25 JANEIRO 2012 - 09.51h
Categoria -
Política
Meço bem as palavras: a petição on-line, de cinco frases, que pede a discussão no parlamento da «demissão do Presidente da República» é uma palhaçada.
É uma palhaçada porque imagina um sistema político onde o Presidente da República pode dissolver o parlamento e o parlamento pode destituir o Presidente da República, assim numa espécie de roleta russa.
Também é uma palhaçada porque nasce de uma gaffe, de uma atitude que, na pior das hipóteses, revela que o actual Presidente da República é má pessoa; ora, a Constituição da República Portuguesa explica (artigo 130º) que o Presidente da República responde perante o Supermo Tribunal de Justiça e não perante a Internet. E responde «[p]or crimes praticados no exercício das suas funções» e não por inabilidades políticas e inaptidões sociais.
Mas é sobretudo uma palhaçada porque decide mascarar-se de palhaço: o texto é deploravelmente mal escrito (dá a sensação que foi escrito no iPhone por um «indignado» ao volante na auto-estrada) e absurdo. Como prova única, apresento-vos a terceira frase (que, lembro, constitui 20% da petição):
«Portugal sendo um país democrático a população que o integra é que decide quem fica, quem vai e quem é realmente merecedor de uma posição no Governo.»
No Governo, por Deus! No Governo!
Que se encontre uma pessoa não inimputável entre os «mais de vinte mil» signatários da petição é uma hipótese que coloco com reservas.
Lourenço Ataíde Cordeiro