra» a (tentar) salvar o país. E que depois «desapareça» (como disse um dia o Dr. Soares a um agente da autoridade).

Quero que este governo se afunde, e com ele o PS, por via das medidas impopulares e dolorosas que têm de ser encetadas hoje, agora, para corrigir (mesmo que seja o início de um trabalho de décadas) um longo consolado de socialismo irresponsável. Terá de ser este governo, e só este, a fazer o trabalhinho sujo. Os ingleses chamam a isto «accountability». Eu, que sou provinciano e telúrico-bruto, chamar-lhe-ia «ter vergonha na cara».


(Se acho que isto vá acontecer? Ouviram o ministro António Mendonça, ontem? Está tudo mais ou menos dito)



Carlos do Carmo Carapinha

29 ABRIL 2010 - 18.37h

Um Manancial de Debate Europeu

Categoria - Política

Umas nos cravos, outras nas ferraduras, este artigo é um hino à provocação política. Reino Unido no sul da Europa e países bálticos junto à Irlanda, eis duas "propostas" (comparações?) plenas de sentido. Já foi menos do meu agrado a sugestão de a Itália fazer uma união monetária com a Grécia. E menos ainda me agradou que o Reino Unido não fosse incluído em tal sugestão.

In Britain’s place should come Poland, which has suffered quite enough in its location between Russia and Germany and deserves a chance to enjoy the bracing winds of the North Atlantic and the security of sea water between it and any potential invaders. Muito bem!

Into the slots vacated by Poland and Belarus should come the western and central parts of Ukraine. Germany, with the Ukrainian border now only 100km from Berlin, would start having to take the country’s European integration seriously. Idem!

Já a infâmia derramada pelo sul da Itália (e Roma incluída?!): não gostei.

Este artigo de The Economist é maná de discussão para o já tão próximo Dia da Europa (9 de Maio). Por um lado, revela alguns dos preconceitos mais habituais da revista. Por outro, diz algumas verdades sobre a Europa.
 



Ricardo Vicente

28 ABRIL 2010 - 00.04h

“Ataque dos mercados”, diz ele

Categoria - Política

Não há muito tempo, havia uma coisa que dava pelo nome de “bom senso” e outra que dava pelo nome de “senso comum”. Ambas poupavam-nos a tristes figuras, sobretudo quando ao serviço do pudor e da discrição. O bom senso impedia-nos, por exemplo, de ripostar a provocações inconsequentes, enlevadas ou não de má-fé, ou de valorizar o que importava desvalorizar - ou porque não tínhamos argumentos de jeito para contrariar determinada afirmação ou acção, ou porque o assunto era quente demais para ser remexido. O senso comum conduzia-nos, por exemplo, à razoabilidade.

O senhor ministro das Finanças, que inexplicavelmente continua a colher em solo pátrio uma respeitabilidade senão sinistra, no mínimo incompreensível (como se de um inimputável se tratasse), foge do bom senso como o diabo da cruz, ou o Sporting de um treinador à séria, e tenta baralhar o senso comum da mesma forma que o Louçã baralha os nervos do senhor primeiro-ministro, ou seja, com especial prazer.

De há uns tempos a esta parte, ao invés de adoptar a discrição e rejeitar a histeria, que muitas vezes é própria de quem tenta defender o indefensável, o ministro Teixeira dos Santos tratou de revisitar os episódios do Calimero e passou a ter na mesinha de cabeceira, ao lado das obras de Keynes (que tenta ainda compreender), os livros da Marvel: Portugal está neste momento à mercê de uma galeria de vilões que, ao serviço do Mal, atentam contra o seu honrado e santo nome.

Ontem mesmo voltou à carga, perante as notícias que davam como certa a descida do 'rating' da República por parte da Standard & Poor (curiosa a ironia deste nome). Para Teixeira dos Santos, Portugal tem de “responder ao ataque dos mercados”, que é como quem diz “ao ataque da especulação”, ou seja, ao ataque da mais pura e vil e insana maledicência financeira (retórica que o primeiro-ministro com certeza apreciará e caucionará, tendo em conta a doutrina oficial).

A meio caminho entre o imponderável e o imprevisível, o mercado – essa entidade mítica que é intermitentemente saco de pancada ou panaceia - consegue, de quando em vez, responder de forma mais ou menos racional ao que lhe é dado a conhecer. No caso português, o orçamento de 2010 e o posterior PEC deram garantias substanciais, beyond a reasonable doubt, de que há intenção séria, objectiva, corajosa, de combater o estado em que se encontram as finanças e a economia nacionais? Não. Por culpa do governo, secundado pelo sidekick Partido Socialista - que a propósito do caso das finanças regionais (Madeira) e do Pagamento Especial por Conta, conseguiu vender internamente a imagem contrária – não houve um esforço substancial e sustentado para pôr em prática um plano que indicasse um caminho que “os mercados” tomassem como ‘this is it’. Pelo contrário: nada neste PEC indica uma intenção indomável e inflexível, à parte os paliativos da praxe (desta vez mais agressivos para compor a coisa), de fundar um modelo de desenvolvimento que ataque a despesa pública e que corte de uma vez por todas com um Estado maximalista, despesista, ao serviço das mordomias e da propaganda do poder, e cujo comportamento, em loop contínuo, oscila entre o do típico pato-bravo (incapaz de perceber que gastar muito não é sinónimo de gastar bem) e o do novo-rico (que finge pertencer à upper class com os gadgets da ordem, sem perceber que é terceiro mundista até ao tutano).

