Primeiro foi Josef Fritzl, o austríaco de sobrancelhas diabólicas e olhinho muito azul (como diria Lula da Silva). Uma história de contornos medievais: filha presa numa cave décadas a fio, violada e engravidada sucessivamente pelo pai incestuoso. O horror absoluto e quotidiano, pronto a consumir pela informação tablóide que invade cada vez mais as televisões e os jornais. Fritzl vivia em Amstetten, por isso o epíteto não demorou: ele é, para que exercitemos o nosso higiénico desdém, "o monstro de Amstetten".
Depois, soubemos de Michele Mongelle, italiano com cara de carniceiro da Mafia. História parecida: filha sequestrada e violada durante um quarto de século, um sem número de requintes de malvadez. Mongelle vivia em Turim, passou a ser "o monstro de Turim" ou "o Fritzl de Turim".
Esta semana, a epidemia de progenitores incestuosos alargou-se à Colômbia. Arcebio Álvarez Quintero, agricultor que fez 11 filhos à filha, já entrou na monstruosa galeria: é "o monstro de Mariquita" (ou "o Fritzl de Mariquita; ou talvez "o Mongelle de Mariquita").
Só espero que um dia destes não apareça por aí um "monstro da Cedofeita" ou um "Fritzl da Bobadela". Já imaginaram a quantidade de directos à porta da vivenda (com cães de loiça junto ao portão) que a TVI não faria?
José Mário Silva
José Mário Silva
Como não podia deixar de ser, os ecos do soundbite de D. Ilídio Leandro (sobre a obrigação moral do uso de preservativo por parte de quem está infectado com o vírus da SIDA) já chegaram aos faustosos corredores da Santa Sé. Também previsivelmente, o Vaticano anunciou que o assunto está a ser analisado pelas autoridades competentes, no sentido de preparar, em devido tempo, "uma reacção oficial".
Tendo em conta que o actual Papa Bento XVI é um acérrimo defensor da ortodoxia católica (vide o seu currículo enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé), eu se fosse ao bispo de Viseu temeria o pior. A excumunhão, já se sabe, é só para casos de extrema gravidade (como fazer um aborto para salvar a vida de uma menina de nove anos violada pelo padrasto), mas outros castigos haverá, estou certo, capazes de trazer para o rebanho as ovelhas que têm a ousadia de se tresmalhar, ainda por cima dentro do próprio redil.
José Mário Silva
José Mário Silva
31 MARÇO 2009 - 14.21h
Categoria -
Política
Emídio Rangel, depois de tantas e tão afinadas loas às ministras em apuros, vê-se agora confrontado de chofre com os mal-agradecidos que não lhe deram o tal 5.º Canal. O seu projecto, sempre apresentado pelo credível e ponderoso Carlos Pinto Coelho, levou com o apodo de coisa "de vão de escada". Emídio Rangel não gostou e aí está ele, vociferando contra "o Silva", contra o "beato Azeredo Lopes" e sei lá mais quem, num festival de ressabiamento e falta de chá. Claro que a crónica vem com a assinatura de um "jornalista", não de um interessado no processo. Já virou moda.
Lui Rainh
Luis Rainha
31 MARÇO 2009 - 11.59h
Categoria -
Política

Os esforços da entourage de Sócrates parecem tingidos de algum desespero. Agora, Pedro Adão e Silva aposta no mais coxo dos cavalos: a ideia de que Charles Smith terá simplesmente extorquido umas massas aos parceiros, a coberto de inexistentes pagamentos às autoridades lusas.
Explicação simples e escorreita. Com o único senão de implicar que o processo de licenciamento tenha sido normal e igualmente escorreito. No Governo, na autarquia e no ICN. Quanto a isso, estamos conversados.
Charles Smith terá sido, de acordo com tal teoria, o burlão mais sortudo da história: ficou com o dinheiro, nada fez e, mesmo assim, os trâmites do projecto ganharam pressa e enveredaram por atalhos bem esconsos.
Luis Rainha
Luis Rainha
31 MARÇO 2009 - 10.28h
Categoria -
Economia

Ontem à tarde, estes eram os anúncios seleccionados para ornamentar este blogue e o seu gémeo mau. A direita trabalhadeira, séria e familiar anuncia oportunidades de trabalho, ofertas de maiores rendimentos, belas carreiras empresariais como revendedor de cosmética, as modernas delícias do life coaching.
E nós? Os malandros dos canhotos só pensam em poucas-vergonhas. Vaí daí, o mercado atribui-nos reclamos a sex-shops (claro), a uma rent-a-car e a um hotel rural. Tudo em nome da concupiscência: vamos lá a encher o porta-bagagens do Boxster alugado com brinquedos sexuais e bute para um fim de semana rural com a amásia.
