13 MARÇO 2010 - 20.03h
Categoria -
Política
O dr. Pedro Passos Coelho anunciou que em 1999 foi fazer "outras coisas", para não se tornar um "empregado da política". Depois, enigmaticamente, ajoelhou-se para pedir que as acusações que lhe tivermos que fazer o façamos "cara a cara", para ele se "poder defender". Não percebeu o dr.Pedro Passos Coelho que ninguém o acusa de nada, que de nada se tem que defender. A vida do dr. Pedro Passos Coelho é tão clara e pública como a de qualquer outro político. O dr. Mário Soares ou o professor doutor Anibal Cavaco Silva, para citar os exemplos mais óbvios e grandiosos, viveram sempre da e na política, e ainda hoje o dr. Marques Mendes teve a inteligência e a justiça de agradecer à política tudo aquilo que dela recebeu e que ele nunca poderá retribuir. Mora aqui a diferença fundamental entre a estirpe de políticos "profissionais" como o dr. Passos Coelho, que, devagarinho mas assustadoramente, têm feito o seu caminho em direcção ao centro da nossa democracia: não se trata de uma simples vocação ou gosto pela actvidade política, mas de um modelo de vida que se pretende seguir como quem tenta sobrepôr o seu percurso vital ao do personagem principal do filme preferido. Aprecia-se a política, mas não, verdadeiramente, a luta e o embate; Alberto João Jardim, ao se sentar ao lado de Paulo Rangel aquando da desajeitada tentativa de aproximação do dr. Passos Coelho, é o exemplo perfeito para ilustrar a diferença entre os que fizeram questão de viver uma vida na política, e estes novos agora, que apenas querem uma vida de política: a primeira faz questão de incluir, e por vezes abraçar com amor, a agressão e a violência, a segunda é apenas um meio de se passar pela vida confortavelmente. Espero que com isto o dr. Pedro Passos Coelho compreenda que mais depressa voto no professor doutor Francisco Louçã que nele. Cordialmente, uma pessoa que não acusa ninguém de nada "cara a cara", eu é mais blogues anónimos.
Maradona