Blame it on the markets, Fernando. That’s the spirit.



Carlos do Carmo Carapinha

27 ABRIL 2010 - 18.42h

Opinadores internacionais

Categoria - Política

O Daniel Martins, camarada do Blogue de Esquerda, acha que as perdas do PSI20 se devem ao triunfo da especulação bolsista, pela mão de temerosos «opinadores internacionais». Uma opinião típica nas hostes da esquerda, que sempre se esforçaram por provar a existência de homenzinhos anafados, de charuto na mão e com os bolsos a cuspir dólares, que, na sombra, tudo controlam e manipulam.

Ao Daniel não lhe ocorrem três ou quatro factos – repito: factos – que podem explicar o que se está a passar.

O primeiro de todos, e mais, digamos, básico, é o de que a Bolsa portuguesa tem a força, a estrutura e a representatividade mundial da casinha de palha do porquinho (o lobo mau são os «opinadores internacionais», claro). Em linguagem nacional-pimba, a Bolsa portuguesa não vale um chavo furado. À mínima, vai-se abaixo. É fraquita, Daniel.

O segundo facto, é este: os «opinadores internacionais» não inventaram absolutamente nada. O estado comatoso da economia e finanças portuguesas é o que é: miserável (não tão miserável quanto o da Grécia mas, ainda assim, miserável). Culpar o mensageiro, mesmo que ele repita o que já disse várias vezes, é absurdo e, na prática, constitui a forma mais rápida de enfiarmos a cabeça na areia.

O terceiro facto, ou, neste caso, a terceira questão é esta: a saúde financeira portuguesa interessa a quem? Dito de outra forma, Portugal vale assim tanto na cena internacional e na economia europeia que justifique a construção de um complô de dimensões planetárias para derrubar a sua imagem? Por favor…

Finalmente, faço minhas as palavras de um «opinador internacional»: Portugal continua em estado de negação. E enquanto não reconhecermos até que ponto mergulhámos na lama (e os políticos farão o possível e impossível - da esquerda, à direita - para vender uma imagem rosácea que, para além de falsa, continuará a perpetuar 'ad eternum' o desequilibrado modelo de desenvolvimento em que apostámos nos últimos trinta anos), não teremos salvação possível.



Carlos do Carmo Carapinha

27 ABRIL 2010 - 15.50h

A caverna

Categoria - Política

A caverna platónica onde insistimos em permanecer com a mais ingénua das expressões e a mais conformada das atitudes, à qual não raras vezes gostamos de associar uma vaga e levemente arrogante ideia de «progresso», tem sido a progenitora das pequenas e grandes ilusões em que, de forma mais ou menos consciente, gostamos de embeber a nossa por vezes patética existência.

O mundo das políticas e doutrinas educativas é, provavelmente, aquele onde a atracção pela caverna se tem feito mais sentir, e onde a distancia entre a realidade concreta e a fantasiosa disparou em proporção geométrica.

A semana passada, numa reunião de avaliação onde estive presente como encarregado de educação, a mãe de uma colega da minha filha pediu a palavra para dar conta da sua indignação, disfarçada de incómodo, pelo facto do seu filho ter tido negativa à disciplina de Francês. A fonte do «incómodo» era dupla: não só o filho tinha tido, pela primeira vez em oito anos, uma negativa, como, estatisticamente, a senhora mãe tinha notado uma bizarra variação: de um primeiro período em que apenas 10% dos alunos tinham tido negativa, tínhamos passado para uma proporção de 40%. Em face deste escândalo, o discurso da senhora mãe (que, a propósito, é professora universitária) pontava baterias para o professor. “Algo de muito errado se passa”, alertava a mãe. “Não é normal”, garantia a mãe. “O professor vai ter que rever os seus métodos porque eles não estão a dar certo”, exigia a mãe. Nem por uma vez a senhora mãe arrolou no leque de causas possíveis para o insucesso de cerca de doze alunos, outras causas que não a «performance» do professor. Causas simples e outrora razoáveis: por exemplo, a impreparação dos alunos por falta de tempo para estudar (hoje em dia os miúdos são alvo de cargas horárias excessivas, de mil e um projectos ou trabalhos de grupo pós-horário escolar, de inúmeras actividades «extracurriculares»); por exemplo, a falta de acompanhamento por parte dos pais em relação à matéria leccionada; por exemplo, o facto de se terem concentrado numa só semana seis provas de avaliação. Não. A tónica foi colocada no professor: se um aluno tem uma negativa, a culpa não morre solteira porque a relação desta com a «perfomance» do professor deu em casamento perpétuo, exclusivo, monogâmico. Porquê? Porque já não é normal haver negativas; porque já não é normal o professor elevar o grau de exigência, independentemente de contingências externas à sala de aula; porque já não é normal a existência de uma percentagem de negativas de dois dígitos; porque já não é normal redigirem-se testes que não baixem o grau de dificuldade para níveis vergonhosos; porque, em suma, um aluno com negativa é um aluno violentado na sua auto-estima e na sua confiança.