Não sei se me sinta ofendido ou lisonjeado: acho este programa algo mais divertido do que andar a vender "joalharia exclusiva" de porta a porta. Também por isso, nunca hei-de ser rico.
Luis Rainha
Luis Rainha
31 MARÇO 2009 - 10.17h
Categoria -
Política
Num instante de insónia, entretive-me a contar o número de meninas e meninos que brincam aos blogues políticos.
Métodos: peguei em alguns dos blogues políticos colectivos que julgo serem os mais conhecidos e separei os meninos das meninas em função do nome próprio. Os blogues foram: 31 da Armada*, 5 Dias, Arrastão, A Arte da Fuga, Bichos Carpinteiros, Blasfémias, Cachimbo, Coluna Infame, Corta-Fitas,Esquerda Republicana, O Insurgente, Jugular, Ladrões de Bicicletas, Da Literatura, Mar Salgado, O País Relativo e W3. Exclui bloggers que apenas se identificam pelas iniciais, por nomes de guerra (de género explícito ou não) e exclui blogues colectivos que partilhassem muitos elementos com um qualquer blogue entretanto incluído na lista. Como se percebe, não excluí blogues descontinuados. Eis os resultados:
Meninas: 18% (34)
Meninos: 82% (151)
Esta blogosfera traduz os interesses espontâneos da sociedade civil. Neste caso concreto, trata-se de uma população maioritariamente urbana, diferenciada e com uma média de idades inferior a 40 anos. Partindo dos pressupostos de que a actividade de blogar não é incompatível com a maternidade (nomeadamente depois da explosão do mercado dos baby monitors) e que as mulheres não estão em minoria na blogosfera em geral (não fiz este teste), e lembrando ainda que as mulheres estão já há alguns anos em maioria em muitos cursos universitários, os dados sugerem que os homens se interessam mais por política do que as mulheres.
VMB
* Para o Rui Castro: tinha-me esquecido de o incluir no texto, mas já estava na contagem.
Vasco M. Barreto
30 MARÇO 2009 - 19.50h
Categoria -
Política
O Rui Castro respiga, entre outras, uma curiosa reflexão de Edward C. Green: «In Uganda's early, largely home-grown AIDS program, which began in 1986, the focus was on "Sticking to One Partner" or "Zero Grazing" (which meant remaining faithful within a polygamous marriage) and "Loving Faithfully." These simple messages worked.»
Com efeito, o caso ugandês há muito é usado pela Igreja Católica como "prova" de que o preservativo não faz falta para combater a SIDA. O problema é que tal não corresponde à realidade. O slogan popularizado nesse país foi "ABC – Abstinence, Be Faithful or use Condoms.” Certo é que os comportamentos mudaram, com a redução do número médio de parceiros sexuais. Mas o consumo de preservativos também mudou: «Condom use by unmarried men also rose from rates varying between zero and 14 per cent between 1988 and 1995 to 57 per cent in 2000». E isto é o Catholic Register a falar.
Conclusão óbvia? Ao contrário do que pretende César das Neves, ninguém advoga o preservativo como panaceia universal e única. Mas, ao contrário do que Bento XVI parece acreditar, a camisinha é parte da solução, não do problema.
Luis Rainha
Luis Rainha
30 MARÇO 2009 - 17.34h
Categoria -
Política
O psiquiatra Afonso de Albuquerque, no seu livro Minorias Eróticas e Agressores Sexuais, no capítulo intitulado “Os homossexuais como pais” refere que – “apesar de a relação homossexual não ser reprodutiva, cerca de 25 % dos homens gay e uma percentagem ainda mais elevada de lésbicas (65 %) têm filhos”. Muitos destes são fruto de relações heterossexuais anteriores ou relações ocasionais concomitantes, mas um número crescente destas crianças são fruto de PMA.
O que é que isto quer dizer? Que a lei, mesmo quando parece avançada e mesmo quando é objecto de contestação, não está a fazer engenharia social, mas sim a enquadrar situações que existem no terreno e que até nem são tão raras como se pensa. Isto não significa que elas devam ser aceites por esse facto – há comportamentos que a sociedade reprova e que não vai legalizar apenas pelo facto de serem comuns. Mas significa que um dos argumentos mais vezes avançados contra as leis socialmente mais liberais – o de que vão abrir uma caixa de Pandora com consequências imprevisíveis – não tem muitas vezes razão de ser. A caixa de Pandora, se existe, já foi aberta há muito e ninguém reparou. José Vitor Malheiros
Este luminoso texto de Malheiros só tem um problema: os nossos conservadores não reconhecem a validade do argumento, porque entendem a "engenharia social" à portuguesa, isto é, como a prática de construir primeiro e planear a seguir.
