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22 JUNHO 2009 - 18.56h

Quatro anos de manifestos pela imobilidade

Categoria - Política


Ciclicamente, grupos de economistas, aglutinados ninguém sabe por que filosofia comum, vêm à tona reclamar contra projectos de grandes obras. Há quatro anos, já a palavra “crise” servia de álibi a quem pedia prudência, mais estudos e «uma urgente e dedicada concentração de esforços visando medidas apropriadas de contenção orçamental, de incentivo económico a favor dos sectores de produtores de bens transaccionáveis, de promoção de eficiência económica e de uma moderação da despesa colectiva». Como seria isto feito? Os manifestos não cuidam de responder a tais questões.
Agora, novo documento político, este com cuidadosa pontaria eleitoral, vem levantar as mesmíssimas oposições, explicitamente mais ditadas pelo receio do que pela invenção de planos alternativos. E, claro está, agitando um só papão, a dívida – «Não se justificam ou, pelo menos, deviam ser adiadas para uma altura em que houvesse maior margem de manobra da política económica e quando o nível de endividamento do país for mais reduzido» – aparentemente promovida a único problema da nossa economia.
Lembram-se de quando se lutava contra a Ota, em favor de outras localizações? Dias idos: agora não faz falta aeroporto e pronto. Ideia só ao alcance de quem não preste grande atenção ao estado corrente da Portela, mas enfim. O que Portugal parece estar mesmo a precisar, de acordo com estes doutos especialistas, é de mais «estudos» e de muitos mais «debates». É o guterrismo elevado a corrente da Economia.





Luis Rainha

Autor:

  • Marta Rebelo

    Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

  • Tomás Vasques

    Advogado de profissão, mas dedica-se com frequência a outras artes. Gosta do conceito "esquerda liberal"

  • José Reis Santos

    Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

  • Nuno Ramos de Almeida

    Recorda com saudade a última frase de um dissidente soviético que se suicidou: "Não disparem camaradas!"

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    Doutorando em Sociologia, jurista, socialista (moderno e não só) acredita que os consensos só servem os que dominam.Quer discutir os meios antes dos fins

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