Relembro a tese de Anthony O’Hear. Na base das actuais tendências políticas em matéria de educação, encontramos duas concepções filosóficas distintas, embora complementares. A primeira, evocativa de Rousseau, é a disposição romântica que coloca o aluno no centro do mundo, tendo como premissa a ideia de que a educação existe para permitir o desenvolvimento «natural» do potencial natural da criança. A criança, acredita-se, descobrirá por si própria o que precisa para o seu futuro, através de métodos lúdico-práticos em interacção com os outros e com a natureza. No limite, o professor é um mero «assistente», que não só não deve atrapalhar o desenvolvimento nato do petiz, como deve investir em não melindrar a sua confiança e auto-estima. Desta concepção nasceu a ideia de que o aluno deve ser levado ao colo (não são permitidos chumbos, ou eufemísticamente «retenções») até à idade adulta porque, pelo caminho (que se deseja calmo e encantador) o seu potencial «natural» virá ao de cima.

A segunda concepção filosófica vai beber às teorias do filósofo do pragmatismo John Dewey: a educação só faz sentido se estiver focalizada no desenvolvimento das aptidões e destrezas de ordem prática, com ligação directa a problemas concretos da vida real. Neste caso, a verdadeira educação é aquela que parte da experiência concreta da vida e dos problemas práticos que dela advêm. Desta concepção, nasce a ideia de que as matérias ditas «tradicionais», de natureza teórica (por exemplo a Filosofia, a Literatura ou a História) não passam de abstracções artificiais ou exercícios inconsequentes, despegadas dos problemas reais. O que pesará mais na vida futura de um aluno: o diálogo de Príamo com Aquiles ou as diferentes formas de desemperrar um parafuso?

Aquilo de que nos falava O’Hear, reforça a percepção de que as actuais tendências educativas, aliadas a um caldo cultural temperado por uma colher de irresponsabilidade (o «facilitismo» como forma de ultrapassar dificuldades), uma pitada de demagogia (as estatísticas do «sucesso escolar» como obsessão) e uma mão cheia de ideias «progressistas» que visam heroicamente acabar com uma nefasta «tradição educativa» (a palavra «tradição» passou a ser sinónimo de «atraso») que vivia de temerosos espartilhos autoritários, contrários ao são desenvolvimento das crianças (apontam-se anos de traumas indizíveis), permitiram uma total inversão de valores que, na prática, teve dois resultados: um aumento exponencial do poder do aluno, consubstanciado pelo facto dos progenitores estarem hoje em dia mais interessados no «sucesso» do que propriamente na assimilação de conhecimento por parte dos petizes; e um decréscimo vertiginoso da autoridade e da ‘gravitas’ do professor no sistema de ensino.

Eu sou de um tempo em que os pais não toleravam as queixinhas dos filhos em relação aos professores. Se eu chegasse a casa e me queixasse que o professor havia gritado comigo ou que me tinha dado uma negativa, era mais do que certo que solidariedade pelo desconsolo ou crédito ao queixume, era coisa que não iria ter. Partia-se do princípio de que o professor sabia o que estava a fazer, e renovava-se constantemente o exercício do benefício da dúvida sempre que as acções ou decisões do professor poderiam levantar dúvidas. A isto aliava-se a ideia, sábia e carregada de bom senso, de que a versão do aluno era normalmente distorcida ou enviesada (para o lado dele, claro). Not anymore.

O mundo, de facto, mudou. Temo que para pior, enquanto acharmos que as sombras nos são suficientes, numa caverna quentinha, acolhedora e protectora.
 



Carlos do Carmo Carapinha

27 ABRIL 2010 - 11.36h

Comissão de inquérito

Categoria - Política

Defender que Sócrates não tinha conhecimento (formal) do negócio PT/TVI ou dizer que somos todos estúpidos é exactamente a mesma coisa. 



Rui Castro

Tenho a agradecer, penhorado, as palavras exageradas do Sr. Maradona em relação à minha (é certo que espectacular) pessoa, na dupla nota de apresentação/boas-vindas, a propósito da minha participação no excelso Blogue de Direita da revista Sábado.

Como pessoa de bem, devo, contudo, esclarecer três afirmações que, para além de enviesadas, põem em causa o meu bom nome.

A primeira diz respeito à expressão “substancialmente mais baixo”. Os leitores deverão saber, a este propósito, que será sempre impossível aferir a altura do Sr. Maradona por mera observação ou comparação empírica. A razão é simples e tem um nome: botas. Um ser humano que usa, desde que se levanta e até que se deita (e presumo, por boa fé, que as descalce para dormir), umas botifarras cujo perfil da sola faz lembrar o perfil elevado dos pneus Mabor que equipavam os Morris Marina, está notoriamente a disfarçar e a baralhar a sua própria altura. Significa, por exemplo, que, num abrir e fechar de olhos, o “substancialmente mais baixo” pode dar lugar ao “ligeiramente mais alto” no dia em que o Sr. Maradona resolva descer do alto das botas, comparando-se de igual para igual com o seu semelhante.