VMB
Vasco M. Barreto
Como seria de esperar, João César das Neves distorce, insulta e manipula. Tudo para evitar admitir que o Papa fez asneira. Quem tiver comentado criticamente as declarações do geronte do Vaticano emitiu «insultos». Quem não entende a excelência das suas ideias só pode estar a fazer uma ou outra «confusão infantil».
Mas claro que comparar o preservativo ao cinto de segurança, isso já não é um símile pueril. Para JCN, a «obrigação de usar cinto de segurança nos automóveis aumenta o risco de acidente, porque os condutores, sentindo-se mais seguros, aceleram.» Engraçado; iria jurar que não é de todo a mesma coisa: tenho mais de 90% de segurança ao ter sexo com preservativo – guiar como um louco é comportamento sem protecção conhecida. E ficamos sem perceber porquie é que não confiamos a segurança nas estradas ao civismo, à educação e aos limites de velocidade.
JCN cita um artigo da National Review em socorro da sua parca argumentação. O que equivale a invocar aqui uma prosa do esquerda.net em sentido oposto. Mas prefiro citar Michael Bartos, chefe da unidade de prevenção da Sida das Nações Unidas: «Condom messaging needs to be more refined and needs to take into account the reality of people’s lives. However it is a false opposition to say [that it is a case of] either condoms or concurrent relationships or male circumcision.»
Em vez de dar conta disto JCN prefere mentir e tomar todos os outros por parvos criminosos: «as organizações internacionais de combate à sida limitam-se a métodos mecânicos e simplistas, dizendo o equivalente a: "Ponha o cinto e acelere à vontade." Porquê esta atitude irresponsável? Será fascínio com o sexo ou desprezo pelos negros?»
À laia de acompanhamento, são servidas algumas falácias velhinhas: «Se as pessoas cumprirem os preceitos da Igreja, vivendo a sua sexualidade na castidade e fidelidade conjugal, eliminam totalmente o risco de contágio»; ignorando comodamente os casos dos pares em que só um dos conjuges é fiel, ficando o outro entregue à protecção divina. E esquecendo as crianças que já nascem doentes, vítimas de opções e recomendações alheias.
Eis um discípulo à altura do mestre: quando formos todos anjos, as doenças acabam. Até lá, tratem mas é de morrer como bons pecadores.
Luis Rainha
Luis Rainha
Como forma de sublimar a violência e salvar vidas, a ritualização do combate é uma invenção antiga. Nos documentários da National Geographic aprendemos que, na luta pela fêmea durante o período de acasalamento, é menos provável que alces machos se trucidem com as armações que lhes enfeitam a cabeça do que um homem acabe com outro à bala, por causa de enfeites na cabeça. Na Sport TV também passa: nações, cidades e bairros rivais confrontam-se no estádio e não no campo de batalha, os jogadores são os guerreiros e o árbitro um juiz da Convenção de Genebra em missão no terreno. Difícil é provar a tese de que os homens conseguiram uma ritualização tão plena como os outros animais. A história regista um conflito armado entre as Honduras e El Salvador precipitado por um jogo – os hondurenhos ganharam a primeira mão e os salvadorenhos invadiram as Honduras na segunda mão, tendo sido depois complicado desempatar a eliminatória pela diferença entre golos e mortos. Há também ocasionais homicídios de jogadores por adeptos frustrados e a televisão gravou para sempre na nossa memória as imagens de Heysel Park, a obra-prima do hooliganismo. No futebol a ritualização da guerra foi incompleta, ao contrário do que aconteceu no futebol americano, em que o desporto é mais violento e o público mais ordeiro.
Se o jogo de futebol é uma guerra mal ritualizada, o “mundo do futebol” conseguiu o “pleno” e ritualizou uma realidade inteira. Inventou o jornalismo desportivo, que ritualiza a falta de objectividade; a gíria desportiva, que ritualizou o mau português; o dirigismo desportivo, que ritualizou a política; o “apito dourado”, que ritualizou a justiça; e os intermináveis comentários e debates, que ritualizaram a falta de assunto. Trata-se de um mundo estanque. Quem está lá dentro, mesmo os que apelam ao bom senso e fazem petições pela “verdade desportiva”, lembram o fulano perturbado de Bowling for Columbine que não se priva de pensar que “há por aí muitos malucos!” E quem está de fora, embora suspeite que não é possível assistir a 90 minutos de um Rio Ave – Trofense apenas pela beleza do “desporto-rei” e intua um qualquer envolvimento emocional, não consegue penetrar na essência do fenómeno, como em Portugal não se percebe que alguém queira varrer freneticamente o chão de gelo diante de uma pedra de granito que desliza na direcção de um alvo, como acontece no curling.
