A Bomba Antónia
Porque não estender a teoria económica do visionário deputado da Nação por Aveiro?
E, se os Estados endividados a podem aplicar aos bancos estrangeiros, porque não aplicá-la à banca nacional e deixar de pagar as dívidas aos bancos, quando os créditos para pagar a casa, o jipe e mais umas coisas, começarem a pesar demais?
Marimbemo-nos na banca que, quando não é para receber crédito, não passam de uns capitalistas exploradores do povo?
Vá lá, malta das esquerdas corajosas da boca para fora, que nunca deixou de usar cartões de crédito, nem optou por uma economia de recolecção, para quando um movimento popular de incumprimento generalizado do pagamento das dívidas aos bancos?
Sejam coerentes! Apelem ao boicote aos bancos!
(que realmente têm as suas culpas no cartório, estando longe de ser inocentes…)
Que tudo entre em colapso, que da destruição completa do sistema financeiro capitalista renasça o mundo ideal da utopia da troca directa.
Ahhhh… a destruição criadora!
Não esqueçamos que a origem do conceito, embora não do ermo específico) é marxista.
Antes de Schumpeter houve o jovem Sombart (que acabou em nazi, eu sei, daí a ironia profunda de todas estas coisas)!
O Neo-Socratismo
Estou particularmente emocionado com algumas defesas do marimbeiro deputado aveirense (em terras de Candal, a truculência balofa é via verde para o Parlamento?).
Em especial aquelas que excedem as que o próprio partido ensaiou pela atrapalhada figura de Zorrinho ou pela presente vetustez de Alegre.
Temos, pois, socratinos-novos, uma nova geração que toma como boa e válida a prática implícita e a teoria explícita do engenheiro do não pagamos! não pagamos! tão popular na década de 90 em relação às propinas.
Distraído, até Passos Coelho é capaz de embarcar na coisa, não seja ele agarrado pelo Gaspar.
Os socratinos-novos são malta corajosa de esquerda que já seria capaz de votar novamente em Sócrates se ele lhes prometesse o TGV no município (quiça uma nova ponte!) para despertar as mais-valias à custa de mais uns empréstimos arrancados com lábia ao polvo da banca internacional.
São gente coerente, cheia de princípios – o capitalismo é mau e os mercados fazem crescer pelos nas mãos – que apenas não tem coragem de os aplicar na sua vida quotidiana, na qual se rendem por completo ao modo de vida capitalista com o argumento de que uma andorinha não faz a primavera proletária e não-classista. Que os Estados é que são eternos (excepto os que se desfazem em décadas como certos paraísos terrestres), que o povo ainda não está preparado e que, até estar, é melhor viver-se com as peles do camaleão que depois se despe e se descobre um fatal escorpião para os globalizadores que exploram o sangue dos povos dominados.
É pá! Poupem-me!!!
Têm saudades do engenheiro, das suas práticas enunciadas, mas nunca efectivamente praticadas contra os grandes interesses que o apoiaram, ergam uma vaga de fundo, tragam-nos em ombros de Paris, defenestrem primeiro o Seguro (conseguia-se em menos do que um nano-segundo tamanho o entusiasmo que desperta em todos os narcolépticos), defenestrem depois o Passos Coelho e voltem a colocá-lo lá, com a esperança que, na pior das hipóteses, têm lugar na mesa das negociações e, na melhor, que têm uma aliança parlamentar ocasional.
Façam isso. Mas assumam-se. Saiam do armário. Passem a dizer que é Esquerda o que antes apodavam de Governo de Direita, mas que agora é que é mesmo, estes que lá estão.
Troquem as tintas todas, dêem o dito por desdito e, não se esqueçam, digam que eu é que estou confundido, que eu é que mudei de opinião. Porque antes queria ver a clique socrática fora do poder e continuo a achar que esse afastamento foi uma das poucas coisas boas destes anos. Veja-se isto a partir da esquerda, direita, cima, baixo ou de cernelha. Se isso vos faz encarar-me como um apoiante acrítico da Direita, um idiota útil ao serviço de uma estratégia, sirvam-se à vontade.
Mas não se aproximem de um espelho.