A segunda afirmação, é esta: “uma vez vi-o a terminar uma refeição de garoupa em que esta última, depois de tratada por um vaterinário presente no restaurante, voltou para o mar apenas com ferimentos ligeiros”. Neste caso, impõe-se explicar que o Sr. Maradona é uma pessoa de bem muito especial. É, por exemplo, pessoa para, após farto pequeno-almoço, solicitar o empacotamento de meio quilo de fatias douradas, alegadamente «para levar», seguido do desesperado (e, acrescente-se, abjecto) exercício de, após dois minutos, em plena via pública, devorar o conteúdo do pacote em pouco mais de dois segundos. Estamos, por isso, na presença de uma pessoa que muito comummente varre os pratos dos outros na ânsia de alimentar aquela que pode perfeitamente ser a mais complexa, brutal e eficaz máquina de reciclagem a habitar o corpo de um ser humano.

Finalmente, em post scritpum, o Sr. Maradona afirmou “corre em certos sectores da sociedade portuguesa uma ladainha de que eu perdi um sprint com ele, aqui há uns anos, numa rua de Évora”. Se está filmado? Está. O filme está em poder da Dra. Isabel do Carmo, ex-revolucionária e endocrinologista, que estuda as desordens do sistema endócrino, nomeadamente as que conduzem à formação de matéria adiposa basta em torno dos glúteos traseiros, e que impedem que a pessoa de bem percorra a distância de trinta metros em menos de vinte segundos.



Carlos do Carmo Carapinha

Ao fim de cinco minutos, consegui.

Para começar, saudações aos colegas da Direita e da Esquerda.

Até já e obrigadinho.



Carlos do Carmo Carapinha

25 ABRIL 2010 - 18.32h

Vinte e Cinco de Abril

Categoria - Política

Vinte e Cinco de Abril de Mil Novecentos e Setenta e Quatro: dia feliz esse.

Vinte e Cinco de Abril de Dois Mil e Dez: dia feliz este.

Dias felizes sempre!!!!!



Ricardo Vicente

Mas gosto do Zeca Afonso e do 25 de Abril, acho duas coisas bonitas. Mas vamos fazer um teste: quem é que vai mobilizar mais pessoas: o 25 de Abril ou a consumação da vitória na Liga Sagres pelo clube do povo vândalo, que também vai ocorrer neste dia 25 de Abril? Acho o Di Maria um jogador burro, o Aimar um bom jogador acabado, o Cardozo fez este ano a sua melhor época de sempre (para a frente e para trás); só o Saviola me supreendeu, um caso relativamente ao qual, e sinceramente, até torço o braço com prazer. De resto, o Benfica, como os próprios resultados demonstram (foram eliminados da Liga Europa por uma equipa inglesa que nem vai à Liga dos Campeões), tem no plantel um jogador de classe mundial (David Luiz) e, para além do Saviola, mais quatro grandes jogadores (Maxi Pereira, Luisão, Javi Garcia e, depois de descobrir o que é que ele faz em campo, talvez o Ramirez). O resto é um aglomerado de balões mais ou menos cheios ou prestes a rebentar, que a imprensa desportiva, que há 40 anos faz um fellatio continuo a tudo o que entra no Benfica, tratou de empolar até muito para além do limite do jornalismo. Parabéns ao Jorge Jesus, que aproveitou o vento mobilizador que vinha dos jornais para pôr esta gente a produzir o melhor futebol desde o Porto de Mourinho: o Benfica é um clube tão pequenino de alma [calma, Coordenador, calma, está tudo bem, está tudo bem] que até isso por vezes falha em capitalizar. O Benfica ganha um capeonato sem glória e sem oposição, contra, lembremo-nos, o Braga. Parece o Campeonato que o Sporting ganhou contra o Boavista. Para o ano, se deus quiser, haverá menos sangue.



Maradona

24 ABRIL 2010 - 23.57h

Grandes escolhas

Categoria - Sociedade

Já vos tinha dito que a Isabel(inha) Teixeira da Mota é a porta-voz da coordenação-geral da visita de Bento XVI a Portugal?  



Rui Castro

24 ABRIL 2010 - 23.50h

Lido no twitter

Categoria - Desporto

Sem o Jesualdo Ferreira no banco (expulso hoje à noite), o Porto pode ainda sonhar com a vitória no jogo contra o Glorioso da próxima semana



Rui Castro

24 ABRIL 2010 - 23.38h

Está quase

Categoria - Desporto

24 ABRIL 2010 - 23.36h

Onde é que estavas no 25 de Abril?

Categoria - Política

Amanhã, 25 de Abril, este que vos escreve vai fazer uma grande festa... para festejar por antecipação o aniversário da patroa.



Rui Castro

24 ABRIL 2010 - 23.32h

Tribalistas

Categoria - Desporto

Gabriel Silva, com a independência que lhe é característica, responde a um texto inenarrável do seu camarada de blogue Carlos Abreu Amorim. Ide ler.



