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30 ABRIL 2009 - 07.52h

Baptismo de Universidade Católica

Categoria - Política

Desloquei-me ontem pela primeira vez à Universidade Católica, para assistir a um duelo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo que opôs o Bem ao Mal, isto é, a Dra Isabel Moreira (lindo vestido e ajuizada escolha de óculos) ao Dr. Alexandre Sousa Machado (boa gravata, num cor-de-rosa cuja escolha não terá sido acidental). A moderação esteve a cargo da Professora Maria da Graça Trigo. No final os alunos fizeram muitas perguntas, quase todas pertinentes e bem formuladas, ainda que previsíveis. A destoar só se ouviu um jovem que usou os termos "mariquinagem" e  "gayzice" enquanto desenvolvia a tese de que, segundo os "últimos estudos", a homossexualidade é uma doença. A plateia ficou imediatamente predisposta para a gargalhada, que explodiu segundos depois, quando este jovem revelou ser estudante de Agronomia. Parece que a Agronomia continua a ser o último reduto do macho lusitano, figura dada ao marialvismo e à tauromaquia, mas também com um notável espectro de interesses, que vai da pedologia aos últimos estudos sobre a homossexualidade, distinguindo-se por essa veia académica do macho lusitano de tasca e até do que cursa nos institutos técnico-profissionais. Já depois de concluída a sessão, quando falava para um pequeníssimo grupo de que eu fazia parte, a moderadora comentou a intervenção do futuro agrónomo dizendo que a gente de ciências é pouco sofisticada. Soou a aviso: ainda eu mal acabara de gozar a confirmação de um estereótipo e já a professora da Católica me fazia vítima de outro (sou de ciências). No fundo, houve aqui dedo do Criador. O Senhor pretendeu dizer-me que também eu devo ser capaz de rever alguns dos meus estereótipos e posições. Ora, é precisamente quando estou em xeque que me socorro da ciência. Por exemplo, sentara-me na sala convencido de que não iria mudar de opinião, mas à medida que o debate se desenvolvia vi-me forçado a rever uma convicção profunda, mas não outras. Em ciência chamamos a isto uma experiência controlada, pois prova-se que não mudar de posição em relação a uma posição específica não se deve a uma incapacidade intrínseca de rever uma qualquer posição. Por isso saí do debate ainda mais convencido de que os homossexuais devem poder casar-se. Digo-o com a garantia de quem aprendeu que, ao contrário do que sempre pensara, os jovens alunos da católica não têm ar de seminarista, nem vestem blazer ou fato.



Vasco M. Barreto

Autor:

Marta Rebelo

Jurista de formação, professora por dedicação, política de actividade e escritora por amantíssimo gosto

José Reis Santos

Doutorando em História Contemporânea. Benfiquista, socialista e liberal, por esta ordem.

Daniel Martins

De dia disfarça-se de consultor, à noite caminha pelas vielas da escrita. Mas sempre pela esquerda

Mónica Andrezo Pinheiro

Curiosa. Leitora compulsiva. Escritora inspirada. Consultora. Muito benfiquista. Sulista, elitista mas liberal

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