A loucura associada ao futebol é-lhe intrínseca. Só substituindo todos os relvados dos estádios sobredimensionados por pistas de curling e sobrevivendo depois o país a uma guerra civil se conseguiria erradicar a loucura do futebol. Na prática, apenas podemos melhorar os cuidados paliativos quando surgem picos de insanidade, como as reacções recentes a um penalty mal marcado, e tolerar a terapia de grupo colectiva mal se ouve a expressão “matematicamente possível”, por sinal uma ritualização do cálculo de probabilidades de efeitos fortemente sublimatórios.
VMB
Crónica de hoje, no Metro (modificada)
Vasco M. Barreto
30 MARÇO 2009 - 12.12h
Categoria -
Desporto

O autor é Álvaro Santos Pereira, economista português que dá aulas em Vancouver (Canadá). A edição é da Esfera dos Livros.
José Mário Silva
José Mário Silva
30 MARÇO 2009 - 11.41h
Categoria -
Política
Pressões, prescrição, aquivamento. Estas parecem ser as palavras-chave para o futuro do caso Freeport. Gostava de não conseguir acreditar que martelar um licenciamento de modo a dar um jeito possa agora ser avaliado como "acto lícito" (terá isto sido um ensaio geral?). Gostava de acreditar que um PGR não anda a tentar trnasformar a nossa Justiça num buraco negro. Gostava de acreditar que o nosso primeiro-ministro quer mesmo o esclarecimento absoluto do caso, não o seu afundamento na vala comum das prescrições mais ou menos explicadas. Mas está difícil.
A única coisa que me anima quanto a toda esta história manhosa é conhecer bem um dos magistrados do processo e saber que ele nunca se vergará a ameaças de "prejuízos futuros" para a sua carreira.
Luis Rainha
Luis Rainha
30 MARÇO 2009 - 11.19h
Categoria -
Desporto
Há quem pegue em excelente matéria-prima, incluindo algumas das melhores unidades do mundo, e não consiga criar um todo coerente e dotado de personalidade própria. A cada mau resultado, só resta aos responsáveis da equipa evocar desculpas e atenuantes, confiando sempre num mirífico “futuro” que parece a linha do horizonte: quanto mais nos aproximamos dele, mais se afasta.
Noutro contexto, há quem tenha talento e ideias qb para pegar numa estrutura em decomposição, injectar-lhe energia e talento e saltar, em escassos meses, para o topo da sua categoria. Mesmo em tempo de crise.
Agora, é adivinhar qual destes casos se passou em Portugal. O tal país que tem hoje um tenista a jogar com o n.º 1 mundial mas parece não ligar muito ao caso.
Luis Rainha
Luis Rainha
30 MARÇO 2009 - 10.49h
Categoria -
Política

Parece que anda por aí uma sinistra rede de passadores de Magalhães, o tal computador luso que ia colocar Portugal na faixa rápida da auto-estrada da Informação. E não é que é verdade?
Estou em condições de confirmar que até em Espanha já se traficam as revolucionárias maquinetas, alteradas para ocultar o nome do nosso bravo navegador.
A bem da verdade, quando vi este cartaz pela primeira vez, pensei que era um reclamo à edição espanhola do livro Sócrates, o menino de ouro do PS; dado que parecia ostentar a imagm de um jovem caixeiro-viajante.
Luis Rainha
Luis Rainha
30 MARÇO 2009 - 08.46h
Categoria -
Economia
Houve um tempo em que o mundo da economia era aborrecido. A lembrança de Alves dos Reis era reiterada a duas gerações de distância, à falta de outra grande figura. "Os ricos que paguem a crise", slogan da UDP, e "FMI", tema de José Mário Branco, eram produções culturais inspiradas na economia, mas variações inevitáveis sobre o enredo batido da luta de classes. Tudo mudou nos últimos anos. É nos cadernos de economia que encontramos agora o jornalismo mais trepidante, as histórias de vida mais sumarentas, as figuras mais inverosímeis. Hoje mesmo soube que um administrador do BCP terá simulado o seu suicídio. Isto é absolutamente arrebatador. Quando se diz que a realidade ultrapassa a ficção, ninguém acredita, mas entre o mundo da alta finança e a ficção é mesmo too close to call.
VMB
Vasco M. Barreto
29 MARÇO 2009 - 11.14h
Categoria -
Economia
Bernard Madoff é o monstro das bolachas, claro.
José Mário Silva
José Mário Silva
Depois de Bento XVI ter dito o que disse em África sobre a SIDA e o uso do preservativo, é uma bênção ler estas declarações do bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, à agência Ecclesia:
«Quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o parceiro à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa. Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório.»
Só é pena que uma "obrigação moral" tão óbvia não seja evidente para quem, a partir do Vaticano, condiciona as vidas de centenas de milhões de católicos no mundo inteiro.
José Mário Silva
José Mário Silva
Esta manhã, no balneário do ginásio, furtaram as minhas chanatas.