Rui Castro

24 ABRIL 2010 - 23.16h

Bento XVI

Categoria - Mundo

23 ABRIL 2010 - 13.24h

Éfe Dê Éle (A Propósito de)

Categoria - Sociedade

1. A Éfe Dê Éle é uma das faculdades mais diversas, senão mesmo a faculdade mais diversa de Lisboa: outras há que, embora maiores, mais homogéneas são. Mas admitamos que seja mais conservadora do que a média: qual é o problema? Será que em democracia só a esquerda e o progressismo têm lugar? Evidentemente que não.


2. É normal que numa faculdade sejam discutidos os assuntos do momento dentro e fora das aulas. Alguém imagina um departamento de economia em que não se fale da crise financeira? Como é que numa escola de direito, em Portugal em 2010, alguém vai conseguir eximir-se de falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo?


3. Nas escolas de direito, professores há que avaliam os alunos não exclusivamente em função da qualidade da argumentação destes mas levando em conta também se as opiniões reveladas condizem com as suas convicções - políticas, religiosas, doutrinárias. Suas, isto é, do próprio professor. Este tipo de avaliação é ERRADA e não-profissional. Mas existiu e existirá sempre, o que é mau.


4. Ao mesmo tempo, os alunos de direito (e não só), por estranho que pareça, levam-se muito a sério e levam muito a sério também os exames. Os exames não são juramentos em que um aluno tenha de proclamar as suas crenças de modo definitivo e comprometido. O exame é um jogo: se eu arranjar uma argumentação brilhante para responder à questão número 5, escrevo-a independentemente de concordar ou não com ela. Os alunos que seguem um imperativo ético qualquer de responder sempre segundo as suas verdadeiras crenças estão errados em relação ao seu papel de alunos e à natureza dos exames.


5. Países há onde são praticados campeonatos de debates. Nestes debates, são definidas uma questão, duas posições possíveis e cada equipa recebe uma das posições a defender À SORTE. À minha equipa pode calhar a defesa da pena de morte mesmo que na minha equipa sejamos todos "na vida real" absolutamente contra tal posição. Não faz mal: o debate é um jogo de agilidade intelectual e imaginativa. Os exames de direito (e não só) também são jogos. E as respostas que eu dou em tais exames não devem nem deixam de dever ser conformes às minhas verdadeiras convicções. O exame não é a "vida real".


6. O exame de constitucional dois que, parece, virá a gerar celeuma pede argumentos a favor e contra um suposto complemento à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A favor e contra. Porquê a favor e contra? Se calhar é porque o professor que redigiu o exame está verdadeiramente preocupado em avaliar não as verdadeiras convicções dos alunos mas sim a sua habilidade intelectual. Quanto àquela expressão do "em complemento à lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo": cada um vê aquilo que quer ver. Há quem veja ali uma forma de ridicularizar a referida lei. Mas se calhar é mais simples e talvez mais justo ver ali uma mera contextualização das matérias a serem trabalhadas na resolução do exame.


7. Nos tempos recentes parece haver um interesse crescente por currículos. Discute-se ou a trivialidade ou o brilhantismo de currículos, discute-se se alguém tem ou não currículo e, no caso de o ter (ou não), discute-se se é adequado a este ou àquele posto. Estas discussões parecem-me todas muito sensaboronas, frívolas e meros estratagemas ou para vulgaríssimos ataques ad hominem (não pode ocupar cargo x porque não leu livro y, não pode não sei o quê porque "não tem mundo", etc.) ou para ridículas gabarolices que ficam melhor a matulões de escola secundária do que a gente adulta. Mas há uma coisa que no meio desta tendência me parece grave: a facilidade e rapidez com que um sujeito qualquer enxovalha outro sujeito qualquer sem que o primeiro saiba do segundo um mínimo do que este segundo já conseguiu na sua vida.


8. Por último, admitamos que o exame de constitucional dois é provocador e a intenção de quem o redigiu foi de ridicularizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em democracia e liberdade, é ou não legítimo (e, de caminho, constitucional) provocar? Quais os limites à provocação? Será que as provocações só são válidas quando defendem os meus pontos de vista? Será que só a esquerda "progressista" é que pode provocar (como se prepara para fazer quando vier o papa)? Parece-me que, em democracia e liberdade, as provocações têm lugar... doa a quem doer - incluindo a esquerda!


9. Mais etceteras: (1) A questão dos professores poderem ou não doutrinar os alunos: se estão impedidos de doutrinar, onde é que fica a liberdade e autonomia académica e científica? E como é que se consegue fabricar professores "neutros"? Ainda nunca ninguém encontrou a fórmula para "jornalistas" neutros e suponho que seja ainda mais difícil de encontrar no caso dos professores. (2) O que faz falta às universidades portuguesas são professores provocadores - doa a quem doer. A provocação e a ironia fazem falta. E é uma miséria quando numa turma inteira não há sequer um alunozinho que não queira ser mais do que um chouriço a ser enchido por conhecimento e mais conhecimento sem nunca o filtrar à luz da crítica. (3) Mas sejamos justos: há de facto professores neutros. É uma neutralidade que decorre não de um esforço pessoal, antes de uma limitação: são gente aborrecida que prefere o detalhe técnico ao debate crítico, docentes aborrecedores que são tão neutrais quanto indiferentes perante as ramificações éticas, políticas, eventualmente estéticas daquilo que ensinam. E se estes professores não faltam, alunos que os preferem sobejam - e muito.



