27 ABRIL 2009 - 16.49h
Categoria -
Política
Um dos nossos gémeos maus, o João Vacas, vem propor-nos uma história alternativa para o 25 de Abril. Falando-nos de uma revolução multicolorida e abrangente qb para albergar até malta como o dilecto Amaro da Costa e, quem sabe, o Ribeiro e Castro (era novinho mas precoce). O transporte poético leva-o a declamar algo como «nostalgias de um país imaginado em rubro monocromatismo apenas ensaiado num período tão curto quanto trágico de delírio colectivo.» A parte do delírio parece-me justa, o resto nem percebi.
Diz-nos ainda o João que o «programa do MFA era relativamente consensual e não contemplava o que de mais grave e criminoso veio a resultar não do golpe militar mas da traição do seu ideário e da apropriação momentânea do movimento pela sua ala mais radical.»
Isto, para começar, esquece que foi Spínola quem expurgou o manifesto original do MFA das suas passagens mais ideológicas., E que o mesmo continuou a ostentar ditames como «a) Uma nova política económica, posta ao serviço do Povo Português, em particular das camadas da população até agora mais desfavorecidas, tendo como preocupação imediata a luta contra a inflação e a alta excessiva do custo de vida, o que necessariamente implicará uma estratégia antimonopolista;
b ) Uma nova política social que, em todos os domínios, terá essencialmente como objectivo a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e o aumento progressivo, mas acelerado, da qualidade da vida de todos os Portugueses.»
A fechar, o JV explica que «no dia 25 de Abril de 1974 deram-se cravos de várias cores em Lisboa». O que me parece estranho: estive lá e só me recordo dos vermelhos. Os azuis e a amarelos ficaram reservados para reminiscências febris e imaginações tardias.
Luis Rainha