VMB
Vasco M. Barreto
28 MARÇO 2009 - 19.26h
Categoria -
Política
“Nós encontramo-nos no limiar de um ponto de método essencial e no qual, creio-o bem, não há entre nós nenhum desacordo de princípio. Tratando-se de figuras como Torquemada, Pio XII, Bento XVI e alguns outros (e penso nomeadamente em Marcel Lefebvre), é ponto capital, sobre todos eles, nada ceder perante as tentativas de criminalização hereges ou perante as anedotas eriçadas com que a esquerda fracturante nos pretende fechar e anular. Nós podemos e devemos discutir entre nós (um ‘nós’ que sinaliza aqueles para quem o ateísmo e as suas formas políticas ímpias são um horror, um ‘nós’ que nós somos para quem a fé no Criador é a única máxima de valor universal) o uso que fazemos, ou não fazemos, dessas figuras. Essa discussão pode ser eventualmente viva e fortemente antagónica, mas ela dá-se ‘entre Nós’, e a nossa regra opõe-se absolutamente a toda a conspiração de latidos do adversário”.
Badiou (parafraseado)
Há entre os comunistas e os católicos um curioso paralelo. Ambos reclamam um direito exclusivo à crítica da sua História e da sua prática, como se a adesão aos respectivos clubes fosse livre, os estatutos internos e as actividades desses clubes não tivessem repercussões fora de portas e a simples organização clubista negasse uma opinião a quem não é membro. Esta dúbia autoridade natural decorre também de uma certa lógica de usucapião aplicada aos conceitos e manifesta-se de uma forma aberta, em que o catolicismo é a armadura, ou censurada, em que o catolicismo surge camuflado. Exemplos da forma aberta foram as discussões geradas por posições de Bento XVI com uma dimensão política e social explícitas (o discurso sobre a "ecologia do homem") ou implícitas (a posição sobre o preservativo). E um exemplo da forma censurada é um certo tipo de crítica ao casamento civil "gay" feito por elementos da sociedade civil. Estas figuras, invariavelmente católicas, embora deixando para o clero o dirty job e procurando esgrimir enxutos argumentos laicos, tratam o casamento civil como se lhes pertencesse.
VMB
Vasco M. Barreto
27 MARÇO 2009 - 19.41h
Categoria -
Política
É extraordinário: Manuela Ferreira Leite recusou o nome de Jorge Miranda para Provedor de Justiça apenas e só porque o constitucionalista (um dos fundadores do PSD) foi proposto pelo PS. Quando a líder dos sociais-democratas revela o sentido de Estado e a razoabilidade negocial da minha filha de quatro anos (ou talvez menos), está tudo dito. Com uma oposição destas, José Sócrates, do alto da sua obstinação e teimosia (dignas, já agora, do meu filho de dois anos e meio), só pode esfregar as mãos de contente.
José Mário Silva
José Mário Silva
27 MARÇO 2009 - 16.47h
Categoria -
Política

Vital Moreira vem agora chorar-se da injusta falta de atenção que a Imprensa dedica a mais uma gloriosa conquista do nosso excelso governo: «Portugal é 4º país cujo Governo dá maior importância às TIC». Se fosse a dizer que o país estava em 4º lugar a contar do fim da lista, já seria manchete...
O pior é quando se vê que o ranking que interessa mesmo, The Networked Readiness Index. Aqui, surgimos em 30.º lugar.
É que dizer que se "dá importância" é fácil. Eu também dou importância à Uma Thurman. Pratico é pouco.
Luis Rainha
Luis Rainha
27 MARÇO 2009 - 16.25h
Categoria -
Política
Onde no post anterior se lê "xenófobo" deve ler-se certeiro (o spot original da Antena 1 não merecia menos do que isto). Admito que não era preciso especificar o país para onde a empresa do condutor foi deslocalizada, mas a xenofobia, a verdadeira xenofobia, como o Luis muito bem sabe, é outra coisa. E quando as palavras têm o peso que esta tem, convém usá-las com propriedade. Só por causa das coisas.
José Mário Silva
José Mário Silva
27 MARÇO 2009 - 15.47h
Categoria -
Política
Era escusada a excursão a tão triste paragem. Nem o anúncio da Antena 1 foi mais do que uma cretinice propulsionada pelo desejo de agradar, nem a escolha de Eduarda Maio para dar voz ao spot integrou qualquer dose de bom senso. Isto em cima do lindo espectáculo fornecido pelo Bloco com o seu pastiche xenófobo.
Luis Rianha
Luis Rainha
27 MARÇO 2009 - 15.22h
Categoria -
Política
Agora que o útil bastonário decidiu que não podia resistir mais do que uma semana ao apelo das luzes da ribalta, anda o resto da bicharada servil atónito com as supostas revelações. Como se a autoria da tal queixa anónima não fosse conhecida pelo menos há quatro anos.