Ricardo Vicente

Um dos erros de análise mais comuns à esmagadora maioria dos opinion-makers é o de pensar a Igreja Católica à luz da agenda fracturante dos blocos de esquerda desta vida. Para a Igreja Católica "de hoje", o aborto, o divórcio, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o celibato dos padres e o exclusivo masculino do sacerdócio NÃO SÃO os assuntos mais importantes nem os mais prioritários. A Igreja Católica é uma religião mundividente: se é verdade que se interessa por tudo (e não pode ser calada por ninguém relativamente a assunto nenhum), também é verdade que não tem de comungar as suas prioridades nem com as modas, nem com o espírito do tempo, nem com a agenda mediática de partidos extremistas.

E o argumento de que a Igreja Católica tem de se preocupar mais com aqueles temas, sob pena de se erodir fatalmente, é pura idiotice. Uma idiotice que não merece ser dignificada nem sequer pela sua desconstrução.



Ricardo Vicente

22 ABRIL 2010 - 00.23h

Pequeno mas bom

Categoria - Política

Fui incumbibo pelo coordenador do Blogue de Direita, Rui Castro, de anunciar um aditamento ao organigrama desta instituição. Há algum tempo que sentimos dentro e fora de nós a necessidade injectar linfa nova neste espaço, se possivel alguém que complemente o nosso leque de sensibilidades, alguém, por exemplo, que dê voz àquela zona do país que não é Lisboa. Outra característica que porcurávamos é que o novo membro fosse substancialmente mais baixo que eu, no sentido de dar um tom mais terra a terra aos nossos posts, o qual, como saberão se têm seguido a nossa obra, costuma fugir para as grandes questões que concernem com a humanidade, bem como as encruzilhadas celestes dos dilemas filosóficos (etc). Depois de colocarmos o anúncio respeitante à vaga, naturalmente na área de Personal Ads do London Review of Books, responderam-nos milhares e milhares de candidatos, mas nós escolhemos este. O MacGuffin é um dos melhores e mais antigos bloggers portugueses, é muito mais baixo que eu e vive em Évora (procurem no Google Maps, com paciência encontram). De vez em quando aparece cá na cidade, numa viagem que lhe demora 39 minutos, não sei para que é que querem gastar dinheiro no TGV quando poderiam perfeitamente oferecer um Porsche a cada português. Uma das características mais agradáveis do MacGuffin pode ser usufruída quando partilhamos mesa: aquilo é gajo para deixar três quartos das refeições disponiveis para os restantes comensais; uma vez vi-o a terminar uma refeição de garoupa em que esta última, depois de tratada por um vaterinário presente no restaurante, voltou para o mar apenas com ferimentos ligeiros. De resto, tem um biblioteca de fazer inveja a qualquer pessoa que goste de ler, bom gosto musical, diz que aprecia futebol (apesar de nunca até hoje ter sabido antecipadamente da ocorrência de um jogo), e alimenta um fetiche por ténis, ao ponto de ter tido aulas com um treinador (?????). Meus queridos: Carlos do Carmo Carapinha!

PS: corre em certos sectores da sociedade portuguesa uma ladaínha de que eu perdi um sprint com ele, aqui há uns anos, numa rua de Évora. Está filmado? há escutas? Não está, não há!

PS 2: o início da colaboração do Carlos pode demorar ainda algum tempo, dado ser necessário a frequência de um workshop por um sindicato de génios em teoria da computação de sistemas complexos para que o rapaz consiga apreender os conhecimentos suficientes para postar neste aparelho. Os engarrafamentos no espaço aério têm contribuido para um atraso adicional, com especialistas destacados para este workshop retidos no MIT, na Nasa, no CERN, em Cornell, etc etc, os unicos locais do mundo onde existe conhecimento acumulado suficiente para, por exemplo, fazer um "edit" a um post. Está tudo bem.



Maradona

21 ABRIL 2010 - 19.32h

600.000

Categoria - Desporto

21 ABRIL 2010 - 18.57h

À francesa

Categoria - Política

É-me indiferente que Inês de Medeiros tenha sido eleita deputada, em listas do PS, pelo círculo de Lisboa. O facto da deputada residir habitualmente em Paris também não é assunto que me importe (naturalmente, desde que cumpra as suas funções enquanto deputada). Também não me tira o sono o facto da deputada-actriz ter optado por assumir um estilo caceteiro e arrogante, à semelhança, aliás, do querido e amado líder. O que não posso aceitar é que o Estado português se veja obrigado a custear as suas viagens e despesas nas deslocações realizadas entre Paris/Lisboa/Paris. Afinal, qual o benefício que se tira do facto de Inês de Medeiros residir em Paris? Que eu saiba, a deputada reside em Paris por vontade própria, não desempenhando ali qualquer função ou actividade em prol do interesse público, nem prestando apoio à comunidade portuguesa que ali vive. Se o PS assumiu um compromisso com a deputada, aquando do convite para integrar as listas, é um problema que os socialistas terão de resolver: cumprindo a promessa feita, o que implica que seja o PS a custear as viagens, ou, como tem vindo a ser hábito, voltando com a palavra atrás. Caso contrário, o precedente é perigoso. Imaginem que, em vez de Paris, um qualquer deputado da nação opta por se instalar nas Seychelles.



