Sem prejuízo da urgente limpeza dos cadernos eleitorais, é difícil de aceitar que numa eleição com a relevância destas cerca de 40% dos eleitores tenha ficado em casa.
Ao que parece, foi valor recorde em eleições legislativas.
Os votos brancos ascenderam a cerca de 2,5%, a que corresponderam mais de 200.000 votos.
Já em eleições anteriores me referi a esta questão.
Uma parte substancial do eleitorado não se revê nos actuais partidos - e eram quase 20.
Podemos continuar a ignorar estes números, como se irrelevantes fossem.
Tenho, no entanto, para mim que é essencial perceber as razões para este afastamento.
Suspeito que a forma de organização da grande maioria dos actuais partidos possa constituir obstáculo a maior participação dos descontentes.
Trata-se, assim, de um exercício importante que os partidos deviam levar a cabo, concluindo porventura com a necessidade de desaparelhização das suas estruturas.