Luis Rainha
Luis Rainha
27 MARÇO 2009 - 12.24h
Categoria -
Política

Ao que parece, Manuela Ferreira Leite começou a acreditar na sua própria mitologia de campanha. E vai de se macaquear o espírito feroz da “Dama de Ferro” original, clamando agora por mais segurança, mais autoridade, mais organização. «O problema da segurança não se resolve com mais polícias, porque se eles não tiverem autoridade e se não houver organização não há forma de haver segurança efectiva».
Não estou assim muito a ver como é que se daria esse suplemento de autoridade aos agentes policiais. Talvez autorizando-os a fuzilar ao primeiro movimento suspeito, ou tornando os maus tratos nas esquadras um procedimento oficial.
O que estou a ver é que Ferreira Leite continua a léguas de Margaret Tatcher. Além da sua absoluta carência de uma visão do mundo coerente e mobilizadora, a senhora confunde inexpressividade com determinação, chavões batidos com ideias claras, inabilidade tática com autonomia. E nem a meter medo consegue convencer alguém de que poderá mesmo vir a comandar Portugal.
Luis Rainha
Luis Rainha
26 MARÇO 2009 - 19.15h
Categoria -
Política
Quando ontem o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, afirmou emocionado, depois das fanfarras de Haendel, que o Parlamento português era o mais moderno do mundo (isto é, o mais bem equipado tecnologicamente), temi logo o pior. Sempre que por cá se canta de galo nestas matérias, há embaraço pela certa ao virar da esquina. E foi o que aconteceu mais uma vez, claro. Para os meus botões, disse: "Aposto que ao fim de uma semana já houve bronca com o sistema informático." Na verdade, estava a ser optimista. Não foi preciso uma semana. Bastaram dois dias.
José Mário Silva
José Mário Silva
26 MARÇO 2009 - 18.51h
Categoria -
Política
Escreve o nosso gémeo mau Rui Castro que «o Luís Rainha desconfia de todos aqueles que pretendem libertar o Tibete do jugo dos chineses». Não, Rui: só afirmei que a omnipresença do Dalai Lama quando esta causa vem à baila fortalece essa associação.
Quanto ao regime que oprimia os tibetanos já bem antes da invasão chinesa, não sou eu quem o diz. Nem o Parenti. É qualquer fonte independente que consultes. Por muita discussão que ainda hoje envolva o Tibete, não parece haver grande dúvida no essencial: aquilo há muito é um sítio pouco recomendável para se viver. Sorry.
Não há nada de automático na equação “liberdade para o Tibete = Dalai Lama”; o facto de ela parecer um dado adquirido é que interessa desmontar. E foi apenas para esse meritório propósito que eu quis, à minha modesta escala, contribuir.
Luis Rainha
26 MARÇO 2009 - 14.11h
Categoria -
Economia

Quando o mercado publicitário fervilha com rumores catastrofistas – o Público, de acordo com um dos últimos, vai passar a sair só ao fim-de-semana; o DN está para fechar a qualquer momento, acrescenta outro – talvez seja educativo ver o que se passa na pátria dos mass media: os EUA.
Há quatro anos, Bob Garfield, editor da Advertising Age, lançou o livro Chaos Scenario, em que previa o afundamento das redes de TV, a desertificação dos blocos publicitários, a migração do negócio para uma Internet ainda não madura qb para o acomodar devidamente.
Hoje, o mesmo autor anuncia que o futuro sombrio que ele previa chegou antes do tempo. E bem pior do que o imaginado. Jornais de referência e grandes grupos desmembram-se todos os meses. O The New York Times, só por exemplo, depende agora do antes vilipendiado Carlos Slim. As networks e mesmo os operadores de cabo estão também em maus lençóis. O custo unitário do contacto não pára de crescer, impulsionado agora pela proliferação de PVRs e outros dispositivos capazes de evitar a publicidade. Resultado? Até a poderosa NBC se pode ver reduzida, em breve, a mais uma estação por cabo.
Nem a Internet afinal oferece um porto de abrigo. Com o número de suportes a crescer para o infinito e a taxa média de click-through a fazer o caminho inverso, procura-se uma espécie de revolução para salvar a vida ao mercado dos reclamos.
Em Portugal, algumas destes tsunamis talvez nos passem ao lado. Os DVRs ainda não se massificaram e os anúncios ainda são mais agradáveis à vista e à cabeça do que a maior parte da programação. Além de que vivemos numa espécie de lago interior – a nossa Língua – que nos abriga da globalização da oferta de conteúdos online. Mas nada vai ser como hoje ainda é. Mesmo que o Público e o DN cheguem ao fim do ano...