Rui Castro

21 ABRIL 2010 - 08.47h

Estamos todos a ficar malucos, é o que importa

Categoria - Política

Continuo a discordar desta situação toda, mas penso que é chegada a hora de encarar isto como se enfrenta os fenómenos meteorológicos ou geológicos: resignação competitiva. O conceito de "resignação competitiva" foi inventado por mim no século II a.C., quando o conhecimento do mundo natural sedimentou num corpo de conhecimentos suficiente para projectar na consciência humana e com um mínimo de clareza os processos que inevitavelmente nos derrotarão, e daí até hoje tem feito a sua aparição fenomenológica sempre que alguém consegue arranjar um sentido para uma vida de sobrevivência, luta e derrota. São assim as equipas de Mourinho pós-Porto: satisfazem-se na luta, não no sentido catenaccio (que visa unicamente a vitória), mas numa ética ateia que encontra fundamento ontológico na atomização extrema do jogo, em que nenhum acontecimento fica fora da narrativa da necessidade. Neste sentido, os dentes partidos do melhor jogador de futebol do mundo de sempre, Maicon  Douglas Sisenando, foram um raro momento de beleza cósmica, quando o melhor jogador em campo saíu não em ombros, mas de maca.



Maradona

21 ABRIL 2010 - 00.49h

Tem qualquer coisa de tântrico

Categoria - Política

Ao que parece, Sócrates e Passos Coelho estiveram hoje reunidos em São Bento durante quase 3 horas.



Rui Castro

21 ABRIL 2010 - 00.40h

Agora a sério

Categoria - Desporto

O que é que o Paulo Sérgio fez às sobrancelhas? 



Rui Castro

20 ABRIL 2010 - 15.51h

Ouvido no café, na mesa do lado

Categoria - Desporto

Depois de Costinha para director desportivo e de Paulo Sérgio para treinador da equipa principal, parece que o Sporting vai contratar a Luciana Abreu como preparadora física.



Rui Castro

20 ABRIL 2010 - 14.28h

Evolução na continuidade

Categoria - Desporto

Paulo Bento, Carlos Carvalhal e Paulo Sérgio. Não percebo a indignação. A coerência dos dirigentes do Sporting é de louvar.



Rui Castro

20 ABRIL 2010 - 10.31h

Vai tudo correr bem

Categoria - Política

Seguindo as minhas instruções literárias, Daniel Martins não utiliza, tanto quanto me foi possivel averiguar, um único "concerne" neste seu novo e aplicado texto. Estamos todos de parabéns, prevejo um futuro espalhafatoso para esta nossa parceria. No que concerne ao conteúdo do mesmo, que a solução para o "descrédito da classe política" exigirá um "regresso às ideologias", não concordo com nada, nem que as ideologias tenham sido especialmente abandonadas, tenho dúvidas que os políticos padeçam de um especial descrédito ou, sequer e para finalizar, que a própria relação entre o hipotético descrédito dos políticos e o estado ideológico das sociedades sofra das características dinâmicas que o Daniel Martins lhe detecta. Depois do jogo conceptualmente mais importante do ano, o Inter de Milão - Barcelona, com inicio às 19 e 45 e com transmissão directa num estabelecimento com cerveja perto de si, talvez tente explicar os meus densos pontos de vista sobre esta matéria, sem esquecer referir novas orientações estilísticas à prosa do co-blogger Daniel Santos. Um outro concerne que importa aqui concernar é o que tem a ver com o esparregado congelado: então não é que o esparregado da marca Dia não é uma catástrofe por aí além? Estava habituado a que os produtos Dia se comportassem todos como o seu detergente de louça (três bolas de sabão por cada litro de produto), mas este esparregadozinho, a 1,19 euros cada 350 gramas, tem uma dignidade gostativa que merece não só o meu espanto como também, de hoje em diante, a minha admiração. Ou então estava com muita fome, também pode ser isso. A coordenadora do Blogue de Esquerda, Marta Rebelo, está desde já por mim convidada para partilhar comigo um esparregado da marca Dia, que, sejamos honestos, no que concerne à interação urbana entre o Blogue de Esquerad e o Blogue de Direita isto não tem andado por caminhos fáceis.



Maradona

19 ABRIL 2010 - 21.51h

Atirar

Categoria - Política

Fez no Sábado passado 489 anos que Martinho Lutero disse:

A não ser que seja convencido pela Escritura e pela razão - não aceito a autoridade de papas e concílios, porque eles contradizem-se uns aos outros - a minha consciência é cativa da Palavra de Deus.

Também por aqui se prepara a visita de Bento XVI (qualquer pessoa que aderir no Facebook ao grupo que quer atirar preservativos ao Papa fica excluída do meu convívio - divergência não é selvajaria).



Tiago de Oliveira Cavaco

Importa ler o que escreve o José Reis Santos. É já aqui ao lado.



