22 JUNHO 2009 - 18.56h
Categoria -
Política
Ciclicamente, grupos de economistas, aglutinados ninguém sabe por que filosofia comum, vêm à tona reclamar contra projectos de grandes obras. Há quatro anos, já a palavra “crise” servia de álibi a quem pedia prudência, mais estudos e «uma urgente e dedicada concentração de esforços visando medidas apropriadas de contenção orçamental, de incentivo económico a favor dos sectores de produtores de bens transaccionáveis, de promoção de eficiência económica e de uma moderação da despesa colectiva». Como seria isto feito? Os manifestos não cuidam de responder a tais questões.
Agora, novo documento político, este com cuidadosa pontaria eleitoral, vem levantar as mesmíssimas oposições, explicitamente mais ditadas pelo receio do que pela invenção de planos alternativos. E, claro está, agitando um só papão, a dívida – «Não se justificam ou, pelo menos, deviam ser adiadas para uma altura em que houvesse maior margem de manobra da política económica e quando o nível de endividamento do país for mais reduzido» – aparentemente promovida a único problema da nossa economia.
Lembram-se de quando se lutava contra a Ota, em favor de outras localizações? Dias idos: agora não faz falta aeroporto e pronto. Ideia só ao alcance de quem não preste grande atenção ao estado corrente da Portela, mas enfim. O que Portugal parece estar mesmo a precisar, de acordo com estes doutos especialistas, é de mais «estudos» e de muitos mais «debates». É o guterrismo elevado a corrente da Economia.
Luis Rainha