Luis Rainha
Luis Rainha
26 MARÇO 2009 - 12.45h
Categoria -
Mundo

Sempre que se ouve falar na opressão do Tibete, por perto anda a levitante figura do Dalai Lama. Fica-se com a ideia de que a única alternativa à ocupação seria o regresso à teocracia feudal que antes reduzia os tibetanos a pouco mais do que escravos dos iluminados déspotas que tudo possuíam e comandavam. Nada de espantoso: sempre que a religião consegue o poder absoluto, desgraças absolutas acontecem.
Estou um pouco farto de ver tanta gente com ganas de devolver um país a esse pesadelo. Libertem-nos sim, mas não para as grilhetas dos lamas e dos senhores feudais de antanho.
Luis Rainha
Luis Rainha
Isaltino Morais parece ter encontrado a estratégia ideal para sair airosamente do seu julgamento. Garantir que «não há uma única prova» que o comprometa, dormindo ele assim em paz, pois «nada poderá ser provado». Eu acredito neste desenlace. Se até Narciso Miranda se safou sem problemas de uma denúncia que o ligava à propriedade de incontáveis imóveis, muito mais facilmente um «magistrado do Ministério Público aposentado» se livrará da presente embrulhada. Temo é pelo seu pobre sobrinho, longe da pátria, sem apoio e quase na miséria.
Adiante. Esta linha de defesa traz à mente um outro arguido célebre: o famigerado Mário Machado. Ao ver-se de novo trancafiado, garantiu que um tal membro dos Hell's Angels nem sequer tinha apresentado queixa depois de ter sido (alegadamente) por ele baleado – não era uma questão de inocência, apenas e tão somente de falta de provas.
Mas cuidado. Do Teflon Don original, Jonh Gotti, também se dizia que nothing sticks against him. E acabou os dias na cadeia.
Luis Rainha
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 18.09h
Categoria -
Política

«Há uma coisa que nunca percebi. Se um pai "branco" bate na filha (porque esta beijou um preto), esse pai tuga é visto como racista. Se um pai cigano bate na filha (porque esta beijou o mesmo preto), esse pai não-tuga passa à condição de "patriarca cultural".»
Palavras para quê? É o artista Raposo em todo o seu duvidoso esplendor.
Luis Rainha
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 16.59h
Categoria -
Política
Pergunta de algibeira: quando é que em Portugal a Cultura ganhou «uma dimensão estrutural e estratégica de um mais intenso e equilibrado desenvolvimento do País»?
Resposta: em 1995. Quando o sector ficou a cargo de Manuel Maria Carrilho. Se mais ninguém dá pela coincidência, trata o próprio de a recordar com espavento.
Luis Rainha
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 16.52h
Categoria -
Política
«Um "gestor" talvez veja, momentaneamente, a sua factura limitada. Mas tem sempre um emprego à sua espera. Enche os psiquiatras porque vive a imitação de uma importância que na reali-dade não tem. Vive por "objectivos"; pagam-lhe para os atingir: em troca cede à desumanização e a um cinismo que desconhece o facto moral. Como se tem visto.» O autor deste arrazoado de lugares comuns a escorrer indignação moral e outros fluidos manhosos é Baptista Bastos. Prova de que os esterótipos da esquerda que a direita adora papaguear por vezes existem mesmo.
Luis Rainha
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 16.09h
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Política
Para os muitos que não têm entendido o que Cavaco Silva entende por bons ou maus investimentos públicos (sobretudo tendo em conta a sua carreria como primeiro-ministro), o desejado esclarecimento chegou. Boas são coisas como o museu municipal de Penafiel. Custou, ao que parece, sete milhões de euros, excluindo o imóvel, mas é ideia virtuosa porque dará azo à «criação de empregos». Qual TGV, qual carapuça. Os paradigmas irrompem onde menos se espera.
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 15.46h
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Henrique Raposo tem por certo que o multiculturalismo se vê plenamente manifestado quando encafuamos uma turma de alunos ciganos na mesma sala. Isto porque para ele a cultura é algo de descartável e substituível, não uma das componentes da identidade e da autonomia do indivíduo. Que exista uma praxis de diversidade cultural nas sociedades de hoje, para Raposo é um dos crimes da hedionda Esquerda. Para quem pense um pouco no assunto, trata-se apenas de constatar que a vida não decorre dos princípios teóricos. E que o inverso talvez seja recomendável.
No seu novo blogue, o bom Raposo já tratou de nos explicar o óbvio. Também ele vive e funciona em função de uma “Esquerda” demonizada e irreal. Para ele, a URSS continua a ser o Sol que nos alumia; e para muitos escrevinhadores com bossas análogas só nos sentimos bem quando nos agregamos em “hordas”, “patrulhas”, “turbas” e “comités”. Como é confortável a vida no mundo dos simples.
Luis Rainha
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 15.45h
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Há cerca de uma hora, recebi um e-mail a dizer: «Salazar is now following you on Twitter!»