Rui Castro

19 ABRIL 2010 - 19.51h

O melhor mesmo

Categoria - Política

é nacionalizar. Assim, acaba-se de uma vez por todas com esta pouca vergonha que é os preços acompanharem as variações do mercado. 



Rui Castro

19 ABRIL 2010 - 14.41h

Tresleitura, Crítica, Direita e Esquerda

Categoria - Política

O Daniel, que tem impressões fortes no que concerne a tudo e a mais alguma coisa, continua a insistir que eu tenho esta ou aquela opinião. Agora diz que eu assumo que as eleições na Alemanha em 1933 foram justas e democráticas. Eu acho que quem assume demais é o Daniel. Naquele post em que referi as eleições alemãs de 1993, para o meu argumento ser válido basta que Hitler tivesse o apoio de uma larga franja do eleitorado (ou não tão larga assim), como de resto o Daniel parece acreditar que Hitler teve (isto, claro está, admitindo que interpreto correctamente o que o Daniel escreveu).

Pronto, o Daniel acha que a minha opinião de "Pretender que não se pode criticar o eleitorado faz ainda menos sentido - em política - do que dizer que os gostos não se discutem - em estética" é válida, só que ele discorda. Então, como diz o Maradona, está tudo bem: eu continuo a ter a mesma opinião - que se pode criticar o eleitorado que elegeu Hitler ou outro eleitorado qualquer - e o Daniel continua a ter uma opinião diferente.

O Daniel diz que, em vez de criticar o eleitorado, prefere compreender as razões do mesmo. É uma posição que considero válida. E compreender as razões parece-me ser um exercício interessante. Mas é uma posição que me cheira àquela atitude tão típica da esquerda: a da desculpabilização.

Suspeito que para o Daniel será mais fácil desculpabilizar o eleitorado que vota em mentirosos desde que estes sejam de esquerda mas já será mais difícil encontrar razõs sociais explicativas dessa tragédia que é votar à direita...

"A proliferação de casos como os do Jobbik ou da Liga do Norte de Bossi exige uma séria reflexão. Não porque o eleitorado seja censurável nas suas escolhas". Pois, eu de facto não concordo com esta opinião. O eleitorado não é censurável nas suas escolhas? Alguém vota no Hitler e eu não o posso censurar? É tudo uma questão de "razões", causas profundas, contexto social? E onde é que fica a liberdadezinha? E onde é que fica o espírito crítico das pessoas?

A atitude-geral-de-desculpabilização-esquerdista, seja a desculpabilização das escolhas do eleitorado, seja a desculpabilização dos bullies, seja a desculpabilização da pequena criminalidade - tem sempre este problema: ignora que as pessoas, mesmo nas piores condições sociais, têm um módico de liberdade e espírito crítico que impede uma qualquer isenção das suas responsabilidades.

Mas, mais uma vez como diria o Maradona, está tudo bem: isto da liberdade, responsabilidade, maior ou menor importância que se dá ao "contexto social" quando chega a hora de fazer juízos de valor - isto tudo são daquelas coisas que separam a esquerda da direita e eu não espero que, aqui, esquerda e direita possam concordar.



Ricardo Vicente

19 ABRIL 2010 - 11.06h

Cá estamos, não é assim?

Categoria - Política

Está tudo bem. De facto, existem boas razões para eu não ter percebido que o apontamento do Daniel Santos visava assinalar o facto de que muitos dos que não compreendem a agressividade contra a tolerância de ponto decretada pelo Governo podem não ter uma ideia clara sobre as ideias de Ratzinger: é que isso não é apontamento que se faça. Este Papa é um intelectual ou lá como é que isso se chama; o Daniel Santos pode estar convencido que o compreende suficientemente, mas posso desde já anunciar que, a avaliar pelo historial recente, as dúvidas sobre essa situação amontoam-se. Eu não compreendo Ratzinger, e as minhas ideias sobre as suas "posições" não passam do rudimentar, mas isso não me faz custar aceitar uma medida como a tolerância de ponto, porque me basta compreender o sentimento ou importância interior que 5 ou 6 milhões de pessoas em Portugal atribuem à sua visita. Sempre se deu tolerância de ponto nas visitas dos papas, que acontecem de 15 em 15 anos; se sempre se deu e se a visita do Papa continua a mobilizar tanta gente, não há qualquer razão que justifique uma mudança de curso de um procedimento usual para o Carnaval, o Natal e o Ano Novo, quando não quando há pontes entre feriados, apesar de nem eu nem o Daniel Santos compreendermos as ideias do padroeiro das pontes entre feriados. 

PS: é um bocadinho estranho puxar para aqui um gajo com barbas, no caso, o Weber. Pode-se construir sistemas perfeitamente racionais a partir de fundamentos supersticiosos ou míticos. A racionalidade não tem que ir aos fundamentos, não tem que ser uma filosofia de tudo o que existe. Pode ser apenas um discurso sobre um texto, que é, parece-me, o que a Igreja Católica faz sobre a Biblia e Jesus Cristo. Pode não me dizer absolutamente nada, mas está uma coisa bem feita, que envolve um grupo de gente vasto, dedicada, metódica, alguns superiormente inteligentes, como este gajo que agora é Papa.



Maradona

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires