30 ABRIL 2009 - 12.46h
Categoria -
Política
Alberto Gonçalves é um dos comentadores direitistas que parece operar não em função das suas ideias mas sim da amargura que lhe causam as ideias do odiado adversário: a esquerdalha.
Nesta crónica vídeo (boa ideia de formato, aliás), ele vem desesperar-se por mais uma malvadeza nossa (pois somos um bando homogéneo e solidário): queixámo-nos da recente cerimónia de Santa Comba Dão.
É que AG vive num mundo em que se verifica uma «desproporcionada influência de uma esquerda criminosa derrotada há 34 anos, mas que ainda se acha no estranho direito de apontar o dedo ao que julga intolerável».
Antes do mais, não percebo como é que alguém pode ser privado do direito de apontar o dedo ao que não lhe parece bem; tal não é proibir, nem censurar, mas apenas exercer um banal (julgava eu) direito à opinião.
Depois, e mais relevante, ele finge não perceber porque é que a famigerada Praça Oliveira Salazar levantou esta celeuma. AG resume o caso a uma mera questão de toponímia, mesmo sabendo que em causa esteve apenas a parola provocação de encenar a festarola logo no 25 de Abril. Um mero gesto palonço, acompanhado por porco no espeto e tudo, que deveria ter sido ignorado e pronto.
AG é um verdadeiro cruzado, sem tempo para graças ou leviandades, sempre a caminho de mais uma refrega com a tal «esquerda criminosa». Daí o ácido travo de empenho fanático que ressuma das suas prosas. Lighten up, man!
Luis Rainha