A (des)vantagem das redes sociais é esta: os ditadores, ou os seus avatares, já nem delegam na polícia política. Entre zeros e uns, são eles mesmos que se encarregam de nos seguir, esse verbo na sua essência anódino mas com uma sonoridade (lamento dizê-lo) vagamente pidesca.
José Mário Silva
José Mário Silva
25 MARÇO 2009 - 15.13h
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Uma consulta de “Cessação Tabágica” pode ser marcada pela Internet. Uau. Só que se chega ao Posto de Saúde e ninguém ouviu falar em tal possibilidade. Insiste-se e lá se ergue um funcionário em busca da marcação-fantasma. Ah, pois. Mas a consulta teria de ser à tarde e aqui diz “10h”. Hmm, pensando bem, a médica responsável por essas consultas já nem cá trabalha. E agora? Livro de reclamações, preto-no-branco, sem virtualidades.
Luis Rainha
Luis Rainha
25 MARÇO 2009 - 13.58h
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Como garante do seu poder sobre os homens, interessa às religiões controlá-los pela pulsão mais forte que os anima. Para o islamismo e o catolicismo, religiões expansionistas, regular o sexo dos fiéis é ainda uma forma de estimular a propagação vertical da fé. A Biologia ensinou-nos que dentro de um espermatozóide não há um homúnculo, mas como a nossa religião tende a ser a religião dos nossos pais, “every sperm is sacred” porque lá mora um católico miniaturizado. Não interessa pois espalhar a semente em seara alheia, nem desperdiçá-la em vale de lençóis ou contra uma barreira de látex. Daí a oposição à infidelidade, à masturbação e à contracepção, propagadas sob o manto da moral. Naturalmente, alguém sempre lembra que a oposição ao uso do preservativo é coerente com a doutrina católica, isto é, com uma receita para o fortalecimento de um poder e para a sua perpetuação demográfica. Nisto esquece que a encíclica Humanae Vitae, a grande referência para estas matérias, é de 1968, e que entretanto surgiu uma doença sexualmente transmissível que é hoje a principal causa de morte na África subsaariana. Esquece vozes respeitadas na Igreja e menos ortodoxas, como o Cardeal Carlo Maria Martini, que não se opõe ao uso de contraceptivos quando um dos cônjuges está infectado, como Desmond Tutu, que conhece bem a realidade africana, e como padres e freiras, que discretamente distribuem preservativos no terreno. Esquece uma “coerência” assente em mentiras, como as do antigo responsável pelo Pontifício Conselho para a Família, que, contra a evidência científica, afirmava serem os preservativos permeáveis ao vírus da SIDA. De resto, as recentes declarações do Papa de que a distribuição de preservativos agrava o problema da SIDA proporcionaram ao bispo Jean-Michel Di Falco mais uma violação do “não darás falso testemunho contra o teu próximo”, desta vez em registo de comic relief, ao explicar que o Papa se referia ao hábito de partilha de preservativos entre os homens. E a Santa Sé martirizou-se por estiramento entre a “coerência” e a necessidade de evitar mais má imprensa, ao adulterar as declarações do Papa.
O preservativo não é 100% eficaz mas só perde para duas estratégias. Uma é a abstinência sexual e a fidelidade eterna ao cônjuge; infelizmente, é tão impraticável como o comunismo. A outra estratégia é o obrigatório despiste do HIV e isolamento dos infectados em sanatórios; felizmente, só é praticável em países que tentaram o comunismo. Perante este quadro, fazer da oposição dogmática ao uso do preservativo um dos baluartes do catolicismo e uma prova de coerência é péssima política. É pois escusada a retórica catastrofista dos “milhões” que ficarão infectados devido às palavras agora proferidas, por se tratar de uma afirmação infundada e, mesmo se verdadeira, irrelevante para o Vaticano. Basta lembrar que por causa destas palavras de Bento XVI nenhuma outra das que proferiu em África ficou na memória. A este argumento talvez o Vaticano um dia seja sensível. Resta ter fé na escolha do próximo Papa.
VMB (publicado no Metro, esta semana)
Vasco M. Barreto
25 MARÇO 2009 - 11.30h
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Saímos há horas da clandestinidade da fase beta. Mas desde já a influência deste "Blogue de Esquerda" é notória e inescapável. Dos quatro escribas do nosso gémeo mau, 50% definem-se em função... da Esquerda. Um diz que «gostava de ser de esquerda, mas»; outro garante que não gosta de um tal «País (e)ditado à esquerda», seja lá isso onde for.
Enfim; se calhar eu também me podia descrever como não sendo qualquer coisa particularmente odienta. Mas agora não estou a ver nada à altura do momento. Fico-me pelas boas-vindas aos nossos vizinhos; esperando que daqui a uns meses já tenham desenvolvido uma noção de identidade um pouco mais autónoma.
Luis Rainha
Luis Rainha